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4. BULGULAR VE YORUMLAR

4.3. Edebi Eserlerde Kültürel Hayatın Çözümlenmesi/ Salah Bey Tarihi’nin Kültürel Çözümlenmes

4.3.1.3.3. Kahvehane ve Eğlence

Em linhas gerais, os autores apontados aqui, em especial Offe e Gorz, realizam uma análise unilateral da situação, ignorando as determinações mais simples que constituem o fundamento do qual se ergue todo o complexo de relações sociais por ele vislumbrado. Offe se equivoca ao considerar que a diminuição do setor secundário em detrimento ao terciário com relação aos empregos formais representa, de forma contundente, que o trabalho não é mais central no processo de sociabilidade. Afirmar isso significa afirmar que a lógica do capital teria se esvaído, ou, então, teria se transformado a ponto de que toda a sua tendência de desenvolvimento, marcado por respostas superficiais que agregam elementos de interesse recíproco dos capitalistas e dos trabalhadores – redundando em soluções em nada radicais –, não existisse mais.

Offe estaria diante de um determinado movimento, mas enxergou outro, completamente diferente:

[...] o que Offe evidenciou foi um processo de realinhamento do capitalismo, que não se ‘encabulou’ por usar velhas formas do processo produtivo, com o intuito de ampliar seu poder e sua dominação. Assim, o capital não tornou indispensáveis as formas de trabalho precário, temporário ou informal, como sugere Offe; ao contrário, as tornou, em diversos casos, interdependentes e funcionais ao núcleo central do capitalismo produtivo (ORGANISTA, 2006, p. 66).

Não reconhecendo que a crise da sociedade do trabalho nada mais é do que uma resposta equivocada ao entendimento e tentativa de superação da crise do capital, Offe articula sua teoria social rumo ao entendimento de que a crise do qual acredita estar

acontecendo apresenta uma dupla dimensão: ao nível da integração social e ao nível de integração sistêmica.

No primeiro nível, o trabalho é considerado um dever, uma atividade normativa vinculada diretamente à capacidade de cada indivíduo estabelecer determinada autonomia sobre sua vida. Refere-se aqui a uma determinada autonomia visto que, entendendo o ser humano como ser social, que se reconhece enquanto tal através de seu relacionamento necessário com outros seres humanos, ele nunca conseguirá atingir uma autonomia plena, desvinculada de qualquer relação social. O que lhe é reservado é uma tendência de aprofundamento de suas qualidades individuais, mas até isso só pode ser conseguido na interação com os outros de sua espécie.

No segundo nível, o da integração sistêmica, o trabalho é considerado como uma necessidade. Aqui se fala diretamente da esfera econômica, da produção e reprodução das condições materiais de vida.

A argumentação de Offe para sustentar a teoria da crise da sociedade do trabalho está focada na constatação do trabalho como categoria incapaz de operar como modelo de sociabilidade, seja ao nível sistêmico ou ao nível integrativo. No primeiro caso, Offe acredita que as transformações ocorridas realmente deslocaram objetivamente o trabalho, a ponto de perder seu lugar na realidade cotidiana dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, como consequência desse fenômeno, o trabalho perdeu sua força subjetiva de integração dos trabalhadores, ou seja, perdeu sua função normativa de criação de valores. O deslocamento do trabalho permitiu que se abrisse no horizonte do cotidiano da população trabalhadora um novo rol de opções de lazer e de atividades, que se afastam cada vez mais da rotina marcada pelo trabalho na fábrica.

Gorz acaba por identificar que a sociedade da época é passível de se configurar como uma sociedade de pleno emprego, pois que um grande contingente de trabalhadores foi liberado no mercado de trabalho, e não necessariamente do trabalho em si. Haveria para Gorz uma contradição entre a sociedade que abole de maneira substancial o trabalho e a ideologia dessa mesma sociedade, que mantém o trabalho como regra geral de sociabilidade para todos.

O não reconhecimento do neo-proletariado dentro de uma noção mais genérica, enquanto classe ou algo parecido evidenciaria a condição nova da economia, a formação de uma não-sociedade. Essa afirmação demonstra que Gorz não possui uma visão de devir suficientemente adequada para compreender essa situação do novo trabalhador como que derivada diretamente do capitalismo. Mais ainda, como uma continuação que se mantém dentro dos limites essenciais dessa forma histórica.

Mesmo considerando a subjetividade do trabalhador como algo indispensável a essa análise, Gorz cai em uma contradição que nega a subjetividade no processo histórico, ao mesmo tempo em que nega também essa processualidade, superestimando a importância do sujeito.

Não vamos a parte alguma; a História não tem sentido. Não há nada a esperar dela nem nada a lhe ser sacrificado. Não se trata mais de nos devotarmos a uma Causa transcendente que resgataria nossos sofrimentos e nos reembolsaria com juros o preço de nossas renuncias. De agora em diante, trata-se, ao contrário, de saber o que desejamos. A lógica do Capital nos conduziu ao limiar da liberação. Mas esse limiar só será transposto por uma ruptura que substitua a racionalidade produtivista por uma racionalidade diferente. Essa ruptura só pode vir dos próprios indivíduos. O reino da liberdade não resultará jamais dos processos materiais: só pode ser instaurado pelo ato fundador da liberdade que, reivindicando-se como subjetividade absoluta, toma a si mesma como fim supremo de cada indivíduo (GORZ, 1982, p. 93).

Claramente aqui, Gorz confunde o caráter essencial do ser social com seus desdobramentos causais. Não vê que a individualidade tal como ele concebe é fruto mediado da condição essencial de um ser social, cuja base é fundamentada pelo complexo do trabalho.

Nesse caso, Gorz reduz a categoria de alienação a um conceito que expressa uma prática humana meramente política, esquecendo que alienação é uma condição mais extensa, que se origina de uma determinada condição econômica. O fato de uma pessoa pensar diferentemente, capaz de agir demonstrando sua vontade, não deixa de ser alienada se for um trabalhador assalariado. Gorz acaba concebendo a moral como algo possível somente a nível individual, mesmo em interações sociais mais amplas. Visão restrita de individualidade, vista como condição de autonomia.

Independentemente da crítica feita aos autores abordados ao longo do capítulo, cabe ressaltar que todos eles colocam em perspectiva a ideia de que mudanças ocorridas na sociedade mundial na era moderna foram capazes de mudar concepções políticas e análises científicas sobre as relações sociais consideradas absolutas. Esse movimento acontecia questionando tanto o pensamento conservador quanto o emancipador. Outro exemplo é a teorização, não debatida durante o capítulo, de Robert Kurz, que em seu Colapso da modernização realiza uma explanação acerca do que ele considera a derrocada do socialismo de caserna e do fim do regime soviético no Leste Europeu. O autor defende a ideia de que o tão alardeado fim do socialismo, que aos olhos daqueles que se colocavam à direita ideologicamente representava também o fim da história, seria um perigo maior para a

humanidade do que se imaginava. Afinal, aparentemente, a direita estava tão em crise quanto à esquerda no momento, e no fim das contas ela em nada contribui, ao menos diretamente, para que a derrocada socialista ocorresse. Essas formas de manifestação ideológica demonstrariam uma estranha ausência de sujeitos nos processos sociais básicos (KURZ, 1993, pp. 16-18). A derrocada do socialismo exporia os limites da modernidade, de uma sociedade produtora de mercadorias que condena, a partir de sua lógica, um enorme contingente humano à privação das benesses modernas. Tanto no capitalismo quanto no socialismo, os processos sociais aparentam possuir características de fenômenos naturais, tamanha é a deficiência em sua compreensão.

A questão é, portanto, se não foi na verdade deflagrada [...], com a crise particular do sistema perdedor, uma crise global que também ameaça o pretenso vencedor e indica a existência de fundamentos comuns dos sistemas que poderiam servir de base para uma metacrítica (KURZ, 1993, p. 19).

Neste sentido, atribuindo a crise não apenas ao capitalismo ou ao socialismo, mas sim ao conjunto da modernidade, fundadora do pensamento mercadológico, Kurz acena o caminho que levou o debate acerca da centralidade do trabalho ao questionamento do projeto moderno. Vincula-se, assim, ao nível ideológico, todo o debate apresentado com a teoria da crise paradigmática de Santos. O sociólogo português associa a necessidade de transformação do paradigma moderno, e não apenas do capitalismo ou do socialismo, com a suposta necessidade de que isso se deve aos seus próprios limites. Em linhas gerais, essas mudanças estariam vinculadas, dentro da perspectiva de transformação da sociedade e dos agentes capazes de promover essa mudança, em uma nova configuração das relações de trabalho. Segundo o próprio Santos, a modernidade fundamentaria sua forma de socialização na atividade econômica, no trabalho produtivo. Entretanto, as mudanças na atividade econômica perpetradas pelo capitalismo ao longo do século XX teriam transformado a realidade de tal modo que o trabalho e as lutas vinculadas a ele teriam, senão extinguido, enfraquecido. Não a toa ele propõe, como novo exercício de transformação social, procedimentos distintos daqueles vigorados pelo pensamento socialista e marxista. A crítica ao marxismo tradicional não só figura no debate apresentado neste capitulo como também na obra se Santos, sendo ela o tratada no próximo capítulo.

4 O DEBATE ACERCA DA CRISE DO MARXISMO E SEUS