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İşimdeki duygusal sorunlara serinkanlılıkla yaklaşırım

De acordo com Moura (1991),existem determinadas condições que asseguram a um aliado subordinado uma boa margem de negociação no plano internacional. A guerra é uma delas, na medida em que altera a dinâmica da esfera internacional, ampliando os espaços de

29 No dia 15 de agosto de 1942, o torpedeamento do Baependi deixou 270 mortos, entre os quais se encontravam

soldados do Exército com destino ao Nordeste. No mesmo dia, foram atacados também o Araraquara, com 131 mortos e o Aníbal Benévolo, com 150, ambos saíram de Salvador com destino a região norte do país. Dois dias depois, em 17 de agosto, foi a vez do Itagiba, que teve 36 mortos, e do Arará que foi atacado enquanto socorria os sobreviventes do Itagiba, tendo 26 mortos. Para mais detalhes ver os trabalhos de Ricardo Bonalume Neto

barganha entre os países envolvidos no conflito. Assim, se por um lado, a guerra aumenta a polarização inviabilizando a neutralidade de países “menores”, por outro, confere uma singular importância a alguns deles, em função de sua posição política, econômica e estratégica. Era essa a situação que se apresentava para o Brasil na década de 1940, em especial entre 1942 e 1947. A nova dinâmica internacional imposta pelas negociações entre o Brasil e os EUA levaram o governo Vargas a se colocar na condição de “aliado especial” dos norte-americanos. Tal condição, na perspectiva do governo Vargas, garantiria ao Brasil, além da ajuda econômica dos EUA, a posição de país associado, e não subordinado, no pós-guerra, assegurando seu papel de liderança na América Latina. Uma perspectiva ambiciosa que, a princípio, parece não levar em conta as reais possibilidades e limitações do governo brasileiro no quadro da política externa. Isso equivale a dizer que, apesar de existirem brechas nas quais o governo Vargas barganhava suas exigências, era preciso reconhecer que as margens dessas negociações esbarrariam sempre nas firmes pretensões norte-americanas de estabelecer sua supremacia no continente.

A política do governo norte-americano para a América Latina, com destaque para o Brasil, tinha, como já foi dito, o objetivo de garantir nossa colaboração política e econômica, mas principalmente visava eliminar de vez a influência do Eixo, concentrando seus esforços no estabelecimento de sua própria influência na organização social, política, econômica e cultural destes países. Com base nestas diretrizes, os EUA consolidaria aquilo que Moura chamou de sistema de poder30. A construção desse sistema evidenciava o desejo norte- americano de extirpar o poder dos inimigos e subordinar, sempre que possível, o poder de seus aliados, como aconteceu no caso do Brasil e de outros países latino-americanos. A incorporação brasileira a este sistema de poder passava por negociações políticas bilaterais que visavam, em última instância, a assegurar o domínio norte-americano.

Assim, apesar das evidências atestarem o contrário, o governo brasileiro apostava no pressuposto de que o país ocupava uma posição privilegiada ao lado do governo norte- americano e, mais ainda, que estender esses laços a uma parceria militar no campo de batalha poderia, além de reforçar essa posição, render ganhos maiores no pós-guerra. Em nome disso, Vargas aceitou os programas militares, políticos e econômicos que legitimavam a hegemonia dos EUA. No entanto, não se pode descartar a ideia de que a crença no Brasil como aliado especial tenha sido um artifício utilizado pelo governo brasileiro para efeito de propaganda

30 Segundo o próprio esta expressão corresponde ao que Gramsci chamou de hegemonia e que frequentemente

política, do que um projeto com reais chances de se concretizar. Como observou pertinentemente Maria Celina D’Araujo (1998), o próprio Vargas tinha clareza de que depois do alinhamento Brasil-EUA, pouca coisa poderia ser considerada como conquista de soberania em nosso país. Em seu diário, Vargas afirmava que apesar dos esforços para transformar o Brasil numa nação forte e autônoma, não restavam muitas alternativas fora dos limites estabelecidos pela política de Washington. Seus registros revelam que era com pesar que fazia as concessões aos norte-americanos, muitas vezes, ferindo os princípios da soberania nacional que tanto prezava. Em alguns trechos, é possível perceber claramente que o alinhamento aos EUA foi encarado como uma imposição, visto que não restava muitas alternativas ao governo brasileiro. Em 16 de janeiro de 1942, Vargas escreveu: “A maioria dos países americanos que adotaram essas soluções de declarar guerra ou romper relações não o fez espontaneamente. Foram coagidos pela pressão americana” (D'ARAÚJO, 1998:58).

Enfático defensor dessa “aliança especial”, Oswaldo Aranha no papel de Ministro das Relações Exteriores, cargo que ocupou de 1938 a 1944, não mediu esforços para viabilizar, o quanto antes, o estreitamento das relações com os EUA. Isso porque estava claro para Vargas que, à medida em que o término da guerra se aproximava, anunciando um desfecho favorável para os Aliados, o Brasil perdia, paulatinamente, a importância estratégica que tivera no início do conflito, reduzindo, então, seus espaços de barganha. Nesse contexto, o fornecimento de matérias-primas para o esforço de guerra norte-americano também já não era tão necessário, uma vez que, superada a recessão causada pela crise de 1929, os EUA emergiam, ao final da guerra, como uma superpotência. No entanto, conforme indica Corsi (2008), embora Roosevelt considerasse o Brasil um aliado subordinado e com uma economia dependente dos investimentos externos, incentivava as avaliações otimistas do governo Vargas sobre sua posição privilegiada no cenário internacional. A fragilidade da política de “aliado especial” fica particularmente evidente em determinados episódios, como o da Missão Cooke, a tentativa de obter assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e as negociações que viabilizaram o envio da FEB para o front europeu (CORSI, 2008).

A Missão Cooke, composta por uma equipe de doze técnicos estadunidenses liderados por Morris Llewellyn Cooke, chegou ao Brasil em 1942 com o objetivo de realizar uma radiografia da economia brasileira, investigando, entre outros aspectos, a disponibilidade de recursos existentes e as possíveis contribuições para o esforço de guerra norte-americano,

sobretudo no que dizia respeito à capacidade de desenvolvimento do setor industrial. A

Missão, solicitada pelo governo brasileiro por incentivo de Oswaldo Aranha, também tinha a

intenção de acompanhar o processo de construção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), inclusive com autonomia para liberar ou vetar a compra de equipamentos e máquinas. Embora fosse uma Missão de caráter predominantemente investigativo, o governo brasileiro alimentava grandes expectativas de que, com base no diagnóstico de nossas potencialidades, os EUA ampliassem os financiamentos destinados à industrialização do país. Dentre as sugestões propostas pelos técnicos estavam a melhoria do sistema de transportes e de energia, a ampliação dos investimentos nos programas de educação profissionalizante, visando formar mão de obra qualificada, e a redução das importações, incluindo os produtos norte- americanos, como forma de estimular a industrialização nacional – ponto mais difícil de ser apontado para a Missão.

Afinada, como era de se esperar, com as ambições imperialistas dos EUA, a Missão reafirmava o discurso da superioridade norte-americana diante da recente industrialização brasileira, e a necessidade de tomarmos como exemplo, seu modelo de desenvolvimento para superar nossas deficiências nessa área. As críticas desagradaram alguns setores do governo brasileiro, gerando constrangimentos entre as embaixadas dos dois países e no Ministério das Relações Exteriores, que viam na exposição das “falhas” uma tentativa de fortalecer a ideia da dependência econômica do Brasil em relação aos EUA, dotando a Missão de um caráter assistencialista que não era sua função primordial.

Embora Vargas e Oswaldo Aranha tenham avaliado a Missão de forma positiva, encarando-a como parte da Política da Boa Vizinhança, podemos dizer que ela não resultou em muito mais do que insatisfações por aqui. As esperanças do governo brasileiro de conseguir fechar, a exemplo do financiamento da CSN, novos acordos com os norte- americanos foram definitivamente por terra, quando o presidente Roosevelt declarou que não pretendia financiar as sugestões da Missão. De acordo com o Departamento de Estado dos EUA, responsável pelas diretrizes da política externa do país, as demandas apontadas no relatório final da Missão não estavam em sintonia com a política norte-americana. Como destaca Corsi (2008), os ganhos se limitaram a liberação de recursos para ampliação da produção e fornecimento de borracha, fundamentais para o esforço de guerra. O episódio é um indicativo de como, na maioria das vezes, a política norte-americana tendia a retardar o processo de desenvolvimento industrial dos países latino-americanos.

A esta altura, ficava cada vez mais difícil acreditar que, de fato, Roosevelt fosse atender às expectativas industrializantes do governo brasileiro no pós-guerra. Apesar disso, o governo Vargas seguia firme no propósito de manter-se como fiel aliado dos EUA sem, no entanto, perder de vista o respeito à soberania nacional. Assim, na perspectiva do governo, os esforços em prol da afirmação do Brasil como “aliado especial” não eram incompatíveis com o projeto nacionalista de Vargas. Ao defender a política nacional desenvolvimentista, Vargas não pretendia fechar as portas aos investimentos externos – que eram, em grande medida, até muito desejáveis e necessários – nem, muito menos, se colocar contra os interesses estrangeiros, desde que ambos estivessem subordinados aos interesses nacionais, configurando assim uma situação que Moura (1980) definiu como autonomia da dependência. Tal postura do governo tinha como principal objetivo consolidar o Brasil como uma potência emergente no cenário internacional do pós-guerra. A tentativa de conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e a criação da FEB foram esforços que caminharam nesse sentido.

A formação de um corpo expedicionário para lutar na Europa ao lado dos norte- americanos foi, por assim dizer, a ultima cartada do governo Vargas para conquistar a tão sonhada proeminência do país na América Latina. Mais uma vez, Vargas soube se utilizar de um momento de tensão no cenário internacional e abriu espaço para barganhar. Diante do golpe militar que derrubou o governo pró-aliado na Bolívia, em fins de 1943, o equilíbrio de forças no Cone Sul se rompeu e parecia pender para os argentinos. Tanto para o governo norte-americano como para o brasileiro, o golpe havia sido influenciado pela Argentina que – mesmo com a proximidade do final da guerra e a possível vitória dos aliados – ainda insistia em manter uma neutralidade extremamente inconveniente para os interesses da política de Washington31. Os EUA passam, então, a pressionar o “mau vizinho”, a Argentina,

fortalecendo militarmente o “bom vizinho”, o Brasil, considerado modelo para os outros países latino-americanos. Além da necessidade de “disciplinar” os argentinos, Roosevelt, já pensando no pós-guerra, queria manter as bases militares estabelecidas durante o conflito, incluindo as brasileiras. Por isso, apesar da oposição dos militares norte-americanos, cedeu a derradeira pretensão do Brasil de enviar tropas para a frente de batalha. Depois da criação da FEB, os espaços para a efetivação da política de barganhas se fecham para o governo brasileiro colocando em cheque a crença na ideia do Brasil como “aliado especial”.

A primeira vez que se cogitou a participação do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU – ao lado dos EUA, Grã-Bretanha, União Soviética, China e França – foi em 1944, na Conferência de Dumbarton Oaks, realizada com a intenção de aprovar propostas para o estabelecimento da nova organização internacional no pós-guerra32.

Considerando o Brasil um modelo de “bom vizinho”, Roosevelt lançou a ideia de seu ingresso no Conselho de Segurança sem, nem mesmo, consultar previamente o governo Vargas. A concepção regionalista de Roosevelt acerca do ordenamento que deveria emergir após o conflito, além do reconhecimento pela contribuição brasileira durante a guerra, o levava a considerar o Brasil como o único país capaz – dado que a Argentina, com sua política de neutralidade que não conseguia esconder suas fortes inclinações para o Eixo, era o exemplo do “mau vizinho” – de assumir o posto de representante da América Latina. Ainda que os EUA fossem capazes de garantir sozinhos a segurança do Hemisfério Ocidental, seria útil para a política de Washington poder contar com um fiel aliado latino-americano como o Brasil nas decisões do Conselho. Exatamente essa possibilidade que motivava os EUA, era o principal argumento da União Soviética para rejeitar a proposta. Com base na avaliação da posição brasileira nos acordos econômicos e diplomáticos selados no contexto da guerra, o governo soviético afirmava que Brasil seguiria as orientações norte-americanas nas votações, ampliando a força dos EUA entre os membros permanentes do Conselho. A Grã-Bretanha, embora não tivesse nenhuma grave objeção à entrada do Brasil, também não era grande entusiasta da ideia, uma vez que o país estava longe de representar, para os interesses britânicos, a importância política que assumia para as ambições norte-americanas. Somadas a essas dificuldades, outras tantas, enfrentadas durante os processos de negociações que viabilizaram a participação da FEB na guerra, deixavam distante a concretização do ideal do Brasil como potência. A Conferência de Bretton Woods, realizada em 1944, afastou ainda mais essa possibilidade, ao defender a tese do livre-comércio como elemento reorganizador do comércio internacional. Para Moura, essa tese rapidamente tornou-se um dogma do governo brasileiro, porque estava em consonância com a ideia do Brasil como uma economia

essencialmente agrícola. Sendo assim, “deveríamos exportar matérias-primas e alimentos e

importar os manufaturados de que necessitávamos. Daí à liberação das licenças de importação era um passo simples; foi dessa maneira que entre 1946-1947 o Brasil foi inundado de

32 Para uma análise mais detalhada do assunto o trabalho de Eugênio V. Garcia (2011). Disponível em:

<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-73292011000100010&script=sci_arttext>. Acesso em: abril de 2012.

produtos made in USA (MOURA,1986:37).”

Assim, segundo Moura (1991), se durante o governo Vargas a situação do Brasil como potência associada aos EUA já estava bastante distante da realidade, durante o governo Dutra, ela não passava de uma ilusão. Evidentemente, esta desilusão estava intimamente ligada ao contexto político mundial do pós-guerra, quando, os EUA deslocam seus interesses para a Europa e a Ásia. O Brasil faz parte de um continente em que a hegemonia norte-americana já estava assegurada e onde não era mais necessário investir muitos esforços. A preocupação dos norte-americanos em conter o avanço da União Soviética, plenamente incorporada pelo Brasil, ganhava terreno no pós-guerra e garantia a urgência dos assuntos europeus e asiáticos sobre os latino-americanos, com o total apoio do nosso governo.

Benzer Belgeler