Relativamente às PR da AESOP, a frequência de utilização é elevada, afirmação fundamentada nos resultados obtidos. A maioria (96%) dos inquiridos admite conhecê-las e metade (53%) desses utiliza-as muitas vezes; apenas 30% refere utilizar sempre na respetiva prática de cuidados.
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Em relação à importância que lhes é atribuída face à prática dos cuidados, os enfermeiros perioperatórios referem que as PR são totalmente importantes (43%), enquanto 49% referem ser muito importantes. De salientar, que quase a totalidade (97%) dos enfermeiros identifica que as PR da AESOP constituem o fator-base de elaboração das Normas de Serviço e cerca de 92% considera-as uma ferramenta de apoio à integração de novos enfermeiros no serviço.
As NOCs ou os Guias de Boa Prática, constituem uma metodologia que apoia a decisão clínica, constituindo um instrumento de qualidade na prestação dos serviços de saúde, contribuindo desta forma para a melhoria dos sistemas de saúde (Roque, A.; Bugalho, A.; Vaz Carneiro, A, 2007). No processo de tomada de decisão, ao nível da enfermagem, o enfermeiro incorpora os resultados da investigação na sua prática, reconhecendo a necessidade de elaborar Guias Orientadores da Boa Prática dos cuidados de enfermagem baseados na evidência, constituindo uma base estrutural importante para a melhoria contínua da qualidade da prática profissional dos enfermeiros OE (2001). Assim, possibilitam a “decisão mais informada e sustentada em evidência, seja na prática clínica como
na gestão e decisão política. A decisão é simplificada, a incerteza, o risco e a variabilidade são reduzidos e a qualidade assistencial melhora” PNS (2010, p 5).
Das diferentes PR que a AESOP publicou, cerca de 20% dos inquiridos mencionaram a totalidade das práticas, não apontando uma especifica. No entanto, as que são utilizadas com maior frequência são por ordem decrescente: a preparação pré cirúrgica das mãos (55%); o vestuário no bloco operatório (43%); e a desinfeção do campo operatório (40%). Ainda em relação à necessidade identificada de elaboração de novas Práticas, apenas 18% dos inquiridos mencionaram como sugestão, o desenvolvimento de novas práticas para integrar a lista das PR da AESOP, sendo que a maioria das sugestões são novas práticas.
De salientar, que a prática dos cuidados é uma fonte inesgotável de questionamento, a qual só poderá ser respondida através da investigação, podendo esta disciplina cumprir um dos seus principais objetivos e fornecer orientações para a prática clínica (Basto, 2013).
8.2 – CONCLUSÕES DO ESTUDO
O estudo teve como objetivo principal a identificação das necessidades de formação científica dos enfermeiros perioperatórios face à sua prática. Os inquiridos têm uma média de idades de 39 anos, maioritariamente do sexo feminino, com uma média do exercício profissional que correspondente aos 23 anos, anuidade semelhante à média de conclusão do curso, o que significa que iniciaram a sua atividade profissional logo após a conclusão do CE. A média de exercício na área perioperatória é variável; metade da amostra exerce funções perioperatórias há cerca de 9/11 anos, pelo que
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consideramos terem já alguma experiência nesta área. Dos respondentes, aproximadamente um terço teve formação sobre a área perioperatória no CE, e aproximadamente 2 terços responderam não terem tido qualquer formação específica. Em nosso entender, essa necessidade de formação foi manifestada como necessária por cerca da maioria dos inquiridos que revelaram ter realizado formação contínua perioperatória. O número de horas frequentadas sobre formação contínua situa-se no escalão mais baixo, isto é igual ou inferior a 30 horas anuais. Esta situação pode ser devida há pouca oferta formativa nesta área, e à escassez dos recursos humanos nos subsistemas que não permitem a saída de enfermeiros para formação.
Os enfermeiros respondentes manifestam-se referindo que não são incentivados a frequentar cursos, sejam eles pós-graduação; outras licenciaturas; mestrados; realização de trabalhos de investigação, comunicações ou apresentações de posters em congressos; e ainda a redigirem artigos científicos. Qualquer destas atividades é reconhecida pelos inquiridos com pouco incentivo.
Genericamente os inquiridos recorrem, com grande adesão, às diferentes fontes de informação científica de enfermagem, sobretudo quando têm que realizar um artigo ou uma apresentação, quando estão perante uma cirurgia que desconhecem, ou na implementação de uma prática nova.
As fontes de informação científica que constituem recurso para pesquisa de informação são sobretudo, a pesquisa em base de dados, um recurso de fácil acesso, rápido e atual na procura de evidências, sendo utilizado pela maioria. Ainda a salientar as normas de procedimento e os livros, bem como, o esclarecimento com outros profissionais da área, são os recursos mais utlizados. O tempo dedicado à leitura de artigos científicos de enfermagem perioperatória é limitado (38% para o intervalo inferior ou igual a 24 horas anuais) e apenas 17% dos inquiridos são assinantes de uma revista de enfermagem perioperatória, designada por AESOP. Os enfermeiros são incentivados a manter a atualização das práticas, bem como a aprofundar os seus conhecimentos profissionais e a frequentar ações de formação. Perante o fato de que os inquiridos são incentivados a manter a atualização das práticas, entendemos que o número de horas dedicadas à formação contínua é utilizada para formações com aplicabilidade na prática, cujo retorno é rápido, uma vez que a “atualização das práticas” é de todas, a atividade mais incenticada.
Os inquiridos, apesar de terem formação académica sobre investigação, não os aplicam na área perioperatória, não existindo uma cultura mobilizadora que incentive a investigação.
A maioria dos inquiridos está familiarizada com o conceito EBE e esse conhecimento foi obtido maioritariamente, através de artigos de enfermagem e de pesquisa realizada em bases de
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dados. Os enfermeiros compreendem e afirmam a importância da EC na prática perioperatória. De acordo com as respostas, os enfermeiros identificam o contributo que a EC tem na melhoria da qualidade da prática dos cuidados, através da introdução de evidência relevante que altere a prática perioperatória. Verificamos a existência de uma preocupação manifestada e estabelecida de forma positiva, sobressaindo que a EC pode melhorar a qualidade dos cuidados, modificando a prática perioperatória. O grupo de enfermeiros sente como é importante a existência de uma cultura de tomada de decisões fundamentada em EC, para uma mudança na melhoria da prática perioperatória, dando assim legitimidade aos enfermeiros para que essa mudança ocorra.
A maioria dos inquiridos sabe o que são NOCs e utiliza-as na prática clínica. A maioria conhece as PR da AESOP e utiliza-as com muita regularidade. Igualmente reconhecida é a importância atribuída às PR na prática dos cuidados, constituindo fator-base de elaboração das Normas de Serviço e de integração de novos enfermeiros no BO. Os inquiridos ainda identificaram novas práticas que ao serem elaboradas podem integrar as PR da AESOP já existentes.
Pelo exposto, as implicações deste estudo para a prática clínica perioperatória, está relacionado com a existência de Guias de Boa Prática na prestação de cuidados perioperatórios, constituindo um contributo insubstituível para a prática segura, quer para os clientes, quer para profissionais, quer para as organizações de saúde. Igualmente constituem ferramentas fundamentais para a prestação de cuidados seguros, de qualidade, eficazes, eficientes e efetivos, dado estarem concebidos baseados na melhor evidência disponível.
8.3 – LIMITAÇÕES DO ESTUDO
O presente estudo foi realizado em duas organizações de saúde de Lisboa e uma no Porto, e com uma amostra de 75 enfermeiros. Quando compararmos esta amostragem com a população de enfermeiros perioperatórios a nivel nacional, num total compreendido entre 5000 a 6000, consideramos que é pouco representativo, o que de certa forma pode ter limitações para os resultados obtidos.
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9 – REFLEXÕES
Este capítulo irá incluir a reflexão ao estágio, espaço em que também incidirá a reflexão às competências desenvolvidas, adquiridas e relacionadas com o grau de Mestre em Enfermagem Perioperatória.