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3.6 TÜKETİCİ DAVRANIŞLARI

3.6.7 Tüketici Davranışlarını Etkileyen Unsurlar

3.6.7.1 Tüketici Davranışlarını Etkileyen Bireysel Unsurlar

3.6.7.1.5 Medeni Durum

As notas, embora constituam paratexto de utilização frequente na prática tradutória, são relativamente pouco abordados de forma sólida e sistemática pelos

teóricos dos Estudos da Tradução, como aponta Pablo Cardellino (2017:33). De fato, na bibliografia utilizada, verifica-se que Levý abordou a questão de forma incidental. O autor aponta a utilização de notas como um “mal maior” (2011:95) e preconiza, nos casos cabíveis, a inclusão de palavra explicativa no texto traduzido, evitando-se a anotação em rodapé. Tal procedimento pode ser aproximado da “clarificação” e, por conseguinte, do “alongamento” apontados como tendências por Berman, ainda que seu emprego – ou a utilização de notas –não seja preconizado pelo autor.

Por outro lado, Levý aponta que a distância temporal e espacial entre a produção do texto original e a leitura da tradução podem impor barreiras ao entendimento do texto, devendo a tradução fornecer “pistas ou sugestões” em para a facilitação da leitura nesses pontos (2001:91). Como se vê, ainda que mais adiante o autor demonstre que as notas de tradução não seriam sua opção tradutória, reconhece a necessidade, por vezes, imperativa, desse procedimento.

Berman, por seu turno, também não apresenta grandes sistematizações sobre as notas nos textos aqui adotados. Ao tratar de tradução de textos clássicos, o autor aponta que as notas e comentários são adotados, numa perspectiva fundada na filologia, como uma forma de “controle” de acesso aos clássicos (2012:161), pretensamente superior às traduções chamadas “livres” por indicarem o “sentido” e “contexto” da obra: um ponto de vista desfavorável aos paratextos nesses casos, portanto.

Paulo Henriques Britto, em A tradução literária, apresenta de passagem a problemática das notas de tradução, ao associar seu uso à necessidade de esclarecer o leitor da tradução quanto a referência que seria clara para o leitor do original (2012:70), em consonância com as ideias de Levý mencionadas acima. Ademais, o autor aponta a utilização dos paratextos como possibilidade para a redução da chamada invisibilidade do tradutor (2012:38). Nesse ponto, Britto reforça seu objetivo de predicar uma tradução ilusionista, e aponta que esses recursos não devem intervir “ostensivamente” no texto, servindo as notas para “elucidar aspectos potencialmente obscuros”.

Traduções pregressas de Arlt para o português brasileiro precisaram enfrentar a questão das notas. Ao realizar as traduções que compõem Águas-fortes Portenhas

seguidas de Águas-fortes Cariocas, Maria Paula Gurgel Ribeiro, num primeiro momento, optou por não adotar notas, buscando fluidez na leitura (2011:9). Tal opção posteriormente foi revista pela autora, para clarificar, nas crônicas, a menção de diversas personalidades da época, desconhecidas do leitor brasileiro contemporâneo, além de

ajudar a contextualizar a época e explicar referências muito específicas49.

Este trabalho, como mencionado anteriormente, se propõe a produzir uma tradução que pode ser classificada como ilusionista, nos termos propostos por Levý. Para tanto, e considerando as características intrínsecas ao texto e seu contexto de produção, a adoção de notas tornou-se incontornável e constituiu-se num poderoso artifício utilizado para familiarizar o leitor brasileiro do século XXI com personagens, localidades, fatos e referências, na maior parte das vezes, familiares para o leitor argentino dos anos 1930.

Além dessas referencias ligadas à época e cultura de partida, temos ainda aquelas relacionadas a termos técnicos empregados pelo autor e de elementos sem tradução proposta (transcritos, conforme Levý), como anteriormente comentado. Nesses casos, a opção pela nota de tradução, para além de eventualmente possilibitar acesso a informação cultural nova ao leitor da tradução, torna-se verdadeira chave de leitura, vez que nesses casos ou a palavra estrangeira está presente no texto em português, ou, mesmo que traduzida, representa elemento estranho à nossa cultura.

Tal emprego está em sintonia com o proposto por Levý, quando aponta que “sugestões” e “explicações” podem ser valiosas para o leitor para compreender alusões a fatos que seriam familiares na cultura de origem da obra, desde que não sejam arbitrárias e não avancem sobre questões que não se colocam claras também para o leitor do original (2012:94).

Por fim, tendo em vista o caráter prático deste trabalho, cabe apontar que, visando colocar o leitor da tradução em pé de igualdade com o leitor do original, e sobretudo em momentos em que Arlt percorre a cidade de Madri, nas águas-fortes iniciais, ou quando é autorreferente, tendo em vista o caráter de relato de viagem dos textos, optei por adotar notas explicativas mesmo em situações em que, em princípio, o texto traduzido não compromete a intelecção. O objetivo, assim como o das próprias águas-fortes, é aproximar o leitor da cidade percorrida e do percurso arltiano. Desse modo, não se adentra o campo da arbitrariedade advertido por Levý, mas sim se procura respeitar a vocação e objetivo último da tipologia textual trabalhada. Sobre o ponto, foi produtiva a análise das notas do editor em volume de Rayuela, de Julio Cortázar, editada por André Amorós50. Se nos textos arltianos trabalhados podemos apontar como

49 CESCO, Andrea; ABES, Gilles. Entrevista com Maria Paula Gurgel Ribeiro. Revista Nonada, Porto Alegre, nº 16, p. 131-137, 2011.

principais eixos temáticos a cidade de Madri e os fenômenos políticos pré-Guerra Civil, no romance de Cortázar são a capital francesa e uma profusão de personalidades, entre

jazzistas, boxeadores e artistas diversos que permeiam o romance e merecem a atenção e um grande número de notas pormenorizadas do editor. No prólogo, Amorós reconhece que as notas são muito abundantes e que podem assustar o leitor (2011:90). Sua proposta para tais casos é ignorá-las e saltá-las, por entender que o essencial é o texto literário. Tais notas, segundo o editor, têm caráter complementar e sua razão de ser é oferecer informação útil aos leitores que assim as entenderem. Em paralelo com tal pensamento, podemos adicionar aos objetivos já declinados, norteadores da adoção das notas ao longo dos textos trabalhados, a realização de notas sucintas, em sintonia com a tipologia textual trabalhada, e de natureza complementar, exceto nos casos de transcrição mencionados, em que tais notas adquirem maior importância por conta da impossibilidade de transposição semântica à língua portuguesa.

5 AGUAFUERTES MADRILEÑAS / ÁGUAS FORTES MADRILENHAS