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2.6. İŞ-YAŞAM DENGESİ

2.6.3. İş-Yaşam Dengesizliğinin Bireysel ve Örgütsel Sonuçları

Fatos institucionais são a subclasse da classe geral dos fatos sociais; para existir, requerem instituições humanas (SEARLE, 1997, p. 21). Searle desenvolve uma complexa reflexão sobre a realidade institucional, decompondo-a em elementos essenciais, a partir dos quais constrói a estrutura ontológica dos fatos institucionais, quais sejam: (a) intencionalidade coletiva, em oposição à individual; (b) atribuição de funções especiais; (c) regras constitutivas, em oposição às regulativas (SEARLE, 1997, p. 49). Os fatos institucionais são estruturados, hierarquicamente, por tais elementos, a partir e com base nos fatos brutos.

A intencionalidade é essencial para compreender os fatos sociais (SEARLE, 1997, p. 42).

Searle (2006, p. 89-120) a emprega num sentido relativo à direção da mente, que não equivale ao

sentido ordinário de crença, desejo, esperança e etc. O papel da intencionalidade coletiva nos grupos sociais é a expressão da capacidade de os seres humanos comprometerem-se em condutas cooperativas. Cada qual atua individualmente, mas cada ação individual se efetiva como parte da conduta coletiva.

A intencionalidade coletiva encobre não só as intenções propriamente coletivas, mas também os sentidos ordinários de intencionalidade, como crenças e desejos coletivos. “Um pode ter uma crença que comparte com outras pessoas e pode ter desejos que são compartidos

52 “Los hechos institucionales existen, por así decirlo, en la cima de los hechos físicos brutos”.

por uma coletividade”54 (SEARLE, 2006, p. 89-120). Todos que cooperam em uma campanha

política desejam, todas elas, que o candidato ganhe. Esse desejo coletivo está encoberto pela intenção coletiva de que cada qual atua como parte de algo que se faz coletivamente.

Quando participo de uma ação coletiva, eu faço algo que o faço como parte de nosso fazer o quê estamos fazendo. Em todos estes casos, um agente está atuando, e

fazendo o quê ele ou ela faz, só como parte de uma ação coletiva55 (SEARLE, 2006,

p. 89-120).

A intencionalidade coletiva predica autonomia em relação à individual. Ainda que as motivações ou desejos sejam individuais, díspares até, a intencionalidade coletiva capta a cooperação do eu como parte de um nosso fazer. Qualquer fato que absorva ou entranhe tal intencionalidade é um fato social (SEARLE, 1997, p. 56)56; mas nem todo fato social é

institucional. Esse é uma classe especial existente no marco das instituições sociais.

Uma subclasse destes fatos mentais são os fatos institucionais, isto é, aqueles fatos que envolvem intencionalidade coletiva e que só existem no marco das instituições sociais. Estes, para Searle, são assuntos de funções de status. As pessoas, através da intencionalidade coletiva, atribuem ou impõem um novo status a um objeto ou a um fato bruto ou natural, status este ao qual se atribui uma função. Dita função é denominada função de status já que não pode ser cumprida meramente em virtude dos próprios traços físicos ou químicos dos objetos, senão que depende de que se aceite ou reconheça juntos o novo status. Quando este procedimento ou prática de assinar funções de status se regulariza pode formalizar-se através de uma regra cuja representação lógica é "X conta como Y no contexto C", donde X é um fato ou objeto prévio ao que a locução “conta como” lhe atribui o status E com uma determinada função. O novo status Y não foi possuído previamente pelo fato ou objeto X e a função atribuída a Y (a função de status) é uma função não-bruta ou

não-casual, ou seja, não se deriva diretamente da própria existência do objeto X57

(CANO, 2008, p. 685).

54 “Uno puede tener una creencia que comparte con otras personas y puede tener deseos que son compartidos por

una coletividad”.

55 “Cuando participo en una acción colectiva, yo hago lo que hago como parte de nuestro hacer lo que estamos

haciendo. En todos estos casos, un agente está actuando, y haciendo lo que él o ella hace, sólo como parte de una acción colectiva”.

56 “Asi, por ejemplo, la caza de un león por las hienas y la aprobación de una ley por el Congreso constituyen

casos de hechos sociales” (SEARLE, 1997, p. 56).

57 “Una subclase de estos hechos mentales son los hechos institucionales, esto es, aquellos hechos que entrañan

intencionalidad colectiva y que sólo existen en el marco de las instituciones sociales. Estas, para Searle, son asuntos de funciones de status. Las personas, a través de la intencionalidad colectiva, asignan o imponen un nuevo status a un objeto o a un hecho bruto o natural, status éste al que se le asigna una función. Dicha función es denominada función de status ya que no puede ser cumplida meramente en virtud de los propios rasgos físicos o químicos de los objetos, sino que depende de que se acepte o reconozca juntos el nuevo status. Cuando este procedimiento o práctica de asignar funciones de status se regulariza puede formalizarse a través de una regla cuya representación lógica es "X cuenta como Y en el contexto C", donde X es un hecho u objeto previo al que la locución "cuenta como" le asigna el status Y con una determinada función. El nuevo status Y no ha sido poseído previamente por el hecho u objeto X y la función asignada a Y (la función de status) es una función no- bruta o no-causal, es decir, no se deriva directamente de la propia existencia del objeto X”.

A atribuição de funções especiais é a segunda noção crucial para a transposição de um fato social simples (como, por exemplo, “sentados juntos em um banco”) em fato institucional (como, por exemplo, “dinheiro”, “propriedade”, “casamento”, ou “legislação”). Searle identifica a capacidade de o ser humano impor, intencionalmente, função ao objeto, que sequer lhe é inerente intrinsecamente. Com o emprego da intencionalidade coletiva e da função, há a imposição coletiva de funções. “Como que um indivíduo pode usar um tronco como tabuleiro, um grupo pode usar um grande tronco como banco”58(SEARLE, 2006, p. 89-120).

Um fato institucional conta não só com a atribuição de função a um objeto ou pessoa, como com o reconhecimento coletivo de um status, que atende à fórmula lógica da estrutura de um fato institucional (“X conta como Y no contexto C”). É a imposição de um status com uma função reconhecida, coletivamente, que faz o fato social institucional. Searle (2006, p. 89-120)

chama de “funções de status”:

[...] é uma classe especial de atribuição de função em que o objeto ou pessoa a quem se atribui a função não pode desempenhar a mesma em virtude de sua mera estrutura física, mas bem a desempenha unicamente em virtude do fato de que há uma atribuição coletiva de certo status, e o objeto ou pessoa desempenha sua função só em virtude da aceitação coletiva pela comunidade que dito objeto ou pessoa tem o

status desejado. Estas atribuições tornam tipicamente a forma de X conta comoY59.

O conjunto de atos humanos, dentre eles, o de redigir um arrazoado dirigido a uma pessoa referindo-se a outra, o de convocar esta a responder, e os objetos utilizados, como as folhas de papel e o computador (correspondem ao X), contam como processo judicial (corresponde a Y), no contexto de um sistema de regras jurídicas (que é o C), não por sua estrutura física, mas, unicamente, em virtude da atribuição coletiva a tais atos e objetos de um

status e com esse uma função (equivale à expressão “conta como”).

As regras constitutivas compreendem as estruturas institucionais. Searle (2006, p. 89-

120) trabalha a instituição a partir da distinção entre regras constitutivas e regulativas. Essas

são as que regulam os fatos sociais ou brutos previamente existentes (“‘conduza pela mão direita da calçada’ regula a condução; mas a condução pode existir antes da existência dessa

58 “Al igual que un individuo puede usar un tronco como taburete, un grupo puede usar un gran tronco como

banco”.

59 “[...] es una clase especial de asignación de función en la que el objeto o persona a quién se le asigna la función no puede desempeñar la misma en virtud de su mera estructura física, sino que más bien la desempeña únicamente en virtud del hecho de que hay una asignación colectiva de un cierto status, y el objeto o persona desempeña su función sólo en virtud de la aceptación colectiva por la comunidad de que dicho objeto o persona tiene el status requerido. Estas asignaciones toman típicamente la forma de X cuenta comoY”.

regra”60); ou seja, as condutas ou as atividades podem ser realizadas independentemente das

regras regulativas. Já as constitutivas não só regulam, mas criam possibilidades de existência de certos fatos (ex., as regras do jogo de xadrez não regulam uma atividade preexistente, mas criam a atividade mínima para se jogar xadrez): “As regras são constitutivas do xadrez no sentido de que o quê seja jogar xadrez fica em parte constituído pela atuação segundo essas regras”61(SEARLE, 1997, p. 45). São regras que têm a virtude de contribuir para a “criação” da

realidade social (VILAJOSANA, 2010, p. 1-45). “[U]ma das formas mais comuns em que estados

intencionais contribuem para a criação de fatos sociais é através das chamadas regras constitutivas”62(VILAJOSANA, 2010, p. 1-45).

Essas regras “vêm em sistemas, e cada uma das regras em separado, ou as vezes o sistema delas em seu conjunto, têm a forma seguinte, que lhe é característica: ‘X conta como Y’, ou ‘X conta como Y no contexto C’”63(SEARLE, 1997, p. 46). Essa é a estrutura ou a forma

lógico-analítica do fato institucional. Searle conclui que instituição é qualquer sistema de

regras constitutivas que, uma vez estabelecida, proporciona uma estrutura dentro da qual são criados os fatos institucionais.

Não faltam exemplos no constitucionalismo brasileiro de fatos institucionais criados por sistemas de regras constitutivas não jurídicas e submetidos ao controle da constitucionalidade. São mais frequentes do que os fatos brutos, dada a forte inclinação do Estado de constitucionalizar as instituições sociais e, por conseguinte, assegurar padrões normativos (ou regulativos) a tais instituições. Sem pretender esgotá-los, citamos alguns relatados pela jurisprudência constitucional nacional, especialmente no controle concentrado: os constitutivos pela sociologia, como a entidade familiar entre pessoas do mesmo sexo64;

pela política, como o partido político65; pela educação, como a universidade66; pela economia,

como a greve67.

60 “[...] ‘conduzca por la mano derecha de la calzada’ regula la conducción; pero la conducción puede existir

antes de la existencia de esa regla”.

61 “Las reglas son constitutivas del ajedrez en el sentido de que lo que sea jugar al ajedrez queda en parte

constituído por la actuación según esas reglas”

62 “[...] una de las formas más comunes en la que los estados intencionales contribuyen a la creación de hechos

sociales es a través de las llamadas reglas constitutivas”.

63 “[...] vienen en sistemas, y cada una de las reglas por separado, o a veces el sistema de ellas en su conjunto,

tienen la forma seguinte, que le es característica: ‘X cuenta como Y’, o ‘X cuenta como Y en el contexto C’”.

64 ADPF 132/RJ.

65 ADIn 1.465/DF; ADIn 1.363/BA.

66 ADIn 51/RJ; ADIn 2.643/RN.