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B. Pazarcılığın Olumlu Özellikleri

4.2.6. Kadınların Gelecek Planları

9 Cala - Fala

Não só as trocas de sílaba mas as supressões de letras também surgem: 9 Cabelo - (ca)BELO

9 Armário - (ar)MÁRIO

9 Corpo - CO(r)PO

Fica evidente que não basta criar apenas técnicas de ensino isoladas. É preciso mudar as relações sociais que envolvem essas (es) educandos. Essa mudança se efetiva ao assumir a dimensão dialógica do ato educativo que permite mutuamente que o aprendizado ocorra;

assumir que a palavra é um elo entre o que um sabe e o que outro precisa saber, e não a palavra como entidade proibida em nome da falsa concentração e do conhecimento egoísta.

Como destaca Ana Chistina Lima (2003):

As crianças [jovens] são incentivadas a ajudar a amiga ou o amigo que ainda não consegue... A aprendizagem mútua torna-se cada vez mais presente é passa a ser vivenciada de forma coletiva e cooperativa. Com o passar do tempo, as discussões entre as crianças [jovens] para a resolução das atividades são permeadas pelo confronto de idéias320.

Nesse processo de constituição mútua não me parece ser a melhor saída apenas desenvolver técnicas de ensino. As (os) jovens dessa Classe estão envoltas (os) por um processo de exclusão que os estigmatiza e os rotula como educandas (os) com problemas de aprendizagem. As estigmatizações foram construídas a partir da totalidade das relações sociais, como as condições financeiras, sociais e educativas. Essas condições que servem para justificar a exclusão, precisam ser “colocadas à mesa” e não escondidas “embaixo do tapete”, pois com as singularidades de cada uma/um, que foram construídas a partir da totalidade das relações sociais, é que se solidifica uma constituição mútua que possibilite construir coletivamente uma lógica diferente que contribua na superação das condições de exclusão.

Construindo essa superação é que trago para a dimensão curricular as situações- problema-desafio. Não me furto a discutir as condições de moradia, de segurança, de lazer e outras que dizem respeito à condição de ser social de cada uma/cada um.

Momentos como em que elas/eles relatam as condições de moradia foram fundamentais para discutirmos sobre um problema que quase todas (os) enfrentam. Ao escutar o relato do Alex sobre as condições em que vivia quando morava com a avó, dividindo poucos cômodos com mais quatorze pessoas: “Não dá nem pra andar de noite, porque fica um monte

de colchão no chão”. Ou quando a Aléxia revela que não estuda no estado de origem porque lá

não tem o programa Renda Minha. São feitas intervenções no sentido de mostrar que essas condições só serão superadas se a cada dia nos tornarmos pessoas participativas na escola, em casa e nos outros ambientes sociais.

320320

5.6.2 – Rodas de Leituras

Esse Dispositivo da Ação Pedagógica Investigativa é criado para dar resposta a uma das grandes dificuldades do processo de alfabetização: a leitura partilhada.

A roda de leitura é uma estratégia utilizada para integrar o grupo e desenvolver a leitura e a escrita e, sobretudo, aprimorar o aprendizado mútuo. A inibição e a vergonha que tomam conta dessas (es) jovens (es) que temem não conseguir decodificar algumas palavras é um grande empecilho para o desenvolvimento da leitura. Por já ter vivenciado situações que me fazem redimensionar a prática da leitura em sala de aula, busco no meu passado pedagógico, ações que me permitam reinventar o presente, agora como pesquisador-educador- pesquisado.

Essa necessidade de ter que contribuir com a superação das dificuldades de leitura me permite propor um momento semanal destinado para leitura compartilhada. O primeiro passo é a livre escolha de um livro de literatura infanto-juvenil. Em seguida a (o) jovem escolhe o melhor local para fazer sua leitura individual. Ficamos em sala ou uma área externa onde adentramos no universo da literatura infanto-juvenil.

Após a leitura é pedido que escolha uma (um) colega para que ouça a sua interpretação oral da história lida. Feito isso é hora de passarmos para a leitura compartilhada.

Essa ação pressupõe a escuta elaborante, pois a medida que for lendo a sua história o leitor vai pedir para algum colega significar/comentar o que foi lido. Nessa estratégia todos escutam a todos e todos fazem a leitura para todos. A rede de significação para cada história se amplia pelo fato de várias (os) educandas (os) participarem da roda. Com essa dinâmica torna-se recorrente comentários como:

– Eu não tinha entendido que esse reizinho que manda em todo mundo, parece com ‘uns

político’ chato de que só mandar. (Alessandro, após ouvir o comentário de outro

– Mas sabia que tem madrasta que é ruim igual a da Branca de Neve. Minha tia pensava que

era minha madrasta. (comenta Aléxia, se referindo-se ao livro: Branca de Neve e

os Sete Anões.);

– Como é que essa coelhinha pretinha ia ter um filhotinho branco?nem se pintando ela é preta

mesmo? (Joceane fazendo referência ao livro: Menina Bonita do Laço de Fita,

de Ana Maria Machado.).

A significação dada à leitura, quando partilhada no coletivo, assume um caráter intersubjetivo. Não é dada apenas uma significação de caráter subjetivo, como tem um ouvinte atento para uma possível troca dialógica. As significações assumem um caráter social, ligadas às experiências vividas ou conhecidas.

No primeiro caso, Alessandro faz uma relação entre a prepotência do Reizinho da história com políticos denominados por ele de “chatos”. Aléxia faz uma significação ligando diretamente o seu comentário a sua experiência. Ao vir para Brasília ela mora com uma tia, aguardando a chegada da mãe. Joceane, mais uma vez, traz as questões de raça para a roda. Ela que já havia se reafirmado enquanto negra ao dizer que “sou neguinha mesmo” , agora ri da possibilidade de se mudar de cor apenas com uma tinta. Descubro em outra oportunidade que ela convive com uma tia que é militante do movimento negro, isso sinaliza o porquê nas suas intervenções.

Na CAAL esse processo só consegue ganhar essa amplitude no final do mês de novembro. As dificuldades de leitura atravancaram o processo, mas as tentativas de fazer a roda de leitura funcionar - desde agosto - foi fundamental para dois dos sujeitos da pesquisa: a Aléxia e o Alex. Esses sempre pedem para levar livros para casa com o objetivo de ler para os irmãos menores. A solicitação para levar livros para casa sinaliza o que venho afirmando ao longo do trabalho: a constituição do ser humano nas relações sociais.

Sempre que levam um livro retornam não só contando como é a história, mas também como que a irmã ou o irmão mais novo reagiram à leitura feita pela (o) jovem alfabetizanda (o). Essa leitura no lar encoraja as (os) jovens a aceitarem o desafio proposto para a expansão da nossa roda de leitura em outras salas.

Apresento à professora de uma 1ª série minha pretensão de enviar um (a) jovem de cada vez para realizar leitura aos pequenos da sua sala. Pois, nesse trabalho-pesquisa-vida que é alinhavado por um Complexo de Vida e Música, o nosso canto e nosso som não podem ficar isolados, precisam propagar-se e alcançar outros ouvidos outros corações. Isso porque esse

processo de constituição, além de mútuo precisa ser contagiante.

A aceitação por parte da professora é imediata, por outro lado, poucos são os que assumem essa natureza compartilhada da leitura. Isso trava um pouco a amplitude da atividade, mas não apaga o seu brilho, porque os dois pesquisados, que já citei, mais um outro jovem assumem semanalmente essa leitura compartilha.

As ações coletivas fazem as (os) jovens perceberem que na caminhada constitutiva podem não só aprender, mas também ensinar. Isso é perceptível na Aléxia quando apresenta preocupação em ajudar o irmão na classe/sala e fazer a leitura para outros em casa.

Por fim, destaco que esse dispositivo é um dos elementos da ação pedagógica que me possibilita investigar os processo de aprendizagem e desenvolvimento humanos na Classe de Aceleração –Alfabetização do Centro de Ensino Fundamental Granja das Oliveiras/602, bem como perceber que, como pesquisador, ao entrar na referida classe/turma e ter que redimensionar a prática em função das respostas das (os) educandas (os); aprendo no processo, tornando-me assim, também um investigado.

Investigação pessoal que me leva a repensar: Até que ponto a ida de apenas três jovens a uma classe de 1 ª série não bloqueou a (o) demais? Pois as que se negam a ler em outra turma não estão no mesmo patamar de leitura que os três que aceitam o convite. Só no exercício de elaboração torna-se possível reelaborar o aprendido e redimensionar a prática pedagógica, que nesse caso ganha o caráter investigativo.

Investigação que me leva a crer que todos esses elementos fazem parte de uma tentativa de perceber a totalidade da exercitação currículo. Uma nova exercitação que, ao invés de olhar somente para os conteúdos da CAAL, olha para o ser humano que é parte fundamental dessa ação e, conseqüentemente dessa pesquisa. Com esse olhar foca-se os processos de aprendizagem para que na ação constitutiva mútua se busque superar a não- aprendizagem.