2.1.4.3. İNSANIN HİDÂYETE MAZHAR OLUŞU
2.1.4.3.2. Allah’ın İnsanı Yola Hidâyet Etmesi
É por meio do conceito de pulsão que fica mais clara a ligação entre a realidade sexual do inconsciente e a elaboração intelectual. Se é verdade que alguém pode experimentar grande satisfação na vivência não mediada de sua sexualidade, não é menos verdade que possa experimentá-la de forma deslocada, como, por exemplo, escrevendo uma tese. Vejamos como esse conceito foi construído.
2.3.1. A pulsão em Freud
O conceito de pulsão foi reelaborado por Freud no decorrer de suas pesquisas acerca do tratamento psicanalítico. O termo Trieb aparece pela primeira vez no texto Projeto para uma psicologia científica (1895) para designar uma força propulsora, um impulso humano, marcado pela linguagem, em contraposição ao termo Instinkt, o qual seria uma predisposição herdada geneticamente, um impulso inato presente nos animais. No texto Três ensaios sobre a teoria sexual, Freud (1905/1987) considera que existe um tipo específico de excitação, de impulso, denominado de sexual, o qual tem origem nos órgãos somáticos, o que autor chamou de zonas erógenas. A definição das pulsões é feita a partir da sua fonte e também de seus alvos.
A primeira teoria das pulsões é apresentada no texto Pulsões e seus destinos, no qual define que a pulsão está situada “na fronteira entre o mental e o somático, como o representante psíquico dos estímulos que se originam dentro do organismo e alcançam a mente, como uma medida da exigência feita à mente no sentido de trabalhar em consequência
de sua ligação com o corpo” (FREUD, 1915, p. 142). Segundo o autor, a pulsão é uma excitação interna que está relacionada com a sexualidade.
Além do conceito, o autor apresenta os quatro elementos da pulsão, Drang (pressão), Ziel (finalidade/alvo), Objekt (objeto) e, por fim, Quelle (fonte). Como também, estabelece dois grupos distintos de pulsão: pulsões sexuais e pulsões do ego (autoconservação).
Segundo Freud (1915), a pressão trata-se da força ou medida de exigência do trabalho na busca de satisfação, a qual está presente em todas as pulsões. A finalidade ou alvo é sempre a satisfação, trata-se da eliminação do estímulo, da excitação. Enquanto o objeto da pulsão é o meio pelo qual é possível atingir a sua finalidade. O autor refere que o objeto é o que há de mais variável numa pulsão, inclusive ele pode ser uma parte do próprio corpo do sujeito. De acordo com as suas vicissitudes, ele pode mudar, sendo “que esse deslocamento do instinto desempenha papéis altamente importantes” (FREUD, 1915, p. 143). Quanto à fonte, é o local em que se origina a pulsão, um órgão ou parte do corpo.
Nessa primeira elaboração da teoria das pulsões, Freud (1915) diferencia dois grupos de pulsões e considera que o conflito psíquico seria uma expressão da oposição entre as pulsões sexuais e pulsões do ego. Enquanto a primeira estaria submetida ao princípio do prazer, a segunda estaria associada ao princípio de realidade, o qual adiaria a satisfação da pulsão.
Quanto às vicissitudes da pulsão, o autor as considera como “modalidades de defesa contra os instintos”7 (FREUD, 1915, p.147) e aponta os possíveis caminhos: reversão a seu oposto; retorno em direção ao próprio eu, repressão e sublimação. Importante ressaltar que Freud considera esse último destino como consequência da substituição do objeto e alvo da pulsão por outros não sexuais e que tenham valores sociais, o que exige uma constante renúncia à satisfação pulsional. O autor aponta a produção artística e intelectual como expressões do processo de sublimação, as quais estão ligadas às pulsões sexuais, mas essas são direcionadas, canalizadas para a produção cultural.
No texto Sobre o narcisismo: uma introdução, Freud (1914) conceitua a sublimação como “um processo que diz respeito à libido objetal e consiste no fato de o instinto se dirigir no sentido de uma finalidade diferente e afastada da finalidade da satisfação sexual; nesse processo, a tônica recai na deflexão da sexualidade” (FREUD, 1914, p. 111).
7 Esclareça-se que o termo instinto foi utilizado pela tradução da obra consultada, no entanto, o termo Trieb é
A relação estabelecida por Freud entre o processo criativo e a sublimação é relevante para a presente tese, pois estou considerando que a vida pulsional tanto do aluno quanto do orientador está implicada diretamente com a produção da escrita acadêmica.
A pulsão é sublimada na medida em que é derivada para um novo alvo não sexual ou quando visa objetos que sejam socialmente valorizados. Tem por finalidade assegurar o desenvolvimento geral das sociedades ao longo da história, perpetuando-o e prolongando-o no seio de cada indivíduo particular: Os historiadores da civilização parecem unânimes em pensar que o processo que desvia as forças pulsionais sexuais de seus fins sexuais e as orienta para novos fins, processo que merece o nome de sublimação, é um poderoso recurso para o trabalho da civilização (KAUFFMANN, 1996).
Freud (1923/1987) coloca que a transformação da libido objetal em libido narcísica implica em um abandono de objetivos sexuais - uma dessexualização, então, uma espécie de sublimação. O psicanalista levanta a questão de se esse não é o caminho universal a toda a sublimação, ou seja, se toda sublimação não se dá através da mediação do eu, que teria seu início transformando a libido objetal sexual em narcísica e, depois, talvez lhe fornecendo outro objetivo.
O sucesso da sublimação encontra-se na possibilidade de inverter a tendência, de bloquear os processos de recalcamento, de regressão e de foraclusão, a fim de encontrar uma saída que permita compartilhar com a cultura o tipo de satisfação encontrada.
No texto Além do princípio do prazer, Freud (1920) reelabora a teoria das pulsões. O autor reorganiza os grupos, não mais trata a dicotomia pulsões sexuais versus pulsões do ego, mas estabelece a diferença entre as pulsões de vida (Eros) e pulsão de morte (Thânatos). A vida psíquica, nessa nova concepção, seria regulada por essas duas tendências, a primeira tenta preservar a vida e manter certo nível de tensão, enquanto a segunda tenta reduzir a tensão a zero. Considera que a pulsão de morte estaria presente em todas as pulsões, que seu objetivo seria a de reduzir completamente as tensões, o que levaria o sujeito a um estado de nirvana, ou seja, a um estado de ausência de excitação.
Importante ressaltar que Freud considera que a compulsão à repetição está ligada à pulsão de morte Segundo Freud, os objetivos da pulsão de vida e da pulsão de morte seriam:
O objetivo do primeiro desses instintos básicos é estabelecer unidades cada vez maiores e assim preservá-las – em resumo, unir; o objetivo do segundo, pelo contrário, é desfazer conexões e, assim, destruir coisas. No caso do instinto destrutivo, podemos supor que seu objetivo final é levar o que é vivo a um estado inorgânico. Por essa razão, chamamo-lo também de instinto de morte (FREUD, 1938/1987, p. 173-174).
Na sequência, apresentarei a releitura esse conceito em Freud, feita por Jacques Lacan.
2.3.2. A pulsão em Lacan
No Seminário VIII A transferência, Lacan trata da função do agalma, a qual seria de um enigma, algo que tem valor e que apaixona: “Se este objeto os apaixona é porque ali dentro, escondido nele, há o objeto do desejo, agalma. É isso que dá o peso, a coisa pela qual é interessante saber onde está ele, este famoso objeto, qual é sua função, onde ele opera tanto na inter como na intra-subjetividade”. (LACAN, 1960-1961/1992, p.150).
Lacan relaciona o agalma à essência do desejo. O agalma serve de inspiração para o psicanalista construir, posteriormente, o campo do objeto a. O saber que se supõe é a respeito de como a pessoa poderia se satisfazer, enfim, o depositário do SsS é suposto ter sabido lidar com seus agalmas, com os objetos pulsionais. O objeto de desejo está suposto no sujeito amado. A suposição de saber é condição para o estabelecimento da transferência.
No Seminário XI, Lacan (1964/1998) trata a pulsão enquanto a “montagem pela qual a sexualidade participa da vida psíquica, de uma maneira que se deve conformar com a estrutura de hiância que é a do inconsciente” (LACAN, 1964/1998, p. 167). A pulsão constitui-se de forma dialética, de falta e busca de satisfação.
Nesse momento, o autor identifica o objeto perdido ao objeto a. No circuito da pulsão, a mesma “pode ser satisfeita sem ter atingido aquilo que, em relação a uma totalização biológica da função, seria a satisfação ao seu fim de reprodução, é que ela é pulsão parcial, e que seu alvo não é outra coisa senão esse retorno em circuito” (LACAN, 1960/1998, p. 170). Assim, a pulsão é um movimento psíquico em torno de um objeto.
Nessa primeira elaboração, Lacan liga a pulsão e a repetição. É por meio da repetição que o sujeito goza, satisfaz a pulsão. O autor compara o objeto a com algo que obtura, tampa a produção. Quando o objeto aparece, a produção cessa. O encontro do sujeito com o objeto que tampona a falta trata-se da pulsão de morte, ou seja, da completude.
No Seminário XX (LACAN, 1972-1973/2003), o objeto passa a ser colocado no lugar de causa da produção. O que faz movimento é justamente a vontade de encontrar um modo de expressão para dar a ver ao menos os contornos do objeto pulsional que, para cada um de nós,
marcou um vazio no campo do Outro. Ao se deparar com a falta de um significante que viesse a poder nomear sua singularidade, o sujeito se vê convidado a inventar algo que ainda não existe.
A tendência de muitas pessoas, nesse momento, é desistir da elaboração. Na experiência com o grupo de professores, do qual Joana fez parte, alguns professores “pediram para sair”. Esses apresentaram justificativas como problemas nos horários, não estarem preparados para vivenciar uma nova perspectiva de ensino, não terem conhecimentos suficientes, enfim, trata-se de alguns indícios dessa posição de desistência. Outros ficaram presos à posição de pedir modelos já elaborados ao invés de se lançarem na aventura de construção de uma prática docente própria.
Assim sendo, é importante pontuar que é condição alguém poder sustentar, para seu parceiro, a difícil posição de ser dejeto: “O analista perde o valor de objeto precioso de maravilhamento para adquirir o valor de dejeto, rebotalho do processo analítico” (QUINET, 2000, p. 103). O analista, portanto, não responde do lugar de quem tem o agalma, o objeto precioso, o que permite ao sujeito buscar nele mesmo as condições para a sua produção.