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İşçilerin Dolaşım Serbestisi Önündeki Mevcut Engeller

ABAD’IN SPORA İLİŞKİN KARAR ÖRNEKLERİ

1.7. İşçilerin Dolaşım Serbestisi Önündeki Mevcut Engeller

O quadro 6, a seguir, sintetiza os valores, normas, algoritmos, imagens e mediadores mais relevantes nas décadas de 1950 e 1960. A denominação “A Bela adormecida” para o período que antecede o início das visitações na região, caracterizada pela ausência de fatos relevantes ao setor de turismo em Porto de Galinhas, é utilizada por Oliveira e Medeiros (2005) que desenvolveram um estudo na referida praia sobre protagonismo social. Optou-se por utilizar a mesma denominação como metáfora relacionando Porto de Galinhas como a princesa do conto de fadas, adormecida, mas que em breve despertará, contudo, não para o seu “amor”, mas para os interesses turísticos de atores econômicos diversos. Podia-se ter utilizado também a denominação pré-história do turismo em Porto neste período para indicar uma ausência de práticas turísticas, a qual ao longo dos anos foi se modificando, como será exposto adiante.

Quadro 6: Elementos do referencial do período “A Bela adormecida”

VALORES

1º. Momento: Desprezo pelo investimento estatal no turismo (atividade improdutiva);

2º. Momento: Reconhecimento do turismo como alternativa de crescimento econômico;

NORMAS É preciso estimular o desenvolvimento do turismo no Estado de Pernambuco; ALGORITMOS Se forem realizados investimentos no turismo a arrecadação aumentará;

IMAGENS Turismo como luxo; Turismo como indústria;

MEDIADORES EMPETUR (indutor/coordenador). Fonte: Dados da pesquisa (2013)

52 Pode-se perceber que foram inseridas informações sobre um período anterior ao surgimento do turismo em Porto de Galinhas (entre os anos de 1950 a 1960), uma vez que este período foi identificado como importante ao destacar ações voltadas ao início das discussões sobre a atividade no Estado.

Neste período, mesmo na capital do Estado de Pernambuco, o turismo não era um setor relevante. A atividade era desconhecida, não se tinha definição do que a mesma compreendia e as atividades características do turismo – hospedagem agenciamento, transporte, etc. – eram muito escassas ou inexistentes na região. Existia também um desestímulo ao incentivo de viagens via recursos estatais, pois o turismo era visto como uma atividade de “luxo”, para poucos abastados, como pode ser visto em uma das discussões na Assembleia Legislativa do Estado (ALEPE) no início da década de 1950, envolvendo os deputados Elpídio Branco, Paulo Cavalcanti e Gomes Lopes53 sobre alocação de recursos governamentais a qual demonstra divergência de opiniões em relação ao turismo.

Para o Senhor Deputado Elpídio Branco, a construção de um hotel na cidade de Garanhuns, distante 230 quilômetros de Recife iria trazer surto econômico à referida região. Entretanto, para os outros deputados referenciados acima, a atividade turística era percebida assentada no prazer, no lúdico e não no dever, na seriedade, no trabalho. Esse tempo destinado às viagens, conforme afirmação dos mesmos não iria proporcionar benefícios ao Estado e por isso, o investimento estatal no setor deveria ser desestimulado. De acordo com o deputado Paulo Cavalcanti a construção de um hotel destinado a “agasalhar os rechonchudos e vitamínicos burgueses nas suas horas de lazer” não deveria figurar entre as obras fundamentais do Estado de Pernambuco. E, continuando as críticas, o deputado Gomes Lopes afirmou: o “senhor deveria dizer ao deputado Elpídio Branco que turismo nunca significou surto econômico” (PERNAMBUCO, 1950, p. 123, grifo nosso).

A EMPETUR, criada no final da década de 1960, tinha a incumbência de desenvolver a atividade no Estado e, nesta época a mesma estava se estruturando e empreendendo esforços para realizar o inventário turístico do Estado, conforme pode ser visto na citação de E1, ex- presidente da entidade, a seguir:

“A primeira coisa era fazer esse levantamento. Durante longos meses, durante bastante tempo, eu acompanhei algumas das viagens ao interior para descobrir atrativos turísticos. A gente ia com o espírito de aventura mesmo, subia montes com carros, com jipes, com tração nas quatro rodas... Diversos atrativos que a gente dizia o que é isso aí? Não tinha uma metodologia muito... a gente fotografava e perguntava como era o acesso, se aquele atrativo poderia ser incluído, se poderiam levar grupos de turismo para lá... A gente fez todo o levantamento neste sentido”.

Os investimentos públicos na referida região de Ipojuca, município onde fica Porto de Galinhas, naquela época estavam relacionados apenas à melhoria da estrada que ligava a Vila dos pescadores ao Engenho São Paulo, nos anos de 1950 com quatorze quilômetros de extensão como forma de melhorar o acesso dos trabalhadores rurais (PERNAMBUCO, 1953). E, nos anos de 1960, a pavimentação da rodovia PE-60 que ampliou a acessibilidade ao litoral sul, uma vez que esta liga a BR-101, no município Cabo de Santo Agostinho ao Estado de Alagoas, passando também pelos municípios de Ipojuca, Sirinhaém, Rio Formoso, Tamandaré, Barreiros e São José da Coroa Grande. O acesso à praia, entretanto, ainda necessitava de pavimentação em quase dezoito quilômetros entre a PE-60 e a Vila de Porto de Galinhas, o que conforme será exposto, ocorreu apenas nos anos de 1990.

O território de Porto de Galinhas era ocupado por propriedades destinadas, especialmente, ao cultivo de coco. Eram basicamente três propriedades: uma que correspondia à área de Maracaípe, pertencente à família Chalaça; a segunda correspondia à área da Vila de Porto, pertencente à família Uchoa e a terceira correspondia à fazenda Merepe, nas áreas de Cupê, Merepe e Muro Alto, pertencente à família Brito (ANJOS, 2005). Os visitantes esporádicos que percorriam as estradas de terra batida entre a PE-60 e Porto de Galinhas, não tinham onde pernoitar senão nas casas dos moradores ou nos terrenos dos mesmos.

O governo do Estado de Pernambuco era proprietário de uma extensão de terra adquirida no ano de 1950 entre Porto de Galinhas e Maracaípe. Conforme se pode perceber em relato publicado em Mendonça (2004, p. 48), a motivação da aquisição pelo governador Agamenon Magalhães, (1950-1952, PSD), não indicava a aquisição do terreno para fins turísticos:

Mané [Dr. Manuel Luís Cavalcanti Uchoa, dono das terras da Vila de Porto de Galinhas] estava passando por dificuldades e conversou com Padre Getúlio, seu irmão, e o padre então foi falar com Agamenon Magalhães, governador do Estado, de quem era muito amigo, pois tinham sido colegas de seminário. O padre Getúlio sugeriu ao governador comprar um trecho da praia para se implantar um campo de pesquisa54 de qualidade e melhoria de

coco. E deu certo. Não demorou a fazer negócio – em 30 de dezembro de 1950. Porto de Galinhas [a Vila] tinha 200 hectares e Agamenon comprou 100.

Como se pode notar, até o início da década de 1970, Porto não havia despertado como área de interesse turístico e seu território era destinado às fazendas de coco e à pesca, com

raros visitantes que percorriam as estradas sem asfalto. Em nível estadual, identificou-se que, se no início do período, havia discussões sobre a legitimidade dos investimentos pelo governo no turismo, ao final dos anos de 1960 essa questão já não era perceptível e a atividade era proclamada na ALEPE um investimento que traria no futuro “uma nova excelente fonte de arrecadação” (PERNAMBUCO, 1960, p. 32, grifo nosso) e pelo governador Nilo Coelho como “um fenômeno econômico mensurável, rentável, proporcionador de comercialização e estimulador de receita” (PERNAMBUCO, 1967, p. 718, grifo nosso).

O benefício óbvio do turismo seria a criação de postos de trabalho, entretanto, outros benefícios, conforme já relatado na parte teórica deste estudo, seriam proporcionados como o aumento da demanda por produtos e serviços produzidos em nível local, o que estimularia outros setores. Houve um trabalho de organismos internacionais, especialmente a ONU, OMT e o Banco Mundial no sentido de disseminar o turismo entre os países ocidentais e foi institucionalizada a ideia de que o turismo possui relação direta com o crescimento econômico. Ele foi vinte vezes, ao total, referido nos discursos e documentos publicados no diário oficial como “indústria” na década de 1960. Essa definição foi feita especialmente na Lei. No. 6030 de 03 de novembro de 1967, a qual definiu a Política Estadual de Turismo como o conjunto das diretrizes e normas integradas no planejamento de todas as iniciativas ligadas à “indústria do turismo”, sejam originárias do setor privado ou público, isoladas ou coordenadas entre si (PERNAMBUCO, 1967a, grifo nosso).

Essa referência visava dar legitimidade a uma atividade historicamente percebida como voltada ao lazer, ao divertimento e, portanto, improdutiva. Como ressaltado em Coriolano (2006, p. 6), por se tratar de uma atividade do setor terciário, ao ser classificado como pertencendo ao setor industrial deixa evidente um “equívoco conceitual, reduzindo a dimensão da atividade ao setor econômico quando ele é também um fenômeno sociocultural”. Essa redução à dimensão econômica permeou e permeia, conforme será apresentado, as ações públicas desenvolvidas em Porto de Galinhas ao longo das décadas.

6.2 SEGUNDO PERÍODO (DÉCADAS DE 1970 E 1980): TURISMO – NOSSO