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İsa’nın Son Yedi Sözü

2.2. DİNSEL TEMALAR VE SANATSAL FOTOĞRAF

2.2.2. İsa’nın Son Yedi Sözü

O fim da década de 1980 foi marcante para a conformação do território goiano nos dias atuais com a separação entre o norte e o sul. O território de Goiás conviveu com uma dualidade referente ao seu processo de desenvolvimento desde o processo de interiorização. A chegada da estrada de ferro, a construção de Goiânia para ser a capital do estado e posteriormente de Brasília, como a capital federal, possibilitou que o sul de Goiás se tornasse mais propício ao desenvolvimento econômico, seja na agropecuária que encontrava as terras mais férteis e propícias para esta finalidade, ou no surgimento de pólos industriais incentivados pelos investimentos de infraestrutura, que estavam sendo realizados.

O norte continuava esquecido por parte das autoridades e governantes. Vários conflitos agrários marcavam a região, em especial, no bico do papagaio, onde a lei que

vigorava era a dos fazendeiros que influenciavam nos poderes locais e usavam da força, principalmente, o uso de armas para intimidar quem fosse contrário às suas “ordens”. A política dos governos estadual e federal fazia a região ser uma fronteira agrícola e incentivava empresas a desenvolverem atividades econômicas na região desconsiderando, assim, as famílias que estavam instaladas nas áreas de terras devolutas. Por ser uma região de baixa densidade demográfica, muitas famílias de camponeses que eram ameaçadas deixavam suas propriedades e buscavam novos lugares para se estabelecerem, entretanto, muitos resistiam e ficavam a mercê da truculência dos latifundiários.

Movimentos separatistas, ou de autonomia do norte iniciaram já em 1821 com Joaquim Teotônio Segurado, depois em 1956 com o juiz de Direito da cidade de Porto Nacional Feliciano Machado Braga e posteriormente em 1985 o Senador Benedito Ferreira protocolou projeto de Lei no senado para a criação do Estado do Tocantins, que foi vetado pelo presidente da República José Sarney sob a argumentação que este pedido deveria ser submetido à Constituinte. Finalmente, no dia 05 de outubro de 1988 o norte de Goiás era emancipado e surgia o Estado do Tocantins, que foi instalado oficialmente em 01 de janeiro de 1989.

Assim, falar do território de Goiás hoje, não é o mesmo que falar de Goyaz até o século XVIII, ou de Goiás até o fim da década de 1989. O território que compreende o estado de Goiás, ainda possui uma parte desenvolvida mais ao centro sul e uma parte ainda dominada pelas oligarquias rurais mais ao norte. O que ocorre a partir da década de 1990 e início dos anos 2000 é uma estruturação social em que ao sul configura-se a figura do fazendeiro mais desenvolvido e ao norte mais atrasado.No entanto, ambos estão no poder político e econômico do estado.

A formação do estado de Goiás é simbólica, se analisado a partir das contradições de sua conformação. O que tem como principal ponto é a concentração de terra nas mãos de poucos como demonstrado nas tabelas a seguir sobre o número dos estabelecimentos e da área ocupada. Esta concentração pode ser “justificada” pela opção do desenvolvimento econômico por meio da pecuária extensiva, mas também pela concentração do poder político, econômico, cultural e social nas mãos dos latifundiários.

É importante destacar que com a criação do Estado de Tocantins no início de 1989, os dados até 1985 mostram a evolução do número de estabelecimentos e de área

ocupada pelos mesmos respectivamente, assim como os dados de 1995 são semelhantes aos do ano de 1975 tanto para o número de estabelecimentos como para a área dos estabelecimentos.

Tabela 1 – Número de estabelecimentos em Goiás entre 1970 e 2006.

NÚMERO DE ESTABELECIMENTOS 1970 1975 1980 1985 1995 2006 Total 107.548 111.903 110.652 131.365 111.791 135.692 Menos de 10 ha 14.149 16.728 13.825 25.361 12.526 21.842 10 a menos de 100 ha 53.842 52.401 52.136 58.944 55.073 72.242 Menos de 100 ha 67.991 69.129 65.961 84.305 67.599 94.084 100 a menos de 1000 ha 35.366 37.729 39.133 41.217 38.728 34.494 1000 ha e mais 4.187 5.031 5.502 5.811 5.437 5.001 Fonte: IBGE Organização: Anacleto 2013

Tabela 2 – Área dos estabelecimentos em Goiás entre 1970 e 2006. ÁREA DOS ESTABELECIMENTOS

1970 1975 1980 1985 1995 2006 Total 24.332.673,00 27.689.998,00 29.185.339,00 29.864.104,00 27.472.648,00 26.136.081,00 Menos de 10 ha 85.098,00 102.719,00 82.470,00 144.981,00 69.284,00 111.376,00 10 a menos de 100 ha 2.403.138,00 2.344.126,00 2.346.667,00 2.586.472,00 2.425.310,00 2.840.656,00 Menos de 100 ha 2.488.236,00 2.446.845,00 2.429.137,00 2.731.453,00 2.494.594,00 2.952.032,00 100 a menos de 1000 ha 10.414.281,00 11.368.581,00 11.941.312,00 12.622.853,00 12.011.556,00 10.701.273,00 1000 ha e mais 11.430.155,00 13.874.581,00 14.814.846,00 14.509.795,00 12.966.497,00 12.482.776,00 Fonte: IBGE Organização: Anacleto 2013

Tomando como base os dados dos anos de 1995 e de 2006, quando se configura a estrutura fundiária mais próxima da atual conformação do território do estado de Goiás, é possível perceber que aumentaram os números de estabelecimentos e da área total dos mesmos. O aumento é acompanhado apenas pelos estabelecimentos com menos de 100 ha, para os demais, entre 100 ha e 1000 ha e acima dos 1000 ha houve uma redução no número e na área ocupada dos estabelecimentos, o que pode indicar que a luta pela terra na década de 1990 e início dos anos 2000 contribuiu para esta alteração.

De acordo com os dados do INCRA – SR/04 e SR/283, entre 1984 e 2011 foram criados 389 P.A, assentando 21.245 famílias em Goiás. Os assentamentos com maior número de famílias assentadas ficam na região norte e noroeste, coordenadas pelo INCRA – SR/28 que tem média de 82,25 famílias assentadas por P.A, contra 42,62 famílias assentadas por P.A. no INCRA – SR/04.

Desta forma, desde o início do povoamento do território que seria conhecido como Goyaz - em uma alusão aos índios Goyazes que habitaram esta região, mas que foram perseguidos e/ou integrados à cultura aurífera - a presença das grandes propriedades de terras é parte integrante do modelo de desenvolvimento econômico adotado pelos governantes locais. Coexistindo com os latifundiários sempre esteve a figura dos camponeses, que em um primeiro momento conviviam em “harmonia” até mesmo pelo pouco interesse e grande disponibilidade de terras, mas que com a mudança no modelo de desenvolvimento e a introdução da estrada de ferro e, posteriormente, das rodovias, passaram a estabelecer os conflitos pelo domínio e controle da terra, sendo que para Pessoa (1997, p. 75):

[...] das Capitanias em 1532 até os anos [19]50 do presente século, as ocupações livres, não necessariamente legitimadas posteriormente do ponto de vista judicial, foram a forma mais usual de apropriação da terra em todo o pais e Goiás não se constitui em exceção.

Em síntese, a conformação do território de Goiás é marcada pela apropriação da terra, onde camponeses e latifundiários buscavam estabelecer suas propriedades, mas a preferência na demarcação ou uso da terra era sempre do latifundiário, que expulsava os camponeses de suas terras sempre que esta lhe interessava. Mesmo com as diversas formas de organização dos camponeses para resistir às investidas dos latifundiários e garantir suas terras para o trabalho, produção e sustento de suas famílias, eles foram derrotados ou desarticulados pelo aparato do Estado que sempre esteve ao lado dos grandes proprietários de terra.

3 O estado de Goiás é dividido em duas superintendências regionais do INCRA, a SR04 e a SR28. Esta última coordena os trabalhos na região do entorno do Distrito Federal e, por sua vez, o noroeste goiano. A SR04 coordena as demais localidades de Goiás. Este trabalho tem informações a partir da SR04.