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2.3. Rusya Federasyonu Yarı-Başkanlık Sistemi

3.1.4. İkinci Meşrutiyet’in İlanı

Na Venezuela, o direito de opinar das crianças e adolescentes tem adquirido uma relevância sem igual para os legisladores. Na última década, a opinião da criança nos processos judiciais tem sido o tema de discussão de foros, congressos, seminários, oficinas reunindo juristas e profissionais do campo de atenção da criança e do adolescente. Alguns livros tem sido publicados a partir destas reuniões, em especial no âmbito legal. A LOPNNA dedica um artigo completo a esboçar esse direito, no artigo 80 que trata do direito a opinar e a ser ouvido ou ouvida:

Todos os meninos, meninas e adolescentes tem direito a:

a) Expressar livremente sua opinião nos assuntos em que tenham interesse.

b) Que suas opiniões sejam levadas em consideração de acordo a seu desenvolvimento.

Este direito se estende a todos os âmbitos em que se desenvolvem os meninos, meninas e adolescentes, entre eles: o âmbito estatal, familiar, comunitário, social, escolar, científico, cultural, desportivo de lazer.

Parágrafo Primeiro: Se garante a todos os meninos, meninas e adolescentes o exercício individual e direto de este direito, especialmente em todo procedimento administrativo ou judicial que conduza a una decisão que afete seus direitos, garantias e interesses, sem mais limites que os derivados do seu melhor interesse.

Parágrafo Segundo: Nos procedimentos administrativos ou judiciais, o comparecimento do menino, menina ou adolescente se realizará da forma mais adequada à sua situação individual e desenvolvimento. Nos casos dos meninos, meninas e adolescentes com necessidades especiais o descapacitada se deve garantir a assistência de pessoas que, por sua profissão ou relação especial de confiança, possam transmitir objetivamente sua opinião.

Parágrafo Terceiro: quando o exercício individual deste direito não resulte conveniente ao melhor interesse do menino, menina ou adolescente, este se exercerá por meio do seu pai, mãe, representantes ou responsáveis, sempre que não sejam parte interessada nem tenham interesses contrapostos aos do menino, menina ou adolescente, ou através de outras pessoas que, por sua profissão ou relação especial de confiança possam transmitir objetivamente sua opinião.

Parágrafo Quarto: A opinião do menino, menina ou adolescente só será vinculante quando a lei assim o estabelecer. Ninguém pode constranger os meninos, meninas e adolescentes a expressar sua opinião, especialmente nos procedimentos administrativos e judiciais [tradução minha] (Venezuela, G.O. E. 5.859).

O ideal de dar voz às crianças emergiu na modernidade tardia (Prout, 2003) ou segunda modernidade (Sarmento, 2004) com as mudanças em relação às configurações familiares: a visão da criança consumidora, a tendência à individualização, maior difusão dos valores da democracia. Como parte de tudo isso começa a se considerar que a criança tem algo que dizer e isso é um direito a ser protegido, segundo a Convenção dos Direitos da Criança.

No trabalho sobre vozes das crianças na tomada de decisões, Lee (2010) refere-se a

“práticas de voz” pois todos convivemos de algum jeito com crianças e não duvida-se de que

lhes sobra voz e capacidade de expressão. Lee separa as práticas de voz em contextos formais e informais. Segundo ele, as crianças se dão bem em contextos informais, mas não tão bem assim em contextos formais. Essa pode ser uma das principais razões para a falta de práticas de voz em contextos formais, segundo ele. Fundamentada só na observação simples de duas crianças em uma sala de espera do tribunal que relatarei mais adiante e na observação das crianças do meu entorno familiar, proponho a hipótese que contradiz um pouco a autora, ou acrescenta uma especificidade ao seu modelo que separa contextos formais e informais que as crianças teriam mais facilidade do que adultos de lidar com o trânsito entre os diferentes contextos e entre as diferentes autoridades. Assim, por exemplo, um adulto fala ante um juiz com a ideia de que se encontra falando ante uma pessoa empoderada para decidir, enquanto a criança poderia falar diante do mesmo juiz sem perceber da mesma forma esse empoderamento.

O Circuito de Proteção de Crianças e Adolescentes de Caracas é um contexto formal de fala. Nele me interessa observar este argumento de Lee sobre as práticas e voz. Neste

sentido a estratégia institucional tem sido a elaboração de uma série de orientações para a execução da escuta por parte dos juízes e equipes multidisciplinares com a finalidade de fazer esse espaço formal parecer informal aos olhos das crianças.

Manuel Sarmento, quando questionado no Brasil sobre a importância que ele atribuía à escuta das crianças:

A participação da criança na sociedade é um elemento novo que está expresso no documento A Convenção sobre os Direitos da Criança, das Nações Unidas, de 1989, em que se consagrou a ideia de que a criança não pode ser ignorada em sua opinião sobre os aspectos que lhe dizem respeito, atendendo à capacidade que ela tem de exprimir a própria opinião. Sua participação social significa que o conhecimento que ela tem deve ter voz, deve ser auscultada e deve ter efeito, ou seja, influenciar seu modo de vida. Atualmente há um movimento nas cidades amigas da criança, cujo eixo central é ouvi-las na formulação de políticas públicas no que diz respeito ao mobiliário, ao equipamento, à mobilidade, à programação de atividades etc. Elas deveriam ser ouvidas também politicamente e isso não tem a ver com o fato de ter direito a voto, ainda que não seja uma ideia não instrumentada. Isso acontece em alguns grupos sociais. Em uma comunidade indígena brasileira, por exemplo, sempre que há um assunto importante, todos se reúnem em assembleia e têm direito de exprimir opinião. A decisão cabe aos mais velhos, mas sempre depois de ouvir a todos. Inclusive, as mulheres grávidas podem falar duas vezes porque é considerado o filho que se desenvolve no seu ventre. Isso é a ruptura com um modelo mental do nosso tempo em que a criança não tem participação política porque não fala (Revista Educação, agosto 2011).

As ideias de crianças como agentes e como sujeitos de direito que encontramos na produção antropológica tem como centralidade a participação das crianças nos diferentes contextos: formais ou informais. O ideal de dar voz às crianças tem se tornado central também nas pesquisas e a valorização de sua voz é outra discussão que vai além do ideal de dar voz. Aa participação das crianças é frequente na retórica legalista inspirada na doutrina da proteção integral, mas é importante constatar o alcance que mostram as práticas.