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4. BÖLÜM KURUMSAL İŞLETME ÖRNEĞİ

4.3. Araştırmanın Verileri ve Bulguları

4.3.3. İç Denetim Türleri

Neste tópico analisaremos se há na Constituição Federal de 1988 casos de impostos que tenham sido constitucionalmente destinados e como esses impostos se relacionam com as contribuições.

Temos tratado no decorrer deste estudo de problemas referentes ao baralhamento dos regimes jurídicos dos impostos e das contribuições. Estamos apontando as incoerências insu- peráveis causadas pelo reconhecimento de que contribuições são meros impostos afetados à luz dos ditames do princípio federativo, fundamento último da rigidez com a qual a Constitui- ção Federal de 1988 realizou a repartição das competências para a instituição de tributos.

A leitura dos argumentos até agora apresentados deixa claro que a nossa comparação entre impostos e contribuições sempre se deu a partir dos efeitos decorrentes da possível atri- buição do regime de impostos destinados às contribuições.

A investigação que propomos, agora, é diferente. Queremos saber se a Constituição de 1988 ao usar o termo contribuição não foi imprecisa, de modo que devemos interpretar o ter- mo contribuição apenas como “imposto afetado a determinada finalidade”.

Para responder à essa indagação é muito importante reconhecer que, apesar de se ad- mitir que o constituinte possa ter cometido erros no uso de termos técnicos (BASTOS; BRIT- TO, 1982, p. 19), ao longo das disposições do Sistema Tributário Nacional, em alguns dispo- sitivos, foi promovida consciente diferenciação entre impostos e contribuições. O constituinte de 1988 poderia, se fosse o caso, redigir o caput do art. 149 utilizando o termo imposto, ao invés do termo contribuição.

Devemos, diante disso, procurar entender o motivo dessa diferenciação promovida pe- lo constituinte.

A utilização de termos diferentes para nomear objetos aparentemente iguais foi obser- vada por Humberto Ávila (2006, p. 88), que aponta a obrigação de o interprete estar atento a esses casos, sujeitando-se às diferenciações de categorias promovidas pelo texto constitucio- nal. São palavras do autor (ÁVILA, 2006, p. 88):

[...] Não se trata, aqui, de mero verbalismo, mas da exigência de clareza conceitual: se existem diferentes espécies de exames concretos, aconselha-se que esses exames sejam denominados também de modo diverso.

A necessidade de clareza conceitual torna-se ainda maior, quanto mais dificuldades existirem para examinar e controlar os parâmetros constitucionais. O princípio do Estado de Direito pressupõe o controle do poder de tributar e do Poder Judiciário. Sem clareza conceitual, isso não pode ser atingido. [...]

Com relação a essa clareza conceitual, Hamilton Dias De Souza (2000, p. 508) susten- ta a necessidade de respeito a um conteúdo mínimo do termo contribuição, tendo em vista a opção de sua utilização, ao invés do termo imposto.

Adotando as lições de Ávila e Souza, há um caminho a ser trilhado para verificar se, de fato, o termo contribuição possui significado próprio, além do sentido de imposto afetado a uma finalidade.

Todos os argumentos apontados em itens anteriores deste trabalho já têm o condão de atestar a diferença entre esses dois tipos constitucionais tributários, sugerindo a diferença en- tre eles. Sem prejuízo, analisaremos, agora, se o texto constitucional não tratou, quando assim pretendeu, de impostos destinados.

Para sermos mais claro, queremos saber se em detrimento da regra geral de impossibi- lidade de destinação do produto da arrecadação dos impostos, não houve casos em que a Constituição 1988 vinculou o produto da arrecadação de impostos. Sobre o caso, por exem- plo, Marco Aurélio Greco (2000, p. 144) enxerga na norma de competência para a instituição de impostos extraordinários (art. 154, II) a previsão de impostos cujo produto da arrecadação se encontra vinculado a uma atuação estatal.

O próprio art. 167, IV, faz menção a casos em que a Constituição Federal de 1988 previu a obrigação de prévia destinação do produto da arrecadação de impostos, conforme redação dos art. 198 e 202:

Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguin- tes diretrizes:

[...]

§ 2º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios aplicarão, anualmente, em ações e serviços públicos de saúde recursos mínimos derivados da aplicação de percentuais calculados sobre:

I - no caso da União, na forma definida nos termos da lei complementar prevista no § 3º;

II - no caso dos Estados e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos impos- tos a que se refere o art. 155 e dos recursos de que tratam os arts. 157 e 159, inciso I, alínea a, e inciso II, deduzidas as parcelas que forem transferidas aos respectivos Municípios;

III - no caso dos Municípios e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos im- postos a que se refere o art. 156 e dos recursos de que tratam os arts. 158 e 159, inci- so I, alínea b e § 3º.

§ 3º Lei complementar, que será reavaliada pelo menos a cada cinco anos, estabele- cerá:

I - os percentuais de que trata o § 2º; [...]

Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento, no mínimo, da receita re- sultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino.

Além disso, mais uma vez por meio de Emenda Constitucional105, incluiu-se no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias a obrigação de destinação de produtos da arreca- dação de impostos para composição do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza:

Art. 80. Compõem o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza:

II - a parcela do produto da arrecadação correspondente a um adicional de cinco pontos percentuais na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, ou do imposto que vier a substituí-lo, incidente sobre produtos supérfluos e aplicável até a extinção do Fundo;

III - o produto da arrecadação do imposto de que trata o art. 153, inciso VII, da Constituição;

§ 1º Aos recursos integrantes do Fundo de que trata este artigo não se aplica o dis- posto nos arts. 159 e 167, inciso IV, da Constituição, assim como qualquer desvin- culação de recursos orçamentários

O texto constitucional, portanto, diferencia casos em que impostos terão o produto da sua arrecadação destinado para finalidades específicas, qualificação esta que coincidiria com a definição de contribuição que as iguala aos impostos. Ora, não podemos dar por iguais coisas que a Constituição Federal distinguiu, conforme sustenta Greco (2000, p. 144):

Pretender reduzir a contribuição a um imposto ou a uma taxa é negar a qualificação constitucionalmente adotada; é confundir no que a Constituição distingue. Quando a Constituição quis prever um impostos de escopo, ela o fez expressamente (impostos extraordinários), vinculando explicitamente a figura do imposto, que se tipifica por ser caracterizado em função da materialidade do seu fato gerador, a uma determina- da finalidade constitucionalmente qualificada.

[...]

Em suma, contribuição é categoria autônoma que não se confunde com o imposto ou a taxa. Não é um impostos com destinação específica. Sustentar o contrário é adotar postura simplista, arraigada na doutrina estrangeira e totalmente distanciada dos pre- ceitos constitucionais que regem a figura.

Cumpre-nos concluir, com amparo nas lições de Greco, que as contribuições não são impostos destinados, como todas as inconsistências acima demonstradas já comprovavam. Assumimos, portanto, que ao se referir à contribuição a Constituição de 1988 não autoriza a criação de um tributo que tenha as mesmas qualidades de um imposto, com exceção da regra de proibição da prévia destinação do produto de sua arrecadação. Se o regime da contribuição, portanto, não será o mesmo do imposto, devemos perquirir qual será o regime constitucional para exercício da competência para a instituição de contribuições.

Antes de dar o presente item sobre impostos destinados por concluído, é muito impor- tante analisar a posição de Sacha Calmon Navarro Coêlho cujas lições, ao lado das de Marco Aurélio Greco, têm influenciado sobremaneira o presente estudo.

105 Emenda Constitucional nº 31/2000.

Esses autores reconhecem a distinção constitucional entre impostos e contribuições e a existência de impostos finalísticos, desde que previstos constitucionalmente (COÊLHO, 2007, p. 37; GRECO, 2000, p. 144). Deve-se, com isso, buscar na própria Constituição, o regime próprio das contribuições, que as distancia de meros impostos destinados (COÊLHO, 2007, p. 39).

O que há de peculiar na posição desse autor está no entendimento de que as contribui- ções do empregador para custeio da seguridade social (art. 195, I) são verdadeiros impostos. A conclusão se fundamenta na importância que o autor entrega à análise da base de cálculo do tributo para efeitos de determinação da sua natureza jurídica (COÊLHO, 2007, p. 60). Como o art. 195, I, da Constituição de 1988 prevê bases tipicamente impositivas, isso determinaria àqueles tributos (chamados pela Constituição de contribuições) a qualidade de impostos. So- bre as contribuições do empregador, são as palavras do autor (COÊLHO, 2000, p. 94):

As contribuições dos empregadores, como vimos, são impostos pelos fatos gerado- res e bases de cálculo, mas finalísticos pela vinculação da arrecadação aos fins da seguridade. [...] Aliás, foi a razão solidarista que autorizou a criação de tantos im- postos em prol dos desassistidos, onerando praticamente a sociedade inteira, por- quanto são impostos – repita-se à exaustão – o PIS, a COFINS, a CSSL, o imposto sobre jogos, o impostos incidente sobre as folhas de salários e pagas diversas e o impostos sobre movimentações financeiras, criado após o encerramento da Assem- bleia Nacional Constituinte originária. São impostos finalísticos, por determinação constitucional, originária ou derivada, com o nomen juris de contribuições, para gáudio do art. 4º do CTN, cuja justeza e sabedoria são notáveis.

Não havíamos mencionado o art. 195 até o presente momento propositalmente, justa- mente pelo fato de não aderirmos plenamente à posição de Coêlho. Conforme será oportuna- mente analisado, Greco (2000, p 142) e Coêlho (2007, p. 39), antes de estudarem as normas de competência para a criação de contribuições, manifestam o seu inconformismo com a atual interpretação que é a elas dispensada, mas conduzem suas análises por caminhos diferentes, chegando a conclusões até certo ponto comparáveis. Um dos pontos de divergência entre os autores está relacionado ao conteúdo do art. 195, I, da Constituição Federal de 1988.

Mantemos, sobre o significado do termo contribuição usado no art. 195, I, a nossa predisposição para enfatizar o que esta Constituição distinguiu, como também o fez Hamilton Dias de Souza (2000, p. 508):

Realmente, o regime jurídico das contribuições para a seguridade social é extraído das normas constantes dos art. 149 e 195 e sem perder de vistas os objetivos traça- dos na norma programática constante do art. 194 da Constituição. Além disso,deverá o intérprete necessariamente não se afastar do conteúdo mínimo da expressão “con- tribuição”, visto que, como referido, houve expressa opção do contribuinte por in- cluir tais exações sob um modelo que a doutrina vem desenvolvimento de acordo com os elementos conceituais expostos na primeira parte deste estudo. [...]

A nossa opção por não aderir à posição de Coêlho, também aceita por Derzi (1991, p. 206) e Schoueri (2012, p. 205), que reconhece no tributo previsto no art. 195, I, da Constitui- ção Federal de 1988, um imposto, será melhor desenvolvida quando da análise do que enten- demos pela norma de competência para a instituição de contribuições. Por ora, firmemos ape- nas a posição de que a Constituição, em todos os casos, ao dizer contribuição não quis se refe- rir a impostos destinados.