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İkinci Meşrutiyet Yıllarında İmtiyaz Talepleri

2.3. Nemlizâde Hasan Tahsin’in İmtiyaz Mücadelesi

2.3.3. İkinci Meşrutiyet Yıllarında İmtiyaz Talepleri

O mapa da classificação livre do CEFET-AM segue distribuição semelhante ao mapa geral, antes apresentado, com os elementos do conteúdo representacional localizados nas diferentes regiões do mapa. Do lado esquerdo, na porção central do mapa vemos o grupo Educação com os elementos educação tecnológica, ensino, conhecimento, ciência e pesquisa. Do centro para direita, na porção inferior do mapa, observamos o grupo Mercado de trabalho com os elementos cidadania, formação, profissionalização, capacitação, oportunidade, prática, trabalho e empregabilidade. Do centro para direita, na porção superior do mapa, encontramos o grupo Tecnologia com os elementos, inovação, informática, laboratório, avanço tecnológico, novas tecnologias, indústria, modernidade, desenvolvimento e progresso. Em geral, há proximidade dos elementos, demonstrando forte conectividade semântica entre os mesmos, em três grupos claramente definidos.

Analisando mais detalhadamente o mapa em questão, no grupo Educação observamos elementos mais vinculados aos aspectos acadêmicos da educação tecnológica. A presença da própria expressão educação tecnológica neste grupo parece indicar uma “valorização simbólica” de tais aspectos. Embora Roazzi (1995) enfatize que nos mapas da classificação livre não existe uma relação hierárquica entre os elementos, ele também esclarece que quanto mais os elementos estão em um mesmo agrupamento, maiores são seus índices de correlação e maiores suas semelhanças e proximidades.

No grupo Mercado de Trabalho observamos elementos mais vinculados aos aspectos profissionalizantes da educação tecnológica e à inserção neste mercado. Entretanto, a presença neste grupo dos elementos formação e cidadania - elementos cuja simbologia está mais vinculada à educação propedêutica ou humanística -, será mais bem compreendida adiante, nos fragmentos de discurso destes docentes.

No grupo Tecnologia observamos elementos mais vinculados aos aspectos tecnológicos e práticos, à sua aplicabilidade e a seus prováveis resultados sociais. A presença do elemento indústria neste grupo - e não no grupo Mercado de Trabalho, também será mais bem compreendida nos fragmentos de discurso dos docentes.

Entrevistado 39 AM: O primeiro grupo é trabalho, porque o mercado de

trabalho envolve formação, uma formação rápida, que exige capacitação, profissionalização e prática para gerar empregabilidade. Ai o indivíduo vai ter várias oportunidades e terá cidadania plena, com emprego, direitos e deveres. No grupo ciência eu preciso ter pesquisa, através da pesquisa eu gero conhecimento que é passado através da educação, do ensino, e aqui no CEFET de uma educação tecnológica, diferenciada, de qualidade. Ai vem o grupo progresso, através desse progresso, junto com a informática, eu tenho inovação, novas tecnologias, avanço tecnológico na indústria, e aqui temos a Zona Franca, um complexo industrial com ótimos laboratórios. Assim temos o desenvolvimento de coisas de ponta que vão gerar na sociedade uma modernidade de produtos e serviços.

Entrevistado 49 AM: Educação Tecnológica, esse grupo vai estar

relacionado à educação mesmo, ao conhecimento, ao ensino, a ciência, a pesquisa e acho que as práticas pedagógicas vão proporcionar uma educação de qualidade àqueles indivíduos que estão participando deste meio. Aqui nesse título, tecnologia, gerada na indústria ou no laboratório, através da informática e da inovação, novas tecnologias, avanço tecnológico, desenvolvimento e progresso para a produção e para a sociedade. Isto leva ao terceiro grupo, mercado de trabalho, pois esses indivíduos com profissionalização, com capacitação na teoria e na prática, terão oportunidades de trabalho que venham a garantir uma formação integral e um futuro melhor, garantindo emprego, empregabilidade e com isso garantindo uma melhor cidadania.

Os dois fragmentos de discurso citados são exemplares com relação às peculiaridades dos docentes do CEFET-AM. O entrevistado 39 de forma direta e o 49 de forma indireta focam no tema da qualidade da educação tecnológica ministrada na instituição. Esta valorização da educação ministrada no CEFET-AM não é uma postura exclusiva dos docentes em questão ou dos docentes do CEFET-AM. A qualidade da educação ministrada nos CEFETs em geral é, pelo menos a quatro décadas, de reconhecimento público em todo o país.

Um indicador deste reconhecimento é a procura por vagas nos cursos ofertados por estas instituições.

Na maioria dos CEFETs é exigido um exame seletivo rigoroso, pois o número de postulantes a uma vaga é muito superior ao número de vagas disponíveis. Com base em nossas referências teóricas (Wagner, 1998; Wagner e Mecha, 2003), verificamos neste caso a prática potencializando o discurso, num ciclo contínuo de mútuas influências: discurso da atribuição de excelência - alta demanda de alunos -, exame seletivo rigoroso - reconhecimento e valorização social -, aumento da demanda - complexificação da seleção.

Ambos os entrevistados associam de maneira direta o elemento formação e o elemento cidadania ao mercado de trabalho. Em um caso a formação rápida é vista como uma exigência do mercado de trabalho, no outro a inserção no mercado de trabalho é entendida como garantia de uma formação integral. No caso do elemento cidadania, para o entrevistado 39 ela só é plena quando o indivíduo tem um emprego e, para o 49 a garantia de emprego e a empregabilidade possibilitam uma melhor cidadania. Esta concepção de que o trabalho “traz ou melhora a cidadania” pode estar baseada na visão do senso comum de que “o trabalho dignifica o homem”35.

Quanto à presença no mapa do elemento indústria no grupo Tecnologia e não no grupo Mercado de Trabalho, podemos entender, pelo fato de ambos os entrevistados associarem os elementos inovação, novas tecnologias e avanço tecnológico à indústria, chegando o entrevistado 39 a citar a Zona Franca de Manaus36 como um complexo industrial indutor do progresso e do desenvolvimento de ponta.

35Na verdade foi o pensador alemão Max Weber - 1864 a 1920 -, que em sua célebre obra “A ética protestante e

o espírito do capitalismo”, lançou os fundamentos da expressão “o trabalho dignifica o homem”. Neste trabalho Weber buscou examinar as consequências das orientações religiosas na conduta econômica das pessoas analisando a contribuição da ética protestante, especialmente do calvinismo, na evolução do sistema econômico capitalista. O caráter racional conferido ao trabalho e a busca da riqueza a partir desta crença propiciou a propagação e generalização do sistema capitalista. Assim, por um processo de popularização secular, a expressão em questão acabou se tornando parte do senso comum com relação ao trabalho na sociedade contemporânea. 36 A Zona Franca de Manaus (ZFM) foi idealizada pelo Deputado Federal Francisco Pereira da Silva e criada

pela Lei Nº 3.173 de 06 de junho de 1957, como Porto Livre. Dez anos depois, o Governo Federal, por meio do Decreto-Lei Nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, ampliou essa legislação e reformulou o modelo, estabelecendo incentivos fiscais por 30 anos para implantação de um pólo industrial, comercial e agropecuário na Amazônia. Foi instituído, assim, o atual modelo de desenvolvimento, que engloba uma área física de 10 mil km², tendo como centro a cidade de Manaus e está assentado em Incentivos Fiscais e Extrafiscais, instituídos com objetivo de reduzir desvantagens locacionais e propiciar condições de alavancagem do processo de desenvolvimento da área incentivada. O Pólo Industrial de Manaus é um dos mais modernos da América Latina,

Esta é uma peculiaridade muito específica do contexto sócio econômico cultural do CEFET-AM, ou seja, em uma região majoritariamente composta de floresta e atividades econômicas do setor primário, com um fraco desenvolvimento sócio econômico regional, encontra-se um complexo industrial específico da cidade de Manaus – a Zona Franca -, que certamente permeia toda a simbologia dos docentes da instituição. Com base em Wagner (1998); Wagner e Mecha (2003), diremos que a Zona Franca de Manaus desempenha no processo representacional ora analisado o papel de Instituição, pois este parque industrial (um local criado, nomeado e valorizado socialmente), viabiliza muitas das práticas sociais relacionadas à formação tecnológica. Nesse sentido, este fragmento discursivo explicita a articulação entre discurso, prática social, instituição e representação social.

4.3.4 Resultado da classificação livre do CEFET/RN