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İLAÇ VE TIBBİ CİHAZ SEKTÖRÜNE GENEL BAKIŞ

No segundo capítulo pretende-se caracterizar resumidamente o setor de componentes para a indústria automóvel em Portugal. Descrevendo a sua evolução histórica, identificando a estrutura do mesmo, bem como o impacto que este setor tem na performance económica Portuguesa. Para tal foram recolhidos dados junto da Associação de Fabricantes para a indústria Automóvel (AFIA) e do Fórum Indústria Automóvel de Palmela (FIAPAL).

2.1 Evolução Histórica do Setor de Componentes para a Indústria Automóvel

Segundo Cordeiro (2009) o desenvolvimento do setor de componentes para a indústria automóvel em Portugal deve-se muito ao investimento estrangeiro dedicado à instalação de unidades de montagem. A instalação da Renault e da AutoEuropa em Portugal foram fundamentais para a indústria de componentes. A primeira contribuiu de forma significativa

para o desenvolvimento das empresas a nível nacional, através da formação dos profissionais que tiveram um papel fulcral no desenvolvimento da indústria, a nível internacional contribuiu para tornar as empresas mais competitivas no mercado externo. A segunda “veio reforçar o estabelecimento e a dinamização de redes de fornecedores com a consolidação de competências baseadas no custo, qualidade e prazo, o desenvolvimento de capacidades de engenharia de processo e o aumento de escala, para além da interiorização das regras de funcionamento da indústria automóvel” (Oliveira, 2009:29).

Com base em informação disponibilizada pela AFIA, foi elaborada uma tabela que sintetiza as épocas que marcaram o setor de componentes para a indústria automóvel em Portugal, assim com as principais características destas épocas até a atualidade. A estrutura e dados atuais do setor serão analisadas mais à frente nesta dissertação.

Tabela 5: Evolução Histórica do Setor de Componentes para a Indústria Automóvel

Evolução Histórica Principais Características

Início de Atividades (anos 1960)

Imposição da montagem de veículos com uma incorporação nacional mínima de 25 %;

A Legislação em vigor não permitia produção de séries rentáveis. Com efeito, existiam cerca de 19 linhas de montagem que chegaram a montar algumas dezenas de modelos diferentes.

Anos 1970

O setor era caracterizado por um elevado número de empresas, de pequena dimensão, com um gama de produto muito diversificada, produção em pequenas series, não de obra intensa, reduzido investimento estrangeiro, especialização reduzida, cujo principal mercado era o mercado nacional.

Reenquadramento do setor – 1979 Em 1979 entrou em vigor a Lei-quadro do setor, nº 351/79, confirmada pelo Protocolo com a C.E.E; que permitiu o

desenvolvimento da indústria automóvel portuguesa, pois tornou-se possível a realização de uma série de investimentos na indústria portuguesa de componentes (Oliveira 2009).

Instalação da Renault.

Anos 1980

O setor era caracterizado por um reduzido número de empresas, concentração da gama de produtos, aumento da dimensão das séries, maior investimento em capital intensivo, elevado investimento estrangeiro e aumento do número de empresas especializadas.

Anos 1990

Nesta época o setor era caracterizado, pela internacionalização e globalização das empresas, maior intervenção de I&D nos produtos e processos, flexibilização da produção e estabelecimento de parcerias e joint ventures.

Reestruturação do setor – 1994

Fabrico de automóveis insuficiente, existindo uma grande absorção dos produtos importados; evolução positiva do parque automóvel em densidade e idade; instalação em 1994 da AutoEuropa.

Estrutura atual Carência de recursos afetos em I&D, ausência de uma nova cultura empresarial, pouca flexibilidade da lei laboral, existência de

multinacionais, historial exportador, e custos salarias relativamente baixos.

Fonte: Elaboração própria com base em informação disponibilizada pela AFIA.

2.2 Estrutura Atual do Setor de Componentes para Automóveis

A indústria de componentes, instalada em Portugal constitui-se com um emblemático

cluster da indústria transformadora que agrega cerca de 177 empresas que se dedicam total ou

parcialmente ao fabrico de componentes, sistemas e módulos para automóveis. O setor é considerado transversal, com uma variedade de CAE (Classificação Portuguesa das Atividades Económicas), constituída na sua esmagadora maioria, por empresas com menos de 250 colaboradores. Segundo a FIAPAL a distribuição regional das empresas de componentes não é homogénea ao longo do país, concentrando-se na região litoral entre a Península de Setúbal e Viana do Castelo, sendo que as regiões de Porto/Braga, Aveiro e Lisboa/Setúbal constituem três grandes pólos desta indústria a nível nacional, a que acresce a zona de Leiria, onde as atividades de produção de moldes e injeção de plásticos assumem grande expressão, conforme podemos observar na figura em anexo 3.

Relativamente à constituição do capital social, existe uma divisão quase equitativa entre empresas de capital nacional e de capital estrangeiro, conforme imagem em anexo 3. Atualmente, o setor fatura mais de sete mil milhões de euros com uma cota de exportação

de 80%, sendo de referir o mercado alemão como o de maior expressão, que recebe cerca de

30,1 % dos produtos do setor, seguindo-se o espanhol (22,5 %), e o francês (18,3%). O setor de componentes para a indústria automóvel não está portanto intrinsecamente dependente das linhas de montagem automóvel instaladas em Portugal, embora elas se constituam sempre como clientes estratégicos. O setor produz componentes para a quase totalidade dos modelos automóveis fabricados na Europa a que acresce uma penetração razoável dos mercados norte e sul-americanos. Seria exaustivo listar todos os componentes fabricados no território nacional mas, meramente a título de exemplo, identificam-se a produção de pneus, volantes, auto rádios, caixas de velocidades, baterias, módulos de carroceria, assentos, compressores de ar condicionados, vidros, molas e, estampagem, entre outros.

2.3 Impacto do Setor na Economia Portuguesa

O setor de componentes continua a investir e a crescer representando seguramente a indústria transformadora que agrega as melhores tecnologias através de processos de vanguarda do mercado mundial, tendo ainda forte e importante capacidade de desenvolvimento de produtos.

De acordo com a FIAPAL (2007) o setor de componentes para a indústria automóvel é considerado um dos setores mais inovadores em Portugal e, a segunda mais inovadora da União Europeia, representando mais de 24% dos gastos em I&D empresarial na Europa, o que, em absoluto, representa cerca de 38% de toda a I&D realizada na indústria automóvel no mundo. Conforme informação disponibilizadas pela FIAPAL a indústria automóvel tem sido um forte indutor de investimento na economia, em particular na região de Palmela, seja com origem em empresas estrangeiras, seja motivado pelo crescimento das empresas de base nacional.

Constata-se que o peso do setor de componentes para a indústria automóveis no produto Interno Bruto (PIB) tem vindo a aumentar. Segundo dados da AFIA, em 2010 o setor representava cerca de 3,8% do PIB (e empregava cerca de 40.200 trabalhadores), em 2011 passou a contribuir com cerca de 4,4% (dando trabalho a cerca de 41.500 pessoas). Em 2012, a contribuição do setor para o PIB nacional manteve-se constante, embora o número de postos de trabalho tenha diminuído ligeiramente, passando de 41.500 para 41.000.

Em conclusão, enfatiza-se que o referido setor continua a expandir-se sobretudo

através da aposta em investigação, das parcerias com inúmeras universidades de engenharia portuguesa e, sobretudo do dinamismo das unidades instaladas exportadoras que conseguem arrastar consigo um conjunto alargado de fornecedores. O setor apresenta elevada taxa de qualificações dos seus ativos e uma permanente aposta na formação técnica e profissional que contribui para uma inequívoco aumento do conhecimento e para a realização profissional dos seus trabalhadores.

Após breve caracterização do setor de componentes, os parágrafos seguintes serão dedicados à apresentação dos objetivos gerais e específicos, bem como da metodologia de investigação.