1.3. Demokrat Parti’nin Kuruluşu ve Muhalefet Yılları
2.1.4. İnsan Hakları Derneği
O manejo das matas ciliares é amplamente reconhecido como um meio para reduzir ou mitigar o impacto nos rios, a partir do uso do solo nas bacias (Fennessy e Cronk, 1997; Martin et al., 1999). A sua manutenção pode trazer melhorias na transparência da água, na estabilidade das margens e reduzir entradas de nutrientes e de sedimentos (Owens et al., 1996).
Segundo Broadmeadow e Nisbet (2004) o manejo das matas ciliares é necessário para manter uma cobertura vegetal vigorosa e permitir que não somente as árvores estejam presente no ambiente ripário, mas a presença da vegetação herbácea que intercepta sedimentos, protegendo as margens contra a erosão. Segundo os autores, é importante não permitir o completo sombreamento pelas árvores de maior porte, dando oportunidade do crescimento da vegetação herbácea nas camadas inferiores da mata ciliar. Os autores, no seu artigo de revisão, citam que o excesso de árvores de grande porte e, consequentemente, a formação do sombreamento leva a
redução do crescimento da vegetação herbácea e pode deixar as camadas inferiores, das mata ciliares, descobertos e favorecer a erosão do solo e ao aumento do assoreamento dos rios e reservatórios.
O manejo de bacias hidrográficas se constitui, portanto, numa forma integrada de se visualizar ou de se pensar a respeito das atividades antrópicas, numa área qualquer da bacia hidrográfica, e seus efeitos sobre o solo e a água. O uso do solo pode exercer uma forte influência nos ambientes de água doce, tendo as práticas agrícolas e florestais um grande potencial para degradar a qualidade da água e o habitat dentro de rios e riachos (Clenaghan et al., 1998).
De acordo com Checchia (2003), estudos sobre a influência das matas ciliares na qualidade da água mostram sua eficiência para reduzir impactos provenientes de poluição difusa e pontual sobre os corpos d’água. De acordo com Andrade et al. (2005), as matas ciliares têm a capacidade de reter defensivos agrícolas, poluentes e sedimentos transportados que possam afetar a qualidade da água e, consequentemente, afetar a fauna aquática e a população humana.
Dilaha et. al (1989) utilizaram o termo “faixa ciliar de filtragem”, definindo-a como área de vegetação propícia para reter sedimento e remover poluentes, a partir do escoamento superficial, através de filtragem, deposição, infiltração, adsorção, absorção, decomposição e volatilização. Klapproth e Johnson (2009) realçaram as matas ciliares pela sua capacidade de absorção de poluentes em tecidos vegetais, adsorvidos em partículas do solo ou modificados por organismos do solo.
Mander (1997) dividiu a mata ciliar em três sub-áreas , de acordo com a sua função: (1) área mais próxima do rio, formada por árvores e arbustos que providenciam um importante habitat para a vida silvestre, fornece alimento para organismos aquáticos e sombra para mitigar temperaturas do rio, além de auxiliar na estabilização de taludes; (2) área com presença de árvores e arbustos, que interceptam sedimentos, nutrientes, pesticidas e outros poluentes em escoamentos superficiais e sub- superficiais; (3) área formada geralmente por vegetação rasteira (herbáceas e gramas), que providencia uma primeira defesa, auxiliando as áreas 1 e 2.
Há poucos estudos sobre a quantidade e a qualidade dos sedimentos que são transportados (ou exportados) das matas ciliares situadas na região semiárida
brasileira. Trabalhos vêm sendo realizados sobre a produção de sedimentos, mas com ênfase em toda a bacia hidrográfica (RODRIGUES et al., 2013; LIMA NETO et al., 2011; WIEGAND, 2009), mas não sobre a contribuição específica das matas ciliares. Durante o transporte dos sedimentos, uma carga de nutrientes, também, é transportada presa às partículas de sedimentos, resultado da ação erosiva no solo, e pelo escoamento superficial. Assim que os sedimentos adentram nos corpos hídricos podem diminuir a qualidade da água (TANAKA et al., 2013) e iniciar ou intensificar o processo de eutrofização.
A mata ciliar está envolvida, indiretamente, no controle de muitos processos biogeoquímicos capazes de modificar a qualidade da água do escoamento superficial (TABACCHI et al., 1998). Além da matéria orgânica bruta, a mata ciliar contribui em quantidades significativas de matéria orgânica dissolvida (MOD). A qualidade da água pode ser modificada por este tipo de matéria orgânica (NEAL et al., 1990).
A influência das matas ciliares nos cursos d’água depende de sua largura, estrutura, composição de espécies e manejo da vegetação. A cobertura vegetal nas margens é vista como de extrema importância para os ambientes de água doce. As raízes das árvores e a vegetação herbácea estabilizam as margens dos rios e açudes, e regulam os fluxos de sedimentos e nutrientes. Essa ajuda para proteger a qualidade da água e contra o assoreamento, bem como a manutenção da profundidade do canal do rio disponível para os peixes. As copas das árvores dos arbustos, das matas ciliares, também, moderam o microclima e a produtividade primária dos rios, além da contribuição das folhas e dos galhos mortos da serapilheira que aumentam a qualidade do habitat aquático, servindo de alimento para muitas espécies situadas na ambiente aquático (BROADMEADOW; NISBET, 2004).
Do ponto de vista dos ecossistemas aquáticos, inúmeros são os impactos decorrentes dos processos de erosão acelerada. Além da degradação da qualidade da água, a alta concentração de sedimentos na água restringe a entrada da luz solar, prejudicando a fotossíntese por parte das plantas. As comunidades de peixes também são afetadas, já que os sedimentos cobrem o cascalho de fundo que constitui habitat importante para desova. Também a elevada carga de fósforo em rios e açudes pode acelerar o processo de eutrofização (TUNDISI; TUNDISI, 2010).
Muitos açudes vêm sofrendo um acelerado processo de eutrofização e a qualidade da água desses ambientes vem sendo seriamente comprometida pelo seu enriquecimento por nutrientes, principalmente pelos derivados de fósforo e nitrogênio, ocasionando florações de microalgas e plantas aquáticas. Estas, além de oferecerem riscos à saúde humana e animal, também causam prejuízos econômicos e alteram a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas. As elevadas cargas externas pontuais e difusas de nutrientes e os elevados índices de evaporação, que favorecem a concentração de nutrientes na água, são as principais causas de eutrofização dos açudes (BOUVY et al., 2003; PHILIPPI; MALHEIROS, 2005).
O crescimento excessivo de algas, por exemplo, pode encarecer substancialmente os custos no tratamento da água para abastecimento. Tundisi e Tundisi (2010) demonstraram que os rios com áreas de matas ciliares preservadas possuem recursos hídricos de melhor qualidade. Os autores demonstraram que os custos para o tratamento da água podem chegar a R$ 3,00 por 1000 m3 de água tratada (adição de cloro e flúor), enquanto que em áreas degradadas e com recursos hídricos já eutrofizados, os custos do tratamento podem chegar a R$ 300,00 por 1000 m3 de água tratada, devido à necessidade do uso de floculantes, coagulantes e
desinfetantes que devem ser adicionados para tornar a água potável. Segundo Tundisi e Tundisi (2010), o aumento do potencial de eutrofização tem como resultados a perda da qualidade da água dos rios, lagos e reservatórios, além do comprometimento dos serviços ambientais dos ecossistemas aquáticos.
Pesquisas estão sendo feitas para reduzir a transferência do fósforo para as águas superficiais e estudando a estrutura, a dinâmica e o comportamento das matas ciliares na proteção dos corpos hídricos. Hoffmann et al. (2009), em seu artigo de revisão, citam que ocorre a mobilização do fósforo dentro das matas ciliares. O fósforo particulado ou do próprio solo pode se converter (mobilização) para as formas dissolvidas (fósforo reativo dissolvido ou também chamado de ortofosfato) dentro das matas ciliares, influenciando a qualidade da água dos escoamentos. E isso preocupa, pois o ortofosfato que deixa essas áreas entra diretamente nos cursos d’água e ficam disponíveis para a absorção pelas algas e plantas aquáticas, intensificando a eutrofização.
O fósforo pode ser lançado diretamente nas formas disponíveis e podem enriquecer diretamente a água do escoamento superficial. Normalmente, o transporte direto de fósforo, a partir dos sedimentos, envolve diferentes formas, que são processados durante o seu transporte para as águas subterrâneas. Outra parte do fósforo, biologicamente disponível, é interceptada pelas plantas e é liberado mais tarde durante a decomposição. No entanto, o papel biológico da vegetação no ciclo do fósforo, nas matas ciliares, parece ser menor em comparação com o efeito filtrador fornecido pelas barreias físicas das mesmas (NAIMAN; DÉCAMPS, 1997).
As concentrações naturais de fósforo no solo são insuficientes para produção agrícola, necessitando a suplementação a partir de fertilizantes e, muitas vezes, há excesso na aplicação desses fertilizantes (HOLFORD, 1997). As cargas de fósforo que deixam as áreas agrícolas e podem contribuir, significativamente, no aumento das concentrações de fósforo nas águas superficiais. Haygarth et al. (2005) cita o termo “transferência contínua”, se referindo ao ciclo citado acima.
Segundo Rebouças (1997) a poluição difusa, também, tem causado impacto na qualidade da água, principalmente em decorrência da erosão do solo em bacias hidrográficas desmatadas. Miller e Spires (1978), no Canadá, estimaram que cerca de 80% do fósforo que entrava nos Grandes Lagos estava associado a sedimentos que provinham de terras com atividades agrícolas.
O fósforo permanece como um elemento importante da poluição difusa, por causa do crescimento algal nos ecossistemas aquáticos de água doce que são, geralmente, limitados por sua concentração no ambiente (VOLLENWEIDER, 1968). O excesso de fósforo e, subsequente, crescimento algal nos açudes podem reduzir as concentrações de oxigênio dissolvido, aumentando a turbidez, e a possibilidade da produção de toxinas nocivas, com efeitos secundários resultando em problemas no tratamento da água e a redução na biodiversidade (ESTEVES, 2011).
Outro processo importante é a lixiviação da serapilheira, que pode ter impacto significativo sobre a quantidade de nitrogênio e de fósforo fornecidos às águas do escoamento superficial (TABACCHI et al., 1998). Na região semiárida brasileira, boa parte da serapilheira não é decomposta, totalmente, no período seco. As chuvas e as cheias subsequentes transportam essa serapilheira, parcialmente decomposta, até os
corpos hídricos (LOPES et al., 2009). Assim, a decomposição da serapilheira libera muitos nutrientes, nos quais muitos são biologicamente disponíveis, alterando a qualidade da água dos escoamentos superficiais, que seguem para os ambientes aquáticos e onde continuará o processo de decomposição e oxidação da matéria orgânica da serapilheira, parcialmente decomposta (WEIGELHOFER; WARINGER, 1994).
Segundo David et al. (2000) as matas ciliares conseguem reter cerca de 80% do fósforo e 89% do nitrogênio provenientes do escoamento superficial das áreas adjacentes. Estes valores podem variar em função de vários fatores como: o estágio de desenvolvimento e tipo de vegetação; o tipo de solo; o relevo; o regime pluviométrico local; e a largura da faixa das matas ciliares.
Com relação à largura das matas ciliares não há um consenso, em muitas pesquisas, de qual a largura ideal, para reter sedimentos e poluentes, e preservar os corpos hídricos. Kobiyama (2003) cita que para estimar a largura ideal de matas ciliares depende da função que ela deverá exercer. É claro que a aplicabilidade dessas funções é dependente da interação de diversos fatores como: tipo de solo; topografia; uso do solo a montante; entre outros. Dessa forma, a pergunta “qual seria a largura de mata ciliar suficiente ou ideal” é difícil de ser respondida, do ponto de vista científico, em virtude da complexidade dos ecossistemas e da própria dinâmica dos processos envolvidos (CHECCHIA, 2003).
As larguras das matas ciliares devem refletir as dimensões naturais dos rios. Não é possível especificar uma largura mínima definitiva para as matas ciliares que irá assegurar a proteção de todos os corpos hídricos contra todas as ameaças oriundas das áreas adjacentes na bacia. Entretanto, larguras entre 5 e 30m demonstraram fornecer, no mínimo, entre 50% e 75% de eficiência de retenção de sedimentos, protegendo os cursos d’água em área de matas ciliares preservadas (BROADMEADOW; NISBET, 2004; CASTELLE; JONHSON, 1994). Swift e Norton (1993) relataram que uma largura de 50m de mata ciliar, para as condições locais, foi o suficiente para reter cerca de 90% do fósforo total que adentrou pelas matas.
Assim, as faixas de matas ciliares ideais variam conforme a sua função ambiental. As larguras máximas e mínimas ideais também são variáveis de acordo com
a metodologia empregada para a sua delimitação, assim como pelas diferenças entre os parâmetros que caracterizam a área (tipo de solo, tipo de vegetação, declividade, vazão, etc). Dessa forma, conforme dados observados na literatura, observa-se que a faixa mínima, no caso exigida pela lei brasileira de 30m, pode superar o ideal, como é o caso das faixas para estabilização de vertentes, ou pode ser muito inferior ao ideal, como é o caso da faixa para manutenção do habitat para a vida silvestre (Silva, 2003).