5.3 ÖNERİLER
5.3.2 İleride Yapılabilecek Araştırmalara Yönelik Öneriler
Após a realização do seminário regional, ocorrido em abril de 2001, cresceu o número de participantes nas reuniões do movimento e também o reconhecimento público acerca da sua luta. Escolas, igrejas, associações de bairro e faculdades passaram a ver o movimento como referência para discussão sobre saúde mental e movimento antimanicomial, sendo a Associação Loucos por Você convidada para inúmeras palestras e debates.
Os novos membros reclamavam de suas vidas empobrecidas, vividas no solamento; os familiares não sabiam o que fazer com seus pacientes; os usuários requisitavam geralmente atividades de geração de renda e de lazer. Às vezes, o compartilhamento das vivências no espaço grupal era suficiente para abrandar o sofrimento das mais diversas ordens. Outras vezes, a complexidade do problema exigia uma visita, uma conversa com vizinhos, uma intermediação junto aos serviços de saúde para resolver problemas ligados à violência e ao abandono.
A realização de atividades de apoio e suporte mútuo, apesar de existirem desde o início do movimento, foi ganhando mais espaço nas reuniões e a necessidade de “fazer algo mais” tornou-se uma questão que mobilizou o grupo durante quase todo o ano de 2001. Diante das constantes e variadas demandas dirigidas ao grupo, foi feita a seguinte análise numa das reuniões:
O que temos a oferecer são as visitas nas casas levando o apoio. Porque por enquanto não podemos oferecer uma boa estrutura, trabalhamos com a conscientização da família e da sociedade, e que as famílias se sentem confortadas porque, com tantos problemas, há um desgaste emocional muito grande. (ata nº 30, p. 21)
Assim, as ações de suporte mútuo foram vistas com reserva, mas o desenvolvimento de ações solidárias foi ganhando um espaço privilegiado. Em várias reuniões seguidas os seus participantes admitiam a possibilidade de ampliar as suas ações solidárias: “vamos estudar a idéia de fazer uma fundação ou uma entidade filantrópica58” (ata º 31, p. 22).
A preocupação de fazer algo mais foi mobilizada pelo conhecimento crescente da realidade cotidiana dos usuários e familiares marcada pela pobreza de vínculos sociais, pela falta de oportunidades de trabalho e por constantes situações de crise familiares e comunitárias. Assim, o movimento também assumiu a tarefa de “reunir pessoas para organizar trabalhos a serem colocados em prática” (ata º 32, p. 23).
Assim, ao mesmo tempo em que acompanhava as ações do poder público, o movimento adotou uma nova tarefa no município: a implantação de uma cooperativa social. Nesse sentido, o grupo buscou apoio para a realização das primeiras oficinas na comunidade.
Lúcia59 fala que pode ajudar de alguma forma e que conhece quem pode emprestar algumas
máquinas para costurar; Dona Maria diz que Amélia oferece oportunidade para cursos de silk-screen que vai dar no centro comunitário para associação de apoio às crianças e adolescentes; Selma também tem experiência em silk e oferece seus conhecimentos para ajudar (ata nº 43, p. 30).
A primeira oficina foi um sucesso. Os participantes ressaltaram que “foi um grande lazer – todos elogiaram, gostaram de ter passado o dia juntos, da reunião e da solidariedade para o almoço. Todos estão felizes porque não viram o dia passar e passaram melhor do que estão em casa (...) Foi um total desabafo de emoções”(ata 46, p. 31). Estas oficinas foram repetidas inúmeras vezes durante todo o segundo semestre de 2001, trazendo grande satisfação para os seus participantes.
No ano seguinte, em abril de 2002, o movimento preparou sua terceira grande manifestação do Dia Nacional da Luta Antimanicomial. A manifestação ganhou uma conota-
58 Até a presente data, a entidade não tinha o título de entidade de utilidade pública municipal. 59 Todos os nomes são fictícios.
ção mais carnavalesca, mobilizando o grupo para a realização de oficinas para confecção máscaras e fantasias. Mas, no grupo havia diversas pessoas que se sentiam constrangidas em participar desta atividade, umas por timidez, outras por serem de religiões evangélicas. No entanto, a idéia da oficina de máscaras acabou por resolver estes problemas.
Mais uma vez, são mobilizados vários movimentos sociais, igrejas e municípios da região para participar do Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Desta vez, o movimento também articulou a vinda da Escola de Samba dos usuários de Belo Horizonte “Liberdade Ainda Que Tam-Tam”.
No entanto, antes da manifestação, o movimento é chamado pela prefeitura para um acordo. Na reunião, o movimento levou consigo duas propostas, a saber:
1 – Estabelecimento de um convênio entre as partes para a realização de oficinas destinadas aos usuários e familiares;
2 – Promover o fim das internações em hospitais psiquiátricos no prazo de um ano. A duas propostas foram aceitas pelo executivo municipal sem qualquer objeção. Assim, a manifestação do dia 18 de maio “virou uma festa por causa das boas notícias e a população que participou nos recebeu muito bem” (ata 50, p. 33).
Entretanto, apesar do otimismo inicial do grupo, somente após cinco meses desta reunião foi firmado o convênio com a Prefeitura de Ipatinga.
A partir do convênio uma nova relação entre a associação e a prefeitura se estabeleceu. O movimento continuou a sua luta política pelo CAPS ao mesmo tempo em que desenvolveria ações de prestação de serviços. A Associação Loucos por Você teve como desafio a invenção de uma nova forma de atuação que conjugasse a prestação de um serviço constituído em parceria com o governo ao mesmo tempo em que deveria manter uma atuação política crítica e autônoma.
Diante disso, iniciou-se uma nova fase para o movimento, como veremos a seguir.