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Esta seção apresenta uma discussão sobre a disponibilidade de dados que permitem analisar o estado de saúde da população brasileira, visando estabelecer o cenário determinante da alternativa metodológica adotada no estudo.

Não são muitas as pesquisas que envolvem a coleta de informações direcionadas para a avaliação do estado de saúde da população. No Brasil, as principais pesquisas que contemplam informações sobre a saúde da população são a Pesquisa sobre Padrões de Vida (PPV), a Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN) e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Outra importante base de informações é o Sistema de Informações sobre as Autorizações de Internação Hospitalar (SIHSUS), composta por todos os registros de internações no Sistema Único de Saúde (SUS).

Mediante convênio com o Banco Mundial, a PPV foi realizada entre 1996 e 1997 pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (FIBGE), abrangendo o Nordeste e o Sudeste do Brasil. Essa pesquisa visava indicar e qualificar os determinantes do bem-estar social e dos diferentes níveis de pobreza da população. Para isto, muitos temas foram abordados, dentre eles a estrutura e os gastos dos domicílios e características dos moradores, tais como sexo, idade,

educação, saúde, atividade econômica, fecundidade, rendimentos, consumo de alimentos e antropometria.

Já a PNSN foi realizada em 1989, também pela FIBGE, com o principal objetivo de investigar os indicadores da situação nutricional da população brasileira. Além do peso e da altura, principais variáveis da pesquisa, também foram coletadas informações de relevância para caracterização dos entrevistados, tais como renda, ocupação e características do domicílio.

Devido ao fato de a PPV não abranger todo o território nacional e a PNSN, apesar de ser uma pesquisa nacional, ter realizado sua última edição em 1989, a PNAD e o SIHSUS tornam-se as duas opções mais adequadas para avaliação do estado de saúde mais recente da população brasileira4.

O SIHSUS é o sistema que processa as Autorizações de Internação Hospitalar (AIH) do Serviço Único de Saúde (SUS) e possui em seus registros as principais causas de internações no Brasil, a relação dos procedimentos mais freqüentes e o tempo médio de internação.

Em comparação com a PNAD, o SIHSUS traz informações mais detalhadas sobre o estado de saúde do indivíduo, particularmente as causas específicas que levaram à internação. Poder-se-ia argumentar que uma das vantagens dessas informações é que elas se baseiam em constatação feita por profissionais de saúde e não apenas na auto-avaliação do indivíduo. No entanto, referem-se somente aos casos em que houve necessidade de internação. Além disso, como a própria nomenclatura deixa claro, apenas constam no sistema os dados de indivíduos que foram internados em determinado período pelo SUS. Acrescente- se que a AIH é influenciada por problemas de cobertura, acesso aos serviços de saúde e qualidade da informação. Segundo Schramm & Szwarcwald (2000), estima-se que o SIHSUS possua cobertura igual a aproximadamente 70% do total de internações do País. Dessa forma, a opção neste trabalho foi a de utilizar os

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A Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde realizada no Brasil em 2007, a PNDS 2007, contém algumas informações que permitem analisar aspectos da saúde da população brasileira. No entanto, sua utilização não foi cogitada neste trabalho, uma vez que a base de dados da pesquisa somente foi disponibilizada no segundo semestre de 2008.

dados da PNAD, já que esta pesquisa fornece informações demográficas, socioeconômicas e sobre saúde, relativas a indivíduos residentes em todas as regiões brasileiras, independentemente de terem utilizado serviços de saúde circunscritos ao SUS.

A PNAD é um inquérito populacional que integra o Programa Nacional de Pesquisas Contínuas por Amostra de Domicílios da Fundação IBGE, com abrangência nacional, realizado anualmente com o objetivo de obter informações sobre as características da população brasileira que são essenciais para o planejamento de políticas públicas e econômicas.

Desde a sua concepção, na década de 1960 (a primeira edição foi em 1967), a PNAD tem como principais objetivos: (a) suprir a falta de informações básicas sobre a população brasileira durante o período intercensitário e (b) possibilitar o estudo de temas insuficientemente investigados ou não contemplados nos censos demográficos decenais. Para isso, foram delineados dois instrumentos de coleta. O primeiro é um questionário básico, que possibilita o acompanhamento contínuo dos temas considerados mais importantes, a saber: características demográficas e sociais, educacionais, mão-de-obra, rendimento e habitação. O outro, denominado questionário suplementar, objetiva investigar informações sobre temas também considerados importantes (e, muitas vezes, de maior complexidade), mas que, teoricamente, não exigem um acompanhamento permanente (Dedecca, 1998).

A PNAD é realizada por meio de uma amostra probabilística de domicílios, obtida em três estágios de seleção: municípios (unidades primárias), setores censitários (unidades secundárias) e unidades domiciliares (unidades terciárias), que englobam domicílios particulares e unidades de habitação em domicílios coletivos.

Em 2003, a amostra da PNAD foi composta por um total de 384.834 indivíduos, residentes em 133.255 unidades domiciliares de 851 municípios, com idade média de 29,3 anos (desvio-padrão = 20,0 anos), sendo 51,3% do sexo feminino.

Nesta edição, o suplemento especial contemplou um diagnóstico sobre a saúde da população brasileira, o acesso a serviços de saúde, a cobertura por plano de

saúde, a utilização dos serviços de saúde, os gastos com saúde e as condições de mobilidade física.

Como o principal foco deste trabalho é o estado de saúde do indivíduo, optou-se por trabalhar apenas com um subgrupo desses indivíduos, constituído por aqueles com idade igual ou superior a 20 anos. Essa restrição é justificada pela existência de especificidades no estado de saúde de crianças e adolescentes, como, por exemplo, a baixa prevalência de doenças crônicas.

Com esta restrição, procurou-se tornar a amostra estudada mais homogênea. A amostra foi composta por 239.667 indivíduos (52,6% do sexo feminino), com idade média igual a 41,1 anos (desvio-padrão = 15,89).