• Sonuç bulunamadı

3.3 Başarılı Bir Kentsel Mekân

3.3.2 Gelişmiş Ülke Deneyimlerinde Yer Oluşturma İlkeleri

3.3.2.2 İngiltere Deneyimleri

Apesar de serem considerados importantes pelas administrações provinciais, as dificuldades decorrentes da grande extensão territorial, da disponibilidade de verbas e os procedimentos burocráticos prejudicaram a realização de censos no Brasil.1

No que diz respeito a Campinas, os Recenseamentos Gerais de 1872, 1890, 1900, 1920 e 1940, o Levantamento Estatístico Provincial de São Paulo de 1886, o Recenseamento Municipal de 1918 e o Recenseamento Escolar do Estado de São Paulo de 1934 permitem reconstruir em grandes linhas a evolução da população

do município, conforme a Tabela 1.1.2

1 A Lei Provincial nº. 24, de 1836, previa a realização de censos em São Paulo a cada cinco anos. O primeiro regulamento censitário do Brasil, datado de 1846, previa a realização de censos gerais a cada oito anos. O regulamento censitário de 1870, que originou o primeiro Recenseamento Geral do Império do Brasil de 1872, previa a realização de censos a cada dez anos. Além das omissões das nacionalidades dos recenseados de 1890 e 1900, por exemplo, há outros problemas metodológicos nos censos brasileiros que não cabe aqui aprofundar. Ver: BASSANEZI, Maria Sílvia B.; BACELLAR, Carlos de A. Prado. Levantamentos de população publicados da Província de São Paulo no século XIX. Revista Brasileira de Estudos de População, v. 19, n. 1, p. 113-129, jan./jun. 2002.

2 BAENINGER, Rosana. Espaço e tempo em Campinas: migrantes e a expansão do polo industrial paulista. Campinas: CMU/Unicamp, 1996; CAMARGO, José Francisco de. Crescimento da população

do Estado de São Paulo e seus aspectos econômicos: ensaio sobre as relações entre a demografia

Tabela 1.1 – População de Campinas (1870-1940) Ano População 1872 31.397 1886 41.253 1890 33.921 1900 67.694 1918 105.160 1920 115.567 1934 132.919 1940 129.940

Fonte: BAENINGER, Rosana. Espaço e tempo em

Campinas: migrantes e a expansão do polo industrial paulista. Campinas: CMU/Unicamp, 1996. p. 24, 34, 42.

Com esses dados, nota-se que o município de Campinas passou de pouco mais de 31 mil habitantes em 1870 para cerca de 130 mil em 1940. Esse crescimento populacional de mais de 400% em 70 anos foi intercalado por movimentos descontínuos que merecem destaque. Entre 1872 e 1886, a taxa de crescimento populacional foi positiva, com 1,9% ao ano, mas entre 1886 e 1890 a taxa foi negativa em 4,8%, quando grassaram duas graves epidemias de febre

amarela.3 A população dobrou em 1900 e continuou crescendo a 2,5% ao ano até

1918 e a 4,8% em 1919 e 1920.

Os grandes contingentes de imigrantes europeus, principalmente os italianos, que chegaram a partir de 1886 para trabalhar nas lavouras de café da região, contribuíram significativamente para esse crescimento populacional. Também colaborou para aquele resultado a migração de trabalhadores nacionais oriundos de várias regiões do país, atraídos por melhores perspectivas de trabalho e salários. Estes atuaram na derrubada de matas para novas áreas de cultivo do café, na construção de ferrovias, em atividades rurais como agregados e camaradas das grandes fazendas, pequenos sitiantes; e em atividades urbanas, como empreiteiros ou empregados na construção civil (especializados ou apenas

serventes, ajudantes e auxiliares) e como vendedores ambulantes, entre outras.4

Levantamento Estatístico Provincial de São Paulo de 1886, em relação aos totais do Censo de 1890. BASSANEZI Maria Silvia B. (Org.). São Paulo do passado: dados demográficos. Campinas: NEPO – UNICAMP, 1998, v. 5: 1890.

3 SANTOS FILHO, Lycurgo de Castro; NOVAES José Nogueira. A febre amarela em Campinas, 1889-

1900. Campinas: CMU/UNICAMP, 1996.

4 BEIGUELMAN, Paula. A formação do povo no complexo cafeeiro: aspectos políticos. São Paulo: Pioneira, 1977. p. 99-115. LAMOUNIER, Maria Lúcia. Ferrovias e mercado de trabalho no Brasil do

século XIX. São Paulo: Edusp, 2012, p. 228-243. MOURA, Denise Soares de. Saindo das sombras:

A partir de 1920, porém, o crescimento populacional de Campinas não superou a taxa de 1% ao ano até 1934. Entre as razões da menor expansão estão o fim das subvenções do tesouro público à imigração, em 1927, e o desmembramento do antigo distrito de Americana, em 1924. A curva positiva inverteu-se a partir de 1934 e houve declínio populacional até 1940. Nesse período, a crescente industrialização pode ter atraído grande parte da população do interior para a capital do estado de São Paulo e causado a queda da população de Campinas.

1.1.1. A população imigrante

A literatura e os periódicos de Campinas, publicados desde o quarto final do século XIX, registram a presença de nacionalidades variadas, que exerciam atividades que espelhavam as oportunidades de seus mercados de trabalho e de

consumo.5

Alguns recenseamentos oficiais tornam possíveis as comparações da participação de estrangeiros nas populações de Campinas e do estado de São Paulo como um todo. Porém, no período abrangido por este estudo (1870-1940), não há informações sobre nacionalidades nos Censos gerais de 1890, 1900 e no levantamento provincial de 1886. Tampouco houve censo em 1910. Dessa maneira, apenas os Censos gerais de 1872, 1920 e 1940 são utilizados na

comparação a seguir.6 Optou-se por restringir o estudo aos italianos, alemães e

portugueses, que representavam os maiores contingentes de imigrantes. Os demais estrangeiros estão reunidos sob a denominação Outras nacionalidades. As participações são reproduzidas na Tabela 1.2.

Tabela 1.2 – Nacionalidades da população estrangeira no município de Campinas e na província/estado de São Paulo, em %

Censos Italianos Alemães Portugueses Outras Nacionalidades Ano Campinas SP Campinas SP Campinas SP Campinas SP 1872 6,0 7,2 25,0 23,5 39,0 41,4 30,0 27,9 1920 61,8 48,1 3,6 2,6 18,1 20,1 16,5 29,2 1940 48,9 28,0 3,4 4,4 23,8 20,4 23,9 47,2

Fonte: BASSANEZI, Maria Silvia B. (org.). São Paulo do passado: dados demográficos (1836-

1920). Campinas: NEPO-UNICAMP, 1999, v. III – 1872; v. VI – 1920. IBGE, Recenseamento

Geral do Brasil – 1940.

5 GALZERANI, Maria Carolina Bovério. O almanaque, a locomotiva da cidade moderna: Campinas, décadas de 1870 e 1880. Tese (Doutorado), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1998.

Em 1872, a população geral de Campinas representava 2,6% do total da província de São Paulo. A população estrangeira em Campinas somava 11,9% do total, muito acima da média da província que era de 2,4%. Apenas o município de São Paulo, com 13,3%, reunia mais estrangeiros do que Campinas. Entre as colônias estrangeiras, a italiana totalizou, em 1872, 6% em Campinas e 7,2% em São Paulo. A maior colônia imigrante era formada pelos portugueses, com 39% em Campinas e 41,4% na província. Os alemães compunham colônias expressivas tanto em Campinas (25%) como em todo o território paulista (23,5%). As outras nacionalidades reunidas somavam 30% em Campinas e 27,9% no geral da província.

O recenseamento de 1872 é o último, antes da imigração em massa iniciada por volta de 1886, a registrar as nacionalidades da população. Após esse ano, a entrada de imigrantes italianos chegou a ultrapassar a casa dos milhares de indivíduos anualmente, mas não há recenseamentos que registrem esse movimento, apenas as listas de entradas de imigrantes da Hospedaria de

Imigrantes de São Paulo.7 Os Censos de 1920 e 1940 confirmam as participações

elevadas de italianos tanto em Campinas como em todo o estado de São Paulo. Em 1920, são 61,8% de italianos entre os imigrantes em Campinas e 48,1% em São Paulo. Em 1940, os percentuais são de 48,9% e 28%, respectivamente, confirmando-se assim as expressivas participações desses imigrantes no município de Campinas.

Os principais estudos sobre imigrantes no estado de São Paulo demonstram a importância do amplo contingente de trabalhadores italianos e descendentes que se dirigiram principalmente para as fazendas e, depois, para as atividades

urbanas.8 Muitos deles pertenceram originalmente ao meio rural, mas se

deslocaram para a capital do estado após o fim das obrigações contratuais como

7 Os livros de matrículas da Hospedaria registram as entradas de imigrantes desde 1882 até 1927 e também estão disponíveis no CMU. Esses registros e as listas de embarque e desembarque são os principais registros da presença de imigrantes.

8 Trata-se, principalmente, das obras de HALL, Michael M. The origins of mass immigration in Brazil

1871-1914. Columbia University [s. n.], 1969. Tese (Doutorado); STOLCKE, Verena. Cafeicultura: homens, mulheres e capital (1850-1980). São Paulo: Ed. Brasiliense, 1986; STOLCKE, Verena e

HALL, Michael M. A introdução do trabalho livre nas fazendas de café de São Paulo. Revista

Brasileira de História. N.6, 1984, p. 80-120; ALVIM, Zuleika M. F. Brava gente: os italianos em São Paulo (1870-1920). São Paulo: Ed. Brasiliense, 1986; VANGELISTA, Chiara. Os braços da lavoura: imigrantes e “caipiras” na formação do mercado de trabalho paulista (1850-1930). São Paulo:

Hucitec, 1991; HOLLOWAY, Thomas. Imigrantes para o café. Café e sociedade em São Paulo, 1886-

1934. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984; e DEAN, Warren. Rio Claro: um sistema brasileiro de grande lavoura, 1820-1920. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.

colonos nas fazendas de café. Decerto, esse movimento de busca por melhores oportunidades econômicas esteve intimamente ligado ao impulso de industrialização na cidade de São Paulo ao final do século XIX e nas primeiras

décadas do século XX.9

Ainda assim, a elevada proporção de italianos em Campinas – como

mostram os Censos de 1920 e de 1940 – revela a significativa presença daqueles que, após o fim dos contratos nas fazendas de café da região, optaram por permanecer no município. Ainda que seja claro o papel de coadjuvante da capital de São Paulo nesse amplo processo, os dados encontrados nos censos oficiais apontam Campinas como uma localidade atrativa e cujo desenvolvimento da época também ofereceu expressivas oportunidades econômicas aos seus habitantes.

O alto percentual de alemães no Censo de 1872 não se manteve ao longo dos anos. A presença desse grupo de imigrantes declinou drasticamente em 1920, com 3,6% em Campinas e 2,6% em toda a província. Em 1940, o percentual de Campinas declinou para 3,4%, mas a presença dos teutos em todo o estado cresceu para 4,4%. Os maiores percentuais de alemães em Campinas, em comparação aos de São Paulo até 1920, indicam que as mesmas condições de atração baseadas no desenvolvimento econômico crescente e melhores oportunidades fizeram com que parte deles escolhesse viver em Campinas.

O recenseamento de 1872 mostra a importante presença de portugueses em toda a província de São Paulo. Porém, o número de lusitanos declinou significativamente em 1920, tanto em Campinas (18,1%) quanto no estado de São Paulo (20,1%). Os percentuais são maiores no Censo de 1940, tanto em Campinas (23,8%) como no estado (20,4%). Os portugueses formaram uma colônia expressiva em Campinas, mantenedora de uma das maiores instituições de saúde do interior paulista. Os dados mostram, também, que os lusos que chegaram após a Primeira Guerra Mundial consideraram Campinas como destino atraente para viver e trabalhar.10

9 Dentre as várias obras que analisam a industrialização em São Paulo cita-se CANO, Wilson. Raízes

da concentração industrial em São Paulo. São Paulo: T. A. Queiróz, 1981. Cap. 2, p. 121-40, onde

o autor discute as conclusões gerais de DEAN, Warren. A industrialização em São Paulo. São Paulo: DIFEL / EDUSP, 1971, p. 91-128.

10 O Hospital da Real Sociedade Portuguesa de Beneficência de Campinas foi inaugurado em 1879. Sobre este hospital ver: CAMILLO, Ema E. R. Camillo e ABRAHÃO, Fernando A. De médico para

médico: o ideal do Hospital Vera Cruz. Buscando a atualização no conhecimento médico e a

Depois dos elevados percentuais registrados no recenseamento de 1872, o grupo formado por outras nacionalidades reunidas atingiu 16,5% em Campinas (queda de 13,5 pontos percentuais) e 29,2% (aumento de 1,3 ponto percentual) em todo o estado. Em 1940, porém, os percentuais cresceram para 23,9% em Campinas e 47,2% em todo o território paulista. Nesse caso, há que se destacar a diversidade de nacionalidades que chegaram em decorrência das proibições pontuais dos governos italiano e espanhol nos primeiros anos de 1900 e, certamente, depois do fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918. Desde então, até 1927, quando o subsídio do tesouro público à imigração foi encerrado, a diversidade de etnias que vieram para São Paulo ainda foi expressiva.

1.2. Nacionalidade, sexo e idade dos inventariados e os vínculos com os