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2.2 İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.2.2 Eğitimde İşbirlikli Öğrenme Yöntemi ile İlgili Yapılan Çalışmalar

Desde o início do capitalismo, o espaço doméstico tem sido um espaço de intervenção privilegiado do Estado por meio das práticas médicas higienistas.

A saúde e o bem-estar tornam-se, a partir do século XVIII, tema prioritário para o modelo familiar da época: a família burguesa. A família passa a ser pensada como o núcleo essencial da sociedade, tornando-se a estrutura privilegiada a partir da qual podem ser garantidas e educação, a assistência, a segurança e a felicidade de cada um dos sujeitos que compõem o corpo social. (CAPONI, 2000, p. 84)

Enquanto a medicalização da família burguesa passa pela necessidade de diminuição do grande número de óbitos de crianças entregues às amas de leite, a medicalização da família proletária buscava inibir o grande abandono das crianças nos hospícios.

É assim que tanto a família popular quanto a família burguesa, por questões diversas mas solidárias, acabam reforçando uma coesão alicerçada em excluir o que é estranho. No caso da família burguesa, a coesão exclui os possíveis inimigos externos, os domésticos; no caso da família popular, exclui as tentações do exterior, os bares, a rua. (CAPONI, 2000, p. 89, grifo nosso)

A família burguesa torna-se cada vez o modelo ideal de “célula da sociedade”, cuja constituição se se faz contra um fora ameaçador. “Esse grupo de pais e filhos, felizes com sua solidão, estranhos ao resto da sociedade, não é mais a família do século XVII, aberta para o mundo invasor dos amigos, clientes e servidores: é a família moderna” (ARIÈS, 1981, p. 270).

A família conjugal moderna foi o resultado da educação higiênica do século XIX, do controle terapêutico que maximalizou a racionalidade cognitivo-instrumental por meio da ciência e da técnica, inaugurando um modo de redução política da vida social do agregado doméstico eficiente até os dias atuais. A família passa a ser o lugar privilegiado de qualquer forma de intervenção que solidifique os valores político-ideológicos de manutenção da ordem social.

Desde seu nascimento, o saber psiquiátrico, ao instaurar-se no antigo asilo, torna indispensável a retirada do membro adoecido do espaço doméstico para seu tratamento. O espaço doméstico é considerado como uma das principais causas do adoecimento mental, fruto de relações parentais inadequadas. Os cuidados familiares e a solidariedade para com o membro adoecido são convertidos em algo que dificulta o diagnóstico e impede o tratamento adequado.

O domínio hospitalar é aquele em que o fato patológico aparece em sua singularidade de acontecimento e na série que o cerca. Ainda há pouco, a família formava o lugar natural, em que a verdade aflorava sem alteração; agora, nela se descobriu um duplo poder de ilusão: a doença corre o risco de aí ser mascarada por cuidados, um regime, uma tática que a perturbam; e está tomada na singularidade das condições físicas que a tornam incomparáveis às outras. (FOUCAULT, 2001, p. 123-4)

A Psiquiatria promove uma completa submissão da família à lógica do pensamento único em relação à loucura, vista agora somente como “doença mental”. Enquanto doença, o único saber que é capaz de dar suporte adequado é o saber especializado da medicina mental.

Já na primeira metade do século XX, a psicanálise ganha grande reconhecimento nos meio acadêmicos e na sociedade européia, começando também a intervir no espaço doméstico com posições que reforçaram a culpabilização dos familiares pelo aparecimento da doença mental, assim como fez a psiquiatria. Segundo DONZELOT (1980), a psicanálise, a partir dos problemas escolares das crianças, sugere que a sua resolução está justamente na família.

O discurso psicanalítico se mostrou valioso para todos os setores da sociedade que desejavam fortalecer a estrutura familiar. Na frança, este conjunto de grupos e instituições ficou conhecido como a “corrente familiarista”. Em torno desta corrente se aglutinavam a burguesia, ligas de pais e de mães, associações de pais e alunos, entidades de escoteiros e organizações filantrópicas que se propunham a ajudar os pais na educação dos filhos e trabalhar para aumentar a coesão e a importância da família nuclear na vida social (MELMAN, 1998). Assim, cada vez mais os psicanalistas foram ocupando lugares antes ocupados pelos padres e médicos.

No entanto, tais práticas foram alvo de intensas críticas de que a psicanálise estaria assim como o saber médico, promovendo uma normalização da família. Segundo Costa (1999), esta despolitização do cotidiano doméstico foi promovida pela psicanálise ao reduzir todos os conflitos familiares à esfera das “micropreocupações” em torno do corpo, do sexo, da família e do intimismo psicológico. A psicanálise promove a família nuclear burguesa à base de sua teoria, desconsiderando outras formas de agregados domésticos bem como a sua historicidade, atribuindo qualquer desvio em relação a este modelo ideal como “desestruturação familiar” e causa dos problemas de seus membros.

Também o movimento antipsiquiátrico inglês, liderado pelos psiquiatras Laing e Cooper viram na família a origem da loucura. Para esses autores a loucura é encarnada pelo membro mais fragilizado e, portanto, a família tenderia a promover a sua exclusão. Segundo Melman (2002, p. 68),

se é inegável o mérito do movimento antipsiquiátrico em denunciar a situação de abandono e exclusão social a que estão submetidos os doentes mentais, também é evidente que a aliança passional que esses autores estabeleceram com os pacientes resultou numa postura maniqueísta. De um lado, os pacientes são vistos como vítimas. De outro, as relações familiares e as famílias são vilões.

Desde modo, promoveu-se uma expropriação crescente do espaço doméstico enquanto um lugar de cuidado adequado em relação ao membro adoecido.

Apesar do questionamento destas posições por diversas abordagens teóricas, principalmente a partir da década de 60, constata-se no atual processo de reforma da atenção em Saúde Mental no Brasil uma carência de intervenções no espaço doméstico. Tais intervenções poderiam colaborar para a superação de exclusão da família no processo de cuidado do membro adoecido, revertendo o papel do hospital psiquiátrico como único cuidador realmente competente.

A atual Reforma Psiquiátrica tem centrado suas ações na transformação do modelo hegemônico de assistência e na conscientização dos usuários e profissionais sobre as novas formas de atendimento. Não existe um investimento suficiente no trabalho com as famílias pelos outros protagonistas da Reforma Psiquiátrica e, assim, elas se sentem descrentes com as metas propostas pelo novo modelo assistencial e mais seguras nos espaços que conhecem, ou seja, os hospitais psiquiátricos. (2002, p. 192)