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İSTİHDAM

Belgede KONYA EKONOMİ RAPORU 2013 (sayfa 14-128)

IV. MAKROEKONOMİK GÖSTERGELER

12. İSTİHDAM

O xamanismo da Floresta Amazônica traz equivalentes encontrados em

antecedem a formação do conceito contemporâneo de religião. No Brasil, a primeira

onda de expansão do xamanismo amazônico, para além da população indígena,

situa-se entre o final do século XIX e o começo do século XX, impulsionada

sobretudo pelo ciclo econômico da borracha, que atraiu trabalhadores brasileiros,

bolivianos, peruanos e colombianos, entre outros, para trabalhar na extração do

látex em seringais situados nos estados da região. Os contatos entre as culturas

ocorreram espontaneamente, sem prévias e muitas vezes impulsionados pela

necessidade de ajuda mútua, que implicavam em trocas diversas, fossem estas

matérias ou simbólicas.

Por conta da carência de médicos tradicionais, os seringueiros recorriam aos

conhecimentos ancestrais dos índios para curarem seus males, fossem esses

relacionados à saúde, às finanças ou de cunho emocional. Naquela época, devido à

importância dos serviços oferecidos pelos xamãs, muitos deles eram conhecidos

como mestres, doutores e médicos. Vale lembrar que o convívio continuado entre

essas pessoas já formava comunidades intermediárias, fora das tribos, constituídas

por pequenas propriedades cuja economia era baseada na agricultura de

subsistência.

Desse intercâmbio de culturas e crença, começava a surgir o prenúncio de

formação dos primeiros grupos que fariam uso religioso da ayahuasca fora do

ambiente indígena e que posteriormente iriam transformar-se nos ajuntamentos

religiosos que tomariam a frente do processo de cristianização do xamanismo. Foi

nas primeiras décadas do século XX, por exemplo, que se formou o Daime,

movimento religioso fundado por Raimundo Irineu Serra (1892-1971), conhecido

popularmente como Mestre Irineu. O termo que dá nome à manifestação sócio-

Maranhense de São Vicente de Ferrer, Mestre Irineu migrou para o então

território do Acre na primeira década do século XX e foi o responsável pela

cristianização do uso da ayahuasca. Segundo a atual documentação histórica

disponível sobre o surgimento dessa corrente religiosa no Brasil, ele teria recebido a

missão de expandir sua doutrina de uma entidade do panteão de santos da igreja

católica, autodenominada Virgem Nossa Senhora da Conceição (ou Rainha da

Floresta). Em uma visão mística, ela teria incumbido o seringueiro de disseminar os

ensinamentos de cura contidos no vinho das almas (vinho dos mortos, cipó dos

espíritos, yagé, mariri, planta-mestre, professora, todas denominações dadas à

ayahuasca, que é um termo quéchua, em que aya significa espírito, morto ou

ancestral, e huasca quer dizer vinho ou corda).

O processo de iniciação atribuído ao Mestre Irineu faz claras remissões a toda

a simbologia presente na transformação do neófito em xamã, em que são

encontradas referências à águia como primeiro xamã, ou ao animal de poder

responsável por moldar espiritualmente o xamã. A exemplo desses mitos de origem

encontrados nas práticas xamânicas descritas por Eliade, na Sibéria, ou por

Lambert, nas Américas, Mestre Irineu também foi retirado do convívio do grupo,

submetido à solidão do retiro (no caso dele, na Floresta Amazônica), à austeridade

de uma dieta alimentar restrita para, depois, retornado ao grupo do qual fazia parte,

relatar a sua experiência mística e os ensinamentos recebidos. Posteriormente,

outras lideranças ayahuasqueiras seguiram percurso similar, que remonta ao divino

a justificativa da missão que foi entregue ao então neófito.

Raimundo Irineu Serra conheceu a ayahuasca por meio dos irmãos Antônio e

Maranhão. Em muitos pontos, sua trajetória coincide com o traçado desenhado pelo

processo de urbanização e de cristianização. MacRae conta que eles haviam

conhecido um curandeiro peruano chamado de Dom Crescêncio Pizango na região

de Cobija, na Bolívia, que lhes apresentou a bebida. Na década de 1920, os irmãos

fundaram o Centro de Regeneração e Fé (CRF), do qual Irineu Serra também

participava. Depois de alguns desentendimentos com os Costa, segundo relatos da

literatura disponível, Irineu muda-se para a cidade de Sena Madureira e, depois,

para Rio Branco, no Acre. Entra para a guarda florestal, onde faz carreira até a

função de cabo. Naquele cenário de precariedade social, Irineu busca plausibilidade

espiritual em várias correntes a que tinha acesso, entre elas o Círculo Esotérico de

Comunhão do Pensamento e a Ordem da Rosa Cruz, que influenciaram na

composição dos princípios da sua doutrina. Posteriormente, com a expansão do uso

da ayahuasca para bem além da Amazônia, o Daime, mesmo cristianizado, ainda

reivindica para si boa parte da simbologia xamânica característica da sua origem

ancestral, como o princípio da expansão da consciência que possibilita o contato

com os espíritos, as viagens extáticas, a proximidade da morte como sinalizador da

valorização da vida, a figura do xamã dirigente, responsável pelo voo xamânico e

que recebe seus ensinamentos de cura para si, para os outros e para a comunidade.

Mestre Irineu iniciou seus trabalhos espirituais abertos ao público na década

de 1930, quando radicado no bairro de Vila Yvonete. O termo Santo passou a ser

usado algumas décadas após a criação do Daime e, segundo informações

atribuídas à sua viúva, Peregrina Gomes Serra, não era reconhecido pelo seu

fundador, que também teria reservas quanto à expansão da doutrina para além das

fronteiras da Amazônia. As recomendações foram seguidas pela viúva, que está à

Mas, a despeito das advertências do seu mentor, o Daime iniciou um processo de

difusão acentuado após a morte de Mestre Irineu, comandado por Sebastião Motta

de Melo, discípulo de Irineu, que, por discordâncias em relação à forma e ao

conteúdo ritualístico, rompeu com o Alto Santo e fundou o CEFLURIS (Centro

Eclético de Fluente Luz Universal Raimundo Irineu Serra), o qual, juntamente, com a

UDV (Centro Espírita Beneficente União do Vegetal, fundado em 1961 por José

Gabriel da Costa) e a Barquinha (fundada por Daniel Pereira de Mattos, na década

de 1940), são os agrupamentos que iniciaram a expansão dessa corrente religiosa e

são aqueles que possuem o maior número de adeptos no Brasil e no exterior. Esses

três grupos são os principais responsáveis pela expansão da ayahuasca para fora

da floresta.

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