T. C. Vaşington Eğitim Müşavirliği, Öğrenim Gören Mevcut Özel Öğrencilerin Listesi
9. Hayvan Bakıcıları
5.1.6. Bulunulan Ülkeye Gelen ve Ayrılan Türk Sayısı
5.2.2.3. Çalışan Vatandaşlarımızın İşkollarına Göre Dağılımı
Bobbio ressalta a relação existente entre o Direito e a força em toda sua obra. Não é somente o poder que interessa ao Direito, mas também a força. O jusfilósofo afirma que: “Todos os que têm alguma familiaridade com o Direito sabem que a maior parte das normas jurídicas, ou mesmo todas, são normas que regulam o uso da força”205. O Estado regula a força pela norma dizendo quando se usa a força, de que modo, em que medida e contra quem.
Durkheim ao comentar a obra de Jhering, ressalta a relação da coação, do Direito e da força. Para Durkheim é da força que surge o Direito, mesmo que essa relação tenha sido depois alterada. Nesse sentido, afirma: “Hoje a relação entre esses dois termos é inversa; a força é auxiliar, mera serviçal do Direito. Mas não se deve julgar o passado pelo presente.”206
A força, a política e o Direito são para Bobbio elementos indissociáveis. Bobbio estabelece um vínculo necessário entre ordem, Estado e sanção (força). Mesmo quando introduz inovações no conceito de sanção, Bobbio, ainda assim, privilegia a coerção. Desse modo, a força é elemento essencial para o Direito, o que leva Bobbio ao seguinte comentário:
“Já tive oportunidade de dizer e redizer que o poder político se rege, em última instância, pela força. O problema não está em o Estado ser ou não força concentrada nem a quem habitualmente pertence essa força concentrada. O problema é que, onde a presença do Estado é menor, há possibilidade de ser maior a presença da força”207.
O jusfilósofo italiano não faz a distinção entre poder e força, porém essa pode ser encontrada em Cannetti, que o próprio Bobbio afirma ter lido e adotado algumas de suas idéias. Para Cannetti, força e poder podem ser distinguidos nos seguintes termos:
205 BOBBIO, N. As Ideologias e o poder em crise. p, 100.
206 DURKHEIM, E. Os juristas: Rudolf Jhering. In: Ética e sociologia moral. P, 50. 207 BOBBIO, N. As Ideologias e o poder em crise. p, 96.
“A força, costuma-se associar a idéia de algo que se encontra próximo e presente. Ela é mais coercitiva e imediata do que o poder. Fala-se, enfatizando-a, em força física. O poder, em seus estágios mais profundos e animais, é antes força. Uma presa é capturada pela força, e pela força é levada à boca. Dispondo de mais tempo, a força transforma- se em poder. Mas no momento crítico que, então invariavelmente chega – o momento de decisão e da irrevogabilidade – volta a ser força pura. O poder é mais universal e mais amplo; ele contém muito mais, e já não é tão dinâmico. É mais cerimonioso e possui até um certo grau de paciência”208.
Desse modo, o poder diferencia-se da força, somente pela ampliação do espaço e tempo. O poder também se diferencia da força por uma racionalização. Foucault, ao tratar de estabelecimentos que se utilizam da força e do poder, destaca como as penas foram se alterando, diminuindo o exercício da força física direta, mas não do poder.
O filósofo francês fará uma crítica ao sistema do Panóptico, não na figura de Bentham, mas da sociedade do século XIX e XX, que entendeu ser essa uma forma eficiente para controle dos corpos e das mentes. Foucault se debruça em especial sobre a penitenciária, mas não deixa de dar atenção para outros estabelecimentos com sistemas similares, como o manicômio, a escola, a oficina, a fábrica etc.. Foucault destaca que o espetáculo punitivo dos suplícios foi se extinguindo, para dar lugar a uma punição institucionalizada e racionalizada, que não raro toma para si o papel de educar e não de punir.
Para o filósofo, a mudança não foi ocasionada por uma humanização das penas, mas sim por uma mudança de objetivos ao punir. A introdução de alterações nos modelos de tribunais de justiça penal foi fundamental para uma mudança do exercício do poder, que levou a modificação das penas. A codificação, fiscalização e controle das práticas ilícitas também se intensificaram. Passou-se à preocupação por uma moderação das penas, buscando uma economia em punir. “O Direito de punir deslocou-se da vingança do soberano à defesa da sociedade”209. Há uma passagem gradual da punição
direta, para uma vigilância constante.
208 CANNETTI, Elias. Massa e Poder. p, 281.
O encarceramento passou a buscar a transformação da alma e do comportamento dos condenados. A pena não era voltada só para o passado, visando punir o crime anteriormente cometido, mas também para o futuro, para impedir a repetição do crime. Isso leva Foucault a dizer que: “Não se pune portanto para apagar um crime, mas para transformar um culpado (atual ou virtual); o castigo deve levar em si uma certa técnica corretiva”210. Desse modo,
surge um outro poder, que é o poder disciplinar, que engloba o poder de vigilância e controle. A arte de punir realiza cinco operações distintas segundo Foucault: compara, diferencia, hierarquiza, homogeneíza, exclui211.
A sanção em Foucault é parte do poder disciplinar, que dentre outras funções normatiza os comportamentos. Não são só os comportamentos com uma potencialidade de lesão que são sancionados, mas todos os comportamentos. Há sanções para todo comportamento desviante nas prisões, escolas, hospitais etc.. “A sanção normalizadora, segundo recurso do adestramento disciplinar, constitiu-se numa forma particular de sanção. Aquilo sobre o que essa forma de sanção incide não são os delitos especificados pelas leis, mas atitudes ‘menores’, ligadas ao tempo, as atividades, aos comportamentos no interior de um espaço institucional”212. Foucault vai além
dos filósofos do Direito ao identificar em cada ato repressor de um comportamento como uma sanção.
Segundo Bobbio, a força deve ser exercida pelo Estado primordialmente, pois esse é que tem o monopólio do poder coercitivo. Bobbio destaca três funções do Estado, dentre elas a possibilidade de utilizar-se da força para resolver conflitos, pelo menos em última instância213. O jusfilósofo italiano
define o Estado como aquele que possui a força:
“O Estado, como todo ser vivo, antes de se deixar matar, se defende. O Estado nasce da força e só pode sobreviver através da força. E o próprio Estado que sobrevive através da força é de fato reconhecido e talvez reverenciado como Estado por quase todos os outros Estados, até por aqueles que se regem ou acreditam reger-se pelo consenso. No mundo
210 FOUCAULT, M. Vigiar e Punir: nascimento das prisões. P, 105. 211 FOUCAULT, M. Vigiar e Punir: nascimento das prisões. P, 153. 212FONSECA, Márcio. Michel Foucault e o Direito. P, 177. 213 BOBBIO, N. As ideologias e o poder em crise. p, 179.
dos Estados, a única lei reconhecida é a lei do mais forte, porque o Estado ou é a maior concentração de força existente num determinado território ou não é Estado. Portanto, não tenhamos ilusões. Poderemos continuar a ter um Estado sem ter democracia. Podemos ter o fim da república e a continuação do Estado, sem república”214.
Esse tipo de Estado do qual Bobbio trata é um Estado que se foca na sanção como repressão, uma vez que o que busca não é persuadir, mas sim fazer com que as normas jurídicas sejam cumpridas. Somente o poder poderia levar à persuasão, porém a força é mais contundente, pois é expressão da violência que é dada por parte do Estado. Isso leva Bobbio a dizer:
“Pessoalmente creio, e já tive diversas ocasiões para o afirmar, que a violência pública, quando é feita com as garantias e os limites de um Estado democrático, é menos grave que a guerra sem regras e sem limites entre violências privadas, ou seja, é um mal menor, tanto que se dá a ela um outro nome, o nome de ‘poder’, conforme observação de Alessandro Passerim d’Entrevés, embora até hoje ninguém tenha visto um poder político sem monopólio do uso da força. Mas sei bem como é difícil falar de um mal menor para quem crê no bem absoluto, como é difícil falar de um mal necessário para quem crê num bem possível”215.
A norma jurídica, no entender de Bobbio, também se diferencia das outras normas a partir do elemento força. Para Bobbio “a sanção jurídica não consiste, diferentemente das sanções sociais, no uso da força, ou seja, no conjunto de meios que são empregados para constranger pela força, isto é, para forçar o recalcitrante, mas consiste sim, em uma reação à violação, qualquer que seja, mesmo econômica, social ou moral, que é garantida, em última instância, pelo uso da força”216. Em outras palavras, nas normas jurídicas a força é utilizada como garantia, enquanto que nas outras normas há a presença direta do elemento força.
Bobbio afirma que a moderna teoria da coação entende o Direito como conjunto de regras que tem por objetivo regulamentar o uso da força na sociedade. Nesses moldes, o Direito tem como papel regulamentar o exercício
214 BOBBIO, N. As ideologias e o poder em crise. p, 180. 215 BOBBIO, N. As Ideologias e o poder em crise. p, 107.
da força, estipulando quem, quando, como e quanto, a força deve ser exercida. Quem deve usar a força, diz respeito a que pessoas podem fazer o uso dela, e aqui se destaca o Estado como tendo o monopólio da força. Quando se deve usar a força, diz respeito à previsão legal de crimes para certas condutas, seguindo o princípio da anterioridade legal, para evitar arbitrariedades. Como, diz respeito às normas processuais utilizadas para aplicação da coerção. Quanto, diz respeito à quantidade de força utilizada para a coerção217.
Com isso pode-se deduzir que no Direito é necessária a força, porém o que atua é o poder, uma vez que há quantitativamente mais ameaça de sua utilização para que as normas sejam cumpridas, do que sua real utilização. Isso leva Bobbio à limitação da força pelo Direito. “Todos os que têm alguma familiaridade com o Direito sabem que a maior parte das normas jurídicas, ou mesmo todas, são normas que regulam o uso da força”218. Essa observação de
Bobbio se diferencia da de Kelsen, para quem a sanção é exercício da força física, incluindo a pena e a execução forçada219. Em Kelsen a sanção parece
estar mais próxima da força do que do poder.
Para Bobbio, o poder está intimamente ligado à existência de um Direito e deste modo é um poder legitimado. O problema da força para Bobbio aparece quando esta não é exercida pelo Estado, o que leva a uma falta de limitação por um poder institucionalizado. O Estado sendo uma esfera de poder legitimado é o eleito para exercer a força, que se dá nas normas jurídicas a partir da sanção.
A existência de limites para o exercício da força é uma das preocupações de Bobbio no artigo “Governo dos homens ou governo das leis”220. Nesse artigo o jusfilósofo italiano advoga o governo das leis, pois é o
que mais se adapta às condições da democracia e em que é possível um Estado de Direito. Com isso, assegura-se a possibilidade de uma liberdade mais ampla aos cidadãos e um uso da força previamente calculado.
O Estado, quando efetiva a força, o faz a partir da sanção jurídica. Esta é o elemento que permite que a violência seja exercida de maneira legítima, porque parte de um órgão legitimado para tal. A violência só pode estar ligada
217 BOBBIO, N. O Positivismo Jurídico. (Parte II, cap. II, 38). P, 158. 218 BOBBIO, N. As Ideologias e o poder em crise. p, 100.
219 BOBBIO, N. As sanções positivas. In: Da Estrutura à Função. P, 28.
a uma sanção negativa, que é entendida como um mal ao sujeito da norma jurídica. Essa violência será institucionalizada, previsível, explícita, exercida e verificada por agentes estatais.
Segundo Bobbio, mesmo em um ordenamento jurídico pautado por regras democráticas, o Direito não escapa da necessidade da força. O problema está em que lugar se encontra essa força legitimadora do Direito. Bobbio entende que a força pode ser considerada um meio para realizar o Direito, ou ser o conteúdo das normas jurídicas221. É na norma que a força se realizará como sanção. É o Direito que regula a força.