2.2. AHİRETTE İYİLER VE KÂFİRLER İÇİN HAZIRLANANLAR
2.2.6. Âyetlerin İhtivâ Ettiği Bazı Konular
2.2.6.3. MÜMİNLERİN BU KONUMU HAK EDİŞ SEBEPLERİ
2.2.6.3.3. İhtiyaç Sahiplerine Sevdikleri Şeylerden Yedirmeleri
1 O 2º capítulo refere-se a concepção de aprendizagem segundo a teoria piagetiana.
2 Já o 3º, refere-se a autores que trabalharam a transposição do método. Para o terceiro capítulo 3 me preocupa, pois a bibliografia que encontrei, refere-se a Constance Kamii, Jean Marie Dolle 4 e o próprio Piaget, em relato de suas pesquisas, onde o método aplicado,e, não em sala de aula 5. efetivamente.
No e-mail acima transcrito, Joana demonstra preocupação com a construção de sua monografia. Ela descreve dois dos capítulos do trabalho, entretanto, não endereça um pedido explícito de ajuda à orientadora. Um pedido de ajuda expressa a suposição de saber na orientadora, o que não acontece nesse momento. O manejo da orientadora é fazer silêncio, a mesma só retorna o e-mail no dia 20/11/2008.
Outro aspecto evidenciado nas mensagens é a posição dividida da orientanda. O fato de ela falar que enviou o arquivo e não anexá-lo aponta para essa posição. No e-mail enviado no dia dez de janeiro, a orientanda diz: estou lhe enviando em anexo o rascunho do primeiro
capítulo, no entanto o arquivo não foi anexado. Isso se repete no e-mail do dia vinte e cinco de fevereiro em também no e-mail enviado no dia vinte e seis de março.
A orientadora percebeu esses aspectos e optou pela seguinte linha de atuação: (1) não confrontar; (2) manejar pela ironia socrática; e (3) não deixar passar as manifestações da divisão subjetiva.
O não confronto por parte da orientadora fica evidenciado ao solicitar o envio do texto que não foi anexado no e-mail. Como exemplo do manejo da orientadora pela ironia, retomamos o e-mail enviado no dia vinte e seis de março, no qual ela aponta a ausência do texto em anexo: o arquivo não veio rsrsrsr. O manejo da orientadora de não deixar passar as manifestações da divisão subjetiva é no sentido de interrogar a respeito do que se passa nos “esquecimentos” do envio dos arquivos.
Neste momento, passo a analisar as marcas textuais que indiciam os pedidos da orientanda endereçados à orientadora, com objetivo de mostrar a natureza da relação estabelecida e os deslocamentos da posição subjetiva da orientanda. Para tanto, apresento um quadro no qual relaciono a marca textual e a natureza da demanda indiciada.
Quadro 7- Marcas textuais que indiciam o endereçamento da demanda, pré-condição para a instalação da transferência
Mês Dia Marca textual Natureza da demanda indiciada
Janeiro
10 “vou buscar outras, tens alguma
sugestão?” Demanda que supõe saber no interlocutor a quem se dirige 11 Não tem pedido explícito O ato de pedir se depreende pelo envio do
11 Não tem pedido explícito O ato de pedir se depreende pelo envio do e-mail
17 “se puder me emprestar alguns destes,
agradeço” Toda demanda é demanda de amor, a busca do que lhe falta no outro 20 “se você tiver me avise” Toda demanda é demanda de amor, a busca
do que lhe falta no outro
25 “como está meu primeiro capítulo?” Primeira demanda que incide sobre a função de orientação propriamente dita Fevereiro
14 “Tu podes colocar as observações em
vermelho dentro do texto”. Ela autoriza o orientador a intervir 25 “gostaria que desse uma olhada no
texto”. Pedido explícito de intervenção, mas não vem o anexo
Março
01 “Recebeu o primeiro e o segundo
capítulo? O que achou? Aguardo”. Há uma insistência pela apreciação da orientadora
26 “Estou te enviando novamente o capítulo. Preciso entregar segunda- feira com o teu aval”.
Diz uma coisa e faz outra, não envia o arquivo em anexo. Isso indicia a divisão subjetiva.
27 “Isso diz de algo”. Reconhecimento de que algo está acontecendo, quebra da certeza.
29 “Isso diz que provavelmente apesar de eu querer tuas intervenções eu ainda resisto Mas não se preocupe, eu supero”.
Mês Dia Marca textual Natureza da demanda indiciada Abril
14 “Já leste o capítulo II? Aguardo
intervenções. E o primeiro?” Pedido explícito de intervenção. Faz duas perguntas. 27 “Estou revendo algumas questões do
capítulo II, mas aguardo as tuas intervenções”.
Demanda de intervenção
Maio
12 “Estou aguardando as intervenções no segundo e até dia 20/05, lhe mando e terceiro”.
O pedido explícito de orientação, demanda ao outro.
16 “tu tens recebido meus e-mails.
Aguardo teu retorno” Há insistência pela apreciação da orientadora 27 “Eu não gostei muito do que escrevi,
acho que falta alguma coisa”. A aluna passa a querer a qualidade ao invés de ficar presa ao que ela supõe ser a demanda da instituição.
Junho
10 “Estou aguardando as intervenções no terceiro capítulo. Ou qualquer outro”
Deslocamento da posição subjetiva 21 “Preciso lhe perguntar: 1. Preciso
colocar na monografia a folha de aprovação? Como faço? 2. Precisa colocar o resumo em língua vernácula e estrangeira? Aguardo as intervenções”.
Suposição de saber na orientadora, condição para o estabelecimento da transferência.
Julho 03 “Vc chegou a ler a monografia toda? Está melhor a conclusão? O que achou? Quando puder, aguardo teu retorno”.
Há uma insistência pela apreciação da orientadora (faz três perguntas), indícios de demanda ao outro.
Lacan (1951), ao tratar da transferência, explica como a assimetria instaura-se na relação analista-paciente. Para isso, analisa o caso Dora, mostrando o trabalho de Freud (1905) para causar deslocamentos subjetivos em sua paciente. Lacan nomeia como manejo da transferência a intervenção sob a forma de inversões dialéticas. Segundo o autor “Trata-se de uma escansão das estruturas em que, para o sujeito, a verdade se transmuta, e que não tocam apenas em sua compreensão das coisas, mas em sua própria posição como sujeito” (LACAN, 1951, p. 217).
No texto O tempo lógico e a asserção de certeza antecipada, Lacan (1945) apresenta a lógica como meio de formalização da ação analítica. Propõe a explicação da progressão do instante de olhar para o momento de concluir, passando pelo tempo de compreender. O autor refere que as inversões dialéticas estão ligadas às escansões (duas moções suspensas), assim, temos duas transformações subjetivas e três formas-tempo do sujeito.
Lacan considera que existem três tempos: o tempo de ver/olhar, compreender e concluir. O instante de ver corresponde ao valor instantâneo de uma evidência. Nesse momento, o tempo é igual a zero e o sujeito em questão corresponde a um sujeito impessoal. O tempo de compreender é aquele em que se cria uma hipótese acerca de um atributo subjetivo, há uma formulação por parte do sujeito, na qual ele imagina o que o outro está
pensando sobre ele. Apresenta-se subjetivamente como se fosse um tempo de atraso em relação ao outro. É importante ressaltar que não é possível medir esse tempo, pois corresponde a um tempo de projeção. E, por fim, o momento de concluir: tempo caracterizado pela pressa do sujeito em afirmar-se enquanto o que supõe ser (tempo de uma introjeção, de uma simbolização). A mudança de posição subjetiva, segundo Lacan (1945) só se dá após o terceiro tempo.
Proponho pensar a mudança na relação entre a orientadora e Joana a partir dos três tempos lógicos. No caso de Joana, o esquecimento de anexar os arquivos é a forma encontrada por ela para demonstrar a sua dificuldade de enfrentar a castração. A seguir apresento alguns exemplos para demonstrar essas ocorrências.
Exemplo 1- e-mail da orientanda
1 Espero que ainda esteja disposta a orientar a minha monografia, apesar das férias. 2 Em função disto estou lhe enviando em anexo o rascunho do primeiro capítulo, 3 a partir do meu entendimento sobre o que conversamos.
Este exemplo é um recorte do e-mail enviado pela orientanda no dia dez de janeiro de 2008, no qual ela não anexou o arquivo. Chamo a atenção para dois aspectos: 1) o pedido de confirmação do aceite da orientadora na linha um por meio da frase Espero que ainda esteja disposta a orientar a minha monografia, e a falta do arquivo em anexo. O que nos interessa é pensar sobre o endereçamento da aluna, em que se destaca que ela faz um pedido de orientação, ao mesmo tempo em que não envia o arquivo do texto no primeiro e-mail. A partir daí, estabeleço a hipótese de que a ausência do arquivo aponta a existência da ambivalência da aluna. Freud (1912), ao tratar da transferência, faz referência ao termo ambivalência para explicar a existência de sentimentos amorosos e hostis endereçados ao mesmo objeto.
Ao mesmo tempo em que Joana diz “eu quero orientação”, não oferece os meios, no caso, o arquivo do escrito do capítulo, para que isso ocorra. Tal fato permite dizer que Joana mostra-se dividida. Lacan (1964/1998), ao tratar acerca da verdade do sujeito, faz a distinção entre o sujeito da enunciação e o sujeito do enunciado.
O eu que enuncia, eu da enunciação, não é o eu do enunciado, quer dizer, o shifter que, no enunciado, o designa. Daí que, do ponto em que enuncio, me é perfeitamente possível formular de modo válido que o eu – o eu que, nesse momento aí, formula o enunciado – está mentindo, que mentiu um pouco antes, que mente depois, ou mesmo que dizendo eu minto, ele afirma que tem a intenção de enganar (LACAN, 1964/1998, p. 133).
Segundo o autor, a verdade do sujeito está no sujeito da enunciação e não no sujeito do enunciado. O enunciado de Joana diz que ela quer a orientação, no entanto, a falha no envio do arquivo aponta para o fato de que “o de que fala toda enunciação, é desejo” (LACAN, 1964/1998, p. 134). O aparecimento do desejo dá indícios do sujeito do inconsciente, do sujeito do desejo.
O esquecimento do envio do arquivo pode ser entendido como um ato falho. Quando um ato falho ocorre, surge o inesperado, que pode ser considerado uma manifestação do inconsciente. A ordem esperada se quebra, o esperado era o envio do arquivo, a quebra é o não envio. Segundo Pommier (1993), a falha, os lapsos de linguagem na escrita consistem no retorno do recalcado, apontado por Freud, e também se verificam no processo de aquisição da escrita. Nessa concepção, a que retorna é o que não foi possível de ser elaborado pelo sujeito.
Considerar os lapsos ocorridos no processo de produção escrita não como “erros”, mas como ”quebras na escrita”, aponta os “traços ignorados da singularidade daquele que os produziu” (RIOLFI, 2007, p.34), que podem ter efeitos naquele que escreve. Riolfi (2007) propõe a hipótese de que, mesmo fora de um contexto de clínico e independente de qualquer conhecimento sobre a psicanálise, esses traços têm potência transformadora. Em função de propiciar uma quebra no discurso corrente, pode causar um estranhamento que permite um deslocamento da posição subjetiva e, como resultado, a alteração de sua realidade concreta.
o desejo que anima sua irrupção é justamente o de dar a conhecer uma verdade ignorada pelo sujeito que a porta. Se compartilharmos da tese lacaniana, desenvolvida e reiterada ao longo de toda sua obra, segundo a qual o sujeito adoece pelo efeito das palavras, permanecendo submisso a um grupo delas mesmo contra sua vontade consciente, entenderemos, então, que toda mudança de posição de um sujeito passa pela prévia mudança de sua relação com as palavras sob as quais inconscientemente se aliena (RIOLFI, 2007, p.36).
No exemplo que segue, apresento o e-mail resposta da orientadora.