• Sonuç bulunamadı

Elaboramos um roteiro para a aplicação de enquete, a qual, já foi realizada junto aos moradores da “cidade aberta” de Marília e cujas informações obtidas, com uma amostra estatisticamente representativa, já foram devidamente tabuladas. Embora tenhamos preparado o material a ser aplicado em São Carlos, essa etapa da pesquisa não foi realizada, o que inviabilizou a realização de uma análise comparativa com os resultados já obtidos em Marília.

Contudo, não nos eximimos da possibilidade (objetivando a divulgação dos resultados, por meio da publicação de artigos) de concluir o levantamento dessas informações e, de fato, realizar uma análise comparativa, tendo em vista, avaliar de que modo os moradores da “cidade aberta” se posicionam diante dos habitat urbanos fechados.

Além da possibilidade de contribuir com o debate sobre os instrumentos de pesquisa que se voltam a analisar a realidade dos espaços residenciais fechados, optamos por descrever o processo de elaboração das enquetes, porque elas também ofereceram a

4 Essas amostras, tendo em vista garantir um nível de confiança de 90% e dentro de uma margem de erro de 5%,

foram obtidas a partir da fórmula estatística n = [N.p.q.(V)2 ] / [p.q.(V)2 + (N-1).E2] onde n é a amostra a ser

possibilidade de obtermos um maior contato com a verificação dos limites das Zonas urbanas de Marília (instituídas pela Lei Complementar n.o 480, de 09 de outubro de 2006, que dispõe sobre o Plano Diretor do Município de Marília), bem como, com a proposta de esboçar os setores urbanos de São Carlos (como alternativa ante a impossibilidade de adotar o macrozoneamento urbano previsto no Plano Diretor de São Carlos [Lei n.o 13.691, de 25 de novembro de 2005], por não ser condizente com uma análise setorial, nos termos do que é área central, norte, sul, leste e oeste e, portanto, pouco afeito à proposta de análise de nossa pesquisa).

Mais especificamente, no que se refere à enquete, ela objetiva levantar um conjunto de opiniões dos moradores da “cidade aberta” sobre os espaços residenciais fechados. Seu conteúdo referencia-se em três perguntas, quais sejam: 1ª. Qual a sua opinião sobre os “loteamentos fechados”? 2ª. Você gostaria de morar num “loteamento fechado”? Por quê? 3ª. Por que você acha que as pessoas optam por morar em “loteamento fechado”?

Além disso, também houve uma preocupação em levantar alguns dados socioeconômicos e espaciais dos moradores da “cidade aberta”, tendo em vista cruzar essas informações levantadas com o conjunto de opiniões formuladas.

Para tanto, foram feitas as seguintes perguntas complementares ao entrevistado, morador da “cidade aberta”: bairro onde mora; zona (ou setor) onde o bairro se localiza; idade; profissão ou ocupação e renda familiar mensal.

Segue, na Imagem 6, o exemplo de três enquetes aplicadas em Marília durante as manhãs e tardes dos dias 10, 11 e 12 de junho de 2010.

Imagem 6: Exemplos de enquetes aplicadas junto aos moradores da “cidade aberta” em Marília.

Tendo em vista aplicar um número de enquetes estatisticamente representativo em Marília, utilizamo-nos das informações disponíveis a partir do mapa de abairramento da Zona Urbana (Imagem 7), um dos anexos do Plano Diretor do Município de Marília, aprovado no ano de 2006 (Lei complementar no. 480/06), o qual obtivemos acesso junto à

página eletrônica da Prefeitura Municipal, qual seja, <http://www.marilia.sp.gov.br/prefeitura/index.html>.

Imagem 7: Zoneamento Urbano de Marília. Extraído a partir do Anexo 3, do atual Plano Diretor do Município de Marília, aprovado em 2006.

Este mapa de abairramento de Marília facilitou o trabalho de definição e de retirada das amostras, pois, a partir dele, foi possível obter o número estimado de habitantes de cada Zona Urbana (divulgado a partir do Anexo 3, do Plano Diretor de Marília - 2006).

Além disso, no Plano Diretor de Marília, há a indicação de todos os bairros que compõem cada Zona Urbana, facilitando o processo de identificação da localização desses respectivos bairros.

Com base nessas informações disponibilizadas e com a aplicação da fórmula estatística n = [N.p.q.(V)2] / [p.q.(V)2 + (N-1).E2], tendo em vista a obtenção de amostragem com um nível de confiança de 90%, constatamos que deveríamos aplicar 274 enquetes em Marília.

A partir do número de habitantes de cada zona urbana, as 274 enquetes aplicadas foram assim distribuídas: 64 enquetes na Região Central; 68 enquetes na Zona Norte; 82 enquetes na Zona Sul; 22 enquetes na Zona Leste e 38 enquetes na Zona Oeste.

Para a aplicação das enquetes em Marília propusemos, inicialmente, percorrer todas as zonas urbanas para entrevistar os moradores da “cidade aberta” em suas respectivas residências. Contudo, em reunião com nossa orientadora, declinamos dessa proposta inicial, tendo em vista que ela poderia demandar mais tempo em seu processo de execução.

Diante disso, sugerimos que as amostras fossem atendidas a partir da aplicação da enquete em alguns pontos de grande circulação de pedestres. Tendo em vista nossa proposta inicial, foi nos sugerido ainda que as enquetes fossem aplicadas em quatro pontos, quais sejam, dois pontos na Região Central, um ponto no subcentro do Bairro Nova Marília na Zona Sul e um ponto numa área de passeio em frente ao Shopping Esmeraldas na Zona Leste.

No dia anterior à aplicação das enquetes, fizemos visitas a esses locais e escolhemos os dois pontos de grande circulação na Região Central. O primeiro ponto escolhido foi uma calçada na esquina da Rua 9 de Julho com a Rua Carlos Gomes, que se caracteriza como a principal área de passagem dos pedestres que desembarcam no Terminal Urbano e seguem em direção ao Centro, bem como, daqueles que se deslocam do Centro e seguem em direção ao Terminal Urbano. O segundo ponto escolhido foi no calçadão da Rua São Luiz, próximo ao cruzamento com a Rua Paes Leme.

As enquetes aplicadas no primeiro ponto escolhido (Ponto Terminal Urbano) permitiram contemplar, sobretudo, os moradores de médio a baixo poder aquisitivo da Zona

Norte e da Zona Sul e, em menor medida, os moradores com rendas diversas das demais zonas, incluindo a Região Central.

Por sua vez, as enquetes aplicadas no segundo ponto escolhido (Ponto Calçadão) permitiram contemplar, sobretudo, os moradores da Região Central e, em menor medida, os moradores das demais zonas da cidade.

Também havíamos escolhidos pontos tanto em frente ao Shopping Esmeraldas, na Zona Leste, quanto no subcentro da Zona Sul, na Avenida João Ramalho. Contudo, percebemos, inicialmente, um baixo nível de circulação de pedestres nesses pontos e decidimos utilizá-los somente se os dois primeiros pontos escolhidos na Região Central não fossem suficientes para cobrir todas as quatro zonas de Marília, incluindo a Região Central, o que não foi o caso.

Para a organização da etapa inicial para a aplicação das enquetes em São Carlos, os procedimentos empregados foram diferentes e os resultados foram um pouco mais trabalhosos de serem obtidos.

Em primeiro lugar, porque o macrozoneamento urbano oficial não está organizado segundo setores (como já ressaltamos), mas sim, segundo critérios de ocupação (induzida, condicionada e controlada) e, além disso, também não foi possível identificar o número de habitantes segundo esse mesmo critério de divisão espacial.

O macrozoneamento (em amarelo: ocupação induzida; azul: ocupação condicionada; vermelho: recuperação e ocupação controlada), instituído, em 2005, a partir do Plano Diretor de São Carlos, pode ser analisado a partir da Imagem 8, extraída deste Plano Diretor.

Imagem 8: Macrozoneamento de São Carlos. Extraído do atual Plano Diretor, aprovado em 2005.

Com base nisso, e segundo a proposta de definição de “regiões” do espaço urbano, de uma fonte não oficial publicada numa das páginas eletrônicas da Wikipédia (enciclopédia digital produzida colaborativamente) esboçamos uma divisão provisória num mapa urbano de São Carlos impresso na escala 1:8000, obtido junto à Prefeitura Municipal de São Carlos.

De posse desse mapa urbano com o esboço dos setores de São Carlos, elaboramos a Imagem 9 para melhor demonstrar esse resultado preliminar obtido.

Imagem 9: Esboço dos setores de São Carlos. Elaborado a partir de informações obtidas junto ao Wikipédia, na página eletrônica: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Bairros_de_s%C3%A3o_carlos>).

Com o esboço dos setores de São Carlos concluído, o próximo passo foi identificar os setores censitários inseridos em cada um desses macrossetores5. Para tanto, foi utilizado o mapa dos setores censitários de São Carlos (Imagem 10), disponibilizado gratuitamente

5 A expressão macrossetores foi utilizada unicamente para se diferenciar da expressão “setores censitários”, nos

pelo IBGE. Com o auxílio do software MapInfo identificamos e, em seguida, selecionamos os respectivos setores censitários de cada macrossetor de São Carlos.

Imagem 10: Delimitação dos setores censitários do espaço urbano de São Carlos, com base no Censo Demográfico 2000.

Após selecionarmos os setores censitários de cada macrossetor, cruzamos essas informações com aquelas organizadas a partir do Censo Demográfico 2000, no qual há o número total de habitantes de cada setor censitário.

Somando-se os totais de números de habitantes dos setores censitários inseridos em cada um dos macrossetores, obtivemos os seguintes resultados: 18.710 habitantes para o Centro; 38.624 habitantes para o Setor Sudoeste; 32.132 habitantes para o Setor Leste;

23.678 habitantes para o Setor Noroeste; 36.969 habitantes para o Setor Norte e 21.157 habitantes para o Setor Sul.

Com a soma desses totais populacionais por macrossetor, aplicamos a fórmula estatística para a obtenção da amostragem e, a partir disso, foi possível definir uma amostra de 270 enquetes.

A partir do número de habitantes de cada macrossetor, essas 270 enquetes, que se transformaram em 273 enquetes pela regra do arredondamento, foram assim distribuídas: trinta enquetes para o Centro; 61 enquetes para o Setor Sudoeste; 51 enquetes para o Setor Leste; 38 enquetes para o Setor Noroeste; 59 enquetes para o Setor Norte e 34 enquetes para o Setor Sul.

Nossa proposta de aplicação das enquetes em São Carlos também envolveria os mesmos procedimentos utilizados em Marília, ou seja, escolher alguns pontos de grande circulação de pedestres para a retirada da amostra e a posterior tabulação para iniciarmos a análise sobre o que os moradores da “cidade aberta” pensam (como se posicionam) a respeito dos espaços residenciais fechados.