4.2.3.6 Radyatör Davası
4.2.3.6.1. Hapishanede Sayım
vocês.
E. Exatamente (entrevistada “G”).
Acho que lá nós não fizemos nada particular, não. Acabamos fazendo tudo mais assim, né, por intermédio da agência mesmo, né. O buggy foi também da agência lá, que eu me lembro (entrevistada “C”).
Elias enfatiza a característica conflituosa das interações, existindo, portanto, a necessidade de mediadores nas relações. Como diz Turner e Ash, citados por Urry (1996, p.23) “Os pais substitutos (agentes de viagens, mensageiros, gerentes de hotel) aliviam o turista das responsabilidades e o protegem da dura realidade. A solicitude dessas pessoas restringe o turista às praias e a alguns objetos aprovados por seu olhar”. A presença de guias, agências, bugueiros, taxistas como mediadores das interações demonstra a necessidade de intermediação, pois o simples desejo de orientações para os roteiros não explicaria tão grande presença
ele (bugueiro) foi uma pessoa muito simples. Não cobrou nada a mais. O valor que ele colocou, sobrou tempo e ele disse, vamos não sei aonde? Eu quero mostrar a vocês e foi muito tranqüilo. Ele foi uma pessoa muito legal (entrevistada “G”).
A gente chegou lá no hotel, meu pai foi buscar informação se alguém conhecia o serviço, o pessoal já indicou. E aí esse moço, esse rapaz não lembro o nome dele agora, mas aí ele pegou na boa e ficou a semana inteira com a gente. Foi o caminho. O cara era bom de papo, assim e muito legal para apresentar a cidade (entrevistada “E”).
Essas intermediações fazem parte da figuração construída, onde as agências de viagem têm uma grande influência nas interações. Verificou-se que apenas uma entrevistada (entrevista “G”), em virtude de sua localização à época (Recife-PE), não usou o serviço de agências para seu transporte. Os demais, todos viajaram intermediados por
essas empresas que, de uma maneira ou outra, influenciaram na interação, no roteiro e na percepção do local. Um exemplo é a utilização, por todos, dos serviços das agências locais de viagem, no mínimo o City-tour, com exceção da entrevistada mencionada acima, e da entrevistada “E” cuja família, já no início da estada, alugou uma van. Os entrevistados afirmaram não serem tais intermediações fundamentais para a formação de grupos, mas que facilitam tais formações.
O presente trabalho não pretendeu estabelecer ou compreender toda a figuração do processo turístico implantado na região de Natal, e nem haveria condições suficientes para isso, mas é possível fazer algumas ponderações.
Verifica-se a figuração estabelecida, além do aspecto econômico que conforma as relações sociais e ambientais numa relação de consumo, na interdependência entre os sujeitos do processo, sejam estes natureza, indivíduo ou sociedade, numa organização de influências recíprocas. Assim como os turistas influenciam os espaços e relações sociais e ambientais da população local, são também influenciados por esta e vice-versa. Contudo, confirma-se que a população local, principalmente a de baixa renda, e a natureza são os elementos mais alterados do processo, primeiro porque esta população vê no turismo um mecanismo de melhoria de qualidade de vida, mas que, de fato, proporciona apenas uma modificação das relações sociais e ambientais, num permanente preenchimento de necessidades básicas de sobrevivência e, segundo, porque a natureza, usada apenas como bem de consumo, é desprezada e degradada à revelia de suas funções sociais.
As relações construídas no desenvolvimento do processo possuem características que se relacionam ao conceito de Estabelecidos e Outsiders de Elias (ELIAS e SCOTSON, 2000), o qual pressupõe, como já exposto, a relação de um grupo superior e outro inferior. Neste trabalho verificaram-se alguns indícios característicos dessa relação como, por exemplo, o desejo de que toda a população local e não apenas aquela voltada à atividade esteja sempre pronta a servir aos turistas, em todas as suas necessidades
Então é um, o povo potiguar, eu achei eles assim, talvez por ser o início ainda do turismo, enquanto que a Bahia já está bem desenvolvida nesta parte, o povo sabe que tem que tratar bem. Não que a gente foi tratado mal, mas são mais distantes, não são tão acolhedores que nem o povo baiano (entrevistado “F”).
Nas cidades turísticas, eles estão ali, eles vivem do turismo, também. Então eles acabam vendo o turista como sendo uma pessoa que é
importante, que faz parte da vida deles. Então acaba sendo acolhedor (entrevistada “C”).
Tal desejo não surge isoladamente dos próprios turistas, mas de um contexto que constrói desde as Representações Sociais que prometem nada mais que o paraíso, até a especialização do espaço para tal interação. O desenvolvimento do turismo traria esta característica – toda a população local solícita ao turista – mesmo que sem nenhum vínculo com o processo. É o que Moscovici chama de generalização, quando a característica de um determinado grupo passa a ser sentida e transmitida para os demais elementos enquadrados nesta categoria.
Contudo, solícita no atendimento, mas praticamente invisível para a interação e relações sociais dos turistas, fato que foi observado em quase todos os entrevistados – apenas três deles fizeram menção às interações com a população local, em situações que não fossem de comércio ou prestação de serviços: a entrevistada “A” travou amizade na praia com uma pessoa da cidade, a entrevistada “D” conheceu dois rapazes da cidade em um barzinho, chegando a fotografá-los, mas não selecionando a fotografia como significativa da viagem, e a entrevistada “B” não mencionou contatos com a população local, mas selecionou três fotografias junto à população local – uma mesa com os garçons em volta, a mesma mesa com dois meninos que, segundo a entrevistada, vendiam coisas nas ruas e por último uma fotografia com uma camareira do hotel. Sobre esta última situação, pode-se inferir que a entrevistada selecionou tais fotografias mais para “satisfazer” a pesquisadora que havia perguntado, anteriormente, sobre o seu contato com a população local, do que serem estas imagens significativas para a sua lembrança da viagem, conforme relato a seguir: