2. DIŞ KAYNAK KULLANIMI VE TAŞIMACILIK
2.2. TAŞIMACILIK
2.2.3. Ölçek Ekonomisi ve Lojistikte Taşımacılığa Etkileri
2.2.3.6. Taşımacılık Türlerinde Ölçek Ekonomisinin Etkileri
2.2.3.6.4. Havayolu Taşımacılığı ve Ölçek Ekonomisi
Nesta parte, interessa testar quais os efeitos do fluxo de comércio sobre a demanda
relativa de trabalho em Minas Gerais e em São Paulo no período entre 1992/99, tendo
como inspiração teórica o modelo HOS.
Conforme visto, as teorias de comércio estão descritas para as relações entre países,
desenvolvidos (intensivo em trabalho qualificado) e em desenvolvimento (intensivo em
trabalho pouco qualificado). Contudo, neste trabalho, está-se limitando a análise para
dois Estados da Federação brasileira e suas relações com o resto do mundo. Desse
modo, tratam-se, individualmente, Minas Gerais e São Paulo, buscando isolar os efeitos
do processo de liberalização comercial no país sobre as variáveis de rendimento e
emprego nesses Estados.
O teste de deslocamento da demanda relativa de trabalho devido ao comércio segue a
metodologia desenvolvida em KATZ e MURPHY (1992) baseada no factor content de
comércio. Conforme mencionado no primeiro capítulo, essa abordagem enfoca os
efeitos de comércio sobre a demanda e remuneração relativa dos fatores através do
conteúdo dos fatores de produção embutidos nos bens exportados e importados.
Portanto, calcula-se quanto de trabalho qualificado e menos qualificado está contido na
produção de bens exportados pelo país e os compara com a quantidade requerida destes
fatores se os bens importados fossem produzidos domesticamente. O efeito líquido de
exportações e importações. Neste caso, se os bens exportados por Minas Gerais e São
Paulo requerem mais mão-de-obra menos qualificada que os bens importados, na
presença do comércio, espera-se aumento da demanda por este fator de produção e,
adicionalmente, de sua remuneração relativa.57
Segundo KATZ e MURPHY (1992), para estimar a quantidade de trabalho equivalente
de comércio, fluxos de comércio devem ser transformados em equivalentes de produtos
domésticos, com base na utilização da mão-de-obra nas indústrias domésticas
responsáveis pela produção de bens comercializáveis. Os autores sugerem estimar a
oferta de trabalho diretamente contida no comércio, desconhecendo os efeitos indiretos
de insumo-produto, conseqüentemente a quantidade de trabalho implícita no comércio é
a quantidade de trabalho requerida para produção doméstica de bens. O valor da oferta
de trabalho implícita de comércio é expresso por:
(3) ⎟⎟, ⎠ ⎞ ⎜⎜ ⎝ ⎛ ∑ = it it it k i k t Y I E e L
onde eik é a participação média de emprego do grupo k em unidades de eficiência no
período-base;
57
Vale ressaltar que as hipóteses dessa metodologia são bastante restritivas, gerando críticas da consistência do método, como as de LEAMER (1994, 1996). No entanto, esse método é bastante utilizado em textos que pretendem relacionar comércio a mercado de trabalho, são exemplos KATZ e MURPHY (1992), WOOD (1994), BALDWIN e CAIN (1997) e ROBBINS (1997).
Iit são as importações líquidas no ramo i no ano t58;
Yit é o produto no ramo i no ano t;59
Eit é a participação do emprego em unidades de eficiência do ramo i na economia no
ano t (∑i Eit = 1).
A equação (3) mensura a oferta de trabalho implícita do grupo k contida no comércio
líquido no ano t através de uma fração da oferta de trabalho doméstica do grupo. Já o
efeito do comércio sobre a demanda relativa de trabalho para o grupo demográfico k no
ano t é dado por:
(4) 1 ⎟⎟, ⎠ ⎞ ⎜⎜ ⎝ ⎛ + ⎥ ⎦ ⎤ ⎢ ⎣ ⎡ ⎟⎟ ⎠ ⎞ ⎜⎜ ⎝ ⎛ ⎟ ⎠ ⎞ ⎜ ⎝ ⎛ − =
∑
∑
it it i it it it it k i i K k t Y I E Y I E e E Tonde Ek é a participação média do emprego do grupo k no período-base.
58
Os dados sobre fluxo de comércio internacional dos Estados são fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio e Turismo (SECEX/MICT) disponíveis pelo Sistema Alice (Análise das Informações de Comércio Exterior da Secretaria de Comércio Exterior), referentes ao período de 1992 a 1999, combinados com informações da Fundação João Pinheiro e Fundação SEADE sobre o valor adicionado dos ramos de atividade selecionados. O Sistema Alice contém informações mensais e anuais sobre os valores de importação e exportação na condição de venda FOB. Os dados são apresentados segundo grandes grupos de produtos. Os dados referentes ao valor adicionado estão em termos correntes. A escolha desse período (1992/99) se deve, portanto, à disponibilidade de dados do Sistema Alice e sua compatibilização com os dados da PNAD. Deve-se tomar cuidado com a interpretação de dados relativos às importações estaduais.Segundo DINIZ (2000), a análise dos impactos regionais das importações é empiricamente difícil porque não há vinculação direta entre as regiões que executam as importações e as regiões que investem ou consomem estas importações, uma vez que grande parcela das importações são contabilizadas segundo os portos e aeroportos de chegada ou muitas vezes pelas firmas importadoras, estado a maioria estabelecida nas grandes capitais.
59
A referência do produto de cada ramo de atividade no período-base (1992/99) é dado pelo Valor Adicionado a preço básico corrente fornecido pela FJP (no caso de Minas Gerais) e pela Fundação SEADE (no caso de São Paulo). Os coeficientes técnicos da produção doméstica são expressos pela razão entre os fluxos comerciais e valor adicionado dos ramos i no ano t para os dois Estados. (Ver tabelas A6, A7, A8 e A9, Apêndice).
O primeiro termo da equação (4) é basicamente a oferta implícita de trabalho do grupo k
contida no comércio, normalizada pelo emprego do grupo k no período-base com o
sinal invertido para medir o deslocamento da demanda. O segundo termo ajusta a
medida de deslocamento afim de que os efeitos de comércio somente afetem a demanda
relativa de trabalho.
Os dados para o cálculo dessa expressão (4) provêm da matriz X, onde se combinam as
variáveis escolaridade (5), ramo de atividade (15)60
e ocupação da produção ou não
produção (2) para obter a mesma amostra de ocupados distribuídos em 150 grupos nos
anos de 1992 a 1999 e, no caso da relação dicotômica qualificado e menos qualificado,
redefine-se a matriz X, obtendo o correspondente com 60 grupos com as mesmas
características. Sendo k grupos demográficos definidos ora por faixas de escolaridade,
ora por nível de qualificação.
Da forma como proposto, o impacto do comércio sobre o emprego dos trabalhadores da
produção e não vinculados à produção é, por suposto, proporcionalmente igual, já que
são avaliados conjuntamente. Entretanto, as exportações e importações podem afetar de
forma diferenciada os postos de trabalho destas categorias. Assim sendo, a criação e
destruição de empregos devido à produção de bens exportáveis e de consumo doméstico
recai tanto sobre os trabalhadores vinculados à produção quanto sobre os não-
vinculados diretamente à produção, já as importações afetam mais o deslocamento dos
trabalhadores da produção do que o segundo tipo de trabalhador. Muitas das atividades
60
Para o Estado de São Paulo, incluí-se o setor de mineral metálicos em Produtos diversos apenas no teste de deslocamento da demanda relativa de trabalho devido comércio, de modo a compatibilizar os dados da PNAD com as informações sobre comércio.
realizadas pelos trabalhadores não vinculados diretamente à produção podem ser
relativamente complementares a dos trabalhadores da produção do resto do mundo.
Tendo em vista a ressalva de DINIZ (2000) da credibilidade dos dados de importação
para os Estados, opta-se em ausentar os resultados do critério da alocação diferenciada,
inicialmente proposto por KATZ e MURPHY (1992) e aplicado por MACHADO
(2000) para o caso brasileiro.
A tabela 15 apresenta os resultados do teste de deslocamento da demanda de trabalho
devido comércio segundo o critério da alocação igual por nível de escolaridade e
qualificação para os dois Estados no período-base (1992/99) e nos sub-períodos
(1992/96 e 1996/99).
De acordo com a tabela 15, os resultados do teste, segundo escolaridade, são distintos
no período-base e similares nos sub-períodos entre os Estados de Minas Gerais e São
Paulo. Em Minas Gerais, no período completo, há uma redução do emprego em todas as
faixas, com exceção de 4-7 anos de estudo. Em São Paulo, por sua vez, o comércio
favorece praticamente todas as faixas de escolaridade, exceto os trabalhadores com
nível superior.
Quanto ao primeiro sub-período, 1992/96, a mão-de-obra menos instruída amplia sua
participação nos dois estados, especialmente a faixa dos analfabetos. Já no segundo sub-
período, a conclusão se inverte, os efeitos do comércio repercutem positivamente sobre
Tabela 15
Decomposição das mudanças na demanda por mão-de-obra relativa segundo comércio dos Estados de São Paulo e Minas Gerais segundo ramo, inserção na produção e nível de qualificação61
PERÍODOS NÍVEIS DE
ESCOLARIDADE