1. GĠRĠġ VE AMAÇ
2.4. KALÇA EKLEMĠ BĠYOMEKANĠĞĠ
A parceria dos projetos VADL-MQF já tem previsto em seus objetivos o trabalho com a educação das relações étnico-raciais, sendo o trabalho desenvolvido a partir da pedagogia dialógica de Paulo Freire, buscando educar para e nas relações étnico-raciais, combatendo o racismo e as discriminações. Esta pesquisa propôs que fossem fortalecidas estas ações a partir de uma intervenção com Africanidades a fim de ampliar e contribuir com o trabalho já desenvolvido por educadores/as junto aos/às participantes do projeto, pois consideramos que o espaço do projeto VADL-MQF é espaço privilegiado de pesquisa e militância, aliando o referencial teórico de base do grupo com a práxis junto a crianças e adolescentes.
A intervenção foi realizada a partir de atividades desenvolvidas em sua maioria às terças feiras e também em algumas quintas-feiras, no VADL-MQF, semanalmente, de modo que a pesquisadora teve, entre uma semana e outra, um período entre as atividades para
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Fútbol Callejero pode ser traduzido ao idioma português como “Futebol de Rua” ou “Futebol Rueiro”. No
entanto, mantemos a expressão em espanhol a fim de manter a essência e originalidade da prática, originária de Moreno, periferia da área metropolitana de Buenos Aires, Argentina. Esclarecemos que uma partida de Fútbol
Callejero se joga com meninos e meninas na mesma equipe e em três tempos: no “1º tempo” são combinadas as
regras; no “2º tempo” ocorre o jogo de futebol balizado pelas regras acordadas pelos participantes. No “3º Tempo” são problematizadas as situações ocorridas no jogo e os participantes expõem seus pontos de vista, chegando-se, a uma pontuação que indica a equipe vencedora, não sendo necessariamente a que fez mais gols, mas a que melhor cumpriu os combinados feitos no “1º tempo” (ROSSINI et al., 2012).
poder planejar e reorganizar as inserções seguintes com base nas experiências já vivenciadas junto ao grupo de participantes colaboradores/as da pesquisa.
Além disso, vale destacar que a inserção da pesquisadora no contexto de pesquisa pautou-se no estabelecimento de relações de convívio e de confiança, a partir da inserção cuidadosa e comprometida, contribuindo para que os envolvidos se sentissem à vontade para expressar suas impressões.
A intervenção foi pensada e planejada a partir da inquietação que motivou a realização do estudo, bem como da convivência e atuação da pesquisadora no espaço da parceria dos projetos VADL-MQF, considerando as atividades que já são desenvolvidas no espaço e outras que poderiam ser desenvolvidas com a intencionalidade de ampliar as experiências vivenciadas no espaço.
O contexto de pesquisa da parceria dos projetos VADL-MQF é considerado como privilegiado para este trabalho por ter a atuação de educadores/as comprometidos com a educação dialógica pautada nas ideias de Paulo Freire, o que favorece a abertura para o diálogo sobre as Africanidades e seus desdobramentos. Compreendemos que a realização da intervenção no espaço se dá como processo de aprendizagem mútuo, onde todos e todas aprendem com os conhecimentos e experiências partilhados, demonstrando assim a abertura para construir novas imagens e representações acerca da cultura africana e afro-brasileira.
Cabe destacar as motivações para que a pesquisa fosse realizada neste espaço. O VADL-MQF já conta com a atuação de educadores comprometidos com uma educação voltada para o respeito e a valorização das diferenças, o que favoreceu tanto a receptividade da proposta de intervenção quanto a realização desta em parceria com a equipe de educadores, o que tornou o trabalho mais envolvente para o grupo como um todo. Além disso, durante a atuação da pesquisadora como educadora neste espaço, houve situações em que presenciou casos de racismo e discriminações, em sua maioria relacionados à características fenotípicas de crianças e adolescentes negros/as, estando presentes falas e posturas que visavam desqualificar e inferiorizar as características físicas dos/as mesmos/as. As mediações pertinentes nesses casos sempre foram feitas, de forma a lidar com o conflito educando para as relações étnico-raciais, o que despertou o interesse da pesquisadora de que estas experiências fizessem parte de um estudo a fim de desenvolver ações e fortalecer o VADL- MQF como espaço de ação e pesquisa, já tendo sido realizados outros trabalhos de pesquisa de Mestrado e Doutorado neste projeto, tais como: Belmonte (2014), Carmo (2017), Leal (2015), Santos (2008).
Os/as participantes desta pesquisa são crianças e adolescentes que frequentavam as atividades do VADL-MQF no período em que foi realizada a intervenção, com idade entre 6 e 12 anos, que foram convidados a participar da pesquisa/intervenção, sendo que estes receberam a documentação dos Termos de Consentimento Livre e Esclarecido e de Assentimento, devidamente assinados pelos responsáveis e pelas crianças e adolescentes, respectivamente. Vale destacar que o público que participa do projeto é bastante oscilante, não sendo portanto uma característica marcante a presença de todos em todas as atividades que compuseram esta intervenção.
A partir de solicitação da banca de qualificação, a pesquisadora retornou ao campo de pesquisa para coletar mais alguns dados dos/as participantes. No entanto, não encontrou o mesmo grupo de maneira ativa e atuante no espaço de pesquisa, o que dificultou compor uma tabela com características dos/as participantes que ficasse completa. Dos/as 40 participantes que estiveram presentes em pelo menos um dia das atividades, conseguimos dados mais detalhados de apenas 12 deles. Estes dados foram organizados na tabela abaixo: Tabela 3: Dados dos/as participantes6
Nome (Fictício) Idade Cor/raça Bairro Frequência
Gabriel 7 anos Pardo Santa Felícia 12
Fiorella 7 anos Rosinha claro Santa Felícia 14
Max 7 anos Branco com um
pouco de
marrom em
cima
Romeu Tortorelli 10
Emanuel 7 anos Moreno Planalto Paraíso 9
Flash 6 anos Negra Santa Felícia 14
Gabi 7 anos Branca Romeu Tortorelli 8
Paulo Guerra 7 anos Branco um
pouco pretinho Albdenur 7
Manoela 9 anos Mais ou menos
moreninha
Albdenur 8
Pelé 10 anos Branco Santa Felícia 12
6
James Over 7 anos Preta não!
Marrom Não soube informar 10
Benzema 9 anos Moreno Jardim Gonzaga 12
Cristiano Ronaldo
9 anos Branco Jardim Gonzaga 3
Rafaela Albdenur 5
Ibraimovich Jardim Gonzaga 6
Lucas 1
Paulo Albdenur 1
José 4
Jorge Jardim Gonzaga 2
Evandro Jardim Gonzaga 1
Hélio 1
Neymar Santa Felícia 1
Arthur 2
Milena Santa Felícia 15
Elton 13 anos Jardim Gonzaga 1
Frynkin 13 anos Cidade Aracy 8
David Luiz 11 anos Cidade Aracy 8
Cátia Santa Felícia 2
Anselmo 12 anos Jardim Gonzaga 2
Bruno Santa Felícia 6
Dora Cidade Aracy 11
Patrícia Santa Felícia 2
Vicente Santa Felícia 3
Carlos 2
Miguel 1
Messi Jardim Gonzaga 11
Alex 3
Roberto Santa Felícia 2
Felipe Jardim Gonzaga 1
César Jardim Gonzaga 8
A escassez de dados sobre as características dos/as participantes é um ponto de fragilidade desta pesquisa, pois em alguns momentos da intervenção realizadas tratamos sobre a percepção que os/as participantes faziam de si mesmos, sobre estética, cor da pele, caracterísicas, trabalhando inclusive com a produção de auto-retrato. No entanto, estas características não foram no devido momento abordados junto aos participantes com a finalidade de serem compilados em dados, o que muito iria contribuir para enriquecer o conteúdo desta pesquisa.
Tabela 4 – Educadores/as e colaboradores desta pesquisa
Nome Fictício Área de formação/atuação
Abayomi Educação Física/ Mestrado em Educação
Érica Música
Camila Pedagogia/Doutorado em Educação
Spina Educação Física/Doutorado em Educação
Jessy Educação Física
Enriqueta Educação Física/ Mestrado em Educação
Guga Santos Artista pernambucano radicado em São
Carlos
Eiri Educação Física/Mestrado em Educação
Grilo Música/ Doutorado em Educação
R2 Fútbol Callejero
Mestre Taroba Mestre de Capoeira vinculado ao Centro de Cultura Afro-brasileira Odette dos Santos
Tião Educação Física
Katulá Educação Física/ Mestrado em Educação
A intervenção foi pensada e organizada em momentos com a realização de atividades que seguiriam uma linha de raciocínio inicialmente pensada, mas a estrutura inicial sofreu alterações de acordo com as experiências junto ao grupo de colaboradores e também com as demandas do próprio projeto VADL-MQF.
A estrutura da organização da intervenção está na tabela a seguir: Tabela 5: Atividades da intervenção
DATA ATIVIDADES Nº DE PARTICIPANTES
01/03/2016 Conversa inicial, convite para participação na
pesquisa 2
08/03/2016 Contação de histórias: Histórias da nossa gente (Sandra Lane)
8
15/03/2016 Dinâmica: Quem sou eu? Como me vejo? – Produção de autorretrato
16
22/03/2016 Dinâmica: Quando você pensa em África, o que vem à sua cabeça? – Descontrução de imagens negativas sobre o continente africano
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29/03/2016 Brincadeira Africana: Labirinto 14
05/04/2016 Capoeira: Conversa sobre as origens, história do Mestre Pastinha e prática de golpes e movimentos da capoeira Angola
14
12/04/2016 Capoeira: História do mestre Bimba, Música: História da Capoeira (Geraldo Filme), movimentos da capoeira regional
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19/04/2016 Gincana das palavras: palavras de origem africana e indígena
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28/04/2017 Passeio ao Centro-Afro em São Carlos 14
03/05/2016 Contação de histórias: O mundo no Black Power de Tayó. Conversa sobre beleza e estética.
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10/05/2016 Roda de conversa sobre 13 de maio. Música: Lei Áurea (Carolina Soares) Produção de cartazes para campanha de combate ao racismo.
17/05/2016 Jogo da memória Adinkras africanos: símbolos
e significados 14
24/05/2016 Escravos de Jó/ Obonso 17
31/05/2016 História da Boneca Abayomi. Construção de bonecas.
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09/06/2016 Construção de instrumentos musicais: Maracá e ganzá.
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14/06/2016 Culinária: Cuscuz de Tapioca 5
21/06/2016 Roda de conversa sobre preconceito, estereótipo e discriminação
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23/06/2016 Vivência de samba de coco com o artista Guga Santos
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28/06/2016 Retomada das atividades, roda de conversa com slides de fotos.
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