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4.3.3.2. Diğer Aile Yardımları

A sanção é tida pela teoria dominante como um dos elementos principais do Direito. Para que a sanção possa ser efetivada é necessário um aparato Estatal. Para o exercício da sanção, como esta é definida pela tradição, necessita-se da força ou pelo menos da hipótese de seu uso. A sanção jurídica está ligada à força e ao Estado. Há outros tipos de sanções que se utilizam da coação, mas não da coerção. Desse modo, são possíveis sanções sociais que se valem da força, do constrangimento para direcionar os comportamentos, porém estas, não podem ser consideradas sanções jurídicas. Isso leva Roberto Bueno, comentador da obra de Bobbio, à seguinte afirmação:

“Bobbio reconhece que as normas jurídicas são, em alguma medida imperativas e, de alguma forma coercitivas. Bobbio considera o Direito como um ordenamento que tem lastro importante na coercitividade. Nele há um nexo indissolúvel entre Direito e coerção, conceito este que encontra oposição no tão característico valor liberal da autonomia e, desde logo, no ordenamento jurídico que lhe sustenta”196.

O jusfilósofo italiano não diferencia coerção de coação, como também o faz grande parte dos autores de influência kantiana, pois para o filósofo de Königsberg existia sinonímia entre os dois termos197. Mata Machado diferencia

coerção de coação, entendendo que somente a primeira faz parte da definição do Direito. Para o autor a distinção entre os dois termos é fundamental. A coação está ligada a um constrangimento, geralmente exercido através da força física ou ameaça e entre particulares, enquanto a coerção é um poder que o Estado exerce de direcionamento de condutas, porém este é lícito e decorre de uma imposição por parte do Estado para que as leis sejam cumpridas.

A coercibilidade tem relação direta com a autoridade institucionalizada, que pode aplicar a coação. Essa autoridade, no caso do Direito, geralmente é o Estado, isso porque é a ele que é dado o monopólio da força para resolução de

196 BUENO, Roberto. A filosofia jurídico-política de Norberto Bobbio. P, 254. 197 MATA MACHADO, Edgar de Godói. Direito e Coerção. Cap. I

Comentário: La consuetudine p, 68 Bobbio diz que depois de kant não se pode confundir coatividade e coercibilidade

conflitos. Estão ligados, nessa definição, o Estado de Direito e o Direito positivo.

O jusfilósofo italiano não deixa de afirmar a importância do Estado como ordenador da sociedade, através do Direito. Para isso prega uma postura ativa do Estado, não negando a importância das sanções no papel do Direito. Deste modo, são bases necessárias para uma sociedade: Direito, política participativa e Estado democrático de Direito.

Bobbio apresenta duas teorias relativas à questão da sanção, que não são incompatíveis: a teoria da institucionalização e a teoria coercitiva do Direito. A primeira é geralmente defendida por sociólogos e juristas-sociólogos e a segunda teoria tem defensores como Kant, Thomasius, Jhering e Kelsen. Atualmente essas duas teorias se integram entre si, porém Bobbio as diferencia nos seguintes termos:

“... a teoria que dá particular destaque ao aspecto da institucionalização, isto é, ao fato de que a resposta à violação de normas do sistema, no caso do sistema jurídico, é ela própria regulada por normas do sistema que visam torná-la o mais constante, proporcional ao delito, imparcial e certa possível; e a teoria que, acentuando o momento do exercício da força por parte do poder constituído, identifica a sanção jurídica com a coação, isto é, com aquele modo particular de infligir um mal que é o exercício da força física”198.

Outra teoria ressaltada por Bobbio é a teoria imperativista do Direito. Essa teoria pressupõe que haja um Estado com o monopólio da força, que torne o Direito exigível a todos que estão em seu território. O Direito é visto como um conjunto de imperativos. Para Bobbio essa teoria não surge com o positivismo, nem com o advento do Estado moderno, mas remonta ao antigo Direito romano199.

De acordo com essa teoria, o Direito é entendido como um comando e não apenas um conselho, uma vez que pode ser exigido. Uma das características que os diferenciam é a presença de sanção para o comando. Nos dois casos há conseqüências não agradáveis no descumprimento, porém só no comando há uma sanção que é desejada e efetivada pelo sujeito que

198 BOBBIO. N. As sanções positivas. In: Da Estrutura à Função. P, 27. 199 BOBBIO, N. O Positivismo Jurídico. (Parte II, Cap. IV, 46) P, 181.

estabeleceu o comando, de forma institucionalizada. Essa teoria será muito utilizada no positivismo jurídico, em especial na teoria de Austin e de August Thon200.

O imperativismo é uma das principais características do positivismo jurídico para Bobbio, como ressalta Pytagoras Carvalho Neto201. Segundo

Bobbio, a teoria do imperativismo jurídico está vinculada à concepção legalista do Estado de Direito, ou seja, entende o Estado como fonte única do Direito. Com isso, afasta o Direito consuetudinário e o Direito internacional. Bobbio entende que mesmo a teoria kelseniana que buscava formular uma crítica ao imperativismo acabou por adotá-la em parte, com o conceito de imperativo hipotético202.

Um dos pontos que Bobbio parece não se preocupar diretamente, quando trata da teoria imperativista do Direito, é relativo à vontade. Esse é um dos pontos mais completos quando se analisa o Direito como sanção que pode ser exigida pelo Estado. A questão da vontade na teoria imperativa do Direito é fundamental, pois nessa teoria a norma jurídica pode ser vista como uma “relação de superioridade entre o que ordena e o que recebe a ordem, explicando-se a impositividade do Direito como um caso de um querer dotado de poder”203. São problemas relativos à vontade, como aponta Tércio Sampaio:

“determinação da vontade normativa (problemas das fontes do Direito), do endereço da norma (problema do sujeito de Direito) e das diferentes situações em que ele se encontra (Direito subjetivo, interesse juridicamente protegido, etc.), bem como das relações mesmas que se estabelecem entre as vontades (questão das relações jurídicas, dever ou obrigações, poder jurídico, etc.)”204.

Sendo a coação um dos pontos fundamentais para que haja um Direito exigível em toda a sociedade, a sanção e a vontade são elementos que não podem ser desconsiderados. Bobbio altera o conceito de sanção, introduzindo uma alteração no conceito de Direito, porém não deu destaque significativo de

200 BOBBIO, N. O Positivismo Jurídico. . (Parte II, Cap. IV, 46) P, 185.

201 CARVALHO NETO, Pytagoras. A diferenciação do Direito e a teoria imperativista da Norma jurídica. 202 BOBBIO, N. O Positivismo Jurídico. (Parte II, Cap. IV, 49) p, 193.

203 FERRAZ JR, Tércio Sampaio. A ciência do Direito. p, 51. 204 FERRAZ JR, Tércio Sampaio. A ciência do Direito. p, 51.

como ficariam os elementos do Direito que estão ligados à vontade, quando se introduz um outro conceito de sanção.

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