Os sentimentos dos pais no início do processo de intervenção interferem no sucesso da mesma. Neste sentido, os benefícios do diagnóstico e intervenção precoces só serão atingidos quando os programas de intervenção trabalharem também com os pais e não somente com a perda auditiva da criança (KURTZER-WHITE; LUTERMAN, 2003).
Gravel e McCaughey (2004) discutiram o modelo centrado na família para o diagnóstico e intervenção audiológica, como forma de minimizar o estresse dos pais no momento da identificação e diagnóstico da deficiência auditiva. Este modelo preconiza que a família seja o foco de atenção em todas as fases do processo: na triagem auditiva e referência para o reteste; antes, durante e após a avaliação audiológica bem como nos retornos de acompanhamento da criança. Os profissionais devem fornecer informação a respeito dos testes e intervenção, bem como suporte emocional aos pais. Ainda antes da realização dos testes o profissional deve explicar como e para que os procedimentos seriam realizados, explicar os resultados e, quando pertinente, justificar o motivo da solicitação de um novo retorno. Durante o fornecimento das informações o profissional deve estar atento às reações dos pais.
Russ et al. (2004) avaliaram as necessidades de informação e suporte ao lidar com o processo de suspeita e diagnóstico de perda auditiva em 82 pais de crianças com deficiência auditiva bilateral congênita, diagnosticadas com idade média de 16,7 meses e adaptadas com AASI com idade média de 29,3 meses. Os pais responderam um questionário com questões abertas a respeito dos caminhos percorridos durante o diagnóstico, compreendendo a suspeita da perda auditiva, o atraso entre a suspeita e adaptação dos AASIs, a eficiência do método utilizado para a detecção (emissões otoacústicas, potenciais evocado auditivo de tronco
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encefálico, triagem comportamental) e qualquer comentário que achassem necessário realizar. Dezessete por cento dos pais experienciaram sentimentos de negação, choque e tristeza no momento do diagnóstico, revelando a necessidade de suporte. O atraso no diagnóstico aconteceu em 53% dos casos devido as dificuldades de realizar os testes em algumas crianças, dificuldades na interpretação dos resultados, necessidade da repetição de diversos testes por longos períodos e a falta de recursos para marcar consultas. Cerca de 30% dos pais experienciaram dificuldades com o AASI, relataram dificuldades em colocar os AASIs devido a comportamentos da criança ou então porque esta retirava os aparelhos da orelha. Os autores concluíram que há necessidade dos profissionais fornecerem suporte aos pais nas diferentes fases do processo, estando capacitados para lidar com os sentimentos dos mesmos a fim de assegurarem melhores resultados no tratamento. Comentaram ainda que os pais deveriam receber mais informações sobre estratégias para o uso e cuidados com o AASI para conseguirem que seus filhos utilizem-no.
Van der Spuy e Pottas (2008) analisaram o diagnóstico e intervenção precoce da deficiência auditiva e a necessidade de suporte para 54 pais de crianças com deficiência auditiva congênita, com idade entre dois a sete anos, oralizadas e usuárias de AASI ou implante coclear. Primeiramente os pais responderam um questionário composto por quatro subcategorias: dados demográficos, experiência no diagnóstico e intervenção precoce, necessidade de suporte e aconselhamento e as informações que necessitavam. Posteriormente foram conduzidos grupos de discussões com dez pais com o objetivo de identificar diferentes pontos de vista e processos emocionais em situações de grupo. Observou-se que os pais consideram importante obter suporte durante todo o processo, a participação em grupos de pais para a troca de experiências e o acesso a informações claras e por escrito para que possam ter acesso sempre que acharem necessário.
Yucel, Derim e Celik (2008) avaliaram as necessidades de informação e suporte ao lidar com a deficiência auditiva no processo de reabilitação em 65 pais de crianças com deficiência auditiva pré ou peri lingual, usuárias de AASI ou implante coclear, com idades entre 24 e 380 meses (média de 80 meses). Os pais estavam envolvidos em um programa auditivo-verbal e completaram e encaminharam, via correio, o Questionário de Necessidades das Famílias (Family Needs Survey) adaptado para famílias de deficientes auditivos. Este questionário investiga as necessidades de informação e suporte em sete áreas: informação geral (crescimento e desenvolvimento da criança, habilidades de fala e do brincar, estratégias para lidar com o comportamento da criança), informação sobre audição e perda auditiva, comunicação, serviços e recursos educacionais, família e suporte social, serviços comunitários
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de cuidado à criança e questões financeiras. Para cada área existem afirmações e os pais foram solicitados a indicar dentro de quatro alternativas de resposta (não, não tenho certeza, sim- discutir, sim- informação) qual era a mais apropriada. Cerca de 37% dos pais solicitaram mais informações sobre a audição e deficiência auditiva e 53,85% estavam incertos sobre como seus filhos ouviam e a causa da deficiência auditiva. Aproximadamente 65% estavam incertos sobre a função do AASI e 41,5% necessitavam de informação sobre como fazer a criança utilizar os aparelhos. Além disto, 53,8% dos pais estavam incertos quanto ao recebimento de métodos adequados e efetivos para a estimulação das habilidades auditivas de seus filhos e 63% indicaram necessitar maiores informações por escrito, materiais e vídeos educacionais. Outras informações importantes foram a de que 55,4% dos pais expressaram necessidade de conversar com alguém da família ou com amigos sobre suas preocupações e 70% necessitavam de ajuda para que os membros da família pudessem aceitar a deficiência auditiva da criança. Também 66% dos pais necessitavam de ajuda para explicar o problema auditivo da criança para outras pessoas. Foi verificado que a necessidade de informações nos diferentes tópicos variou de acordo com a duração do processo de intervenção. Os autores concluíram que a criação de um ambiente educacional adequado que considere as necessidades individuais e a dinâmica das famílias em uma abordagem terapêutica auditiva- verbal e aconselhamento são igualmente importantes e que o posicionamento dos pais em um papel de maior importância produz melhores resultados.