• Sonuç bulunamadı

İşkence Gören Çocuklar

Os textos que abordam aspectos relacionados à graduação representam em média 10 a 11% dos trabalhos apresentados na ANPEd. Entre 1996 e 2003, aumenta o número de trabalhos sobre graduação: observamos que no final do período há quase 2,5 vezes mais textos do que no início do período. O ano com maior número de textos sobre graduação é 2001. É possível que esse aumento de trabalhos não signifique necessariamente maior interesse na graduação como objeto de pesquisa; esta afirmação apóia-se no fato de que, como um todo, o número de trabalhos aceitos para apresentação na ANPEd aumentou de 1996 a 2003 e no fato de que a produção relacionada à graduação tende a cair após 2001. Este ano congregou o maior número de textos sobre a estrutura e organização curricular, sobre os conteúdos disciplinares e sobre as práticas

pedagógicas, assim como investigações sobre o corpo discente. Como toda essa produção diminui posteriormente, é possível supor que a necessidade de adequar os cursos de graduação às exigências da legislação (principalmente às Diretrizes Curriculares para os cursos de Ensino Superior) tenha suscitado diversas investigações. Embora o tom de crítica às Diretrizes seja notório em muitos textos, não há necessariamente continuidade nas pesquisas.

Afirmação contrária pode ser feita em relação ao aumento de pesquisas sobre a formação de professores para o ensino superior. Os trabalhos sobre os professores de ensino superior, entre esses, os que tratam de sua formação pedagógica, aumentam no final do período. Parece-nos que o interesse na formação didática dos professores de graduação aumenta provavelmente em função das mudanças curriculares e dos resultados das avaliações dos cursos de ensino superior e provavelmente, também, em função da maior atribuição de responsabilidade à qualidade do ensino.

O GT Políticas de Educação Superior é responsável por mais de 30% dos textos analisados, os quais fornecem informação sobre a relação entre ensino e pesquisa. O exame desses textos possibilitou pensar a relação entre ensino e pesquisa a partir de perspectivas que analisavam a história, o financiamento, a estrutura ou a organização do sistema da educação superior no Brasil e a história particular das instituições de ensino superior, entre outros. Aspectos relacionados à estrutura e organização curricular de cursos, às disciplinas, às questões pedagógicas, às metodologias, práticas e recursos de ensino são objeto de relatos e discussões teóricas em 16% dos textos do GT Formação de Professores; 12% de textos que se originam no GT de Didática e nos quase 10% de textos originados no GT de Educação Matemática.

As temáticas dos Grupos de Trabalho ou de Estudo, no caso da ANPEd direcionam a escolha dos trabalhos apresentados, o que explica em parte, os dados anteriores.

Dos textos que abordam temas da história, financiamento, estrutura ou da organização da educação superior e das instituições, 40% provêm de instituições cujos programas de pós-graduação possuem linhas de pesquisa ou grupos de estudo sobre esses temas. Também chama a atenção que as instituições de procedência dos trabalhos são, em sua maioria, públicas. Entre as particulares, predominam as instituições confessionais. Situação semelhante aparece nos artigos de periódicos no período entre 1968 e 1995, como menciona MOROSINI (2001), para quem a existência dos cursos de pós-graduação e da pesquisa localizados nas Instituições de Ensino Superior públicas define essa situação.

Dos textos analisados, 35% referem-se às Licenciaturas: as mais citadas são Pedagogia, Matemática e Ciências; 7% abordam Bacharelado. Os problemas dos cursos que ofertam bacharelado e licenciatura são focalizados em 8% dos textos; já a integração entre graduação e pós-graduação aparece em apenas 1%. Os aspectos teóricos e práticos de cursos, disciplinas e sala de aula são abordados em quase metade dos textos analisados. O predomínio de textos que se referem aos cursos de licenciatura pode ser explicado pelo fato de a ANPEd ser órgão de discussão e divulgação de pesquisa na área de educação. Como MOROSINI (2001) supõe, ao encontrar dados semelhantes na produção sobre ensino superior em periódicos nacionais, a nossa suposição é de que outros fóruns de divulgação de pesquisa em áreas específicas de conhecimento estejam congregando pesquisa sobre o ensino nessas áreas. Se assim for, seria interessante buscar aproximação com esses fóruns com o objetivo de construir uma visão mais abrangente do que se pesquisa sobre ensino em diversas áreas.

Os aspectos abordados sobre a graduação nos textos analisados foram organizados em seis categorias: a) investigações sobre práticas de ensino-aprendizagem; b) discussões teóricas sobre cursos e disciplinas; c) alunos; d) professores; e) alunos e professores; f) a relação entre ensino e pesquisa nas discussões histórico- políticas. Dessas categorias, as que envolvem professores e alunos oferecem dados, geralmente, de pesquisa institucional. Enquanto que textos sobre alunos têm baixa freqüência e uma certa estabilidade ao longo do período, textos sobre formação de professores para o ensino superior apresentam um aumento nos últimos anos.

Nas investigações sobre práticas de ensino-aprendizagem, as licenciaturas apresentam o dobro de textos dos de bacharelado. Predominam os cursos de Pedagogia e de Licenciatura em Matemá tica e, no bacharelado, os da área de exatas: Engenharia e Matemática. São raras as investigações sobre práticas de ensino em outros cursos; as que encontramos têm, geralmente, preocupação com a formação didática do professor em metodologias de avaliação, por exemplo, ou introdução de tecnologias virtuais como recursos didáticos. É bem provável que sendo a ANPEd uma associação da área de educação concentre mais trabalhos sobre licenciatura do que sobre os cursos do bacharelado.

FRANCO, MOROSINI, OLIVEN, PEIXOTO e TAVARES (In: MOROSINI, 2001) sugerem que a maior incidência de documentos sobre a graduação na categoria “Ensino” do banco de Dados Universitas / Br ocorre em função de críticas à formação de profissionais egressos desses cursos e de movimentos de avaliação do ensino. Nos textos que analisamos, existe a preocupação com o profissional em formação e discute- se a repercussão da avaliação de cursos. Entre os cursos, essas autoras mencionam liderança de publicações que discutem o curso de Pedagogia; em seguida vêm as

publicações sobre os cursos de Química, Ciências Biológicas e Medicina. Em nosso estudo, o curso de Química está ausente e o de Pedagogia é o mais mencionado.

Nas licenciaturas, prevalecem algumas tendências apontadas pela pesquisa de ROMANOWSKI (2002) que examinou teses e dissertações sobre as licenciaturas da década de 90: em nossos textos são apontados problemas e contradições dos cursos; especialmente em relação à formação específica, discute-se a falta de articulação entre ensino e pesquisa. No entanto, ao contrário das teses e dissertações analisadas por Romanowski, discussões mais amplas sobre os cursos de licenciatura que abordem os problemas desses cursos – sua descrição e explicitação, por exemplo -, sua estrutura e os avanços e mudanças realizadas nas propostas, não aparecem nos textos da ANPED.

Apesar de grande número de textos que abordam ensino com pesquisa e concepções de alunos, que talvez possam ser consideradas inovações no ensino, ou talvez, repercussão das Diretrizes Cur riculares, há na realidade, em relação às licenciaturas, dispersão de temas e de aspectos salientados. Tanto MOROSINI (2001) quanto ROMANOWSKI (2002) apontam a estrutura departamental como um dos elementos mencionados nos periódicos nacionais e nas teses e dissertações, que contribuem para a falta de diálogo coletivo sobre os problemas das licenciaturas nas instituições universitárias. A estrutura departamental, em nossos estudos é mencionada, geralmente, na discussão da falta de articulação entre ensino e pesquisa, seja nas licenciaturas, seja de modo geral na graduação. ROMANOWSKI (2002) menciona, também, investigações sobre a aprendizagem e o domínio de conteúdos pelos alunos de licenciatura. Mais rara nos textos da ANPED, esse tipo de investigação aparece relacionada ao domínio de conteúdos de Matemática. A questão das licenciaturas parece-nos longe de ser resolvida. A escassez do debate mais geral nos trabalhos da ANPED e a dispersão dos aspectos ressaltados nos textos poderiam significar cansaço

em discutir questões que parecem sem solução e tentativa de levar adiante o ensino investindo em qualidade, mesmo que em iniciativas isoladas e individuais.

Entre as disciplinas mencionadas nas investigações sobre experiências e práticas de ensino-aprendizagem, predominam as de Prática de Ensino, as da área de Matemática ou as Pedagógicas. Há diferença entre as licenciaturas e os bacharelados: enquanto naquelas há maior número de investigações sobre os estágios e práticas curriculares de ensino, com foco na atividade de aprendizagem dos alunos, nos bacharelados predominam experiências dos docentes de ensino superior em disciplinas de Matemática ou disciplinas técnicas com uso de novas tecnologias de informação e comunicação. Esses dados mostram algumas diferenças em relação ao estudo de FRANCO, MOROSINI, OLIVEN, PEIXOTO e TAVARES (In: MOROSINI, 2001) que menciona maior freqüência nos periódicos nacionais de discussões sobre as disciplinas de graduação: Química, Física e Biologia e nas licenciaturas, as disciplinas da área pedagógica: Prática de Ensino, Estrutura e Funcionamento do Ensino e os Fundamentos da Educação como Psicologia, Biologia e História.

Encontramos em nosso estudo que textos relacionados à educação ambiental, tema já emergente no estudo de ANDRÉ (2001), aparecem com certa freqüência nas licenciaturas. É possível que a consolidação do GT Educação Ambiental tenha evidenciado esses temas em relação à formação de professores, embora a discussão esteja ainda na delimitação da área em relação ao especia lista e do que seria a prática educacional.

Quanto aos recursos e metodologias de ensino, observamos que nos textos da ANPED do período entre 1996 e 2003, que tratam de licenciaturas, predominam investigações sobre o uso da pesquisa como recurso didático e o levantamento de concepções e representações dos alunos. As tecnologias virtuais aparecem nas

licenciaturas apenas em textos que discutem cursos de educação à distância para a formação de professores. Nesses textos assinala-se muito mais o caráter de meio de concretização da formação (por exemplo: utilização de vídeo conferências) do que o de recurso didático a ser utilizado pelo professor em sala de aula (nem na formação inicial do licenciado e nem na futura prática profissional). Como aponta ANDRÉ (2002) e pode ser observado na produção da ANPEd que analisamos, o uso das novas tecnologias de informação e comunicação continua ausente nos cursos de formação de professores.

Situação oposta encontra-se ao verificar os recursos mais utilizados nos bacharelados: neles prevalecem as técnicas que utilizam novas tecnologias de informação e comunicação além, das investigações sobre concepções dos alunos. A ênfase na graduação está nas possibilidades didáticas da interação virtual e da pesquisa via multimídia e na investigação e avaliação das dificuldades que daí surgem. Esse é um campo que continua inexplorado em relação à formação de docentes nos cursos de licenciatura.

As abordagens teóricas referem-se preferencialmente aos cursos de Licenciatura; apenas um terço delas discute cursos ou outros aspectos dos bacharelados; mais do que textos teóricos, os cursos de bacharelado apresentam investigações de experiências de ensino e de práticas docentes. Em geral, os textos teóricos abordam a estruturação e as reformulações de cursos em função de avaliação de cursos; como supunha MOROSINI (2001) os textos que abordam impacto de avaliação têm incidência maior no período que analisamos enquanto que antes da implantação das políticas de avaliação de cursos do MEC, eram menos freqüentes.

Aspectos didáticos do ensino e de delimitação do campo disciplinar ou da função curricular de uma dada disciplina surgem em relação a diversas disciplinas e campos de estudo. Aparecem discussões, com base na literatura da área, sobre

oposições e diferenças na estrutura e na formação nos cursos que ofertam licenciatura e bacharelado e sobre a relação entre a formação inicial e a atuação profissional. Mas, como foi apontado, em oposição ao encontrado por ROMANOWSKI (2002), discutem- se aspectos pontuais e não a estrutura e organização desses cursos.

Em relação ao corpo discente prevalecem textos de pesquisa institucional sobre acesso e permanência dos alunos no ensino superior e, ainda, caracterizações de alunos quanto a desempenho, interesses, formação escolar e acadêmica, gênero e aspectos étnicos. Apenas um estudo aborda aspectos relacionados a alunos de camadas populares. Chama a atenção a ausência de textos que abordem aspectos relacionados aos alunos trabalhadores e aos portadores de necessidades especiais, temas já ausentes em estudos anteriores, assim como inexistem estudos sobre a idade de ingresso no ensino superior, como relatam VASCONCELOS, MEDEIROS, SEIFFERT e CHAVES (In: MOROSINI, 2001). Nos periódicos nacionais analisados por essas autoras aparecem aspectos ausentes em nosso estudo como orientação vocacional dos alunos ou regimes de matrícula. É possível que temas de etnia, relacionados a alunos apareçam nos próximos anos na ANPEd em função da consolidação do GT Raça, Etnia e Educação e em decorrência das políticas de inclusão promovidas pelo governo. Nos últimos anos do período entre 1996 e 2003 surgem textos que abordam aspectos interacionais da relação professor aluno em termos de violência psicológica (assédio moral). Também surgem estudos que procuram estabelecer relação entre o desempenho e a permanência dos alunos e o incentivo que os professores recebem para a dedicação exclusiva e para a pesquisa. De modo geral, podemos afirmar que a pesquisa institucional relacionada aos alunos é campo ainda pouco explorado.

Quanto ao enfoque nos professores de ensino superior, encontramos aumento de textos no final do período e preocupação crescente com a formação didática.

Também aparecem textos que investigam a pessoa do professor, concepções, trajetória acadêmica e questões de gênero e raça. Com base em VASCONCELOS, MEDEIROS, SEIFFERT e CHAVES (In: MOROSINI, 2001), podemos supor que o interesse pelo professor vem crescendo desde a década de 70 do Século XX. Esse interesse inicia-se com a busca de métodos alternativos de ensino, passa pelo questionamento do papel do professor na década de 80 e entra na de 90 com o interesse pela avaliação dos processos de ensino e aprendizagem no nível superior.

A década de 90, como mostra MANCEBO (2004) representa um salto na produção sobre professor de ensino superior no contexto da análise de periódicos nacionais. Embora mencionados nos textos da ANPED, os efeitos psicossocias da competição em busca de desempenho e mérito instalados nas instituições de ensino superior nos últimos anos continuam sem suficiente aprofundamento, fato já apontado por Mancebo. É interessante ressaltar que nas pesquisas sobre formação de professores em geral (ANDRÉ, 2002), a formação do professor de ensino superior é quase silenciada. É provável que essa diferença dependa do tipo de fonte utilizada.

São raros os textos que discutem a relação entre ensino e pesquisa nos termos apontados no estudo de SEGENREICH (2001). A relação entre ensino e pesquisa aparece mencionada na ANPED na investigação de experiências e práticas de ensino- aprendizagem, porém, em geral os textos que relatam experiências de ensino com pesquisa nem sempre discutem essa associação, apenas a afirmam. Nesses textos encontramos usos de pesquisa como recurso didático para favorecer a aprendizagem dos alunos; investigações sobre concepções de alunos com finalidade de planejamento de aulas; investigação da vivencia e aprendizagem dos alunos em situações de estágio ou de participação em projetos de extensão; professores mencionam, em muitas dessas situações, estar cumprindo com o princípio de indissociabilidade entre ensino e

pesquisa. O significado da associação entre ensino e pesquisa e as diversas formas de interpretar essa associação são discutidas em textos teóricos que abordam o significado da formação de nível superior ou as Políticas de Educação Superior. Nesses textos, a questão da qualidade do ensino e da prática de ensino aliado à pesquisa e seu papel na formação são mais aprofundados. Raramente a discussão sobre o que se entende por pesquisa surge como nos estudos sobre o professor-pesquisador no ensino fundamental.

O tema pesquisa e graduação era pouco abordado em periódicos nacionais no período entre 1968 e 1995 conforme afirmam FRANCO, MOROSINI, OLIVEN, PEIXOTO e TAVARES (In: MOROSINI, 2001). É possível que as referências à associação entre ensino e pesquisa na graduação que encontramos nos textos da ANPEd sejam, por um lado, reflexo da concepção que alia ensino e pesquisa à concepção de qualidade; por outro lado, podem ser reflexo de diretrizes que inserem algum tipo de pesquisa na formação em nível superior e por último, podem ser indício de maior preocupação com esse tema em relação à graduação.

No estudo de MOROSINI (2001) são recorrentes temas como o curso de Pedagogia e o resgate da trajetória histórica de cursos e instituições. Essa tendência aparece também em nossos dados.

Algumas lacunas apontadas na literatura sobre ensino superior por MOROSINI (2001), mantêm-se em nosso estudo: estudos sobre os cursos de Ciências Sociais e Letras inexistem e as relações e processos compartilhados por professores e alunos continuam quase ausentes. Ao contrário, os estudos de gênero considerados lacunas, por Morosini, aparecem com alguma freqüência na produção da ANPEd.

Em suma, podemos concluir que ainda há muito a ser investigado em relação à graduação. Seria interessante, verificar, por exemplo, em outros fóruns que discutem pesquisa em áreas específicas, o que se escreve sobre o ensino e a pesquisa na

graduação. O ensino de química é um exemplo de tema que aparece nos periódicos, mas na ANPEd não marca presença: estará em foco em outros espaços ou não é discutido mais? Como já perguntava MOROSINI (2001): onde estão as publicações sobre ensino de Letras e de Ciências Sociais? Em relação às Licenciaturas poderíamos fazer perguntas semelhantes: um tema quase silenciado é o de ensino de Fundamentos. Onde estão os ensinos de Psicologia, de Sociologia, de História da Educação e de Biologia Educacionais? Apenas a Filosofia da Educação ganha alguma atenção.

Um tema ignorado é o do ensino de graduação em instituições públicas que dependem de professores substitutos e que trabalham em situação precária, semelhante à do professor horista no ensino privado. Esses e outros problemas da graduação ainda carecem de mais pesquisas.