KARAR VERME TEKNİKLERİ VE İŞ ZEKASI SİSTEMLERİ
7. Ofis Otomasyon Sistemleri (Office Automation Systems)
2.3. İş Zekası (BI Business Intelligence) Sistemler
2.3.1. İş Zekası Sistemlerinin Tarihçes
O discurso jornalístico, no sentido de informar e opinar acerca da realidade, passa por uma série de procedimentos de controle do discurso “[...] que têm por função conjurar seus poderes e perigos, dominar seu acontecimento aleatório, esquivar sua pesada e temível mate- rialidade” (FOUCAULT, 2008b, p. 8).
Foucault propõe três formas internas de se controlar o discurso: o comentário, o autor e a disciplina18. Pelo comentário, entre tudo o que seria dito numa sociedade haveria aquilo
que seria portador de algo, a ser comentado, repetido. Nesse caso, teríamos duas ordens do discurso, “os que ‘se dizem’ no correr dos dias e das trocas, e que passam com o ato mesmo que os pronunciou; e os [...] que estão na origem de certo número de atos novos de fala que os retomam, os transformam ou falam deles, [...] são ditos, permanecem ditos e estão ainda por dizer” (FOUCAULT, 2008b, p. 22).
A ordem referida não é engessada, constante. Não haveria uma categoria dos discursos eleitos como fundamentais ou criadores e uma maioria passageira. Assim, há um trânsito por entre discursos, visto que ora podem se fazer comentários ora podem comentar outros. Pela esteira dos acontecimentos, aquilo que se considerava como o grande texto vem tornar-se o comumente repetível, ou calar-se na sombra dos acontecimentos. Por outro lado, o que se
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Pelo caminho da dúvida, da incerteza, pelo erro, se chega até a verdade, se vai construindo um campo disciplinar. Além do jogo verdadeiro e falso, a disciplina deve delimitar-se a um plano de objetos determinados. Também estabelecer-se a um horizonte teórico se faz outra condição para que uma proposição se faça disciplina (FOUCAULT, 2008b).
apresentava como comentário pode adquirir status de um discurso a ser comentado. Também, movido por um acontecimento, faz-se do discurso basilar o novo (FOUCAULT, 2008b, p. 25). O autor do texto jornalístico não seria uma individualidade na matriz sonora ou gráfica do texto/discurso, mas sim um princípio pelo qual se agrupariam uma série de discursos, eixo que tramaria certas correspondências, coerências entre um conjunto de enunciados. Esse princípio se faria mais contundente no jornal no caso do editorial e das colunas. Estas vêm sempre assinadas por um determinado jornalista ou outro profissional que assume um espaço nesse veículo de informação.
Uma terceira ordem de delimitação do discurso inclui-se no que se pode denominar de rarefação dos sujeitos19. Desse tipo de controle discursivo destaquemos o ritual. Para Foucault
(2008b, p. 37), “ninguém entrará na ordem do discurso se não satisfizer a certas exigências ou se não for, de início, qualificado para fazê-lo. Mais precisamente: nem todas as regiões do discurso são igualmente abertas e penetráveis”. Nem todos podem se apropriar de determinados conjuntos enunciativos. Dependendo de quem seja o sujeito, poderá ter sua entrada proibida ou permitida em certas regiões do discurso.
O ritual se coloca como definidor da qualificação profissional, por exemplo, que os indivíduos devem ter para proferir um dado discurso. A atividade de apurar e noticiar determinados fatos/eventos, fazer uma série de perguntas numa entrevista, por exemplo, cabe ao jornalista. Na “voz” desse profissional da linguagem determinadas práticas discursivas terão validade.
Num mesmo discurso, simultaneamente podemos ter uma palavra ritualizada e a sociedade do discurso. Então, o ritual pode se efetivar por uma dada condição profissional do sujeito. Este impreterivelmente pertencerá a um grupo doutrinário, uma nacionalidade / regionalidade, por exemplo, e ainda fará parte de um grupo com a função de conservar e divulgar um conjunto discursivo, uma sociedade do discurso.
Há procedimentos de controle do discurso que se fazem no sentido de dispô-lo de modo imanente em relação às práticas discursivas. Há formas de controle do discurso que instauram uma concepção do discurso uno, delimitado, o discurso enquanto materialização do pensamento de uma individualidade. Por essa perspectiva, caberia nesse discurso um sujeito fundante, uma experiência originária, uma mediação universal.
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Também se constituem procedimentos de rarefação dos discursos as sociedades do discurso e a doutrina. A primeira refere-se a um grupo a quem se atribui a função de conservar e produzir discursos. Pelas sociedades o discurso se conserva como algo a ser aceito somente em espaços fechados (FOUCAULT, 2008b, p. 40). Já a doutrina “liga os indivíduos a certos tipos de enunciação e lhes proíbe, consequentemente, todos os outros [...]” (FOUCAULT, 2008b, p. 43).
Num discurso concebido como origem, produto do pensamento de uma individualidade, surge o sujeito fundante. Este por ser uno, origem da construção de um discurso, suprimiria a “realidade”/as práticas e todas as múltiplas possibilidades de diferenças do discurso. Se utilizaria dos sentidos que já estariam nas palavras. Os signos, marcas, traços, letras se fariam sua direta manifestação, não submetida à singular instância do discurso.
Além do sujeito fundante, o tema da experiência originária, padrão, síntese de todas as outras, corresponderia à experiência desse sujeito. Haveria uma unicidade da experiência, o discurso seria resultante dessa única experiência que já faria parte intrínseca das coisas, uma origem já definida. Então: “As coisas murmuram, de antemão, um sentido que nossa linguagem precisa apenas fazer manifestar-se” (FOUCAULT, 2008b, p. 48). Existiria um sentido próprio das coisas, contido nelas, cabendo à linguagem apenas captá-lo.
Também a mediação universal é outra maneira de distanciar-se o discurso das diferenças que o fundam. Haveria um conhecimento universalmente colocado pelo qual o discurso se faria seu instrumento de mediação. Universalidade que colocaria num nivelamento neutro as diferenças, aproximando-se o discurso com as igualdades neutralizadoras das diferenças.
Foucault destaca ainda três procedimentos externos de exclusão do discurso: a separação20, a interdição e a vontade de verdade. Os dois últimos são bastante produtivos no
texto jornalístico. Há um dizer que poderá ou não estar circunscrito ao discurso jornalístico. Por ocupar a posição de jornalista, este lugar irá interditar determinadas falas. Falar a partir da empresa jornalística ‘A’ não se faz igual a falar a partir da empresa ‘B’.
Há um trajeto editorial a ser executado pelos jornalistas, desse modo, não é qualquer matéria que pode estar no jornal. Também o modo de se produzirem os textos jornalísticos passará por regras de controle do dizer. Pelo procedimento de interdição haverá uma seleção editorial determinada econômico e socialmente.
Assim, “se impõe à prática jornalística uma certa configuração na produção e na veiculação da notícia, a qual abrange desde a seleção, passando pela forma de organização, até chegar à forma de apresentação da notícia”(NAVARRO-BARBOSA, 2004a, p. 69). A partir da interdição se dará maior ou menor destaque editorial a uma notícia, se definirá o modo em que a manchete será enunciada, o caderno ou a seção que a notícia irá aparecer. Também o próprio espaço quantitativo destinado à notícia irá ser resultante desse tipo de regulação.
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Pelo procedimento da separação, algo que foi dito não serve, não deve ser levado em consideração, deve ser excluído, colocado à parte, separado. Ainda que algo seja dito não deve ser considerado (FOUCAULT, 2008a).
Entre os procedimentos externos de regulação do discurso, Foucault mais se detém na vontade de verdade, pois a esta os demais parecem orientar-se. Será uma “vontade” que esta- belecerá ou não uma proibição. Há uma vontade que se faz supremacia relativa ao que se co- loca como proibido. Quando se diz que o jornalista não poderá dizer algo, isto se faz a partir de uma verdade estabelecida do que seja um jornalista, do que ele poderá dizer.
A vontade de verdade aparece como uma espécie de “maestro” definindo nossa vonta- de de saber, que vai colocando as notas do que pode ou não ser “tocado”, vai desenhando um campo de exclusão, conformando o que deve estar no gosto do nosso saber. Na mídia impres- sa, a música a ser “tocada” por esse “maestro” seria primordialmente aquela que constitui o repertório do saber dos proprietários das redes de consumo.
Essa verdade se coloca como superior, não estando submetida às contingências históri- cas, por isso sempre deslocável, atravessando o tempo. As atitudes de se interditar um dizer ou deixar de considerá-lo, separando-o (por não ter atendido às expectativas do discurso esta- belecido), podem ser passíveis de mudança no decorrer da história, podem ser exercidas pela força e pressão.
Pela vontade de verdade pode-se ou não separar um discurso, interditar outro. Isto por- que aquilo que numa época pode ser considerado como prestigiado, aceito, não o será noutra. Toda palavra veiculada nessa mídia, ainda a referida como “espaço do leitor”, será sempre editorada a partir da vontade de verdade, que se faz assumida pelo meio. (NAVARRO-BAR- BOSA, 2004a, p. 70).
Buscando-se garantir a credibilidade daquilo que é noticiado, a empresa jornalística produz textos em que os sentidos pareçam estar todos já estabelecidos. Aquilo que foi dito pelo jornal, principalmente se for de maior veiculação, não deve ser questionado, pois foi dito por aqueles mais especializados em saber “saber”, em estar a par dos acontecimentos, da rea- lidade. Dessa maneira, a notícia, o discurso, seria a própria realidade.
Quando falávamos da interdição e da separação em Foucault (2008b), ao impedir-se ou desconsiderando-se o que foi dito, o valor da verdade estava no sujeito, o qual tinha o pa- pel de exercê-la. Já na vontade de verdade será deslocado para o enunciado. Assim, a vontade de verdade parece coagir os discursos. Um discurso busca, por um fundamento da verdade, apoiar-se noutro maior, que se faz sua matriz de sentido. Há uma verdade externa à qual o dis- curso deve submeter-se, colocada num suporte, num modo de distribuição.
Na história do conhecimento, a relação entre a verdade e o saber ou os saberes vem se constituindo em torno de mais de uma perspectiva. Nos jornais a vontade de verdade é tida, conforme já dissemos, como absoluta e total, devendo ser dócil e universalmente aceita. Mas
essa ótica de se pensar a verdade parece desconhecê-la “como prodigiosa maquinaria destina- da a excluir todos aqueles que, ponto por ponto, em nossa história, procuraram contornar essa vontade de verdade e recolocá-la em questão” (FOUCAULT, 2008b, p. 20), configurando-se numa interpretação do mundo, passando-se a atribuir-lhe uma pluralidade de sentidos.
A declamada imparcialidade dos jornais é assumida enquanto resultante de um com- promisso com a verdade, estando ela em qualquer das posições diferentes implicadas na notí- cia, no fato jornalístico. Ressalta-se um rigor quanto à apuração dos fatos, da realidade. O jor- nal buscando garantir credibilidade proclama uma realidade e um discurso e seu enunciador como verdadeiros. Mas tanto a realidade quanto os textos jornalísticos apresentados como ve- rossímeis àquela seriam produções discursivas.
Para se mostrarem legítimos diante dos leitores/consumidores, os jornalistas valem-se de efeitos realísticos, defendendo haver nas notícias uma relação de transparência entre a rea- lidade e os fatos narrados. A concepção de verdade da “notícia” em relação à realidade é cons- truída não somente pelo público, mas também pelos próprios jornalistas. Isto porque esses ao produzirem a notícia estariam utilizando determinados procedimentos de produção da lingua- gem e do saber. Desse modo, pelas técnicas de linguagem e apreensão dos fatos, os jornalistas delimitariam um saber que poderia ser concebido como legitimado. No entanto, segundo Na- varro-Barbosa (2004a, p. 73):
Na produção das matérias jornalísticas, as citações, as entrevistas, a imagem fotográfica, os depoimentos de testemunhas, os quadros e as tabelas de por- centagens são sinais que remetem o leitor ao real [...]. Entretanto, é preciso considerar que as fotografias, as entrevistas e as citações são recortes do real que atestam a característica lacunar dos discursos.
Há uma seleção de indícios que irão estrategicamente construir um efeito de realidade, produzindo uma perspectiva de se olhar aquilo que se quer demonstrado. Daí, buscam-se su- portes semiológicos e linguísticos que produzam uma verossimilhança entre o que se noticia e o que se vive. Assim, mesmo defendendo uma verdade, para mais do que isto, o interesse da mídia jornalística é ser reconhecida por mostrar a “realidade”:
Sequência discursiva para análise 121
São Paulo, quarta-feira, 14 de novembro de 2001
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Destacamos em tabela a grande maioria das sequências discursivas analisadas. O critério para o destaque foi principalmente a maior pertinência discursiva da sequência para a problemática da tese. As demais sequências são apresentadas durante a análise.
INFÂNCIA
Crianças mutiladas no Pará serão cadastradas em programa federal - Bolsa é paga quando filhos trocam trabalho por estudo.
Foto 1. Título: Trabalho Infantil. Menina trabalhadora.
Fonte: CAMPBELL, 2011.
Damázia Fernanda Ferreira Gonçalves, 10, uma das crianças que sofreram queimaduras em serraria.
ULISSES CAMPBELL FREE-LANCE PARA AGÊNCIA FOLHA, EM BELÉM
Conforme vimos, a fotografia jornalística retrata uma imagem que parece demonstrar uma realidade, um ‘cotidiano’ de modo descritivo, e justamente por isto o texto escrito e ima- gético aparece no caderno “cotidiano”. Assim, identifica o nome completo e idade como exemplo concreto de “uma das crianças que sofreram queimaduras em serraria” no estado do Pará. Embora seja uma produção jornalística construída por meio de uma pauta selecionada editorialmente, efetiva-se como a própria realidade, neutralizando-se o efeito de construção midiática.
No entanto, ainda que não detenha a verdade, nem tampouco seja objetiva, não é de toda subjetiva a produção discursiva do jornalismo impresso. Isto porque a mídia, ao ser atra-
Fonte: Rogério Uchôa (Folha de S. Paulo -Agência Diário do Pará, segunda-feira, 13 de outubro de 2003).
Acima, na foto jornalística, observamos um exemplo do efeito espetáculo. Narra-se tanto na imagem quanto em sua descrição linguística a festa do ‘Círio de Nazaré’. Nessa nar- ração, integra-se uma forte subjetividade demonstrada na súplica à ‘Virgem de Nazaré’, cons- tituindo-se num segmento de fala. Conta-se a procissão e simultaneamente demonstra-se a ex- pressão de cada um dos fiéis, tanto no levantar das mãos como um pedido de benção à ima- gem que passa na berlinda, quanto na necessidade de muitos se colocarem mais próximos da ‘Virgem de Nazaré’. Narra-se a ação da coletividade, sem deixar de realçar as individualida- des como segmentos de fala.
Os relatos jornalísticos iniciam na maioria das vezes com segmentos descritivos, pos- sibilitando ao jornalista focalizar um indivíduo ou um grupo distinto dos autores principais do relato. Assim, concebe-se a narração jornalística como se enunciada por si própria, seria a rea- lidade falando por si. Também, o sujeito a partir dessa realidade, que se coloca assimilada à perspectiva da enunciação jornalística, pode intervir. Desse modo, o jornalista buscará objeti- vamente aproximar-se da realidade, julgando-a em conformidade com o que descreveu ou descreverá dela.
Considerando-se os segmentos de narração, de descrição e de julgamento no espetácu- lo jornalístico, pode-se produzir o efeito de reconhecimento. A utilização de um léxico pró- prio, constituinte dos segmentos de julgamento, poderá criar certa relação de identificação do jornalista com aqueles que são mostrados como os protagonistas da notícia e também com os leitores/consumidores do jornal. Inclui-se nesse efeito a relação verificada entre os segmentos de fala do jornalista e de um entrevistado: a entrevista é mostrada como uma conversa, haven- do a ausência de marcas linguísticas de distanciamento.
Pelo reconhecimento o jornalista pode tanto fazer-se próximo, cúmplice àqueles a quem quer noticiar, quanto seduzir o público. Nesse sentido, busca usar expedientes tais como a anteposição de adjetivos, figuras retóricas, a junção de vários verbos e a produção de um rit- mo à frase.
Ainda na produção do “espetáculo jornalístico”, pode-se produzir o efeito de direto, trazendo o acontecimento a uma proximidade absoluta, a um presente a ser maximamente vi- vido pelo leitor do jornal. Nesse caso, a descrição e a narração se fazem intimamente implica- das. Enunciam-se segmentos de antecipação ao que será descrito para produzir um sentido de suspense. Na produção desse efeito, o jornalista se vale de verbos introdutores de descrição, por isso voltados à percepção; formas da língua que expressem simultaneidade. Tendo, agora em consideração os efeitos de direto, de reconhecimento (identificação) e de realidade, vem destacar Navarro-Barbosa (2004a, p. 81):
O efeito do real combinado ao efeito de objetividade permite ao jornal criar a imagem de um grande veículo de informação. Combinado ao efeito de direto e ao suspense, permite que o político se dissimule atrás do espetáculo, do maravilhoso do acontecimento.
Desse modo, por trazer a realidade de modo objetivo, os jornais buscam garantir sua credibilidade, podendo alcançar um grande número de leitores, um público constituído por um trajeto discursivo que se vai delineando historicamente, como vimos antes. Mas essa realidade veiculada se faz atraente por ser colocada no palco como um espetáculo em que as contradi- ções se fazem atenuadas. Nisto determinados sentidos são protagonizados em detrimentos de outros. O acontecimento se faz singularmente grandioso, por isto distanciado das diferenças “menores” do cotidiano.
Considerando-se a prática discursiva midiática como um feixe de relações, não seria uma ideologia determinada que construiria o acontecimento jornalístico. Este se faria na rela- ção entre as práticas discursivas e não discursivas (o trabalho cotidiano do jornal, a pauta e as
técnicas de padronização das edições). Então, considerando-se o dizer que publiciza o dito, enunciado no jornal impresso, vejamos a função enunciativa.
Pelo que se verificou, na primeira seção deste trabalho, a forma sujeito é função deter- minante para a transmutação de signos em enunciados, na medida em que “[...] caracteriza toda formulação enquanto enunciado constituindo um dos traços que pertencem exclusiva- mente à função enunciativa e permitem descrevê-la.” (FOUCAULT, 2008a, p. 107). É por ela, portanto, que uma frase, proposição ou ato de linguagem se tornará enunciado, por onde ele poderá ser inscrito em suas peculiaridades.
A relação que tem o produtor empírico de uma dada materialidade linguística nem sempre é simétrica ao sujeito enunciador de um dado enunciado, conforme demonstramos aci- ma. O sujeito do enunciado será “precisamente aquele que produziu seus diferentes elementos com uma intenção de significação” (FOUCAULT, 2008a, p. 104). Esse trará um ou vários pontos de vista relativos àquilo de que fala.
No caso do jornalismo, o sujeito poderá se colocar como aquele que narra, opina, des- creve um fato. Entre o enunciado e sobre aquilo de que se fala, atravessar-se-á em exercício da função enunciativa, além do sujeito e da história, no caso, todo o contexto em que a prática jornalística se insere, também a própria materialidade do enunciado.
Há perspectivas enunciativas em que o sujeito se coloca na posição de identificação com aquilo que enuncia, noutras marca-se uma desidentificação. No processo de enunciação em que se verifica a identificação, há posições sujeito que não demarcam o nível do que é enunciado e do que é sujeito.
Assim, o sujeito se coloca como uma espécie de um tradutor linear daquilo que enun- cia: inserida no enunciado a posição sujeito não aparece marcada, ficando neutralizada ou até mesmo parecendo apagada do enunciado. Noutros processos de identificação se define lin- guísticamente o nível da enunciação e do enunciado. O sujeito separa de si aquilo que é enun- ciado. Daí, a presença do sujeito fica bem demarcada, enfatizada.
Para se chegar aos acontecimentos reveladores de imagens capazes de produzir identi- dade (s) a respeito do paraense, do estado do Pará, é preciso recorrer aos enunciados que constituem as notícias, reportagens, a coluna, o editorial, o artigo, como também os demais gêneros jornalísticos, comparando-os; bem como cotejar enunciados que circulam entre dife- rentes gêneros ou ainda verificar a relação entre um dado enunciado e um grupo deles.
Apesar de haver uma heterogeneidade como constituinte dos gêneros, não se pode ne- gar a necessidade de se estabelecer os vários gêneros nos textos jornalísticos, até mesmo
vas com as quais o enunciado estabelece conexão ao irromper-se como tal. As associações se fazem numa rede nem sempre linear e explícita.
Nas próprias configurações das frases, proposições e atos de fala se constituem os