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İŞ SAĞLIĞI VE MESLEK HASTALIKLARININ ÖNLENMESİNE YÖNELİK İŞ SAĞLIĞI VE GÜVENLİĞİ TEDBİRLERİ

1 4857 SAYILI İŞ KANUNU UYARINCA ÇIKARTILAN İŞ SAĞLIĞI VE GÜVENLİĞİ YÖNETMELİKLERİ

6. İDARİ YAPTIRIMLAR

6.3. İDARİ PARA CEZALAR

...a nova categoria gênero, criada pelas mulheres a fim de dar conta de seu papel na história e na condição humana do fim do século XX, vem acrescentar e complementar a categoria

classe social, para dar conta da existência da opressão de diversas naturezas postas na

história. (Rose Marie Muraro)

Em “Da questão da mulher à questão do gênero” Susana Bornéo Funck (1997) coloca que a questão do gênero representa uma terceira fase da crítica literária feminista. Como construção cultural, o gênero não evidencia apenas a questão das diferenças, mas a questão de poder, ou seja, a dominação do feminino pelo masculino. Como a categoria gênero permite que se fale de homens e mulheres, a crítica alerta para o perigo de voltar a investigação para a literatura canônica e despolitizar a prática feminista. A questão do gênero como uma construção social e cultural, por outro lado, colocou a crítica feminista em evidência, como afirma Funck, tirando-a da posição de marginalidade dentro dos estudos acadêmicos, embora haja ainda muita resistência e preconceitos em relação a qualquer estudo que dê algum adjetivo à literatura, como é o caso da literatura feminina.

A idéia de gênero como construção cultural também é defendida por Linda Nicholson em “Interpretando o gênero” (2000). Ela defende que além da construção

social que faz a distinção entre masculino e feminino, há também aquela que mais especificamente separa corpos femininos de corpos masculinos. O corpo é visto através de uma interpretação social, portanto o ‘sexo’ não pode ser visto independente do gênero. Nicholson coloca que apesar de o sentido de gênero como construção cultural ser predominante no discurso feminista, a herança da diferença sexual ainda permanece. Só a partir da segunda fase do feminismo na década de setenta que as feministas começaram a fazer referências às diferenças na personalidade e no comportamento entre homens e mulheres. A crítica afirma que nessa fase o termo gênero era complementar à idéia de sexo, portanto, não a substituía. Fato que reflete a influência do ensaio “The

traffic in Women” de Gayle Rubin que lançou a expressão ‘o sistema sexo/gênero’. Esse

sistema toma o biológico como base sobre a qual os significados culturais são construídos. Como mostra a crítica, a aceitação dessas proposições significava o importante papel que o sexo mantinha, ou seja, de provedor do lugar onde o gênero estaria construído.

Nicholson chama a relação entre corpo, personalidade e comportamento de ‘fundacionalismo biológico’ para indicar suas diferenças do determinismo biológico, pois o fundacionalismo permite que os elementos da biologia coexistam com os aspectos da personalidade e do comportamento. Ela argumenta que, embora o fundacionalismo biológico permita o reconhecimento das diferenças entre mulheres, o faz de forma problemática e muito limitada:

Basicamente, tal posição nos leva a pensar que as diferenças entre mulheres numa coexistência, mais do que numa interseção, com as diferenças de raça, classe, etc. A assunção de que tudo o que há em comum entre as mulheres devido ao sexo gera tudo o que há em comum entre elas em termos de gênero explica a tendência a se pensar o gênero como representativo do que as mulheres têm em comum, e aspectos de raça e classe como indicativos do que elas têm de diferente (2000, p.13).

Nicholson defende que o feminismo precisa abandonar tanto o fundacionalismo quanto o determinismo biológico. A população humana difere não só em termos de expectativas sociais sobre como pensam, agem ou sentem, mas, sobretudo, difere nos modos de como entendem o corpo. Há muitas diferenças nos sentidos e na importância atribuídos ao corpo em todas as sociedades. Essas diferenças afetam o sentido da distinção entre masculino/feminino. Examinando o modo como o corpo foi interpretado desde o século XVII, a crítica chega à compreensão de que foi durante o século XVIII que:

...aconteceu a substituição de uma compreensão da mulher como versão inferior ao homem num eixo de infinitas gradações por uma na qual a relação entre mulheres e homens era percebida em termos mais binárias, e na qual o corpo era pensado como fonte desse binarismo. A conseqüência é nossa idéia de ‘identidade sexual’ – um eu masculino ou feminino precisamente diferenciado e profundamente enraizado num corpo diferenciado. (2000, p.21).

Embora as feministas da segunda fase tenham sido as primeiras a desafiar o modo puramente biológico de se pensar a identidade sexual através do ‘fundacionalismo biológico’ como chama Nicholson; muitos textos de feministas ainda usam o corpo para fazer generalizações sobre as mulheres que nada diferem do determinismo biológico, afirma a crítica. Essa tendência aparece principalmente nos discursos das feministas radicais que, segundo a crítica, insistem nas semelhanças entre mulheres em suas diferenças em relação aos homens, impossibilitando assim as diferenças entre mulheres. A partir dos anos 70 e início dos 80, começa a aparecer uma perspectiva do ‘feminismo da diferença’. A crítica aponta que o problema maior é que há uma tendência desse feminismo a ser ‘um feminismo da uniformidade’, ou seja, o risco de generalizar as mulheres tomando por base a visão de quem diz. Essa tendência chamada de ‘ginocêntrica’, feita por críticas feministas brancas, européias, heterossexuais causaram protestos das mulheres que não se encaixam nesses estereótipos. Assim o feminismo da diferença, no ponto de vista de Nicholson, ainda reflete o fundacionalismo biológico, pois não consegue dar conta de explicar aqueles que desviam da norma, justamente por não reconhecer a historicidade de seus insights.

Nicholson questiona como é possível interpretar ‘a mulher’. Ela propõe que o feminismo da diferença substitua a proposta de mulheres como tais ou sobre mulheres nas sociedades patriarcais para mulheres em contextos específicos. Deve, portanto, delimitar o contexto. Formulando algumas possibilidades, sugere que as feministas pensem no sentido de ‘mulher’ como palavra cujo sentido não é encontrado na elucidação de uma característica específica. Deve ser elaborada através de uma complexa rede de características. Sugeri ainda que se deva pensar em mulher como capaz de ilustrar o mapa de semelhanças e diferenças cruzadas: “Nesse mapa o corpo não desaparece; ele se torna uma variável historicamente específica cujo sentido e importância são reconhecidos como potencialmente diferentes em contextos históricos variáveis” (2000, p.36).

Numa linha de pensamento que aponta muitas semelhanças à teorização de Linda Nicholson, Teresa de Lauretis procura formular uma teoria de gênero que tem sido considerado nos estudos feminista como um referencial sobre essa infindável discussão. O conceito de gênero como diferença sexual é, na ótica de Lauretis em “A tecnologia do gênero” (1994), uma limitação do pensamento feminista, pois marca as diferenças entre mulher e homem, desconsiderando as diferenças entre mulheres, ou mais especificamente, as diferenças nas mulheres. Lauretis coloca que a partir dos anos 80, o conceito de gênero começa a mudar. Nos escritos feministas já se começa a conceber um sujeito social que é constituído no gênero, mas conforme afirma a crítica:

...mas não apenas pela diferença sexual, e sim por meio de códigos lingüísticos e representações culturais; um sujeito ‘engendrado’ não só na experiência de relações de sexo, mas também nas de raça e classe: um sujeito, portanto, múltiplo em vez de único, e contraditório em vez de simplesmente dividido (1994, p.208).

Lauretis defende o gênero como uma representação e auto-representação que é produto de diferentes tecnologias sociais. A crítica empresta o termo tecnologia da visão teórica de Foucault que vê a sexualidade como uma ‘tecnologia sexual’, já que a sexualidade é o conjunto de efeitos produzidos em corpos, comportamentos e relações sociais.

Para demonstrar sua teoria, Lauretis apresenta quatro proposições sobre o gênero. Na primeira, afirma que o gênero é uma representação: “...representa não um indivíduo e sim uma relação, uma relação social; em outras palavras, representa um indivíduo por meio de uma classe (1994, p.211). Representa, portanto, uma classe, um grupo ou uma categoria. Gênero é uma representação que atribui significado (identidade, valor, prestígio, status social etc.). Argumenta Lauretis que o fato de alguém ser representado ou se representar como masculino ou feminino, a esse alguém subtende-se a totalidade daqueles atributos sociais.

A segunda proposição é que a representação de gênero é a sua construção: “...o gênero tem a função (que o define) de construir indivíduos concretos em homens e mulheres” (1994, p.213). A crítica baseia esse conceito na definição feita por Althursser de que toda a ideologia constitui indivíduos em sujeito. Lauretis emprega a expressão ‘o sujeito do feminismo’ para mostrar uma compreensão diferente de Mulher (como representação de uma essência inerente a todas as mulheres) que considera as diferenças de mulheres como seres reais, históricos e sujeitos sociais. Fato que a crítica

chama de ‘engendrados’ em relações sociais. O sujeito do feminismo é, diz Lauretis: “...uma construção teórica (uma forma de conceitualizar, de entender, de explicar certos processos e não as mulheres)” (1994, p.217).

A constatação de que a construção do gênero vem se efetuando hoje no mesmo ritmo de tempos passados é a terceira proposição. A partir do momento em que as mulheres entram no sistema de gênero, elas são ‘engrendradas ‘ como mulheres. Assim o processo pela qual uma representação social é aceita e absorvida por uma pessoa como sua própria representação faz com que essa representação se torne real, embora seja na verdade imaginária. Lauretis faz analogia desse processo que nomeia de ‘tecnologia de gênero’ à ‘tecnologia sexual’ de Foucault cujo conceito provém da tese de que a sexualidade é construída na cultura, negando que seja uma fato natural como sempre foi considerado. Na quarta proposição, a crítica afirma que a construção do gênero também se faz pela sua desconstrução, ou seja, qualquer discurso, que seja ou não feminista, pode descontruir o gênero quando o vê como apenas uma representação ideológica falsa. É o caso de homens lendo no feminino. A leitura permanece androcêntrica, já que quase não há referência às críticas femininas e feministas.

O mérito maior de ensaio de Lauretis é trazer uma nova perspectiva do conceito de gênero, separando-o da idéia de diferença sexual que serviu de base para as análises feministas até a década de setenta. O conceito de gênero defendido no ensaio retrata uma nova concepção de sujeito construído dentro das relações sociais. Quebrando o pensamento baseado na dicotomia homem/mulher, Lauretis propõe que a relação sexo/gênero seja considerada como um sistema ideológico no qual se inscreve o sujeito feminista.

Esses posicionamentos críticos e teóricos são os fundamentos e pressupostos norteadores da leitura da obra poética de Maria Teresa Horta, tendo em vista, sobretudo, as marcas definidoras da escrita feminina e feminista que são reveladas na construção dos poemas. São marcas que se cruzam tanto na palavra erótica como na palavra revolucionária. A busca das marcas do feminino e do feminismo constitui o caminho que se inicia na leitura da poesia que traz o erotismo amoroso como revelador da escrita feminina.