Nesta subseção, avali aremos u m evento em que as cri anças e a professora reali zaram u ma ati vi dade do li vro di dáti co 121. O evento foi escol hi do por mostrar como o li vro di dáti co foi utili zado na sala de aula em rel ação às ati vidades vol tadas para a aqui si ção do códi go escri to. Par a tanto, descreveremos, brevemente, a uni dade 3 da col eção adotada pel o CP/UFMG, contendo a ati vi dade e o evento anali sados. Tal descri ção justi fi ca -se por concebermos que a ati vi dade está
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Nest a at iv idade, em 2006, f oi utili z ado o liv r o de RO CHA, G . P ort uguês : um a pr opost a par a o l et r am ent o - liv r o alf abet i z aç ão. S ão P aul o: M oder na, 1999.
i nseri da em l i vro di dáti co específico, cujo objeti vo mai or é al fabeti zar e l etrar.
A ati vi dade seleci onada propunha a di scussão sobre benefíci os e mal efícios dos insetos e sua di ferenci ação dos outros ani mai s. Sugeri a: a l ei tura e i nterpretação de textos (i nformati vo, publi ci tári o, i nstruci onal ) e dos gêneros textuai s (poema, fábul a, hi stóri a em quadri nhos); conversa e di scussão da turma sobre os textos; produção textual (curi osi dade, recei ta, cartaz); ati vi dades para aqui si ção do códi go escri to, al ém de trazer alusões a títul os da li teratura i nfanti l para ampl i ação da l ei tura pel as cri anças.
Não consegui mos recuperar, nos vídeos e cadernos de campo, a data exata em que ti veram i níci o as ati vidades daquel a uni dade. Na aul a anali sada, a professora recupera o tema da uni dade (insetos) e a úl ti ma ati vi dade reali zada no di a ant eri or (09/11/2006).
Em consonância com a proposta de al fabeti zação e de l etramento do li vro, a uni dade 3 trazi a textos caracteri zando os i nsetos, di ferenci ando -os de outros ani mai s e apresentando sua utili dade, al ém de mostrar quando e porque os insetos po de m causar incômodos e mal efíci os ao ser humano. Os textos utili zados ti veram sua autenti ci dade resguardada, sem cortes ou si mpl i fi cações. Deste modo, as ati vidades propostas pel o li vro proporcionaram às crianças uma i nteração com textos conforme foram pro duzi dos ori gi nal mente. Em toda a uni dade há o equil íbri o entre ati vi dades de lei tura, de produção de textos e de ati vi dades vol tadas para a aqui si ção do códi go escri to.
A pri mei ra ati vi dade a ser desenvol vida era a l ei tura de um texto i nformati vo 122 sobre os i nsetos. Na sequênci a, havia al gumas questões essenci ai s a uma conversa sobre os i nsetos, a parti r das i nformações do texto. Depoi s, uma ati vi dade voltada para a aqui si ção do códi go escri to. O li vro propunha: a) que as
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E st e t ex t o é um f r agm ent o de Ins et os , da Col eç ão De m ãos dada s c om a nat ur ez a, publi c ada pel a edi t or a S al am andra, S ão P aul o, em 1991.
cri anças descobri ssem quai s sílabas eram necessári as para escrever a pal avra pernil ongo, b) escrevessem a pal avra, c) debatessem o que já sabi am sobre o i nseto.
A segunda ati vi dade convi dava as crianças a escrever o nome de deter mi nados i nsetos (joani nha, formi ga, mosca e borbol eta). Este exercíci o foi reali zado col eti vamente. A professora utili zou o quadro para regi strar as opiniões das cri anças sobre a escri ta de cada nome dos i nsetos. Na mes ma página, a ati vi dade 3 mostrava di ferentes ti pos de l etra para o regi stro de uma mes ma pal avra. Ap resentou-se a palavra ‘inseto’ grafada em cai xa al ta, l etra cursi va e i mprensa mi núscul a. As cri anças l eram a pal avra escrita de três formas di sti ntas, di scutiram se estavam corretas e justi fi caram suas respostas.
Na página 94, a ati vi dade 4 amp li ava a di s cussão anteri or, ao reproduzir o títul o de um te xto publi cado em u ma revi sta desti nada ao públi co i nfantil123. Neste tópi co, a conversa foi di ri gi da para que as crianças percebessem ser possível escrever de modo a chamar a atenção do l ei tor para o objeti vo do autor. Havia, ai nda, uma análi se sobre a quanti dade de l etras de cada síl aba da pal avra abelha. A professora aprovei tou a oportunidade para comentar e refl eti r com as cri anças sobre o suporte no qual aquele ti po de texto costumava aparecer e que efeito causava nos l ei tores. Essas foram as ati vi dades reali zadas antes da aul a do di a 10/11/2006, descri ta no quadro a seguir.
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De ac or do c om o liv r o di dát ic o, o t ít ul o f oi r eti r ado d e um t ex t o da r ev i st a Ciênc ia Hoje das Cr ianç as .
Quadro 7 – Mapa de Eventos do dia 10/11/2006
(Conti nua) Tempo em
minutos Atividades coletivas Eventos Subeventos Atividades Individuais Eventos Subeventos Comentários da pesquisadora
C h e g a d a A t i v i d a d e s r e a l i z a d a s a n t e s d o i n í c i o d a s f i l m a g e n s e r e c u p e r a d a s n o C a d e r n o d e c a m p o e n a R o t i n a d o d i a , r e g i s t r a d a n o q u a d r o p e l a p r o f e s s o r a R o d a d e c o n v e r s a 0 0 : 0 0 : 0 0 B i b l i o t e c a d e s a l a C r i a n ç a s l e e m e m d u p l a s e / o u i n d i v i d u a l m e n t e 0 0 : 0 8 : 4 6 L i v r o P r o f e s s o r a r e c u p e r a a t i v i d a d e j á r e a l i z a d a P á g i n a 9 3 a 9 5 0 0 : 1 1 : 2 0 D i s c u s s ã o s o b r e d i f e r e n t e s f o r m a s d e e s c r e v e r u m a p a l a v r a R e s o l u ç ã o d a a t i v i d a d e 3 d a p á g i n a 9 3 , d o l i v r o d i d á t i c o 0 0 : 1 5 : 0 0 D i s c u s s ã o s o b r e e s c r i t a d o t í t u l o d e u m t e x t o R e s o l u ç ã o d a a t i v i d a d e 4 d a p á g i n a 9 4 , d o l i v r o d i d á t i c o 0 0 : 2 0 : 4 2 Q u a d r o d e i n f o r m a ç õ e s s o b r e i n s e t o s R e f l e x ã o s o b r e n ú m e r o d e l e t r a s e s í l a b a s e m u m a p a l a v r a R e s o l u ç ã o d a a t i v i d a d e 5 d a p á g i n a 9 5 , d o l i v r o d i d á t i c o 0 0 : 2 5 : 4 3 P r o d u ç ã o d e t e x t o : c u r i o s i d a d e d a a b e l h a K e n e d y q u e i x a - s e d e d o r d e c a b e ç a P r o f e s s o r a l e v a o a l u n o a o S A S T e x t o : p r o d u z i d o c o l e t i v a m e n t e : P r o d u z m e l p a r a n ó s e t r a n s p o r t a o p ó l e n 0 0 : 3 0 : 0 0 C ó p i a d o t e x t o n o l i v r o P r o f e s s o r a a c o m p a n h a a s c r i a n ç a s i n d i v i d u a l m e n t e 0 0 : 3 4 : 3 7 R e f l e x ã o s o b r e n ú m e r o d e l e t r a s e d e s í l a b a s d e u m a p a l a v r a - c o n t i n u a ç ã o A n á l i s e d a s p a l a v r a s a b e l h a e b i c h o - p a u . N e s s e p o n t o , C l a r a c o n s e g u i u c o n t a r l e t r a s e , n ã o , s í l a b a s 0 0 : 3 8 : 4 0 P a r a C a s a P r o f e s s o r a p e d e P r o f e s s o r a P a r a C a s a a n o t a d o n o d i a
q u e c r i a n ç a s p e g u e m a g e n d a p a r a a n o t a r o P a r a C a s a c o n f e r e d a t a n a a g e n d a d e u m a l u n o e m q u e o P a r a C a s a d e v e s e r r e g i s t r a d o 1 4 / 1 1 / 2 0 0 6 P C124– P o r t u g u ê s – L I V R O , p á g i n a 9 6 0 0 : 4 2 : 2 7 H o r a d o b r i n q u e d o C r i a n ç a s b r i n c a m d e n t r o d a s a l a c o m b r i n q u e d o s c o l e t i v o s e c o m a q u e l e s t r a z i d o s d e c a s a 0 1 : 0 1 : 4 3 T é r m i n o d a g r a v a ç ã o R o t i n a : C h e g a d a / R o d a d e c o n v e r s a / B i b l i o t e c a d e s a l a / L i v r o / H o r a d o B r i n q u e d o / M e r e n d a / R e c r e i o / E d u c a ç ã o F í s i c a / S a í d a F ont e: E l abor ado pel a pesqui sador a.
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A s l et r as P C f or am uti li z adas par a r epr ese nt ar P ar a Casa, m edi ant e c om bi naç ão da pr of essor a c om a t urm a, no i ní c i o de 2006. A abr ev i at ur a sim plif i c av a a esc r it a das c r i anç as em f unç ão do t am anho da l et r a no i ní ci o do pr oc esso d e alf abeti z aç ão e do espaç o of er ec i do pel a agenda esc ol ar par a os r egi st r o s das c r i anç as.
As anotações do Caderno de campo i ndi cam que, naquel a data, a aul a começou, como era costume, co m a di sposi ção das carteiras em grupos de quatro al unos e organi zação do materi al necessário para a reali zação das ati vi dades ao l ongo do di a. Em segui da, a professora i ni ci ou a escrita da Roti na do di a no quadro negro. As cri anças ajudaram a professora, di tando as l etras que deveri am ser usadas para escrever os i tens da rotina:
ROTINA – 10/11/2006 1. CHEGADA 2. RODA DE CONVERSA 3. BIBLIOTECA DE SAL A 4. LIVRO 5. HORA DO BRINQUEDO 6. MERENDA/REC REIO 7. EDUCAÇÃO FÍSICA 8. SAÍDA
Mas, afi nal , o que contou como escri ta para cri anças e professora naquel a sal a de aul a? As cria nças e a professora usaram a escri ta para organi zar o planeja mento das ati vi dades a serem real i zadas durante o di a. Ai nda neste capítul o, anali saremos a ati vidade LIVRO, quando os me mbros da sal a de aul a refl etem sobre o códi go escri to e produzem u m pequen o texto.
Logo após a CHEGADA, houve uma RODA D E CONVERSA que não aparece nas filmagens, mas foi regi strada na Rotina do di a e nas anotações do Caderno de campo. No decorrer da aul a, a professora fez comentári os, remetendo -se à RODA DE CONVERSA: ô gente/ o que que nós/ combinamos na/ rodinha? / vou lembrar/ o que eu/ combinei na rodinha/ precisa falar o nome/ de quem precisa/ de lembrete/ da rodinha? Fábi a responde: NÃO. A professora a repreende e dá sequênci a na aul a: grita/ mais uma vez/ Fábia/ a página/ é noventa e três.
Pressupõe -se que a RODA DE CONVERSA teve como te ma a di sci pli na durante as aulas e a que professora havi a dito aos al unos como deveri am co mportar -se.
Era hábi to da sal a de aul a (e da escol a) utili zar a conversa como i nstrumento medi ador de resol ução de confli tos entre os alunos, e para questões ligadas à di scipl ina e comporta mento de um modo geral . A RODA DE CONVERSA, naquel e dia, teve, de fato, o objeti vo de apontar para os alunos al gum ti po de comportamento i nadequado da mai ori a. A professora i ni ci ou a aula tentando estabel ecer li mi tes di sci pli nares para os estudantes. Durante a aula, no entanto, vi mos que a conversa não provocou, de i medi ato, os resul tados esperados, sendo necessári o, então, rel embrar o que fora combi nado. Todavi a, as cri anças permaneci am conversando bastante e a professora não consegui a obter a atenção necessári a para ini ciar as ati vi dades do LIVRO. Isto i ndi ca que
as medi ações semi óti cas podem (ou não) al terar o
comporta mento e a mentali dade da cri ança de modo i medi ato tanto quanto a alteração pode demorar um tempo i mpossível de ser pré-determi nado.
As fil magens revel am que, em segui da, a professora di stribui u li vros para leitura em dupl as na BIBLIOTECA DE SALA. Na medi da em que termi navam a l eitura, a professora entregav a outro li vro, sem permi ti r que as crianças escol hessem os títul os. Para a formação dos pares, a professora consi derou a autonomi a de l ei tura: cada dupla preci sava ter um me mbro que já soubesse l er mi ni ma mente. Na reali dade, as cri anças eram desafi adas a l er (sem o saber), mas preci savam obter um míni mo de sucesso na reali zação da ati vi dade para desejarem mai s li vros. A duração da ati vi dade BIBLIOTECA DE SALA cresceu com o passar do tempo; na medi da em que mai s cri anças apropri avam -se da escrita e se tornav am autôno mas, demandava m mai or tempo na BIBLIOTECA DE SAL A.
Abai xo, antecipa -se a representação da ati vi dade -gui a, dos eventos e subeventos anali sados nesta seção:
F i gur a 5 – Construção da ativ idade-guia LIVRO, em Ciclo de Ativ idades. F ont e: E l abor ada pel a pesqui sador a.
A ati vi dade -gui a LIVRO recebeu esta denomi nação dos me mbros da sal a de aul a para di scrimi nar todas as vezes em que desenvol vi am ati vi dades conti das no li vro didáti co, i ndependentemente do fato de serem e xercíci os de l ei tura, refl exão sobre a l íngua ou produção de textos. A denomi nação foi manti da para vi suali zar, mai s uma vez, a cul tura da sala de aul a. No entanto, aquelas presentes no Ci cl o de Ati vi dades (Texto i nformati vo, Formar palavras, Tipos de l etras e Quadro de i nsetos) foram por nós denomi nadas para garanti r uma di ferenci ação entre as várias ati vi dades do li vro reali zadas em um mes mo di a.
O esquema aci ma repres enta a rel ação entre as ati vi dades propostas pel o li vro – texto informativo sobre insetos, escrita de pal avras (nomes de i nsetos), uso de di ferentes ti pos
Atividade guia LIVRO Ciclo de Atividades Tipos de letra Mesma palavra, letras diferentes Título de um texto Quadro de insetos Informações sobre a pulga Informações sobre o barbeiro Informações sobre a abelha Informações sobre o bicho-pau Texto
Informativo palavras Formar
Curiosidade sobre a
de l etras, quadro contendo síntese de i nformações sobre al guns i nsetos e o que aconteceu na sal a de a ula no dia 10/11/2006.
Enfocaremos a úl ti ma ati vi dade do esquema, quando cri anças e professora dedi caram-se à l ei tura das i nformações e a compl etar as lacunas do Quadro de i nsetos. Este se consti tui u em te xto por ter si do um medi ador do processo de interl o cução entre as cri anças e destas com a professora. Durante a reali zação da ati vidade, os alunos e a professora col ocaram e m pauta aquil o que conheciam sobre os i nsetos e, pri nci pal mente, sobre a abel ha – inseto sobre o qual tiveram de produzir um texto sobre suas peculi ari dades, reproduzido a segui r.
F i gur a 6 – Reprodução da ativ idade do liv ro didático125
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As cri anças e a professora l eram o quadro, segui ndo as li nhas e compl etando o que era soli ci tado nos espaços em
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RO CHA , G . P ort uguês : um a pr opost a par a o l et r am ent o – liv ro alf abeti z aç ão. S ão P aul o: M oder na, 1999, p. 95.
branco. A pri mei ra coluna conti nha a esc ri ta do nome do ani mal ; a segunda, uma i mage m do ani mal correspondente; na terceira, um pequeno texto com uma curi osidade sobre cada ani mal . A cél ul a destinada à curiosidade sobre a abel ha estava vazi a e deveri a ser preenchi da pelas cri anças. Nas duas úl ti mas col unas do quadro, as cri anças deveri am i ncl uir i nformações sobre o número de l etras e de síl abas das pal avras em questão (pul ga, barbei ro, abel ha e bi cho -pau).
As cri anças demonstraram dúvi da sobre os concei tos de síl abas e de l etras, mas a professora não fez uma expl i cação teóri ca sobre o assunto. Sua opção, conforme co mprovam as fil magens, cami nhou na direção de mostrar as di ferenças entre os concei tos enquanto reali zavam a ati vi dade. Durante a análi se da pal avra pulga, por exempl o, a professora perg untou: quantas letras/ tem a palavra pulga? Samara, que está próxi ma de Cl ara (uma de costas para a outra), conta as l etras: um/ dois/ três/ quatro/ cinco/ . A professora interroga a turma novamente: quantas?/ cinco? Cl ara, após ter anali sado a pal avra, res ponde com entusi asmo: duas/. A professora compl eta: letras/ Clara . Nesse mo mento, a meni na vol ta -se para seu li vro e anali sa a pal avra de novo, ol ha o quadro onde a professora regi strou a pal avra e contou as l etras para, então, fazer a anotação no l ivro. As fi l magens não mostram o que Cl ara regi strou, mas acredi tamos que tenha acei tado a resposta da professora.
Na sequênci a da ati vi dade, ao anali sarem a pal avra barbei ro, Cl ara mostrou não ter cl areza sufi ci ente para di ferenci ar letra de síl aba. A professora questi onou a turma: quantas letras tem a palavra barbeiro? Cl ara, mai s uma vez, anteci pa-se aos col egas e responde junto com Roberto: três. A professora repete a pergunta: quantas letras?/ LETRAS . Desta vez, Kenedy e Amanda respondem: oito. A professora confirma a resposta das duas cri anças, escreve a palavra no quadro di zendo-a sil abi camente enquanto algumas cri anças contam suas síl abas, batendo pal mas. A professora reforça que não deveri am
bater pal mas porque não estava contando síl abas, e passa a contar as l etras da pal avra barbei ro. Neste mo mento, a fil mage m mostra Cl ara vol tando -se para seu li vro, contando as l etras da pal avra e procurando o l ocal onde deveri a escrever sua resposta, enquanto a professora convi da a turma a anali sar a pal avra abel ha. Pergunta: quantas letras/ tem na palavra/ abelha/ gente? A fil mage m exi be Cl ara contando as letras da pal avra e respondendo, corretamente, junto co m os col egas.
Percebe-se, nesses subeventos que, no i níci o da ati vi dade, Clara e outros colegas confundi am l etras e síl abas de uma pal avra. No decorrer da ativi dade, Cl ara não acei ta si mpl esmente a resposta da professora para regi strá -l a em seu li vro, mas conta as l etras de cada palavra, compara com o regi stro do quadro e, somente então, anota a resp osta no li vro. Na análi se da pal avra abel ha, a al una comprova haver compreendi do como contar as letras de uma pal avra para responder corretamente.
Podemos afi rmar que a ci rcul ação de i nformações sobre como se devi a proceder para contar as l etras de uma pal avra exerceu papel de medi ador semi óti co na sal a de aula. Vi mos que Cl ara e seus col egas consegui ram c onstrui r conheci mento sobre a di ferenci ação entre síl aba e l etra por mei o das i nterações entre si e com a professora. As cri anças mai s preparadas responderam corretamente as questões da professora, col ocando em cheque os conheci mentos que outras cri anças acredi tavam (até aquel e mo mento) estarem corretos.
Vi gotski (1934/1993, p. 240) ensi na:
Em co la bo ra ção a crian ça re su lta ma is fo rte e ma is in te lige nte q ue q ua nd o a tu a so zin ha , se e le va ma is e m re lação a o n íve l d a s d if icu lda de s in te lectua is q ue su pe ra , ma s se mp re e xiste u ma de te rmina da d istân cia , e strita me n te re gu lad a, q ue de te rmina a d ive rgê n cia en tre o trab a lh o in de pe nde n te e e m co op e ra ção .
Cl ara ouvi u as respostas corretas dos col egas e as questões desafiadoras da professora. Percebeu i ncoerênci a entre o que acredi tava ser uma l etra e as respostas dos col egas, sem, no entanto, se li mi tar a copiar. El a anali sou a pal avra novamente co m cui dado para, somente após duas tentati vas, consegui r responder corretamente – oito, para o número de letras da pal avra bi cho -pau. Através das interações soci ai s, portanto, que cri anças e professora cri aram possi bili dades para aprender mai s sobre a li nguagem escri ta.
A professora não trouxe a i nformaç ão pronta para que as cri anças apenas me mori zassem os si gni fi cados de síl aba e l etra, mas reali zou a ati vi dade junto com as cri anças. Sua medi ação estabel eceu -se ao contar as l etras de um modo e as síl abas de outro. Para contar as l etras, a professora fez um traço embai xo de cada u ma enquanto as contava. Para as síl abas, bateu uma pal ma para cada sílaba e circul ou as sílabas da pal avra escrita no quadro. A i magem abai xo mostra tai s regi stros.
F i gur a 7 – Contagem de letras pela pr of essora. F ont e: A c erv o da pesqui sador a.
F i gur a 8 – Registro da contagem de letras e sí l abas pel a pr of essor a.
F ont e: A c erv o da pesqui sador a.
F i gur a 9 – Registro da contagem de sílabas e letras pela prof essora. F ont e: A c erv o da pesqui sador a.
Na l ei tura da terceira li nha do Quadro de insetos, a professora pergunta quai s i nformações já estavam ali contidas. Quando os alunos deparam-se com a cél ul a que deveria conter o texto de curi osi dade sobre a abelha, a professora muda o tom de
voz e usa a expressão corporal para chamar a atenção das cri anças para a próxi ma ati vi dade a ser reali zada. A professora di z: gente/ agora é a abelha/ vamos pra abelha?/ e::/ gente/ na abelha/ (em to m mai s bai xo) tem o nome do inseto. Héli o continua: o desenho. A professora confirma: tem o desenho/ não tem a curiosidade . Juli ano deduz: que/ a gente/ vai escrever . A professora muda nova mente a entonação da voz e anda pel a sal a, bem devagar, fazendo suspense: nós/ é que vamos escrever. A pri mei ra reação das cri anças denotou i ncapaci dade ou desinteresse para real i zar a tarefa. Mas a professora reforça o convite: que curiosidade/ nós podemos escrever/ sobre a abelha? Nesse mo mento, as cri anças falam ao mes mo te mpo, apresentando sugestões para a escri ta (por i sto não consegui mos di sti nguir as vozes e a variedade de sugestões). A professora repete a pergunta de outra forma: que/ que a abelha/ fa z de bacana? Héli o responde: dá mel e Kenedy o acompanha: o mel/ o mel. A professora acei ta a suge stão e pergunta: produz mel?. Leonardo faz um co mentári o que chamou a atenção da professora: produz mel/ pra gente . A professora, então, questi ona a turma: vamos escrever isso/ na curiosidade? . Fábi a