T. C. Vaşington Eğitim Müşavirliği, Öğrenim Gören Mevcut Özel Öğrencilerin Listesi
9. Hayvan Bakıcıları
6.1.5. Bulunulan Ülkedeki Yabancılara İlişkin Sayısal Veriler
6.2.2.5. İşsiz Sayısı*
Bobbio entende que a sanção negativa estabelece um tipo de controle social, que é dado através das normas jurídicas. O controle social é um gênero do qual a sanção jurídica é uma das espécies. As medidas de controle social têm como objetivo exercer poder sobre os comportamentos: direcionando, impedindo e restringindo-os, para que sejam adotadas as condutas desejadas pelo legislador.
A moral também apresenta sanções que podem ser tidas como um tipo de controle social. A diferenciação entre Moral e Direito é apresentada por
233 BOBBIO, N. As sanções positivas. In: Da Estrutura à Função. P, 25.
234 FERRAZ JR., Tércio Sampaio. O pensamento jurídico de Norberto Bobbio. In: Teoria do
grande parte dos juristas, como uma questão de tipo de sanção adotada para exercer o controle social, na primeira uma sanção interna e na segunda uma sanção externa.
Kelsen afirma que o Direito é uma técnica de organização social, pois se utiliza de meios coercitivos para que a sociedade pratique ou não determinadas ações. Bobbio sobre esta posição de Kelsen, afirma:
“... Kelsen nunca teve dúvidas de que a técnica de controle social própria do Direito consistisse na ameaça e na aplicação de sanções negativas, isto é, das sanções que infligem um mal àqueles que praticaram ações socialmente indesejáveis”235. Como técnica de organização, Kelsen
entende que o Direito como tem como objetivo a paz social. Em reformulação de sua teoria, afirma que o Direito tem como objetivo a segurança coletiva236.
Na Teoria Pura do Direito, Kelsen evidencia o caráter do Direito de controle social, ao dizer que o Direito é uma ordem da conduta humana e em especial uma ordem coativa. Essa sanção negativa somente será Direito quando amparada por um Estado que possua o monopólio da coerção.
O jusfilósofo praguense entende que a sanção negativa é considerada, na maioria das vezes, um mal a incidir sobre aquele que praticou a conduta contrária à desejada. Kelsen, como um positivista científico, não vai valorar a sanção em justa ou não, para aplicá-la. Desse modo, uma sanção que esteja no ordenamento jurídico de um Estado, é justa na medida em que é válida como norma. Nesse sentido afirma Kelsen:
“Segundo o Direito dos Estados totalitários, o governo tem poder para encerar em campos de concentração, forçar a quaisquer trabalhos e até matar os indivíduos de opinião, religião ou raça indesejável. Podemos condenar com maior veemência tais medidas, mas não podemos é considerá-las como situando-se fora da ordem jurídica desses Estados”237.
Ao tratar da sanção como forma de controle social, Kelsen não deixa de analisar a questão da liberdade. Isso porque o ordenamento jurídico que estatui
235 BOBBIO, N. Estrutura e função na teoria do Direito em Kelsen. In: Da Estrutura à Função. P, 208. 236 BOBBIO, N. Estrutura e função na teoria do Direito em Kelsen. In: Da Estrutura à Função. P, 206. 237 KELSEN, Hans. Teoria Pura do Direito. p, 69.
sanções, limitando o comportamento às determinadas ações, não abrange a totalidade de ações possíveis, permitindo um mínimo de liberdade. Desse modo, resta um espaço não normado, em que não há legislação controlando as ações. Isso possibilita uma esfera de liberdade, ou seja, escolher uma ou outra ação sem que com isso haja sanção238. Dessa forma, o controle social nunca é
total, pois sempre resta um mínimo de liberdade.
O jusfilósofo italiano diferencia a sanção negativa da sanção positiva por meio de como o poder é exercido, e assim estabelece uma diferença entre direção e controle social. Na sanção positiva, o poder é exercido na forma de uma direção social e não propriamente de um controle. A diferença é sutil e não é bem explicada por Bobbio.
O controle social também é tratado por outros autores como Bauman, porém, o efoque dado pelo sociólogo é de crítica a essa necessidade de limitação. Bauman, em seu livro ‘Modernidade Líquida’, faz uma dura crítica aos padrões de restrições sociais através da sanção. Para o sociólogo polonês, o que ainda impera na nossa sociedade é o horror do homem sem freios, a se assemelhar com o estado de natureza hobbesiano. Essa falta de freios e limites levaria a uma vida detestável, brutal e curta; que deveria ser evitada, com a limitação por parte do Estado. Bauman vê nessa necessidade de coerção para que haja vida em sociedade, uma limitação à própria liberdade do homem. Para Bauman, essa visão está presente tanto em Hobbes como em Durkheim, que crê na coerção social como força emancipadora239.
A sanção, entendida como um mal, é considerada por Bauman não só como uma necessidade por parte do Estado, mas como uma vontade das pessoas de que ela exista para garantir a previsibilidade e a segurança. Decorre daí que a coerção não é apenas externa, mas já está internalizada. Bauman assumindo, a voz desse homem que quer a sanção, faz uma crítica à sociedade moderna, nas seguintes palavras:
“Não há contradição entre dependência e libertação: não há outro caminho para buscar a libertação senão ‘submeter-se à sociedade’ e seguir suas normas. A liberdade não pode ser ganha contra a sociedade. O resultado da rebelião contra as normas, mesmo que os
238 KELSEN, Hans. Teoria Pura do Direito. p, 72. 239 BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. p, 27.
rebelados não tenham se tornado bestas de uma vez por todas, e portanto, perdido a capacidade de julgar sua própria condição, é uma agonia perpétua de indecisão ligada a um estado de incerteza sobre as intenções e movimentos dos outros ao redor – o que faz da vida um inferno. Padrões e rotinas impostos por pressões sociais condensadas poupam essa agonia aos homens; graças à monotonia e a regularidade de modos de conduta recomendados, para os quais foram treinados e a que podem ser obrigados, os homens sabem como proceder na maior parte do tempo e raramente se encontram em situações sem sinalização ... ”240.
A necessidade do controle social está presente em grande parte das teorias do Direito e sociais, que buscam a estabilidade e constância da sociedade. O Direito é tido como um meio para esse controle, apontando os comportamentos ilícitos e assim direcionando as condutas. O controle social não é feito apenas pelo Direito, mas também por outros instrumentos e instituições.
A existência do controle não significa que a sociedade não se altere ou que não apresente mudanças, mas que essas possam ser geridas e administradas pelos detentores do poder, que tem o Direito como meio de regulação de comportamentos. Assim, os comportamentos acabam indiretamente passando pelo crivo do Estado. Porém, nem todos os comportamentos têm de ser controlados a partir do Direito, isto porque há comportamentos que interessam e outros que não interessam ao Estado e ao Direito.
Quando a sanção é a negativa pode-se entender que o que não está proibido pela lei é permitido, gerando com isso uma zona de liberdade positiva no silêncio da lei. Deste modo, a sanção positiva apenas lida com a liberdade positiva (liberdade residual) como uma exceção à liberdade negativa, que está estipulada nas leis. O controle social através do Direito é exercido por meio da positivação das condutas e efetivado pelo Estado, quando exige o comportamento desejado.