T. C. Vaşington Eğitim Müşavirliği, Öğrenim Gören Mevcut Özel Öğrencilerin Listesi
7. BİRLEŞİK ARAP EMİRLİKLERİ
7.2. ÇALIŞMA HAYATI
Bobbio identifica na norma jurídica a existência de uma sanção que é garantida pelo Estado. A questão da sanção é forte em todas as normas jurídicas, porém não parece existir uma diferença grande entre os diversos tipos de normas jurídicas existentes. Deste modo, a sanção jurídica tem como objetivo distinguir as normas jurídicas de outras normas como as sociais, religiosas etc., porém não tem relevância na análise interna dos diferentes tipos de normas.
Bobbio não faz relação quanto às normas jurídicas e a sanção negativa, em sua teoria da norma e do ordenamento jurídico. Porém, em texto anterior, o jusfilósofo italiano diferencia as normas jurídicas e as normas de costume com base na sanção. Bobbio estava preocupado no livro ‘O costume como fato normativo’, em justificar o costume como fonte do Direito. É em Thomasius que o jusfilósofo italiano busca a inspiração para diferenciar as normas jurídicas das normas do costume. À norma jurídica é dado o caráter de coatividade, que não existe nas normas do costume. Esse critério é utilizado por filósofos desde Jhering até Kelsen241. Bobbio destaca que Weber não se utiliza desse critério,
mas sim na existência da coerção na norma jurídica e da desaprovação nas normas do costume242.
Na ‘Teoria da Norma jurídica’ as normas são classificadas em gerais e singulares, afirmativas e negativas, categóricas e hipotéticas. Em artigo de 1956 Bobbio amplia a discussão sobre a classificação das normas em uma posição menos didática que aquele livro e com maior precisão e crítica. O artigo inicia discutindo a insuficiência e a imprecisão da doutrina tradicional ao atribuir às normas jurídicas o caráter de: geral e abstratas (concentradas). A imprecisão residia no fato de não estar claro que os dois termos eram usados como sinônimos e era insuficiente porque não dava conta da classificação dos
241 BOBBIO, N. La consuetudine come fatto normative. P, 67. 242 BOBBIO, N. La consuetudine come fatto normative. (nota 2) P, 67.
atos jurídicos243. A imprecisão pode ser sanada ao entender o termo ‘geral’, o fato da norma jurídica se referir a uma classe ou categoria de agente, contrapondo-se a individual; e ‘abstrata’ pelo fato da norma não tratar de uma ação específica, mas de uma categoria de ações. Kelsen é um dos que afirma que não são necessários os requisitos de generalidade e abstração para uma norma ser considerada como tal. Para Kelsen, o que caracteriza uma norma jurídica é estar dentro de um sistema jurídico e ter sanção.
Bobbio aponta três critérios de distinção aplicados aos imperativos jurídicos: sujeito ativo, sujeito passivo e objeto (ação prescrita). Nesse item Bobbio faz uma espécie de análise gramatical da norma jurídica. Aplica a esses três elementos a característica de individual e abstrato, resultando na seguinte combinação: prescrições com sujeito ativo universal, prescrições com sujeito ativo individual, prescrições com sujeito passivo universal, prescrições com sujeito passivo individual, prescrições que tem por objeto uma ação-tipo, prescrições que tem por objeto uma ação singular.
Quanto ao sujeito ativo, Bobbio apresenta ainda outra distinção, coletivo e pessoal. Combinada com os elementos acima, resulta na seguinte classificação: 1)prescrições coletivas genéricas abstratas, 2) prescrições coletivas gerais concretas, 3) prescrições coletivas individuais abstratas, 4) prescrições coletivas individuais concretas, 5) prescrições pessoais gerais concretas, 6) prescrições pessoais individuais abstratas, 8) prescrições pessoais individuais concretas244. A possibilidade desses outros critérios de
classificação tornam fraco o argumento que as normas jurídicas, segundo Bobbio, apenas cabem a característica de ser abstratas e gerais.
Bobbio também discute a diferença de norma e ordens, estabelecida pela tradição. Normas são tidas como imperativos abstratos, tendo por objeto a prescrição de ações-tipo, enquanto que ordens são tidas como imperativos concretos. Essa distinção é utilizada já em John Austin no livro “The province of Jurisprudence Determined”, porém Kelsen passa a margem dessa distinção já conhecida. Essa diferença pode se dar pelo conceito que Austin faz da norma,
243 BOBBIO. Studi per una teoria general del diritto. p, 11 244 BOBBIO, N. Studi per una teoria general del diritto. p, 17
que é tida como um comando que obriga uma pessoa ou mais a uma certo modo de agir245.
A conclusão de Bobbio é que algumas características atribuídas tradicionalmente às normas são, na verdade, direções tomadas tendo por base valores pré-determinados. Portanto, trata-se de critérios subjetivos e não objetivos de se analisar as normas jurídicas. A esse conjunto de valores pré- determinados Bobbio chama de ideologia. Algumas características como ser geral e abstrata, são critérios escolhidos com base nos valores de um Estado de Direito. Bobbio afirma nessa fase a cientificidade do estudo da norma nos seguintes termos:
“Que a doutrina da generalidade e da abstração da norma jurídica perdure nas teses de filosofia do Direito e seja abandonada nas teorias dos juristas, pode ser uma indicação útil para compreender que, qualquer que seja o estado da controvérsia entre filosofia e ciência do Direito, a filosofia do Direito, de fato, tende a ser uma teoria do valor jurídico com uma intencionalidade ideológica, a ciência (como Teoria Geral do Direito), ao contrario, é uma pesquisa empírica, com uma intenção descritiva-reconstrutiva”246.
Se o critério para diferenciação das normas jurídicas não está no seu conteúdo, que é dito por Bobbio como um critério ideológico, a diferenciação somente pode ser dada através da estrutura. Nesse ponto Bobbio parece ter feito uma volta, retornando a Kelsen, para afirmar o papel fundamental da sanção na norma jurídica. Porém, a indicativa da importância do sujeito da norma será importante quando Bobbio analisa a função da norma.
Ao contrário de muitos jusfilósofos, Bobbio não traça relação direta entre o tipo de norma e os tipos de sanção existentes. Na fase em que se aproxima de uma postura kelseniana, Bobbio faz a diferenciação entre as normas, porém nenhuma das classificações é relevante para a sanção. Nesse ponto, tanto para Kelsen quanto para Bobbio, as sanções estão presentes em quaisquer tipos de norma, mesmo que de maneira presumida. Desse modo, as diferenças existentes entre as normas quanto ao sujeito, objeto, alcance da norma etc.
245 BOBBIO, N. Studi per una teoria general del diritto. p, 23 246 BOBBIO. Studi per una teoria general del diritto. p, 30.
não são relevantes. Isso porque o que está sendo analisado é muito mais a estrutura da norma e suas inter-relações, do que como essa atua no mundo.