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O período em que se estabiliza a República brasileira acumula uma série de acontecimentos característicos do tipo de gestão administrativa e cultural do País, ao mesmo tempo, dá forma a uma das faces mais nítidas da Nação e peculiarmente oculta sua prática mais explícita. O Brasil dá indícios da passagem de sistema econômico baseado na monocultura agrária para a industrialização já rotineira em outros países do Ocidente, tendo escolhido mudar o sistema de governo de monarquista para republicano no final do século XIX. Este episódio tem como vanguarda a abolição da escravatura. As várias convulsões que tomam corpo na instalação da Nova República denunciam a fragilidade das instituições e obrigam execuções práticas contra a livre expressão e o direito individual.

O período que vai de 1889 a 1930 significa a estabilização republicana com o uso da força das armas e dos decretos de estado de sítio e habeas corpus. As armas e o estado de sítio, como mecanismos de governo, neutralizam a pressão emanada das diversas oposições tradicionais, ligadas à monarquia, e também vindas dos aliados e de defensores convertidos em ferrenhos críticos, como os intelectuais do movimento abolicionista e republicano presos pelo marechal Floriano Peixoto: José do Patrocínio, Nilo Peçanha e outros. O habeas corpus, especialidade de Rui Barbosa, líder e candidato a presidente civilista da República, consagra-se como o meio de luta legal contra o estabelecimento renitente de ditaduras em plena gestão republicana.

O discurso de identidade nacional constrói para o Brasil, durante o Império, pela literatura, grosso modo, a idéia positiva de que se vai vencendo o primitivismo do selvagem autóctone pela força da civilização, o que contribui para edificar um povo progressivamente de índole pacífica. Esse pressuposto também está vinculado ao desempenho do liberalismo republicano. Ao contrário disso, o que se vê é o

desenvolvimento, por requintes, de atributos violentos. A rotina do estado de sítio, tantas vezes utilizada pelos primeiros presidentes da República, deu mostras de uma ordem que alcançaria seu ápice nos mandatos ditatoriais de Getúlio Vargas e dos generais de 1964 a 1984, como indícios de tradição sempre negada. As derivações traumáticas das escolhas pela ditadura, pela rotina da fraude e pelo golpe foram disfarçadas pela antiga índole pacifista do século XIX. Quanto mais se pratica a violência individual e social, mais se apregoa a qualidade, quase uma identidade coletiva por apreciar a paz. Nelson Werneck Sodré explica sua visão sobre o momento a partir do foco jornalístico:

A imprensa brasileira vai viver, daí por diante, uma nova fase, difícil, conturbada, pontilhada de movimentos militares de rebeldia, agitada por campanhas políticas de extrema violência ― tudo aquilo que, no fim de contas, prepara a Revolução de 1930, divisor do desenvolvimento histórico brasileiro, marco em nossa existência.45

A busca do sentido de toda a teia de acontecimentos governamentais parte do “Bombardeio da Bahia”, já abordado em capítulo anterior, o qual dá sentido a eventos que relacionam O Imparcial e a Bahia, obrigando a uma outra compreensão da história do Brasil e da região. Além de conter estudo sobre a cordialidade e a organização do latifúndio brasileiro (fontes clássicas de interpretação tanto férteis quanto numerosas), o olhar crítico sobre a Primeira República e a Era Vargas deve passar também pela investigação dos limites entre violência e direito civil. Os estragos de grandes proporções causados à capital, Salvador, fazem nascer o discurso que sustenta O Imparcial, de tal forma que o jornal e a Bahia estão ligados diretamente à violação pessoal.

O recurso à violência institucional exige que se repense seus limites e visões. Até mesmo o coronelismo e o cangaço, fenômenos muito visitados para diferenciar a ordem social dos grandes centros e as regionais, passam por esse olhar sobre a violação dos direitos do Outro, fazendo às vezes de modelo administrativo. Tema comumente visitado pela literatura, a violência se reveste de sentidos sociológico e

psicológico.

Em outro olhar dessa vocação pela violência institucional no Brasil, o jornal tanto pode aconselhar seu controle como incentivar o escape em alta escala de seu recurso, sem que nenhuma das duas orientações (contra ou a favor) seja tomada como exótica nesse contexto. O exotismo ou escândalo da violência é notado quando vai contra quem tem a fala do discurso: o jornal e seus representantes. A mais forte estratégia de barbárie se instaura quando a própria voz simbólica do meio de comunicação não pode ser proferida: o empastelamento.

O jornal torna-se ambivalente ao interpelar a violência que o motiva: tanto pode ser o veículo de denúncia, quando mostra fotos e descreve eventos sinistros individuais (como o suicídio muito em voga naqueles tempos), e coletivos (como os tiroteios e as ciladas públicas). Também as redações tornam-se o próprio corpo violado quando sofrem invasões e são depredados em sua capacidade operacional. Nesse caso, entra em cena a rede consorciada dos veículos jornalísticos que publica o sofrimento do órgão irmão ou cede as suas oficinas para que o jornal empastelado não deixe de existir.

Há a literatura impressa nas páginas grandes, por entre este emaranhado de acontecimentos políticos e sociais, que somente uma reflexão longa e corretamente recortada em seus aspectos identificadores tem condição de dar conta, cobrindo percursos teóricos de diversas áreas do conhecimento. A dificuldade de interpelação do bloco cultural sempre atinge as convicções acabadas do pesquisador, as mesmas que orientam pela simples recolha do corpus literário e a sua abordagem longe das inseguranças da cotidianidade do jornal. Um complicador é que a literatura tem sua própria identidade teórica e estética, infensa a contingências seculares. Por isso, o enfrentamento da literatura com vistas à atuação em suporte onde é tornada pública promove abertura para conceitos, aspirações e teorias literárias locais.

O Imparcial registra e dá visibilidade a uma das fases mais férteis da literatura

brasileira e baiana: os estertores do Simbolismo, o surgimento e negação do Modernismo, a inclusão dos autores baianos. A quantidade de literatura impressa

em suas páginas quase o qualifica como um jornal literário, não fossem os gêneros estarem intimamente articulados, na figura de seus escritores, jornalistas e redatores, à defesa de uma postura ideológica derivando numa prática partidária conservadora. Os textos cronísticos e ficcionais também refutam outras idéias, quase sempre ligadas ao centro da República e a uma complexa teia de ações e legislaturas que aumentam o poder central e o retiram das circunscrições locais.

As estratégias de discursos praticadas em suas colunas o posicionam como um veículo de oposição, na maioria das vezes que atua, embora isso seja combatido em alguns momentos. O Imparcial assume um lugar de reivindicador da democracia porque a Bahia e o Brasil regularmente envolvem-se em golpes, estado de sítio ou ditaduras. Essa prática reativa nem sempre está do mesmo lado ideológico, oscilando entre as classes conservadoras: coronéis e oligarquias; integralista, socialista e comunista. Nele, estão os embates estéticos vinculados aos movimentos políticos, econômicos e culturais que sensibilizam os leitores e os escritores.

Embora existam jornais com esse nome desde o século anterior, o diário adere a O Imparcial carioca, fundado em 1912 por Macedo Soares.46 A figura

poderosa de Rui Barbosa estabelece ligação entre as duas publicações homônimas:

Em 1919, o Estado [O Estado de São Paulo] apoiaria, novamente, a candidatura de Rui Barbosa à presidência da República, resultante do impasse político a que levara a divergência entre os três Estados líderes dos destinos nacionais quando Nilo Peçanha, chefe do situacionismo fluminense, lançou o nome do grande baiano, secundado logo pelos dois jornais mais combativos da capital do país, o Correio da Manhã e o

Imparcial. Foi, mais uma vez, inútil: as eleições, realizadas em 13 de abril

de 1919, deram a Rui, oficialmente, 118.303 votos; a Epitácio, 249.342. A 18 de julho, Epitácio tomava posse na presidência da República.47

Na biografia do “Águia de Haia”, o eminente político baiano João Mangabeira faz as linhas de contato tanto entre o jornalismo e Rui quanto entre os jornais

46 SOARES, José Eduardo de Macedo. Nascimento: 4 set. 1882, Cordeiro, RJ; Falecimento: 11 maio 1967; Filiação: José Eduardo de Macedo Soares e Cândida Sodré de Macedo Soares. Histórico Escolar: Oficial da Marinha e Escola de Marinha; Profissões: Militar e Jornalista; Deputado Federal – 1915 a 1917, 1918 a 1920, 1921 a 1923, Constituinte: 1933 a 1934; Senador: 1935 a 1937. Disponível em: www.senado.gov.br/senadores_biografia. Acesso em 13 set. 2006.

mencionados. Os laços do tribuno com a Bahia constituem outro aspecto que deve ser visto com cuidado, daquele bloco multicultural e multiteórico encontrado no periódico:

Em fim de 1912 surgira O Imparcial, sob a direção de um jovem tenente, que num rasgo que o caracterizou, apesar de ter mais de 10 anos de serviço, não tratara de ajeitar uma reforma, mas pedira demissão da armada. [...] A certos aspectos, Macedo Soares é o patriarca do tenentismo. [...]. Um jornalista desse idealismo e dessa galhardia não podia deixar de se transformar, dentro em pouco, numa pessoa querida de Rui. Por outro lado, não era próspera a vida do jornal. Daí multiplicar-se Rui nas entrevistas repetidas que dava ao Imparcial, por ver se assim lhe aumentava a circulação e o amparava. 48

Na Bahia, em 1919, a campanha pró-Rui cria a coalizão que o jornalista Walfrido Moraes e outros autores sempre lembram de mencionar. Enrijecida, ela não tarda a retornar em outros momentos decisivos da cultura política e intelectual baiana e do País, como a Campanha Autonomista de 1930 e de 1949:

É uma oposição que passa a atuar fortemente, cerradamente, no Congresso Nacional, na Assembléia Geral Legislativa; no Conselho Municipal, nas praças públicas ― em comícios memoráveis para o povo, nos teatros ―, em conferências magníficas para as elites; na imprensa, através de reportagens, editoriais e artigos assinados que refletem a cultura política. É uma oposição que se chama Rui Barbosa, Octávio e João Mangabeira, Ernesto Simões Filho, Pedro Lago, Luiz Viana, Medeiros Neto,

Lemos Brito, Madureira de Pinho, Homero Pires, Ubaldino Gonzaga. É

uma oposição que reúne, contra o situacionismo, fazendo opinião pública, os três mais destacados jornais da terra ― A Tarde, O Imparcial e o Diário

da Bahia; além de O Imparcial, de Macedo Soares e o Correio da Manhã de

Edmundo Bitencourt, no Rio de Janeiro.49

Fundado em 4 de maio de 1918 por Lemos Brito50 como “Órgão das Classes

48 MANGABEIRA, João. Rui, o Estadista da República. Rio de Janeiro: José Olympio, 1943. p. 182- 184. (Documentos Brasileiros, 40).

49 MORAES, 1997, p. 124-5. Grifo nosso.

50 José Miguel de Lemos Brito. Salvador, Ba. 27 ago. 1886 — Rio de Janeiro, RJ. 19 dez. 1963. Orador, poeta, teatrólogo, romancista, jornalista, diplomado em Direito pela Faculdade da Bahia (1907), sociólogo, historiador, criminologista, membro da Academia Carioca de Letras. Fonte: COUTINHO, Afrânio e SOUSA, J. Galante de. Enciclopédia de literatura brasileira. Rio de Janeiro: FAE, 1989. 2 v. v. 1, p. 351.

Conservadoras da Bahia” para combater o interventor J. J. Seabra, O Imparcial encerra suas atividades em 1947, através de pedido de falência. O período de três décadas expõe um jornal com vários donos, configuração gráfica diversificada, “heróis” eleitos, múltiplo e nem sempre coerente posicionamento ideológico; circula de terça-feira a domingo e, em dias especiais e datas cívicas, às segundas-feiras. Publica inicialmente com quatro páginas e estabelece o padrão de oito. Chega a imprimir de dezesseis a vinte e uma páginas quando noticia, em caráter especial, o “excelente” trabalho do general Franco, na Espanha, e quando Landulfo Alves, interventor federal na Bahia, apresenta os resultados administrativos anuais.

O número um (1), de 4 de maio de 1918, tem as seguintes dimensões: cinqüenta e seis (56) centímetros de altura por quarenta e três (43) centímetros de largura; em nove (9) de janeiro de 1930, a página tem cinqüenta e cinco (55) centímetros de altura por quarenta e quatro (44) centímetros de largura; no seu último número, registrado em vinte (20) de maio de 1947, são as seguintes as dimensões: sessenta e três centímetros (63) de altura por trinta e dois (32) de largura, por causa da contenção de gastos. O pesquisador Jairo Costa Júnior51

afirma que, em 1941, a tiragem de O Imparcial é de catorze (14) mil exemplares, para uma população soteropolitana de duzentas (200) mil pessoas. O jornal representa uma das lideranças entre os órgãos da imprensa local.

O seu número um (1) apresenta notícias cotidianas como se estivesse na praça há tempos: explicitamente representa a oposição no combate ao governo, noticia os últimos momentos da I Guerra Mundial e apóia apaixonadamente a Campanha de Rui Barbosa à presidência da República. A desenvoltura do jornal se justifica na freqüente mudança de casa de seu diretor. Vários o tinham acolhido antes de fundar o periódico em estudo. Lemos Brito narra o nascimento de O

Imparcial, tão infiltrado no tempo presente que não tem em vista a noção de que é o

surgimento de um meio de comunicação de massa que permanecerá informando e influindo por quase trinta anos:

51 JÚNIOR, Jairo Costa. Diário do coronel, Franklin Albuquerque utilizou O Imparcial como trincheira no combate ao interventor Landulfo Alves. Correio da Bahia, Salvador, 21 maio 2005. 'O Repórter', p. 1.

Recebi o golpe dos inimigos da Bahia como uma provocação e um incentivo. As classes conservadoras estavam sem jornal. Faltava-lhes um órgão identificado com o seu pensamento e o seu espírito. Nasceu em mim a idéia de fundá-lo. Uma tarde, com uma lista de inscrição, procurei os meus amigos do comércio, e às seis horas, subindo, trazia completo o capital de 110 contos, por mim mesmo estabelecido para o meu jornal. Só então apurei que não havia semeado no deserto. Só uma recusa tivera eu, mas esta amabilíssima, por mera questão de princípios e idéias.52

Timidamente no começo, a literatura que se imprime desde o primeiro dia segue o projeto de fixar o jornal, as idéias nele defendidas e o conceito literário e intelectual que caracteriza sua existência. Dentre essas premissas há a erudição dos bacharéis e médicos provindos das faculdades locais, o valor dos jornalistas e críticos locais, sempre articulada com o que acontece no centro do Brasil, em Portugal e no restante da Europa.

Um ano depois da inauguração, o seu diretor-proprietário, em texto de 10 de agosto de 1919 ― “Aos meus cidadãos” ― informa que está deixando a Bahia, dirigindo-se ao Rio de Janeiro. Segundo ele, as razões do abandono repentino deixam evidente a força do governador Antônio Moniz, posta em prática nos golpes de empastelamento, nas tentativas de homicídios, como as que sofreram o dono do tradicional A Tarde, Simões Filho, e ele próprio. “Arrefecido o turbilhão na sua ingênita braveza, compreendo que nem tudo nos arrebatou a insólita intervenção federal, com as suas baionetas canhões; alguma coisa de indestrutível nos ficou dessa rajada (...)”.53

Em assembléia de acionistas, noticiada pelo periódico em 19 de agosto de 1919, Brito publica a decisão definitiva de afastamento do cargo de diretor do jornal. Ele indica o nome de Homero Pires para ocupar o lugar de redator-chefe. Na despedida de O Imparcial, Lemos, em artigo de página inteira, descreve a sua figura de jornalista, político, jurista e empresário até aquela data. Ao afirmar o entendimento pessoal da prática jornalística, cita o diário de sua propriedade destruído pelos projéteis de 1912. O famoso Bombardeio da Bahia faz renascer a campanha civilista de Rui Barbosa:

52 BRITO, Lemos. Entre o coração e a consciência, em despedida. O Imparcial, Salvador, p. 1, 20 ago. 1919.

Na imprensa, jamais me acomodei às posições duvidosas. Nos jornais em que hei trabalhado, entrei e saí, sempre, quando julguei do meu dever — Redator de A Bahia e do Correio da Manhã, redator chefe do Jornal

Moderno e do Jornal de Notícias, nada a eles me prendeu quando julguei

soada a hora de minha retirada — Diretor-proprietário do Diário da Tarde, que a sanha malvada dos bombardeadores destruiu, e saqueou, queimei- lhe, ali, até o último cartucho contra a política sangrenta que então se acabava de ensaiar nesta cidade, para não mais desaparecer.54

Os profissionais do periódico homenageiam o seu diretor com textos no mesmo número. O Imparcial só sai publicado novamente no dia 23 de outubro, após um mês de intervalo, com nova diagramação e tamanho reduzido da página. No dia 18 de dezembro de 1919, a notícia sobre a falta de um monumento ao poeta Castro Alves transforma-se numa campanha que se arrasta por toda a década de 20 e de 30, motiva o aparecimento da Praça Castro Alves, no antigo local onde ficava o teatro São João, também bombardeado em 1912. Essa estima dedicada ao “poeta dos escravos” é ensejo para o aparecimento da Organização Oficial de Ala das Letras e das Artes, em 1936.

Um dos diários ligados ao governo é O Jornal de Notícias, segundo depoimento de Lemos Brito, em “Entre o coração e a consciência, em despedida”, de 20 de agosto de 1919. Em 1920, quando destaca a figura do coronel da Chapada, Horácio de Matos,55 O Imparcial aparece como “propriedade de uma

sociedade anônima”, e não há referência em seu cabeçalho a um gerente ou redator-chefe. Muitas vezes, a falta dos nomes dos dirigentes se deve à violenta perseguição política que sofrem naquele momento. Devido ao desmando no final do seu governo, o próprio Antonio Moniz solicita a intervenção federal. Em “O começo do fim”, afirma o pedido interventor e a marcha de “O Cel. Horácio de Matos a caminho da Capital”, de 19 de fevereiro de 1920. O diário expõe sua posição ― contra o governo e a favor dos coronéis.

Walfrido Moraes afirma, ao escrever a biografia do fundador do jornal A

54 BRITO, Lemos. O Imparcial, Salvador, p. 1, 20 de ago. de 1919.

55 Horácio Queirós de Matos (Chapada Velha de Brotas de Macaúbas, 18 de março de 1882 — Salvador, 15 de maio de 1931) foi um político e coronel do sertão baiano da primeira metade do século XX.

Tarde, que Simões Filho, o protagonista da narrativa, arquiteta e incentiva, em seu

veículo de comunicação, a tomada do poder pela força dos exércitos particulares do interior, ao acolher e apoiar sua maior figura: Horácio de Matos. Também O

Imparcial toma lugar nessa demanda, que é perdida nas urnas. A relação entre os

dois periódicos, referida pelo próprio L. Brito, é tão íntima que o diário fundado em 1918 reproduz a página de A Tarde, com o título “A Paz do Universo”, em comemoração ao final da I Guerra Mundial. Essa estratégia demonstra o consórcio de órgãos de imprensa de oposição ao governo da Bahia.

O imparcial termina em 20 de maio de 1947. Sua última campanha, além da

candidatura de Gaspar Dutra para presidente, é de apoio a Octávio Mangabeira a governador do estado da Bahia ― são os tempos da autonomia. Pelas suas páginas passam insinuantes eventos e apaixonadas defesas de posições políticas, cujas tintas adornam e explicitam a cotidianidade do ser. A ordem da literatura, configurada em sistema em movimento, acompanha esse percurso prisioneira e atraindo a realidade com vistas a debates em instâncias próximas e longínquas.