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Objetivando produzir um conjunto de informações relativas ao conteúdo das práticas socioespaciais dos moradores de espaços residenciais fechados, elaboramos um questionário de apenas uma página, em duas colunas (Imagem 1) e uma carta de apresentação (Imagem 2), informando os objetivos de nossa pesquisa, bem como os procedimentos para a devolução do questionário respondido.

Imagem 1: Modelo do questionário impresso (2ª. e 3ª. página da dobradura de um A4).

As perguntas contidas nesse instrumento de pesquisa foram baseadas, sobretudo, em um questionário de três páginas, que havíamos aplicado junto aos moradores de espaços residenciais fechados de Presidente Prudente – SP, no âmbito de nossa Iniciação Científica, fomentada pela FAPESP, na qual tínhamos objetivos similares, ou seja, levantar uma série de informações, que retratassem o conteúdo das práticas socioespaciais dos moradores desses espaços.

A elaboração desse pequeno questionário para a nossa atual pesquisa baseou-se, sobretudo, em quatro aspectos:

1. Levantamento de informações essenciais no que se refere às práticas socioespaciais (identificação dos locais mais utilizados para o consumo de bens e de serviços, incluso os locais utilizados para a educação, o trabalho e realização de práticas de lazer);

2. Identificação das motivações e percepções relativas à opção de moradia num espaço residencial fechado;

3. Verificação do grau de interação social e espacial com os vizinhos e com os moradores dos bairros mais próximos;

4. Identificação de áreas da cidade com as quais os moradores têm pouco ou nenhum contato e as respectivas motivações para preteri-las e/ou afastar-se delas.

Visando possibilitar outro meio no qual os moradores pudessem responder as questões e nos remetê-las, elaboramos um questionário on-line com o mesmo conteúdo do questionário impresso. Para a elaboração desse questionário on-line utilizamos algumas ferramentas disponibilizadas pela Google, empresa sediada na Califórnia, Estados Unidos, e desenvolvedores de serviços on-line, muitos dos quais, são disponibilizados gratuitamente.

Inicialmente, utilizamos a ferramenta Google Docs para gerar a versão on-line do questionário. Logo em seguida, vinculamos esse questionário on-line a uma página HTML construída com o auxílio da ferramenta Google Sites.

Ao concluirmos a elaboração da página HTML, deparamo-nos com o endereço

eletrônico fornecido automaticamente pelo Google: <http://sites.google.com/site/praticaespacial/>. Inicialmente, consideramos esse endereço

longo e de difícil memorização para o usuário, podendo comprometer a possibilidade de se obter um acesso rápido e fácil ao mesmo.

Diante disso, adquirimos, junto à UOL HOST - empresa que comercializa serviços WEB, o domínio <http://www.cidadeatual.com> e, em seguida, vinculamos a esse domínio, o

endereço acima fornecido pela Google, tornando o questionário on-line e de fácil acesso. As perguntas iniciais do questionário online foram capturadas e podem ser analisadas a partir da Imagem 3.

Imagem 3: Lâmina capturada do questionário on-line: <http://www.cidadeatual.com>.

Este novo endereço obtido foi divulgado por meio dos questionários impressos e em cartões de apresentação, encaminhados aos moradores dos espaços residenciais fechados. A partir de uma verificação prévia e relativa a um número aproximado de famílias que moram em espaços residenciais fechados, em Marília e São Carlos, realizamos a impressão de questionários de acordo com os modelos exibidos na imagens 1 e 2.

Também confeccionamos a mesma quantidade de cartões de apresentação grafando, em destaque, o endereço eletrônico do questionário on-line, qual seja, “www.cidadeatual.com”, visando oferecer, aos respondentes, uma alternativa para o envio das informações solicitadas.

Tanto o questionário impresso, quanto o cartão de apresentação foram acondicionados em envelopes com abas adesivas. Foram impressos nos envelopes o nosso endereço tendo em vista garantir a opção de devolução via correio.

Durante a realização dos trabalhos de campo em Marília, entramos em contato com os funcionários das portarias dos espaços residenciais fechados, solicitando que encaminhassem uma cópia do questionário para os respectivos síndicos para autorização e posterior encaminhamento junto aos moradores.

Foram solicitadas, junto aos funcionários das portarias, formas de contatar os síndicos para que tomassem conhecimento do questionário e para que pudéssemos explicar, com mais detalhes, os objetivos de nossa pesquisa. Deste modo, obtivemos acesso aos números dos telefones residenciais ou de celulares de alguns síndicos.

Contudo, a grande maioria dos funcionários justificou que, por motivos de segurança ou de garantia de privacidade, não poderiam fornecer os números de telefones residenciais ou de celulares dos síndicos dos espaços residenciais fechados.

Nesses casos, os funcionários apenas se comprometeram em encaminhar os questionários e nosso cartão de identificação para que os síndicos pudessem, eventualmente, entrar em contato conosco.

Durante esse contato prévio com os funcionários das portarias em Marília, também levantamos alguns dados dos espaços residenciais fechados e os nomes de grande parte dos síndicos.

De um modo geral, a realização desse trabalho de campo demonstrou-nos dois aspectos: primeiro, o aspecto que consideramos positivo, refere-se aos contatos que obtivemos junto aos síndicos e que renderam algumas entrevistas para a nossa pesquisa; segundo, o aspecto negativo, refere-se ao baixo retorno de questionários respondidos e

devolvidos junto às respectivas portarias, até a segunda semana do mês de dezembro de 2009.

De um total de 430 questionários encaminhados em Marília, obtivemos acesso a quatorze questionários respondidos. Onze destes questionários foram coletados junto às respectivas portarias e três foram enviados por meio de nosso questionário on-line.

Embora tenha sido o resultado de apenas uma primeira coleta, consideramos esse resultado inicial muito abaixo de nossas expectativas para se atingir os objetivos dessa etapa da pesquisa.

Esse resultado já havia sido previamente indicado por parte dos porteiros e síndicos, os quais nos chamaram a atenção para o baixo grau de interesse ou de receptividade dos moradores em responder questionários de qualquer tipo de pesquisa, ou qualquer outro tipo de material recebido, que não seja do interesse direto deles.

Como exemplo, o diálogo que estabelecemos com um dos porteiros do Residencial Portal do Parati, em Marília, foi nos relatado alguns fatos que resumem o desinteresse e o descomprometimento em realizar ações coletivas que não trazem resultados ou benefícios individuais, em curto prazo, de modo suficientemente claro ou palpável. Por outro lado, as ações coletivas tomam impulso e validade apenas quando determinadas ocorrências comprometem a qualidade do ambiente habitacional e, consequentemente, comprometem a própria tranquilidade geral dos moradores e, diante desses casos, as soluções que se exigem são, em grande medida, imediatistas.

Nossa orientadora também já havia feito referência à possibilidade de não obtermos sucesso com o encaminhamento dos questionários, utilizando os procedimentos adotados inicialmente. Diante desses resultados, interrompemos essa forma de encaminhamento de questionários em Marília e sequer chegamos a iniciá-la em São Carlos. Nosso desafio redirecionou-se em tentar organizar e aplicar outro procedimento, tendo em vista aumentar o número de questionários respondidos e devolvidos.

Uma forma encontrada foi encaminhar os questionários via correio. Este procedimento já havia sido utilizado junto aos moradores do espaço residencial fechado denominado “Central Park Residence”, em Presidente Prudente – SP, durante nossa Iniciação Científica e foi motivado porque, naquele momento, a diretoria deste espaço residencial fechado não nos concedeu autorização para entregá-los pessoalmente na portaria para que, posteriormente, fosse feito a distribuição junto aos moradores.

Nessa ocasião, o resultado obtido pelo encaminhamento dos questionários via correio foi bastante similar àqueles conseguidos pelo encaminhamento convencional e, em

vez de coletar os questionários respondidos junto à portaria, os recebemos a partir do endereço previamente indicado por nós.

A partir dessa experiência inicial, realizamos os seguintes procedimentos:

x A partir de minuciosa pesquisa, obtivemos acesso aos nomes e endereços residenciais dos moradores dos espaços residenciais fechados, tanto de Marília quanto de São Carlos, a partir das listas telefônicas, válidas para o ano de 2010, distribuídas pela Editora de Pesquisa e Indústria Ltda. (EPIL);

x De posse dessas informações, elaboramos uma planilha com cerca de 400 e 900 nomes e endereços dos moradores de espaços residenciais fechados, respectivamente, de Marília e de São Carlos totalizando cerca de 1300 destinatários; x Utilizando os recursos de mala direta, imprimimos os nomes dos destinatários em

envelopes ofício;

x Nesses envelopes ofício foram acondicionados os questionários com as cartas de apresentação impressas em seu verso e o cartão para a divulgação do endereço do questionário on-line como uma opção alternativa ao uso dos serviços dos correios, para a devolução do questionário respondido;

Para a realização dessa etapa, houve a necessidade de reimpressão dos questionários, pois, no verso de cada questionário, foi impresso uma nova versão da carta de apresentação direcionando-a para os respectivos espaços residenciais fechados, tal como indicado na Imagem 4.

x Em cada um dos envelopes ofício também foi acondicionado um envelope comercial de aba adesiva com o endereço de devolução devidamente impresso e com o selo postal para o acondicionamento e devolução do questionário respondido via correio; x Para finalizar a organização desse material, os envelopes ofício foram devidamente

lacrados, selados e encaminhados para uma das agências dos Correios de Presidente Prudente.

Imagem 4: Modelo de carta de apresentação encaminhada aos moradores do Parque Faber Castell I, em São Carlos.

Os questionários foram remetidos durante os meses de maio e início de junho e as respostas foram recebidas durante os meses de maio e junho (prazo máximo estipulado) sendo que uma pequena parcela dos questionários devolvidos ainda foi recebida durante o mês de julho. Na Imagem 5, temos os conteúdos de um dos questionários respondidos e devolvidos.

Imagem 5: Exemplo de questionário respondido por morador de espaço residencial fechado.

Aos 413 questionários encaminhados via correio em Marília somam-se dezoito deixados no Condomínio Terra Nova e onze no Residencial Portal da Serra, pois os questionários não foram reenviados aos moradores desses respectivos espaços residenciais fechados via correio. Assim, totalizamos 442 questionários encaminhados aos moradores dos espaços residenciais fechados de Marília.

Com os 442 questionários encaminhados junto aos moradores dos espaços residenciais de Marília, obtivemos um total de 51 questionários respondidos, perfazendo 11,5% de devolução. Em São Carlos, dos 949 questionários encaminhados, obtivemos 103 respostas perfazendo 10,8% de devolução. Os resultados obtidos foram organizados e podem ser analisados a partir da Tabela 1.

Tabela 1: Resultados obtidos com o encaminhamento de questionários junto aos moradores de espaços residenciais fechados de Marília e de São Carlos.

Marília

QE QC %R São Carlos

QE QC %R

Esmeralda Residence 68 8 11,8 Parque Fehr 224 25 11,2 Residencial Garden Park 60 7 11,7 Residencial Samambaia 203 16 7,9 Resid. Portal do Parati 45 7 15,6 Parque Faber Castell I 115 15 13,0 Sit. de Rec. Sta. Gertrudes 41 5 12,2 Pq. Res. Damha I 84 7 8,3 Village do Bosque 41 4 9,8 Parque Sabará 69 12 17,4 Residencial Villa Flora 32 2 6,3 Residencial Nsa. Sra. Nazaré 29 1 3,4 Parque Serra Dourada 28 2 7,1 Pq. Res. Damha II 26 5 19,2 Villagio das Esmeraldas 20 3 15,0 Cond. Res. Parque dos Ipês 26 2 7,7 Terra Nova Marília 18 1 5,6 Parque Faber Castell II 26 2 7,7 Jardim Ismael 18 1 5,6 Convívio Dom Bosco 25 2 8,0 Resid. Jardim do Bosque 14 2 14,3 Condomínio Grand Ville 22 2 9,1 Portal da Serra 11 3 27,3 Residencial Parati 20 5 25,0 Resid. Campo Limpo 10 1 10,0 Village Mont Serrat 19 2 10,5 Jardim Colibri 8 3 37,5 C. R. Bosque de São Carlos 15 1 6,7 Residencial Campo Belo 8 1 12,5 Cond. Resid. Montreal 14 3 21,4 Resid. de Rec. Maria Izabel 8 0 0,0 Residencial Ize Koizumi 13 2 15,4 Resid. Vale do Canaã 4 1 25,0 Residencial D. Eugênia 10 0 0,0 C. R. Solar das Esmeraldas 4 0 0,0 Cond. Res. Eldorado 5 1 20,0 Cond. Res. Pedra Verde 4 0 0,0 Village Damha São Carlos I 4 0 0,0

Totais 442 51 11,5 Totais 949 103 10,8

QE – questionários encaminhados; QC – questionários coletados; %R – percentual de respostas Fonte: Pesquisa de campo, 2010

Org.: Clayton F. Dal Pozzo, 2010

Nesses resultados, já estão somados o recebimento de cinco questionários on-line dos moradores de espaços residenciais fechados de Marília e três questionários on-line dos moradores de espaços residenciais fechados de São Carlos, entre os meses de novembro a julho.

Numa primeira avaliação de nosso questionário on-line consideramos que o seu uso e sua aceitação, por parte dos moradores dos espaços residenciais fechados, ficaram muito abaixo de nossas expectativas o que pode nos conduzir a reformulações, objetivando a obtenção de resultados mais satisfatórios a partir de sua aplicação, bem como, considerando a sua real validade em pesquisas futuras.

Evidentemente, não conseguimos atingir uma amostra estatisticamente representativa do fenômeno a ser estudado. Para tanto, deveríamos ter obtido 168 questionários respondidos para Marília perfazendo um total de 38% e 211 questionários respondidos para São Carlos perfazendo um total de 22,2%4.

Em termos qualitativos, as informações disponibilizadas a partir dos questionários respondidos, devidamente tabuladas, nos permitiram apontar vários indícios e tendências na direção da compreensão dos processos a que nos propomos a estudar. Além disso, grande parte dessas informações foram articuladas aos resultados obtidos com a realização das entrevistas, reforçando e valorizando a dimensão qualitativa desses instrumentos de pesquisa.