2020 KURUMLAR VERGİSİ BEYANNAME DÜZENLEME REHBERİ
DANIŞTAY 3. DAİRE E.2013/9895, K.2015/2666 sayılı kararı
5. SAFİ KURUM KAZANCI
5.6. Birden Fazla Takvim Yılına Sirayet Eden İnşaat ve Onarma İşlerinde Kurum Kazancının TespitiKazancının Tespiti
6.1.1. Örtülü Sermaye Kavramı ve Borç/Öz Sermaye Oranı
Na retórica clássica a noção de anáfora direta (AD) indicava a repetição de uma expressão ou sintagma nominal no inicio de frases. Hoje, com o avanço dos estudos da sintaxe e da linguística textual, a anáfora é usada para designar expressões que se reportam textualmente a outras expressões - conteúdos textuais. Desse modo, a AD é entendida como a retomada de referentes previamente introduzidos e estabelece uma relação de co-referência entre o elemento textual anafórico e seu antecedente. Na verdade, a anáfora direta funciona como um substituto do elemento por ela retomado, levando a uma equivalência semântica, produzindo uma identidade referencial entre a anáfora e seu antecedente. Para Schwarz (2007:3-4), a AD também é usada para dar continuidade ao referente pré-estabelecido no texto:
The traditional view in text linguistics has been that anaphoras are used to continue a pre-established reference in text, that they point back to a specific
antecedent, usually a NP already introduced, and thereby sustain the current focus. Their main function is topic continuity. In this respect, anaphors have been described as mere “retrieval cues” or “semantic echoes of their antecedents”.
Por isso, a co-referencialidade é crucial, porque nem sempre acontece de modo estrito. Por exemplo, aspectos gramaticais como concordâncias de gênero e número podem contribuir para que a anáfora retome o mesmo referente ou não, porém haverá num texto certamente mais de um candidato a antecedente referencial. Assim, podemos dizer que a anáfora direta é um processo de reativação de referentes prévios, mas nem sempre com retomadas de um único ou específico elemento. Conforme diz Marcuschi (2005:55) a anáfora é um “fenômeno de semântica textual de natureza inferencial e não um simples processo de clonagem referencial”.
Ao se considerar a linearidade da anáfora, não se leva em conta o problema da referenciação textual em toda a sua complexidade, pois, como já dissemos, a anáfora não depende de propriedades morfossintáticas entre anáfora e antecedente. Por outro lado, nem toda anáfora recebe uma interpretação no contexto capaz de lhe atribuir a função de referente. A co- referencialidade anafórica não se encaixa num paradigma, mesmo porque o pronome não é uma classe de palavras típicas de anáforas. Para Marcuschi (2005), a anáfora é um fenômeno de semântica textual de natureza inferencial e não um simples processo de clonagem referencial.
Mas é interessante observar que, das anáforas diretas, as que são oportunas para análise são as construções de encadeamentos referenciais com expressões anafóricas nominais, no caso a repetição e a paráfrase, já que estes mecanismos típicos da fala também respondem pela coerência e progressão tópica na organização da língua falada - nosso objeto de estudo. Com efeito, para o estudo do corpus, em relação às AD, vamos nos ater a duas estratégias de referenciação descritos por Marcuschi (2000):
1. retomada de referente por repetição de itens lexicais
2. retomada de referentes por sinônimos ou paráfrases baseadas na significação lexical, mantendo ou não a correferencialidade. Para sustentar as exemplificações de análise da AD a partir da aplicação teórica das estratégias de referenciação {1} e {2}, convém elucidarmos algumas considerações de Koch (2003) sobre a repetição como estratégia de construção do texto falado.
A autora adverte que, embora se tenha uma visão negativa da repetição e conseqüentemente da paráfrase para a modalidade escrita, no texto falado ela constitui uma constante, em qualquer nível situacional de fala. Trata-se de uma estratégia básica de estruturação do discurso, sobretudo na fala: o texto que produzimos na fala apresenta grande quantidade de construções desse tipo: repetições literais enfáticas, pares de sinônimos ou quase-sinônimos, repetições da fala dos interlocutores, repetições colaborativas, paráfrase da fala para melhor entendimento e intensificação de laços afetivos na interação discursiva.
Essas repetições são estratégias anafóricas nominais relevantes para uma análise da fala no estudo das anáforas diretas. A repetição constitui um meio de criar categorias: itens novos desconhecidos que podem ser agrupados em categorias linguísticas e culturais subjacentes, as quais se colocam ao lado de categorias conhecidas dos interlocutores que podem aparecer em frames repetidos no discurso.
Por outro lado, a repetição permite assimilar o novo ao já conhecido. Porque é impossível um texto veiculador apenas de informações novas; faz-se assim necessária a ancoragem da informação desconhecida na informação co(n)textual, podendo ela ser repetida várias vezes no desenrolar da fala. Este ir e vir entre dado e novo não é um simples ato de repetir; ele se fundamenta em múltiplas funções potenciais que envolvem os interlocutores durante o processamento da fala na interação face a face, com vistas a reiterar uma informação já dada, intensificar laços afetivos, chamar a atenção do interlocutor pedindo cooperação, conduzir a assimilação, fornecer orientações simultâneas para produção e compreensão, manter a interação ou tema, garantir a posse do turno, ganhar tempo para planejamento e replanejamento dos turnos, manter o turno, garantir a argumentação, garantir a persuasão, colaborar no
turno com concordância ou discordância, confirmar ou aceitar a informação da fala do outro etc.
Nesta perspectiva, são apontadas na repetição motivações cognitivas e interacionais, tanto em termos de processamento como de estratégias de persuasão, além de constituir um importante mecanismo que permite tornar o texto mais coeso, acessível e coerente. A repetição e a paráfrase contribuem decisivamente para a continuidade tópica, já que os interlocutores, conjuntamente e passo a passo, constroem o texto, elaborando e criando idéias, negociando e preservando as identidades de tal forma que o texto, de modo icônico, reflete a atividade de co-produção.
Marcuschi (1998:22) [2000] afirma que a fala é fruto de uma organização colaborativa e que, por isso, a incisão da repetição se dá com maior intensidade:
Na fala, a progressão referencial se dá, de maneira geral, pelas mesmas estratégias que na escrita, mas (...) observa-se uma preferência por repetições lexicais para retomadas explicitas. Contudo, muitas repetições não são simples retomada, mas reorientação referencial com
construção de conjuntos diversas e novas
referenciações. A diferença maior (...) reside no fato de que a fala se ocupa muito mais acentuadamente de uma organização colaborativa com envolvimento interpessoal relacionados ao contexto discursivo e à relação direta com a referenciação situada (1998:22).
A titulo de mostrar como a AD se manifesta na fala dos adolescentes em estratégias de referenciação, por meio da repetição, utilizaremos uma unidade de fala, retirada da situação de diálogo 1, que vem fornecendo exemplos para o nosso modelo de análise. Interessa-nos observar, nessa unidade, que a repetição é um recurso primordial para a progressão referencial e tópica.
[
17 L1 cê viu na hora que eu pulei na piscina tava com aquela bermuda lá meu pulei na piscina a bermuda ficô eu fiquei de cueca não meu lembra aquela hora quando eu você Felipe e o Anderson né? ((risos)) [
18 L2 lembro
Neste primeiro exemplo, observamos que, durante o desenvolvimento do tópico por L1, ele faz uso da anáfora direta nominal através da repetição de segmentos em dois momentos: logo que inicia o tópico pulei na piscina, aquela bermuda; quando o tópico está em desenvolvimento: pulei na piscina a bermuda. A segunda repetição dos dois segmentos sucessivos: pulei na piscina; a bermuda consiste em retomada e reativação das expressões referencias representadas pela primeira repetição. A segunda repetição ainda estabelece uma relação co-referencial entre dois segmentos textuais e a sua construção não é de modo algum idêntica à primeira; temos a troca no léxico de aquela por a, sinalizando que seu parceiro L2 já conhecia a bermuda, ,o que é confirmado na sua colaboração de turno com a fala: lembro.
Logo após a primeira repetição, o falante continua desenvolvendo o tópico articulando novas informações, constituindo uma relação temática entre as unidades discursivas, pois leva adiante o tópico. Dessa forma, a primeira repetição ancora o tópico, ocasionando a sua progressão, e conseqüentemente auxilia o envolvimento do falante na interação face a face. Há uma evidente necessidade de L1 em dizer ao seu parceiro que ele perdeu a bermuda ao mergulhar na piscina, e assim a função da repetição é permitir que L1 possa continuar falando até concluir seu turno.
Com esses parâmetros, podemos dizer que a repetição não parece ser um fenômeno de acentuado ralentamento do fluxo da informação, ou seja, não consiste em causar redundâncias, ou desacelerar o processamento discursivo; pelo contrário, propicia a continuidade tópica conjunta entre os interlocutores, uma vez que reconstrói, a partir de algo já dito, um conjunto de novas informações que irão rearticular o curso de sua fala. Prosseguindo:
101 L1 o ano passado tinha neguinho que queria sair na mão com o professor ...meu
102 L1 ah o ano passado ano/ ano passado não ano retrasado éh :: eu bati em bastante mulecada lá cara...
103 L2 vixi eu já briguei muito em escola também cara mais quando eu era mais novo agora faz um tempo que não aparece uma briga mais eu também nunca procurei
[
104 L1 éh faz tempo que
eu não brigo também faz anos última vez que ia brigar com a Aline [
105 L2 tá sentindo falta de uma... a gente briga ....
Neste segundo exemplo, temos o tópico: brigas de colegas: eu bati em bastante mulecada que é proferido por L1, e em seguida ocorre o uso da paráfrase retomada na fala de L2 em: briguei muito em escola; agora faz um tempo que não aparece uma briga; também nunca procurei. Isso ocorre porque L1 lhe cedeu o turno, porém, em seguida, novamente L1 recupera o turno ao perceber que seu parceiro está finalizando e ocorre mais uma paráfrase. Faz tempo que eu não brigo também faz anos última vez que ia brigar... A fala continua e L2 assalta o turno, o que ocasiona a construção de outra paráfrase... a gente briga com um tom irônico (veja-se a última fala de L2). A construção parafrástica é construída em três momentos na fala de L2 e L1, alternadamente.
Podemos dizer que a paráfrase também constitui uma retomada de referentes co-referenciais, porque no segundo momento de fala retoma-se o conteúdo do primeiro, que retoma o conteúdo no terceiro, no caso desse exemplo. Se observarmos a retomada do segundo segmento de fala, notaremos que há a reconstrução temática do conteúdo com acréscimo de novas informações: briguei muito em escola; agora faz um tempo que não aparece uma briga; também nunca procurei. Desse modo, a reconstrução parafrástica no segundo e terceiro segmentos tem a função de reforçar a argumentação, reiterar a informação sobre brigas: faz tempo que eu não brigo também faz anos última vez que ia brigar que é partilhada colaborativamente
na interação entre os dois falantes. Assim, a paráfrase também tem a função de dar continuidade à progressão tópica, pois, como mostra o exemplo, a segunda reformulação sobre a fala de L1, ao dizer que já bateu em muitos moleques, é um reforço para a continuidade tópica em andamento, o que acaba acontecendo, poiz em seguida o tópico prossegue: briguei muito em escola; agora faz um tempo que não brigo[...]nunca procurei com a construção da fala de L2.