3. İŞ TATMİNİ KONUSUNDA GELİŞTİRİLEN KURAMLAR, İŞ
3.3. İş Tatmininin Sonuçları
Para realizarmos o que propomos para o primeiro momento, vejamos o que nos diz cada professora a respeito de sua formação inicial para, em seguida, analisarmos os que nos falam sobre os gêneros do discurso. Vejamos a primeira pergunta que compõe o questionário/entrevista:
1 Como você avalia hoje seu curso de graduação, em relação à sua prática em sala de aula? Você considera que os conteúdos apresentados no curso de graduação atendem ou pelo menos dão subsídios à sua prática docente? As disciplinas que discutiram o ensino de língua materna deram alguma contribuição para seu trabalho com a língua?
Esse primeiro questionamento teve o de objetivo analisar como o professor se posiciona em relação à sua formação inicial. Nessa questão foi possível contemplar o posicionamento crítico do professor em relação à sua formação inicial, tanto com relação à formação geral, quanto à formação específica para o trabalho como a Língua Portuguesa. Nas respostas a esse pergunta foi-nos possível observar que uma parte dos profissionais considerou sua formação inicial como boa e a outra parte a apreciou como inadequada ou pouco consistente.
A consistência ou não da formação desses profissionais, especificamente, não se dará em virtude de suas respostas, mas essas são reflexões em relação a “um constituir-se profissional”, reflexão essa imprescindível à formação do professor. Para iniciarmos as análises, passemos à resposta dada pela Professora 1 sobre sua formação inicial.
No período em que eu cursei Pedagogia (1993 – 1996) os conteúdos e as disciplinas voltados ao ensino de Língua Portuguesa eram extremamente insuficientes, muito voltados aos aspectos metodológicos semelhantes aos ensinamentos do curso de magistério do nível médio. Por exemplo, minha professora da disciplina “Ensino da Língua Portuguesa nos anos iniciais” trabalhou toda a disciplina com textos de um livro que trouxe de Minas Gerais. O livro era dividido em capítulos e estes tratavam dos gêneros discursivos mais trabalhados na época como: carta, bilhete, conto, etc. Além da referida disciplina cursamos Processos de Alfabetização 1 e 2 que nos ajudou a compreender os processos de aquisição da língua escrita. Contudo, penso que as discussões e nossa formação no que diz respeito ao ensino de língua materna foram insuficientes. (Professora 1)
No discurso dessa professora é possível observar uma avaliação não muito positiva da formação dada pelo seu curso de graduação, pois ela considera que a formação sobre o ensino da língua foi insuficiente, ou melhor, extremamente insuficiente. Muito embora, ela tenha estabelecido um contato com a teoria dos gêneros discursivos em um período quando eram mínimos os estudos que
abordavam essa temática e que ainda não existiam publicações a esse respeito. O que nos permite observar que provavelmente tal livro falado pela professora aainda tratasse de tipos e não de gêneros.
Para ela, os conteúdos trabalhados não atenderam às demandas existentes na aula de Língua Portuguesa, pois não acrescentando conhecimentos se igualava às práticas metodológicas aprendidas ainda no curso de Magistério. Como veremos mais adiante, essa professora diz saber o que são gêneros, mas afirma que tal saber não veio especificamente da formação inicial, mas da permanente.
Corroborando com a Professora 1, a Professora 2 afirma que
O meu curso de graduação em relação a minha prática em sala de aula, considero que recebi muita pouca contribuição. Uma vez que, o curso de Magistério e Pedagogia se ver poucas disciplina de Língua Portuguesa, o que já é um agravante qdo enfrentamos a sala de aula. Outra coisa é realidade que enfrentamos qdo chegamos nas escolas. Crianças sem acompanhamento da família, chegando no quarto quinto ano sem saber ler, escrever e contar.
Durante o curso de graduação não somos preparados para a realidade das escolas pelo menos na minha época de graduação. [sic]
A professora demonstra insatisfação com o seu curso de graduação. Como podemos ver, ela diz que foram poucas as contribuições dadas pelo curso em relação ao ensino de Língua Portuguesa e também a respeito da formação do profissional professor como um todo. No dizer da professora não há uma preparação adequada do profissional no curso de graduação. Para ela, a realidade da graduação não é a da escola. Essa afirmação toca em um ponto ainda não apresentado pelas professoras, a realidade falada sobre a sala de aula e a realidade efetivamente vivida na sala de aula, tema sobre o qual já existem algumas publicações, como vimos na revisão de literatura referente aos saberes docentes.
Essa professora também aponta para outra problemática que é a questão família e escola, e atribui o insucesso escolar ao fato de as crianças não serem acompanhadas de maneira devida pelos familiares. Entretanto, a tal relação não se pode atribuir ao fracasso escolar, pois esse não é resultado de apenas uma relação, mas de um todo complexo no qual escola e família são apenas partes consideradas por muitos como principais, mas que ainda não tomaram consciência disso.
Ainda sobre a resposta dada pela Professora 2, é possível observar que ela tenta modalizar seu discurso para não expor a sua insatisfação a respeito da formação. Quando ela diz que recebeu muito pouca contribuição, pode-se considerar que em nada tal formação contribuiu para uma prática consciente do ensino de língua. Podemos ver a presença do “nada” oferecido pela formação inicial dessa docente tanto no “muito pouca contribuição” quanto no momento em que diz “se ver poucas disciplina de Língua Portuguesa” [sic]. Nessas construções, a professora não diz de maneira direta que não foi preparada de forma adequada pela graduação, e usa o “muito pouca” e “poucas” para demonstrar as contribuições irrelevantes dadas pela formação sobre a aula de Língua Portuguesa.
Para a Professora 3, a questão da formação está ligada à dificuldade de aprendizagem de “regras gramaticais”, da apropriação de uma metalinguagem elaborada da língua. Isso porque, ao responder a Questão 1, ela tenta modalizar o seu discurso em relação à sua formação, mas afirma que
Em parte sim, o curso de Pedagogia é composto em seu currículo de disciplinas práticas e as metodologias na área em questão porém a Língua Portuguesa ainda é vista como um dos idiomas mais difíceis e consequentemente o aprender se torna também complicado com todas as regras que à compõe. Posso afirmar que a cada dia aprendo mais em relação a nossa língua e que na verdade a prática é meu grande apoio. [sic]
Ao usar a expressão “Em parte sim”, a professora tenta amenizar o que diz em seguida: que a língua é vista como difícil. E ainda completa que esse motivo é o que dificulta a aprendizagem por parte dos alunos. Veja que a professora não vê a língua como uma prática, mas como uma estrutura sobre a qual já se determinou um grande número de regras que devem ser cumpridas.
Essa resposta da Professora 3 nos remete ao termo usado por Faraco (2006 apud FRANK; KERSCH, 2009) para apresentar a gramática, pois vista dessa maneira ela pode realmente ser concebida como o “bicho-papão” que aterroriza todos os sujeitos que falam a Língua Portuguesa.
Na verdade, o discurso da professora está pautado na crença de que a Língua Portuguesa é difícil. Segundo o autor, tal percepção é construída ainda nos bancos escolares quando a língua é trabalhada como “um conjunto de regras de correção”, (2006 apud FRANK; KERSCH, 2009, p. 50). Dessa compreensão da
língua “decorre o fato de passarmos a vida torturados por dúvidas sobre o que é certo e o que é proibido dizer ou escrever em Língua Portuguesa”. (FRANK; KERSCH, 2009, p. 50).
Esse saber da professora de conceber a aula de língua como aula de metalinguagem não é apenas dela, pois durante muito tempo esse tipo de aula teve como base a memorização de dezenas de nomes e de funções. Essa prática é considerada como reducionista porque se prende ao estudo da palavra e da frase descontextualizadas. Nessa perspectiva de ensino, os alunos não são levados a refletir sobre o uso, mas a decorar nomes e regras, ou seja, não pensam sobre a linguagem, pois se fosse a reflexão sobre a linguagem a base da aula de português, eles seriam instigados a estudar a linguagem como forma de interagir socialmente.
A Professora 4 concorda com as duas primeiras, mesmo tentando apresentar pontos positivos. Vejamos:
O curso de pedagogia apresenta propostas de conteúdos que servem para serem aplicados em sala de aula sem maiores problemas.
Durante o 2º ano do curso, cada disciplina (história, geografia, Língua Portuguesa, matemática e ciências) havia um estágio obrigatório, o que ajudou bastante na relação: teoria-prática.
Não foi dado ênfase ao ensino de língua materna. Apenas era citado em aulas nas discussões coletivas.
Se fosse para responder o conceito de língua materna só com os conhecimentos adquiridos na graduação, talvez muitos alunos tivesse dificuldades, inclusive eu. [sic]
Na resposta dessa professora, podemos perceber que há uma tentativa de defender a formação inicial como forma de autodefesa, afinal se o professor é fruto de uma formação não qualificada pode ser considerado como um profissional não qualificado também. Vejamos que no fim da resposta dada, ela mesma se inclui no grupo de pessoas que não saberiam dizer o que é língua materna. Nesse momento da resposta já é perceptível a forma como a professora construiu sua resposta para proteger sua face.
Na primeira parte da resposta, a professora comenta que durante o curso foram vistas propostas que serviriam como exemplos para serem trabalhadas em
sala. Para ela, esse seria um ponto positivo para a sua formação. Ela finaliza esse ponto dizendo que tais exemplos de atividades não apresentavam problemas em sua aplicação. Depois, já não fala mais sobre as atividades e já inicia outro tópico no qual ressalta que os estágios obrigatórios também são muito positivos para unir teoria e prática. Até essa parte da resposta a professora torna evidente que não houve, durante a sua formação inicial, reflexões que tratassem de como deveria ser a aula de Língua Portuguesa, de quais conteúdos deveriam ser trabalhados e nem de quais abordagens teóricas perpassam esses conteúdos.
Somente ao tratar da especificidade do trabalho com a Língua Portuguesa, ela chega a dizer que se sente insegura em conceituar o que seria língua materna5. Dessa forma, podemos atentar que o ensino de língua não tem sido uma das bases da formação do professor das séries iniciais, não tem sido foco do curso de Pedagogia e afins, mesmo sendo esses também professores de Língua Portuguesa.
Na resposta da Professora 5 há uma diferença significativa entre as demais vistas, pois ela defende a sua formação na graduação e ainda fala das muitas contribuições dadas pelo curso.
Ao me reportar ao início de carreira no magistério, lembro de muitas dificuldades enfrentadas por ter iniciado apenas com o curso de Magistério em nível de 2º grau. O curso de graduação me fez entrar em contato com outras concepções de educação. Descobri que havia adquirido uma formação fragmentada, insuficiente com conhecimentos deteriorados à respeito de como ensinar. O curso de formação de professores em nível de graduação no antigo IFP me deu oportunidade de rever a minha prática pedagógica em sala de aula de uma forma mais efetiva, pois enquanto eu “mergulhava” nas teorias científicas, que norteavam o meu fazer, ao mesmo tempo tinha a minha própria sala de aula como laboratório. Considerando ainda que o curso era voltado para as séries iniciais do Ensino Fundamental 1º ao 4º ano, enquanto que nas outras universidades o professor era habilitado em supervisão ou orientação.
Considero que naquele momento, o curso de graduação em Pedagogia veio suprir todos os meus anseios, necessidades, tanto na prática quanto na teoria.
Todas as disciplinas, seminários, estágios, contribuíram para o trabalho que desenvolvo hoje, inclusive e especialmente no que diz respeito ao ensino de língua materna, tão essencial em todas as atividades educacionais. Enquanto educadora preciso sempre construir, criar, planejar, atividade rotineiras e também de cunho científico, que (me) nortearão o meu cotidiano, e que requer grande contribuição, nesta área. [sic]
Diante dessa proteção ao processo de formação feita pela professora, é necessário que façamos uma observação. Como está posto na resposta, essa professora cursou a graduação concomitantemente ao seu trabalho docente, o que pode ter gerado uma satisfação aparente, ao passo que ao exercer a profissão durante o período de curso, é possível encontrar muitas respostas para questionamentos que emergem durante a prática docente.
Outro ponto que devemos enfatizar é que não estamos e nem queremos afirmar que a formação inicial não contribui para a constituição do profissional enquanto professor. O problema apontado nesta dissertação é a formação desse docente como aquele que, dentre todos os seus afazeres, trabalha como professor de Língua Portuguesa.
Mesmo diante de uma defesa aparentemente eficaz do curso de formação inicial, é possível observar a fragilidade desse processo, haja vista que a pergunta dizia respeito à formação em relação à Língua Portuguesa. Na resposta dada pela professora, o trabalho com a língua só aparece no terceiro parágrafo da resposta e de maneira muito vaga, pois afirma que diferentes disciplinas contribuíram para o desenvolvimento de seu trabalho e inclui a língua materna de maneira secundária, quando a pergunta questiona se houve ou não contribuição da formação inicial para o desenvolvimento da aula de português.
Essa evidência de que atuação em sala de aula e processo de formação realizados concomitantemente proporcionam a formação de um discurso de satisfação pelo professor está presente também na resposta da Professora 6.
A minha graduação no curso Normal Superior, de um modo geral, contribuiu bastante para a minha prática pedagógica, haja vista que eu já era professora antes de fazer o curso, então ele veio embasar teoricamente a minha prática. Os conteúdos contribuíram para melhorar a minha ação docente, em relação a didática e a metodologia de ensino.
Com relação as disciplinas de Língua Portuguesa, foram duas. Na realidade, essas deixaram um pouco a desejar, pois trabalharam muitos conceitos de forma reduzida. Eu esperava uma disciplina que trabalhasse tanto a teoria quanto a prática. Mesmo assim elas tiveram a sua contribuição na minha prática pedagógica.
Vejamos que, ao contrário da Professora 5, a Professora 6 apresenta os pontos positivos de seu processo de formação, mas também expressa o quanto esse foi insuficiente com relação a coisas especificas, nesse caso o ensino de Língua Portuguesa.
A professora atribui as contribuições do curso ao fato de já estar em sala de aula e afirma que o curso contribuiu bastante no melhoramento da ação docente e embasar teoricamente a prática. Ao tratar da especificidade do trabalho com a Língua Portuguesa, a professora deixa evidente que as disciplinas responsáveis pela formação nessa área do conhecimento deixaram um pouco a desejar, pois, para ela, trabalharam alguns conceitos de maneira reduzida, o que pode ter ocasionado a não ligação da teoria à prática, pois a docente indica que havia uma expectativa sobre essa relação.
Por fim, a Professora 7 afirma que
Considero que meu curso de graduação ofereceu subsídios para uma prática reflexiva acerca do meu fazer pedagógico. Essa reflexão faz ponte com... “O que trabalhar?”...”O que de melhor posso trabalhar, tendo em vista uma boa aprendizagem?” Algumas disciplinas que discutiram o ensino de língua materna deram uma grande contribuição. Oportunizaram uma reflexão de práticas negativas e de práticas positivas do uso da nossa língua, em sala de aula. Construí um conhecimento como professora de que os gêneros discursivos compoem a base para o trabalho com a língua materna, como também, o uso descontextualizado e sem funcionalidade dessa língua apenas acumula informações sem construção cultural nenhuma. [sic]
Como podemos ver, a professora demonstra satisfação com sua formação, concordando com algumas das respostas anteriores e discordando de outras. E, a partir desses dizeres sobre a formação, passamos aos dizeres a respeito dos gêneros.
Podemos observar que as quatro primeiras professoras apresentam-se de maneira insatisfeita sobre a formação inicial, mesmo tentando modalizar os discursos. Já as três últimas professoras apresentam-se como satisfeitas em relação à sua formação inicial, sendo que a quinta modaliza seu discurso como uma tentativa de esconder possíveis lacunas da formação, a sexta declara sua satisfação com a formação de as lacunas deixadas pelas disciplinas específicas da área e a sétima conclui defendendo a formação e já trazendo informações que possivelmente
obteve nesse processo. Para a Professora 7, os gêneros seriam a base do ensino da língua.