• Sonuç bulunamadı

II. BÖLÜM

2. TEMEL KAVRAMLAR AÇISINDAN UYUMU

3.1. İşkolu Esasına Göre Sendikalaşma

O caput do art. 1.030 do Código Civil remete à maioria dos demais sócios a iniciativa de, judicialmente, pleitear a exclusão de outro quotista pelo cometimento de falta grave. Convém averiguar, aqui, em que consiste a vontade da maioria dos consócios. Para tanto, imagine-se a seguinte estrutura societária na PPGD LTDA., na qual se pretende a exclusão de João, o sócio majoritário:

PPGD LTDA

SÓCIOS COTAS Valor nominal Percentual

João 6.000 R$60.000,00 60%

Maria 2.500 R$25.000,00 25%

José 1.000 R$10.000,00 10%

Francisco 500 R$5.000,00 5%

Em uma primeira leitura, a verificação da maioria dos demais sócios passa pela análise da contagem numérica dos quotistas remanescentes ao que se pretende excluir. No exemplo, bastaria que, entre Maria, José e Francisco houvesse dois votos favoráveis à exclusão de João, independentemente de representação dos votos no capital social. Seria possível, assim, que José e Francisco, titulares de 15% (quinze por cento) do capital social, se opusessem ao eventual voto protetivo de Maria, titular de 25% (vinte e cinco por cento), sobrepondo a vontade desta e autorizando o início de uma demanda dissolutiva em face de João.

A defesa dessa leitura é comezinha por sua literalidade. O legislador teria dado legitimidade ao início do processo de exclusão à maioria dos demais sócios, sem mencionar ou fazer qualquer ressalva à participação destes no capital social do empreendimento. Essa é a posição de ARNALDO RIZZARDO288,MARCOS VINÍCIUS CAMINHA289eNELSON NONES290.

288

“Existem salientes diferenças entre a exclusão do art. 1.030 e a do art. 1.085. Naquela, processa-se judicialmente, pela instauração do devido processo, não carecendo que conste a permissão legal. Na última, já que contratual, é executada pelos próprios sócios. (...). No afastamento judicial, medida preliminar é a aprovação da maioria dos sócios, estendendo-se a todas as sociedades, enquanto no contratual exige-se a maioria do capital social, não se impedindo, todavia, a exclusão do sócio sem considerar se tem a maioria ou não do capital, consoante definido antes.” (RIZZARDO, Direito de empresa 2007, p. 266.)

289 “Com efeito, enquanto o art. 1085, ao tratar da exclusão, fala que esta pode ser implementada pela maioria do

De fato, sempre que o legislador atribuiu utilidade decisória à participação no capital social, o fez de modo expresso. Nesse sentido, já se abordou, em capítulos anteriores, a disciplina civilista quanto à transferência de quotas societárias291, à destituição de administradores292, e à exclusão extrajudicial de quotistas293, sem se olvidar de outras situações codificadas atinentes à sociedade limitada294 que não foram fruto de investigação específica por parte do presente trabalho.

Por outro lado, a aceitação da contagem numérica como forma de aferição da

maioria dos demais sócios criaria situações inusitadas, como a exemplificada acima, onde, do ponto de vista do capital social, “a minoria da minoria” se sobrepõe à “maioria da minoria”.

essa, que, no nosso entendimento, deve ser calculada não em função do capital social, e sim em razão do número de sócios.” (CAMINHA 2003, p. 03.)

290 “No que diz respeito à exclusão do sócio majoritário ou de grupo de sócios majoritários, a lei estabelece que

tal afastamento só pode ser determinado judicialmente, mediante a iniciativa da maioria dos demais sócios, por falta grave no cumprimento de suas obrigações. Para tanto, é preciso observar que a maioria a que a lei se refere é a maioria do número de sócios e não do capital, o que mostra que o sócio majoritário (ou grupo) inadimplente em suas obrigações societárias pode ser excluído da sociedade, permanecendo a empresa em exercício.” (NONES 2008, p. 05.)

291 “Art. 1.057. Na omissão do contrato, o sócio pode ceder sua quota, total ou parcialmente, a quem seja sócio,

independentemente de audiência dos outros, ou a estranho, se não houver oposição de titulares de mais de um

quarto do capital social.

(...).” (Grifou-se).

292 “Art. 1.063. O exercício do cargo de administrador cessa pela destituição, em qualquer tempo, do titular, ou

pelo término do prazo se, fixado no contrato ou em ato separado, não houver recondução.

§ 1o Tratando-se de sócio nomeado administrador no contrato, sua destituição somente se opera pela aprovação

de titulares de quotas correspondentes, no mínimo, a dois terços do capital social, salvo disposição contratual diversa.

(...).” (Grifou-se).

293 “Art. 1.085. Ressalvado o disposto no art. 1.030, quando a maioria dos sócios, representativa de mais da

metade do capital social, entender que um ou mais sócios estão pondo em risco a continuidade da empresa, em

virtude de atos de inegável gravidade, poderá excluí-los da sociedade, mediante alteração do contrato social, desde que prevista neste a exclusão por justa causa.

(...).” (Grifou-se).

294

Código Civil.

“Art. 1.066. Sem prejuízo dos poderes da assembléia dos sócios, pode o contrato instituir conselho fiscal composto de três ou mais membros e respectivos suplentes, sócios ou não, residentes no País, eleitos na assembléia anual prevista no art. 1.078.

(...)

§ 2o É assegurado aos sócios minoritários, que representarem pelo menos um quinto do capital social, o direito de eleger, separadamente, um dos membros do conselho fiscal e o respectivo suplente.” (Grifou-se). “Art. 1.074. A assembléia dos sócios instala-se com a presença, em primeira convocação, de titulares de no

mínimo três quartos do capital social, e, em segunda, com qualquer número.

(...).” (Grifou-se).

“Art. 1.076. Ressalvado o disposto no art. 1.061 e no § 1º do art. 1.063, as deliberações dos sócios serão tomadas:

I - pelos votos correspondentes, no mínimo, a três quartos do capital social, nos casos previstos nos incisos V e VI do art. 1.071;

II - pelos votos correspondentes a mais de metade do capital social, nos casos previstos nos incisos II, III, IV e VIII do art. 1.071;

A fim de evitar querelas congêneres à supradescrita, autores como FÁBIO TOKARS295,

ALFREDO DE ASSIS GONÇALVES NETO296, LEONARDO GUIMARÃES297 e MÁRCIO SOUZA

GUIMARÃES298 defendem que a verificação do atingimento da maioria dos demais sócios deve

se dar a partir da contagem do capital social remanescente. Assim, no caso da PPGD LTDA, a iniciativa do processo dissolutivo seria definida pelo voto de Maria, titular de 25% (vinte e cinco por cento) do capital social, uma vez que os demais quotistas, ainda que formem uma maioria numérica, atingiriam, juntos, no máximo, quinze 15% (quinze por cento) daquele.

Reputamos maior conformidade à livre iniciativa a essa interpretação, devendo o

caput do art. 1.030 do CC ser visto como uma referência imprópria e atécnica à necessidade de deliberação prévia dos sócios, como requisito à propositura da ação de exclusão. Dessa forma, a verificação da maioria dos demais sócios deve ser apurada em assembleia ou reunião regularmente convocada, realizada e finalizada299.

Sendo a propositura da ação dissolutiva uma deliberação societária, a averiguação da maioria será, naturalmente, calcada no capital social da sociedade limitada, sob pena de se deformar a estrutura de poder livremente contratada quando da constituição da sociedade limitada, em afronta ao direito fundamental à livre iniciativa.

Adere-se, assim, aos Enunciados n.º 17300 e 216301, aprovados, respectivamente, na I Jornada de Direito Comercial302 e na III Jornada de Direito Civil303, promovidas pelo

295 “Assim, se o ato de inegável gravidade é praticado, por exemplo, por um sócio que detenha 60% das quotas

sociais, a ação de exclusão é viável se for intentada por iniciativa de sócios que representem mais de 20% das quotas sociais. Afina, cobra-se a maioria em relação aos demais sócios, e não em relação à totalidade do capital social” (TOKARS 2007, p. 375.)

296 “Observe-se que, nesse particular, a lei alude à maioria dos demais sócios, não levando em consideração o

peso do valor da quota de cada qual deles (...). Seria o caso de fixar o critério de número de sócios para a determinação da maioria na deliberação de exclusão de sócio? Parece-me que, na boa técnica, a resposta deve ser negativa (...), a questão decorre, apenas, de má redação da norma e, por isso, entendo que, ao falar em maioria, esses dispositivos legais querem referir-se àquela que privilegia o grau de participação do sócio na sociedade, só se admitindo a numérica em caso de empate na deliberação, como está no parágrafo único do art. 1.010.” (A. d. GONÇALVES NETO 2007, p. 180-182.)

297 “Orientação integralmente nova no ordenamento pátrio, a norma insculpida no art. 1.030, facultando aos

demais quotistas a possibilidade de excluir um ou mais sócios, é passível de implementação desde que presentes três condições (i) seja a medida adotada por sócio ou sócios que representem a maioria simples do capital social (...)” (L. GUIMARÃES 2003, p. 115.)

298 “A propositura da Ação de Exclusão será objeto de deliberação, sendo necessária a concordância da maioria

absoluta dos sócios, computados pela participação no capital social, e não por cabeça, como pode parecer, pois assim se afere a disposição de poderes entre os sócios.

Assim, se o sócio que se pretende excluir detém 90% do capital social, o pedido de exclusão deverá ser Formulado por aquele ou aqueles que detenham, no mínimo, 6% do capital social, sendo excluído o percentual correspondente ao sócio que se pretende excluir (ele não participa da votação, sob pena de configuração de voto conflitante).” (GUIMARÃES 2009, p. 152.)

299 (VIO 2008, p. 161-162.)

300 “Na sociedade limitada com dois sócios, o sócio titular de mais da metade do capital social pode excluir

extrajudicialmente o sócio minoritário desde que atendidas as exigências materiais e procedimentais previstas no art. 1.085, caput e parágrafo único, do CC.”

Conselho da Justiça Federal, bem como à jurisprudência grassada perante o Tribunal de

Justiça do Estado do Amapá (TJAP)304.

A discussão supracitada, malgrado atual e relevante, tenderá a ser suprimida caso o Projeto de Lei n.º 1.572/11, que institui o novo Código Comercial brasileiro, seja aprovado nos termos propostos, haja vista a redação de seu art. 118, pelo qual “a maioria societária

será definida proporcionalmente à contribuição de cada sócio para o capital social”.

4.5.3 Inconstitucionalidade e ilegalidade da quebra da affectio societatis como