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DIŞ TİCARET

Belgede KONYA EKONOMİ RAPORU 2013 (sayfa 91-98)

IV. MAKROEKONOMİK GÖSTERGELER

4. DIŞ TİCARET

Conforme já apresentamos, Fairclough entende as ideologias – à luz de Gramsci, Althusser e Thompson - como construções e/ou significações da realidade que se explicitam em diferentes dimensões de formas e sentidos de práticas discursivas, o que é produto, mas também

interferente na produção, reprodução ou transformação das relações de poder. Nas palavras do autor:

As ideologias são significações/construções da realidade (o mundo físico, as relações sociais, as identidades sociais) que são construídas em várias dimensões das formas/sentidos das práticas discursivas e que contribuem para a produção, a reprodução ou a transformação das relações de dominação (FAIRCLOUGH, 2001, p. 117).

Práticas discursivas carregam ideologias implicitamente, e estas alcançam alto grau de eficácia quando atingem o “status” de senso comum, e se tornam naturalizadas. É possível inferir que há um processo de naturalização de significados, em um movimento que vai do social para o individual/pessoal, contribuindo para que ideologias sejam tomadas como um dado. Para Fairclough (1989), essa invisibilidade da ideologia a torna mais efetiva, pois colabora para dimensionar o mundo a partir de uma dada perspectiva, posicionando o leitor/ouvinte através de determinadas pistas linguísticas.

Assim, a interpretação de discursos não é um mero processo de decodificação, posto que os interlocutores utilizam-se de representações prototípicas, que são socialmente determinadas e ideologicamente formadas. Entretanto, como o próprio Fairclough (2001, p. 117) ressalva, isso não deve ser entendido de forma reducionista ou determinista, pois “essa propriedade estável e estabelecida das ideologias não deve ser muito enfatizada, porque [sua] referência à ‘transformação’ aponta a luta ideológica como dimensão da prática discursiva, uma luta para remoldar as práticas discursivas e as ideologias nelas construídas no contexto da reestruturação ou da transformação das relações de dominação”.

Quando apresentamos as influências que alicerçaram a fundamentação teórica da ACD, falamos sobre as contribuições de Gramsci – e do Marxismo Ocidental – para a orientação de Fairclough. Vimos que a grande contribuição desta linha de pensamento teórico foi a desmistificação do indivíduo social como assujeitado ao sistema.

Fairclough entende que os sujeitos, mesmo sendo controlados ideologicamente, têm capacidade de agir criativamente, conectando-se e reestruturando suas práticas sociais e ideológicas. O autor afirma que “o equilíbrio entre o sujeito ‘efeito’ ideológico e o sujeito agente

ativo é uma variável que depende das condições sociais, tal como a estabilidade relativa das relações de dominação” (op. cit., p. 121).

Sob esse mesmo prisma, o conceito de hegemonia é apresentado pelo professor britânico (com base em Gramsci) a partir dos seguintes postulados, considerando seu caráter potencialmente modificador de estruturas sociais:

a) É tanto liderança como exercício do poder em vários domínios de uma sociedade (econômico, político, cultural e ideológico).

b) É, também, a manifestação do poder de uma das classes economicamente definidas como fundamentais em aliança com outras forças sociais sobre a sociedade como um todo, porém nunca alcançando, senão parcial e temporariamente, um ‘equilíbrio instável’.

c) É, ainda, a construção de alianças e integração através de concessões (mais do que a dominação de classes subalternas).

d) É, finalmente, um foco de luta constante sobre aspectos de maior volubilidade entre classes (e blocos), a fim de construir, manter ou, mesmo, a fim de romper alianças e relações de dominação e subordinação que assumem configurações econômicas, políticas e ideológicas.

Ideologia, a partir dessa visão de hegemonia, é “uma concepção do mundo que está implicitamente manifesta na arte, no direito, na atividade econômica e nas manifestações da vida individual e coletiva” (GRAMSCI apud FAIRCLOUGH, 2001, p. 123). A produção, a distribuição e o consumo de textos são, em verdade, um dos enfoques da luta hegemônica que contribui, em diferentes graus, para a reprodução ou a transformação da ordem de discurso e das relações sociais e assimétricas existentes.

Hegemonia, em resumo, é o domínio baseado no consenso, na concessão que grupos poderosos fazem a grupos menores, a fim de não desestabilizar o poder. O discurso vem a ser a grande força utilizada para naturalizar práticas sociais hegemônicas, pois ele tem a força de naturalizar condições adversas ou discrepantes socialmente em algo aceito sem questionamento (PEDROSA, 2005).

O aporte teórico oferecido pela Análise de Discurso de linha crítica (ACD ou ADC, como preferem alguns), nos será de primordial utilidade a seguir, quando faremos a análise do discurso de Vidas Secas.

A realidade social do sertão e do sertanejo, no contexto histórico brasileiro, foi por nós abordada no capítulo anterior, que relatou a história das secas no Nordeste bem como o engajamento político e comprometimento social de Graciliano Ramos e de outros escritores modernistas. No capítulo a seguir, somaremos a estas informações prévias, uma leitura dos aspectos opressores notadamente trazidos no discurso de Graciliano, utilizando a metodologia de análise proposta pela ACD, destacando os pontos analíticos capazes de revelar nossas pressuposições que compõem as perguntas que objetivam essa pesquisa.

Da bibliografia até o momento trazida, aquelas que serão aproveitadas com maior ênfase em nossa análise “crítica” são aquelas trazidas por Fairclough (1989, 2001) em sua formulação e aplicação em ACD; a atualização dos modelos analíticos trazidos pelo linguista britânico e atualizados por Pedrosa (2005) também nos serão de especial valia, bem como as reflexões acerca dos aspectos sociais da obra Vidas Secas, trazidas principalmente por Aguiar e Buriti (2009).

CAPÍTULO III_____________________________________________________

A OPRESSÃO NO DISCURSO DE VIDAS SECAS: ANÁLISES

“O Romancista só pode escrever bem o seu tempo e o seu meio. Eu só sinto o mandacaru”. Graciliano Ramos

Graciliano homem e escritor se fundem nas palavras: são elas reveladoras de ideologias, crenças (ou descrenças), exteriorizando no discurso aquilo que vive o homem em seu tempo. O comportamento do cidadão Graciliano, conforme já explanamos, é de um homem consciente e ativo em seu entorno social, mesmo entendendo a Literatura como limitada, já que não é capaz de “atingir” às massas.

Ainda assim, o escritor assume o compromisso de produzir uma arte literária que vai além do entretenimento e revela realidades e desmandos de ordem social, mantendo-se fiel ao estilo rebuscado em sua prosa assertiva, objetiva e calculada, de maneira a não tornar a “Arte Literária” mero veículo de denúncia e elucidações comunistas: a arte precisava ser preservada.

Para realizarmos uma leitura crítica, capaz de vincular teoria e observação, consideramos a obra documento simultaneamente artístico, histórico e social, tecido sob a forma literária. Diante disso, nossa análise assume um caráter interdisciplinar, o que é fundamentado e previsto em ACD pelo próprio Fairclough (2001), que sugere o levantamento daquilo que é útil,

dependendo do que quer observar o analista do discurso.

Sobre a metodologia de análise em ACD, Meyer acrescenta: “Por regra geral, se aceita que a ACD não deve entender-se como um método único, porém como um enfoque, isto é, como algo que adquire consistência em vários planos, e que, em cada um de seus planos, exige realizar um certo número de seleções” (MEYER, 2003, apud PEDROSA, 2005, p. 10).

Diante disso e por questão de delimitação, faremos a composição do corpus de nossa análise a partir de excertos da obra, apresentados conforme seja sua relevância, de acordo com aquilo que pretendemos analisar.

As categorias a serem analisadas foram retiradas dos quadros apresentados na seção anterior que, por sua vez, são resultado das proposições trazidas por Fairclough (2001) e atualizadas por Pedrosa (2005). Nossa escolha partiu do prévio levantamento daquilo que nossa leitura deverá privilegiar, a saber, os processos de opressão sofridos pelos sertanejos, evidenciados na obra Vidas Secas.

Não obstante, havia ainda a necessidade de atender aos três níveis de análise apresentados pelo autor britânico – níveis linguístico, discursivo e social –, o que nos levou à seleção de itens que os contemplassem, atendo-nos às diretrizes capazes de revelar aspectos que os evidenciassem na obra.

Podemos afirmar que nosso modo de realizar a seleção – que partiu do olhar enviesado sobre a opressão contra o sertanejo, seguido da seleção de aspectos trazidos pela ACD que fossem capazes de evidenciar tal proposição – é um modo de pesquisa previsto e autorizado por Fairclough (2001, p. 277) na seguinte explanação:

Trata-se de um problema prático de saber-se o que é útil, e como chegar até lá, mas também de ter-se um modelo mental da ordem de discurso da instituição, ou do domínio do que se está pesquisando, e os processos de mudança que estão em andamento, como uma preliminar para decidir-se onde coletar amostras para um corpus.

Com base nisso, selecionamos, dos quadros explanatórios da teoria analítica de Fairclough, os seguintes itens como componentes de nossa análise:

1) Significado das palavras – Matriz social do discurso. 2) Ethos social – Interdiscursividade – Ordens do discurso.

Salientamos, outrossim, que nossa seleção e ordem de apresentação visam a uma explanação mais didática, o que não impede que algumas discussões sejam comuns a mais de um item na análise, o que é natural, dada a própria progressão temática do texto que, em si mesmo, ratifica sua temática, retomando-a repetidamente.

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