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O turismo vem durante os tempos se apresentando como recurso auxiliador no curso do desenvolvimento regional, sobretudo quando trabalhado sob as vertentes sustentáveis. Estruturando em seu planejamento recursos responsáveis para a atividade, possibilitando aos turistas e comunidades locais as satisfações de suas necessidades, tanto atuais como futuras (SAMPAIO et al., 2008).

Todavia, apesar dos inúmeros conceitos, estímulos e estudos sobre a sustentabilidade na atividade turística, ainda surgem incertezas se de fato ela pode ser alcançada, mediante a abrangência de suas premissas.

Para Rodrigues (2000) essa sustentabilidade é ilusória. Posto que a atividade turística apodera-se e produz território, através da paisagem e do espaço como objeto de consumo, sendo toda atividade de consumo impactante, gerando modificação do espaço e consequentemente destruição, chegando aos fins em uma produção destrutiva, ou seja, insustentável.

Ainda, há a evidencia da utilização da conceituação do turismo sustentável como pretexto do desenvolvimento de um "marketing verde" ilusório, por empresas turísticas que veem nesse conceito um potencial competitivo para a nova demanda de clientes conscientes existentes no mercado.

Entretanto, Irving (2009) salienta que a atividade turística vem introduzindo, nos últimos anos, o comprometimento com a conservação dos recursos naturais e culturais, bem como com a inclusão social de comunidades locais à potencialidade turística, tanto no que tange o desenvolvimento de políticas públicas, como na demanda turística atual.

E o ecoturismo, como já exposto anteriormente, surge como uma atividade que propõe a sustentabilidade e minimização dos impactos à atividade turista. Buscando a valorização do patriminio natural e cultural, angariando estratégias que possam evidenciar as potencialidades das atividades turísticas, agregando valor as potencialidades culturais e subsidiando a qualidade de vida das comunidades receptoras e a conservação do meio ambiente.

Nesse sentido, pode-se considerar que é permitido dizer que "o ecoturismo provoca e satisfaz o desejo que o turista tem de estar em contato com a natureza, explorando o potencial turístico, de forma a visar à conservação e ao desenvolvimento evitando o impacto negativo" (MACEDO et al. 2011, p. 442).

Contudo, como toda modalidade de turismo, se não regulamentada e monitorada, esta pode causar perturbações aos ambientes naturais e comunidades locais, gerando impactos ambientais e sociais dificilmente revertidos. Nessa perspectivas, temas como a participação e apropriação local das atividades turísticas, por parte das comunidades, vem sendo incessantemente expostos e discutidos .

Grande parcela das comunidades litorâneas no Brasil sofrem com os impactos da atividade turística. Essas comunidades que muitas vezes são colônias pesqueiras transformam-se em centros turísticos de abrangência até mesmo internacional e consequentemente perdem suas peculiaridades culturais para a padronização do modelo de qualidade internacional (BARBOSA et al., 2008).

Essas comunidades acabam perdendo seu espaço e características culturais que vão sendo atropelados pela atividade turística de alto padrão que exclui população local da competitividade de mercado em seu próprio território. Grande parte dessa população fica a mercê do crescimento econômico e dos benefícios gerados pelo turismo globalizado (BARBOSA et al., 2008).

Essas questões, observadas por estudiosos da área, salientam a preocupação de promover o turismo introduzindo ferramentas de inclusão social. Onde, esta inclusão só pode ser possível através do envolvimento comunitário como base da real sustentabilidade do desenvolvimento turístico.

Contudo, para a afirmação da participação comunitária no desenvolvimento turístico se faz necessário fomentar um Turismo de Base Comunitária, que segundo Irving (2009, p. 111) é o turismo que "favorece a coesão e o laço social, o sentido coletivo de vida em sociedade, e que por esta via, promove a qualidade de vida, o sentido de inclusão, a valorização da cultura local e o sentimento de pertencimento”. As atividades turísticas construídas a partir de bases comunitárias "têm características harmônicas, que estão fundamentadas na autodeterminação, na valorização da população nativa e no respeito ao meio ambiente" (MACEDO et al., p. 444).

Para Aguiar (2007), é perceptível que o turismo de base comunitária fundamenta-se no ser social e nas suas características sociais, culturais e no meio que os rodeia. Sendo o mesmo o protagonista do desenvolvimento turístico, tornando receptor e própria potencialidade turística.

O Ministério do Turismo (BRASIL, 2010) traça princípios comuns sobre o TBC:

 Autogestão;

 Associativismo e cooperativismo;  Colaboração mútua e parcerias

 Valorização da cultura local;

 Protagonismo das comunidades locais na gestão das atividades turísticas; No Brasil, segundo o Ministério do Turismo, só em 2008 mais de quinhentos projetos foram inscritos no edital de chamada pública de seleção de Projetos de Turismo de Base Comunitária (TBC), para receber apoio do governo federal. Dentre esses projetos, foram escolhidos cinquenta para receber o apoio. Os mesmos estão espalhados por todos os estados brasileiros (BRASIL, 2008).

Somente na região nordeste foram escolhidos dezesseis projetos para serem apoiados, sendo sua maioria localizado no estado do Ceará com seis projetos contemplado. O estado possui uma rede de desenvolvimento de turismo comunitário bastante desenvolvida, que se organiza através da Rede Cearense de Turismo Comunitário (TuCum), a rede é referência de desenvolvimento, principalmente para as áreas litorâneas. A rede é constituída por comunidades da zona costeira cearense. Atualmente, possui a participação de dez comunidades costeiras, entre elas indígenas, pescadores e moradores de assentamentos rurais (TUCUM, 2014).

Dentre os estados da região Nordeste contemplados com o apoio do governo federal, apenas a Paraíba não recebeu o apoio. Todavia, ainda não foi identificado nesse estado iniciativas concretas de desenvolvimento de TBC. Os projetos contemplados, em todo o Brasil, variam de atividades. Que vão desde atividades relacionadas com o mar e praia, à atividades históricas, culturais e rurais (BRASIL, 2008).

Contudo se considerarmos o TBC em seu desenvolvimento em áreas naturais e em especial em UCs, poderíamos concatenar o ecoturismo como modalidade em consonância ao TBC. Muitos destinos turísticos, encontram-se na presença de comunidades autóctones, sobretudo os destinos que são ou estão próximos a UCs. Essas comunidades, muitas vezes, vivem na região há gerações e possuem o direito de desenvolver de forma participativa e comunitária o turismo responsável na natureza, o ecoturismo, nas regiões que lhes são de origem (SANSOLO, 2009).

O ecoturismo, aliado a uma construção participativa e comunitária, buscará destacar de forma mais efetiva princípios que já são determinados na sua conceituação e que corroboram com os princípios do TBC. De maneira a desenvolver em conjunto o Ecoturismo de Base Comunitária (EBC), que segundo a

determinado pelas comunidades locais, que gera benefícios predominantemente

para estas e para as áreas relevantes para a conservação da biodiversidade”.

O EBC baseia-se nos princípios da economia solidária e na promoção da interculturalidade, mas sobretudo destacando o meio ambiente como ponta do alicerce para seu desenvolvimento. Destacando não só a visão comunitária mas a consciência ambiental para o seu desenvolvimento. Estabelecendo uma relação com os turistas de harmonia social, cultural e ambiental.