1.2. İLAHİ DİNLERDE GÖRÜLEN SEMBOLLER
1.2.2. Hıristiyanlık’ta Görülen Semboller
Alguns estudos buscam caracterizar a agricultura familiar como algo que está associado ao discurso do desenvolvimento, da integração com o mercado, do trabalho
familiar e do modelo a ser seguido por todos que vivem no campo, enquanto que os camponeses são caracterizados como o que há de atrasado no campo e que devem ser superados. Estas teorias fazem parte da corrente de interpretações do PCA. Para Marques (2012, p. 45):
Na ultima década do século XX, o conceito de agricultura familiar é proposto por alguns autores como substituto para o de camponês enquanto conceito- síntese e aceito sem maiores reflexões por muitos, seja na academia, na burocracia do Estado, ou também entre os próprios agricultores, seus sindicatos e movimentos sociais. Essa substituição se dá com base na adoção de uma abordagem evolucionista sobre o desenvolvimento da historia e contribui para o empobrecimento do debate político em torno da questão agrária. Diferentemente do que ocorreu com o conceito de pequena produção, que aparece articulada ao camponês em algumas situações, o emprego do conceito de agricultura familiar passa pela afirmação de sua diferença em relação ao de camponês, que não mais se aplicaria às novas realidades criadas a partir do desenvolvimento do capitalismo na agricultura.
As tentativas de classificação destas pessoas ou grupos ligados às atividades produtivas no campo são, portanto, tentativas de explicação de como o desenvolvimento do capitalismo foi alterando ou formando segmentos da classe trabalhadora no meio rural. Embora muitas destas pessoas, inclusive os próprios camponeses, não consigam diferenciar o que é ser agricultor familiar ou camponês, em geral tem-se a concepção que são agricultores com base de trabalho familiar, ou pequeno produtor.
Procurar entender quem é o agricultor familiar e o camponês fora do contexto político, econômico e social do capitalismo é querer caracterizar um mesmo grupo de pessoas sob diferentes princípios e perspectivas. Os paradigmas tentam explicar a conformação deste grupo que trabalha no campo, que possuem uma pequena propriedade ou posse de terra e têm a família como base de trabalho dentro do contexto do desenvolvimento capitalista.
Para retratar uma das possíveis concepções de camponês tomaremos a definição de BartraVerges (2010, p. 16):
La palabra campesino designa una forma de producir, una sociabilidad, una cultura, pero ante todo designa un jugador de ligas mayores, unen barnecidosujeto social que se ha ganado a pulso su lugar enla historia. Ser campesino es muchas cosas pero ante de todo es pertenecer a una clase: ocupar un lugar específico enelorden económico, confrontar predadores semejantes, compartir un pasado trágico y glorioso, participar de unproyectocomún. (grifo do autor)
O camponês aqui retratado, conforme BartraVerges, é alguém que parte de um lugar específico, que não está fora da esfera econômica e, sobretudo, é alguém pertencente a uma classe também definida que confronta a classe dominante. Em se tratar do campo, no caso brasileiro, são pessoas que se contrapõem ao modelo de desenvolvimento na agricultura capitalista e representada através da agricultura capitalista ao mesmo tempo em que está inserido nestas relações comerciais. Sendo assim, o camponês é um sujeito com características próprias, podendo ser destacado o seu modo de vida e a constituição de um sujeito social e histórico, assim como sua integração com o mercado, seja buscando financiamento para sua produção ou na comercialização da mesma.
Sem dúvida, para ser possível analisar os significados que adquirem a definição de camponês e de agricultor familiar, é necessário que se faça isso dentro do contexto de desenvolvimento capitalista. Para Bernestein (2011, p. 09):
Com o desenvolvimento do capitalismo, muda o caráter social da agricultura em pequena escala. Primeiro, os “camponeses” se tornam pequenos produtores de mercadoria que têm de gerar a subsistência com a integração às divisões sociais mais amplas do trabalho e do mercado. Essa “mercantilização da subsistência” é uma dinâmica central do desenvolvimento do capitalismo, [...] os pequenos produtores de mercadoria estão sujeitos à diferenciação de classe. [...] em consequência da formação de classes, não há uma única “classe” de “camponeses” nem “lavradores familiares”, mas sim classes diferenciadas de lavradores capitalistas em pequena escala, pequenos produtores de mercadoria com sucesso relativo e mão de obra assalariada.
Segundo esta perspectiva é possível compreender o caminho percorrido pelo camponês dentro do desenvolvimento capitalista. Primeiramente, há a fragmentação da classe trabalhadora em vários segmentos. Com a fragmentação, grupos acabam se distanciando uns dos outros e buscando lutar por suas especificidades. Posteriormente, seu objetivo maior passa a ser a luta corporativa, voltada para atender aos interesses de cada segmento ou subsegmentos. Finalmente, há uma generalização desses segmentos que não se reconhecem mais enquanto classe trabalhadora e explorada e sim segundo seus grupos representativos. Desta forma, o campesinato será analisado enquanto parte da classe trabalhadora. Embora possua algumas características próprias no meio rural, segundo Duarte (2001, p. 122):
[...] podemos conceituar o campesinato com uma classe subordinada constituída por trabalhadores que, de posse de seus meios de produção, cultivam a terra com base no trabalho familiar, mantendo um vínculo parcial com o mercado e que possuem uma cultura e formas de organização específicas, ligadas diretamente ao meio de vida rural.
O camponês, sendo parte da classe trabalhadora e estando dentro do capitalismo, estabelece e nega as relações capitalistas ao mesmo tempo. Sua luta ou ações para superar as relações capitalistas direcionam no sentido de se firmar enquanto sujeito social autônomo e pertencente à classe trabalhadora. Se não houver esta identificação enquanto classe perde-se o ponto de referência do embate e seu papel histórico. Por outro lado, esta busca pela reafirmação passa pelas leis que regem a sociedade como um todo, ou seja, está inserido na esfera econômica, social, política, cultural capitalista.
Portanto, embora a organização de funcionamento do capitalismo busque organizar ou direcionar as pessoas em vários segmentos de representatividade, o que há enquanto classe são duas bem definidas: os explorados e os exploradores, ou seja, a classe dominante e a dominada, que estão em permanente conflito ou, a partir de uma análise mais geral “a história de todas as sociedades que já existiram é a história da luta de classes” (MARX; ENGELS, 1998, p. 09). Na classe explorada, no caso da análise no meio rural, encontram-se os agricultores de base familiar, sejam eles identificados como camponês ou agricultor familiar, em contraposição à agricultura capitalista ou simplesmente o agronegócio, na atualidade. Segundo Fernandes (2004, p. 19):
[...] separar o camponês de agricultor familiar ou considerá-los como um único sujeito em processo de mudança é uma questão de método. De fato, o conjunto de relações que predominam no processo de desenvolvimento do capitalismo na agricultura, possibilita diferentes leituras que podem levar à compreensão de metamorfose ou da reinvenção. (grifo do autor)
No entanto, muitos segmentos da classe trabalhadora não se reconhecem mais como classe, o que possibilita haver uma hegemonia na dominação capitalista, pois os conflitos são realizados na esfera particular de cada segmento e não mais enquanto projeto de classe que busca uma ruptura com o modelo atual e um projeto alternativo para as relações sociais, econômicas e políticas. Essas lutas ou ações isoladas reforçam a manutenção e submissão da classe dominada que acaba reproduzindo o modo de vida,
de pensamento e relações sociais da classe dominante como sendo algo natural ou próprio da classe dominada.
Portanto, ser agricultor familiar ou camponês depende muito mais dos critérios adotados de quem observa e tenta caracterizar cada grupo para justificar uma ação, uma análise ou atender a uma determinada intencionalidade, do que de suas atividades produtivas e reprodutivas em si. Desta forma, a termologia a ser adotada neste trabalho é do camponês, pois representa a classe trabalhadora no campo e se constitui de algumas especificidades que podem ajudar na compreensão dos segmentos surgidos a partir do campesinato em contraposição ao capitalismo no campo.