2020 KURUMLAR VERGİSİ BEYANNAME DÜZENLEME REHBERİ
DANIŞTAY 3. DAİRE E.2013/9895, K.2015/2666 sayılı kararı
3) Tam mükellefiyete tabi girişim sermayesi yatırım fonu katılma payları ile girişim sermayesi yatırım ortaklıklarının hisse senetlerinden elde ettikleri kâr payları,
4.16. Diğer Kanunlarda Yer Alan İstisnalar
4.16.2. Teknoloji Geliştirme Bölgeleri Kanunu’nda Yer Alan İstisna
4.16.2.9. İstisna uygulamasına ilişkin Cumhurbaşkanına verilen yetki
O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural é de competência da União, nos termos do artigo 153, inciso VI,318 da Constituição Federal de 1988, e incide sobre a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município.319
Poderá o ITR ser fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem nos termos do artigo 153, §4º, inciso III,320 da CF/88, desde que não implique redução do imposto ou mesmo renúncia fiscal. Nestes casos em que há transferência da competência de
317 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 28ª edição revista, atualizada e ampliada. São
Paulo: Malheiros Editores, 2007, p. 357.
318 Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
(...)
VI - propriedade territorial rural;
319 O conceito de zona rural está, por exclusão, indicado no §1º do artigo 32 do Código Tributário Nacional que
assim dispõe tratar a zona urbana: “Para os efeitos deste imposto, entende-se como zona urbana a definida em lei municipal; observado o requisito mínimo da existência de melhoramentos indicados em pelo menos 2 (dois) dos incisos seguintes, construídos ou mantidos pelo Poder Público: I - meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais; II - abastecimento de água; III - sistema de esgotos sanitários; IV - rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar; V - escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 (três) quilômetros do imóvel considerado.”
320 Art. 153. (...) § 4º O imposto previsto no inciso VI do caput:
III - será fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem, na forma da lei, desde que não implique redução do imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal.
administrar aos Municípios, caberá a estes a totalidade do produto arrecadado (artigo 158, inciso II321 da CF/88).
A progressividade do ITR verifica-se pelo disposto no inciso I do §4º do artigo 153322 da Constituição Federal de 1988, o qual estabelece que o imposto “será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas”.
A Lei nº 9.393/1996, que dispõe sobre o referido imposto, estabelece que o percentual do ITR aumente na medida de grandeza da área do imóvel e diminua em razão de sua apropriada utilização. A menor incidência será de 0,03% para os imóveis com área total até 50 hectares e grau de utilização maior que 80%, e a maior incidência será de 20% para área superior a 5.000 hectares e grau de utilização até 30%.
TABELA DE ALÍQUOTAS
Área total do imóvel
(em hectares) GRAU DE UTILIZAÇÃO - GU ( EM %)
Maior que 80 Maior que 65 até 80 Maior que 50 até 65 Maior que 30 até 50 Até 30 Até 50 0,03 0,20 0,40 0,70 1,00
Maior que 50 até 200 0,07 0,40 0,80 1,40 2,00
Maior que 200 até 500 0,10 0,60 1,30 2,30 3,30 Maior que 500 até 1.000 0,15 0,85 1,90 3,30 4,70 Maior que 1.000 até 5.000 0,30 1,60 3,40 6,00 8,60
Acima de 5.000 0,45 3,00 6,40 12,00 20,00
Assim, podemos constatar que o grau de utilização é verificado na relação do percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável, sendo que as alíquotas podem variar de 0,03% até 20%. Essa alíquota aumenta na medida em que a área é maior,
321 Art. 158. Pertencem aos Municípios: (...)
II - cinqüenta por cento do produto da arrecadação do imposto da União sobre a propriedade territorial rural, relativamente aos imóveis neles situados, cabendo a totalidade na hipótese da opção a que se refere o art. 153, § 4º, III;
322 Art. 153 (…) § 4º O imposto previsto no inciso VI do caput:
I - será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas;
indo até 0,45%, se o imóvel tem área superior a 5.000 hectares, se o imóvel tem mais de 80% dessa área utilizável. A alíquota aumenta também na medida em que diminui a proporção da área utilizada, em relação à área total do imóvel, de maneira que para um imóvel com área superior a 5.000 hectares, com até 30% utilizada, o ITR terá alíquota de 20%.
Constata-se que a progressividade do ITR é aplicada em função da devida utilização das propriedades rurais, mediante o aproveitamento e cultivo das terras, estimulando o proprietário rural, sob pena de recolhimento majorado do imposto e até mesmo de ser obrigado a desfazer-se das terras. Assim, a progressividade do ITR é o instrumento de política fundiária, buscando o interesse da coletividade e, portanto, com finalidade extrafiscal.
Verifica-se, portanto, o ITR possui função predominantemente extrafiscal, como instrumento auxiliar do disciplinamento estatal da propriedade rural. Assim, aplica-se uma progressividade extrafiscal por desestimular a existência de propriedades improdutivas que não levam em consideração o interesse da coletividade, ou seja, não cumprem a função social da propriedade, restando sobre estas propriedades a aplicação de alíquotas elevadas em função do menor grau de utilização e da área da propriedade.
Importante salientar as palavras de José Afonso da Silva, ao definir a função social da propriedade como uma estrutura do direito à propriedade e não ao exercício do direito ao proprietário. Nesse sentido, define a função social como “a própria configuração estrutural do direito de propriedade, pondo-se concretamente como elemento qualificante na predeterminação dos modos de aquisição, gozo e utilização dos bens”.323
Ainda, o inciso II, do §4º, do artigo 153 da CF/88, estabelece que “não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel”.324 O mínimo vital ou mínimo existencial do contribuinte de tal imposto se verifica sobre pequenas glebas rurais quando exploradas por proprietário que possua somente este imóvel e, portanto, para tais casos haverá a imunidade tributária.
323 SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 23ª edição. São Paulo: Malheiros Editores,
2004, p. 283.
324 Lei nº 9.393/1996 - Art. 2º Nos termos do art. 153, § 4º, in fine, da Constituição, o imposto não incide sobre
pequenas glebas rurais, quando as explore, só ou com sua família, o proprietário que não possua outro imóvel. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, pequenas glebas rurais são os imóveis com área igual ou inferior a : I - 100 ha, se localizado em município compreendido na Amazônia Ocidental ou no Pantanal mato-grossense e sul-mato-grossense;
II - 50 ha, se localizado em município compreendido no Polígono das Secas ou na Amazônia Oriental; III - 30 ha, se localizado em qualquer outro município.
Nesse ínterim, podemos também verificar no ITR a aplicação da progressividade fiscal em função do valor da propriedade (valor fundiário325) e, portanto, da manifestação de riqueza do contribuinte em razão do patrimônio, ou seja, verificada a capacidade contributiva objetiva.
Roque Antonio Carrazza foi ao ponto ao afirmar que “nos impostos sobre a propriedade (como o IPVA, o IPTU, o ITR, o imposto sobre grandes fortunas etc.), a capacidade contributiva revela-se com o próprio bem”.326
Esta progressividade fiscal do ITR busca a adequação do tributo à capacidade contributiva dos contribuintes, proprietários do imóvel localizado na zona rural.
Resta claro, portanto, que o ITR é um imposto que atende à capacidade contributiva revelada pelo bem, mediante a progressividade fiscal de suas alíquotas, mas que também pode ser utlizado como instrumento de extrafiscalidade, mediante a progressividade extrafiscal, aplicando-se alíquotas elevadas em função do menor grau de utilização e da área da propriedade, como forma de desestimular a existência de propriedades improdutivas.