B. Sarı Saltık ve Saltıknâme Hakkında
B.9. Saltıknâme’nin Yazma Nüshaları
3.1. Kahramanın Silahları
3.1.1. Kılıçlar
Apesar da tendência à estagnação da Saúde Pública, a década de cinqüenta iniciou-se de forma promissora com relação à sua importância para a saúde brasileira. Esta década foi marcada por uma retomada da discussão dos padrões de desigualdade e miséria, e sua relação com a saúde. O pós guerra e o fim do Estado novo permitiram um amplo debate sobre o papel da saúde pública no país. Posteriormente, a Aliança para o Progresso representou um aporte de recursos para os países latino-americanos, na tentativa de melhorias de suas condições sociais. Havia o interesse norte-americano em fortalecer sua influência no continente frente à ameaça da Guerra Fria. Foi desta época a elaboração do primeiro método de programação em saúde, priorizando investimentos em saúde segundo critérios de custo-efetividade.
Desde os anos cinqüenta o conhecimento sanitário passou a basear-se em nova disciplina: a Medicina Preventiva. Ela tem como aporte teórico o
Modelo da História Natural da Doença85, passando-se a partir daí a preconizar o diagnóstico precoce das patologias e um sistema articulado de cuidados em níveis progressivos de atuação, correspondendo a cada um deles
“complexidades patológicas, a partir do horizonte clínico, e considerando, previamente a este, as complexidades assistenciais de situações pré-patológicas ou patologicamente simples, mas relevantes do ponto de vista educativo”.86
Tornava-se necessário, então, investir no desenvol-vimento de uma prática sanitária que abrangesse outras dimensões que não só a médica hospitalar, mas também aquela de nível ambulatorial. Isto se materializou, em tentativas de reestruturação das redes de Centros de Saúde, especialmente ao
84 Cohn, 1980. p. 22.
85 Leavell e Clark, 1976. 86 Schraiber e Gonçalves, 1996.
longo da década de sessenta e início da década de setenta. A antiga aversão ao tratamento médico ambulatorial atenuou-se sem que, contudo, passasse a ser uma prática hegemônica na organização da Saúde Pública. Uma nova reforma era preconizada, mas esta tinha um conteúdo integrador e conciliador das lógicas clínica e epidemiológica.
“Durante decênios, após o auge das campanhas, ficou a Saúde Pública relegada a uma estagnação intelectual e material, sem acompanhar o mesmo ritmo de desenvolvimento dos meios oferecidos para a prestação dos serviços de medicina curativa, passando praticamente a ser considerada atividade secundária e colocada em posição de isolamento...o escopo final será provavelmente a total integração do serviços de medicina preventiva com os de medicina assistencial...nesta administração foi firmada a importância da Unidade Médico Sanitária.”87
Novas unidades da Saúde Pública traziam algumas inovações mas, na prática, mantiveram muitas de suas funções históricas no sistema de saúde. Até porque o abandono vivido nas duas décadas anteriores não se reverteu, em termos de recursos investidos. Como resultado experimentava-se a manutenção de indicadores sanitários desfavoráveis. Cumpria-se, apesar da adição de alguns recursos tecnológicos mais atualizados, a mesma cartilha estabelecida desde o surgimento da Nova Higiene: o combate à doenças infecto-contagiosas, o atendimento materno-infantil e os exames periódicos de rotina. Apesar do discurso de integração das ações preventivas e curativas, da necessidade de atendimento às doenças crônico-degenerativas e ao câncer, da melhoria dos recursos diagnósticos e terapêuticos, e da integração com a rede hospitalar, muito pouco foi alcançado neste sentido.
As dificuldade em mudar a lógica da organização sanitária estava dada pela predominância dos interesses médico previdenciários, que inclusive foram aprofundando-se dramaticamente a partir da segunda metade de década de sessenta.
O contexto político e social desta fase foi marcado por dois momentos distintos e que podem explicar, em boa medida, o fracasso das teses que
começam a se esboçar na década de cinqüenta, mas que foram paulatinamente abandonadas a partir de meados dos anos sessenta. Com a retomada da democratização, em 1945, o país viveu um acelerado processo de desenvolvimento econômico, que se refletiu nas pautas sociais e políticas de então. Este debate permitiu que se discutissem as políticas de saúde pública e previdenciária de forma mais integrada à própria burocracia estatal, apesar de a importância da política previdenciária se tornar cada vez mais intensa e inexorável.88
A este período segue-se uma política agressiva de privilegiamento de uma assistência médica previdenciária de caráter semi-público, isto é, com o financiamento público aos prestadores de serviços privados de saúde.89 Este tipo de condução política da saúde no Brasil afastou qualquer possibilidade de integração dos dois sistemas, haja visto que tal modelo não se revelava compatível, no contexto brasileiro, com as funções da saúde pública.
Nesta segunda fase, pós sessenta e quatro, acelerou-se a tendência verificada no processo de desenvolvimento social e econômico que fizeram com que a Clínica e o Sistema médico-hospitalar fossem privilegiados e se transformassem em instrumentos voltados à reprodução da força de trabalho. Houve ainda, ao estimular esta vertente da saúde estatal, a intenção adicional de se constituir numa oportuna fonte de acumulação de capital. As organizações hospitalares se multiplicaram, enquanto, à Saúde Pública restou um papel acessório e complementar. Esta passou a executar atividades que não interessavam ou que não se adequavam ao sistema médico-hospitalar, como as ações de imunização, de vigilância epidemiológica ou ainda a prestação de cuidados à saúde aos grupos excluídos do desenvolvimento econômico. Estas funções porém, se dão de uma forma muito precária, devido ao estrangulamento financeiro e o esvaziamento dos quadros técnicos e científicos ligados à área