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2.2 İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.2.3 Eğitimde Teknoloji Kabul Modeli (TKM) ile İlgili Yapılan Çalışmalar

Se, no entanto, o espaço doméstico foi reforçado e transformado no principal lugar de reprodução social e da força de trabalho para o nascente capitalismo, com o espaço comunitário deu-se exatamente o inverso. Para os defensores do individualismo burguês, os ideais comunitaristas representavam a continuidade da tradição feudal. Já os comunitaristas criticavam o individualismo e o racionalismo defendidos pelo projeto Iluminista.

Dessa forma, comunidade tornou-se o centro do debate da modernidade nascente. De um lado, condenada como conservadora e antagônica ao processo. De outro, defendida pelos que tinham horror à modernização, como símbolo de tudo de bom e que o progresso destruiu. Mas em ambas as perspectivas, comunidade aparece como utopia que remete ao passado, com significado reacionário, cujo protótipo é a família, encontrando sua expressão simbólica na religião, nação, raça, profissão e nas cruzadas. Sua coesão pode ser local ou global, pois o que importa é a comunhão de objetivos, a condição de continuação no tempo, o engajamento moral, a coesão e a coerção social. (SAWAIA, 2002, p. 37-8)

A partir de 1960, com a emergência de uma grande crise política e social que atinge os países desenvolvidos, o conceito de comunidade passa a ocupar lugar central no discurso das ciências humanas e sociais e, em especial, na área da saúde mental. A comunidade, assim, torna-se o lugar privilegiado para a busca de soluções para os graves problemas da cultura, da política e da economia, enfim, da sociedade capitalista. Nesse período, os saberes médico- psicológicos são convocados pelo Estado para intervir em contextos comunitários potencialmente geradores de crise e de desequilíbrios para os indivíduos.

Este processo teve início depois da Segunda Guerra Mundial, em um momento onde mudanças importantes da Psiquiatria são requeridas devido ao imenso contingente de pessoas adoecidas, à falta de profissionais e a impossibilidade de internar militares que entravam em surto nos campos de guerra (GROB, 1998). Assim, novas tecnologias de cuidado são experimentadas visando à reinserção dos pacientes à sociedade. Busca-se reorganizar o espaço asilar como se fosse uma comunidade e o dispositivo grupal passa a se constituir em um dispositivo fundamental nesse processo de reaprendizagem para a vida social (BAREMBLITT, 1982). Com isso, a vida em “comunidade” passa a ser vista como algo terapêutico, sendo buscada como referência para a organização do hospital psiquiátrico.

O termo comunidade terapêutica passa a caracterizar um processo de reformas institucionais, predominante restritas ao hospital psiquiátrico, e marcadas pela adoção de medidas administrativas, democráticas, participativas e coletivas, objetivando uma transformação da dinâmica institucional asilar. (AMARANTE, 1995, p. 28)

A gestão do hospital psiquiátrico se torna um processo compartilhado onde todos podem contribuir na sua administração e na condução das terapias. Assim, “uma comunidade é vista como terapêutica porque é entendida como tendo princípios que levam a uma atitude

comum, não se limitando ao poder hierárquico da instituição” (AMARANTE, 1995, p. 29, grifo nosso). Segundo Jones (1972, p. 88), um dos líderes desse movimento, essa mudança institucional é complementada, por uma comunicação mais intensa entre o hospital e a “comunidade externa, de modo que seja possível uma maior cooperação e compreensão entre equipe, pacientes, parentes e estabelecimentos externos”.

No entanto, a proposta da comunidade terapêutica ao buscar promover uma humanização do espaço hospitalar e asilar através da reprodução de um micro-cosmo social

comunitarista acaba por reproduzir aspectos centrais da Psiquiatria ao reforçar tanto o hospital psiquiátrico como ambiente terapêutico como a inclusão pela via da normatização “comunitária”. A tentativa de transformar o espaço asilar em uma comunidade artificial com

funções de reproduzir o espaço social mais amplo para proporcionar situações mais “reais”, de reeducar para a vida comunitária “verdadeira”, acaba por não produzir mudanças significativas de inclusão social ao mesmo tempo em que promove uma completa submissão do louco aos demais.

Assim, para Rotelli (1990, p. 150), “a experiência inglesa da comunidade terapêutica foi uma experiência importante de modificação dentro do hospital, mas ela não conseguiu colocar a raiz do problema da exclusão”. Ainda segundo este autor, “a conciliação do hospital psiquiátrico com os serviços extra-hospitalares e a falta de crítica ao paradigma psiquiátrico são as principais limitações dessas propostas”. Como veremos a seguir, essa postura comunitarista também induz a um projeto de homogeneização do social e de fim dos antagonismos promovendo uma despolitização das relações sociais.

A partir dos anos 60, o espaço comunitário ganha novo impulso dos sabres psiquiátricos-psicológocos na Europa e nos EUA com amplo apoio Estatal, pois, segundo Fleming (1976), a psiquiatria asilar se mostrava dispendiosa aos cofres públicos. Além disso, nesse período, havia uma grave crise social produzida pelas sociedades de capitalismo avançado que os saberes médico-psicológicos não conseguiam responder. Desse modo, a Psiquiatria de Setor Francesa e a Psiquiatria Preventiva ou Comunitária Norte-Americana buscam intervir de forma ampla no espaço comunitário.

A psiquiatria preventiva ou comunitária surge no contexto da crise do organicismo mecanicista e situa-se no cruzamento da psiquiatria de setor e da socioterapia inglesa. A psiquiatria preventiva, na sua versão contemporânea, nasce nos Estados Unidos propondo-se como a terceira revolução psiquiátrica (após Pinel e Freud), pelo fato de ter ‘descoberto’ a estratégia de intervir nas causas e no surgimento das doenças mentais, almejando, assim, não apenas a prevenção das mesmas - antigo sonho dos alienistas, que recebia o nome de profilaxia - mas, e fundamentalmente, a promoção da saúde mental. A psiquiatria preventiva representa a demarcação de um novo território para a psiquiatria, no qual a terapêutica das doenças mentais dá lugar ao novo objeto: a saúde mental. (AMARANTE, 1995, p. 36).

Assim, projeto da Psiquiatria Preventivista atende às demandas estatais e societais da época, cabendo aos “saberes psiquiátrico-psicológicos a mediação da constituição de um tipo psicossociológico ideal, traduzido num complexo mecanismo de controle e normatização de expressivos segmentos sociais, marginalizados pela mais variadas causas” (AMARANTE, 1995, p. 41).

A Psicologia Comunitária Norte Americana também busca neste período o ideal de intervenção comunitária do tipo preventivista, simplesmente ampliando a idéia de clínica. Com isto enfocou mais processos psicológicos do que os contextos e as estruturas sociais,

produzindo, geralmente, uma abordagem do político na qual a supremacia é do indivíduo (PRADO, 2002a).

Na América Latina, a Psicologia Comunitária também toma para si a concepção de comunidade como o lugar onde se pode alcançar o consenso humanizado libertador da sociedade capitalista, promovendo, assim, uma redução do político a uma etapa da construção dessa transparência. Assim, as duas Psicologias, com objetivos diferentes, mas caminhos metodológicos idênticos, “tendem a despolitizar a vida psicológica” (PRADO, 2002a, p. 208).

Na reforma psiquiátrica brasileira, a comunidade é vista como um lugar importante de realização de intervenções por parte dos serviços de saúde mental. No entanto, por vezes, os serviços têm enfatizado mais intervenções nos indivíduos do que na própria comunidade, conforme pesquisa realizada em um CAPS em Minas Gerais, onde a intervenção é fortemente embasada na clínica psicanalítica. Os autores desta pesquisa concluem que falta ainda no

CAPS estudado um trabalho de cunho político no sentido de colocar em evidência as relações entre a clínica e a política (VENÂNCIO et all, 2000).