Hemovijilans hemşireliği ve transfüzyon güvenliğine katkısı Hemovigilance nursing and contribution to transfusion safety
19) Hangi durumda imzalı bilgilendirilmiş onamın yeniden alınmasına gerek
Yasser Arafat negou veemente ter a OLP tomado parte no atentando, contudo, serviu para que os planos de Begin e Sharon pudessem ter tido um start. A partir daí, mesmo com a organização Abu Nidal, com sede no Iraque, tendo assumido a autoria do atentando e alegado que teria o objetivo de “fazer com que fracassassem os planos norte-americano-saudita- palestino, destinados a impor condições de paz capitulacionistas à nação árabe”, os israelenses já tinham a desculpa necessária para agir. (Del Pino, 1989: 134)
Esse primeiro momento da presença israelense em solo libanês fez com que houvesse uma mudança substancial na guerra civil, isso porque, possibilitou a união – mesmo que temporária – de vários clãs rivais no Comitê Nacional de Salvação para discutir os riscos da presença da OLP no Líbano. A grande preocupação era de que Israel conseguisse tomar a capital, haja vista já estar sendo sitiada. O porta-voz da OLP em Beirute, Mahmud Labadi, reforçava sua posição de que não se renderia aos exércitos israelenses, mesmo que essa fosse a posição do líder da organização, Yasser Arafat. Por sua vez, Israel somente renunciaria à tomada da capital se os dois países chegassem a um acordo de segurança. Enquanto isso, o exército permaneceria mobilizado no Líbano.
O impasse permaneceu e a figura dos Estados Unidos, novamente, voltou a ganhar destaque no estabelecimento de um acordo de paz. Chegou-se à conclusão de que deveria ser criada uma força de paz multinacional que pudesse auxiliar na saída dos membros da OLP do Líbano, até porque, eles já estavam sem condições de permanecer em Beirute com o exército israelense ao seu redor.
Apesar desses acertos preliminares terem sido feitos no mês de agosto e parte dos palestinos estar rumando para a Tunísia, os acontecimentos do mês de setembro voltaram a apontar para mais um período de trevas na história libanesa. No início do mês, Bashir Gemayel foi eleito presidente. “His election had been backed by the Israelis and it marked the fulfilment of one of their aims when they invaded Lebanon: installing a Christian president who would be friendly to Israel.” (Jaber, 1997: 77), entretanto, apesar desse apoio, no dia 14 de setembro Bashir foi assassinado. Um atentando perpetrado contra a sede da Falange, no bairro cristão de Ashrafieh, que destruiu os três andares do edifício onde o presidente recém- eleito se encontrava e, devido à relação altamente conflituosa dentre os cristãos, provocara reação de satisfação por parte de um de seus maiores inimigos políticos, Suleiman Franjieh, que assim pronunciara-se: “Só posso dizer que estou contente por ele ter morrido. Eu não o matei, nem ordenei que o fizessem, mas lamento não tê-lo feito.” (Del Pino, 1989: 143)
A postura de Franjieh somente corroborava com a tese de que Bashir Gemayel poderia ter sido assassinado por qualquer um dos muitos inimigos que vinha colecionando no
transcorrer de sua carreira política. Mesmo o Estado de Israel, que parecia estar ao seu lado, poderia ser o autor do atentando, tendo em vista Gemayel estar protelando demais na assinatura do acordo de paz entre os países, o que, por sua vez, fazia com que Israel tivesse de manter o cerco sobre Beirute. Não é possível descartar a possibilidade de uma ação do governo sírio, o qual se via numa situação desconfortável com a forte ligação entre o clã dos Gemayel e os israelenses. E, se essa tese de conspiração síria fosse comprovada, daria credibilidade à confissão do armênio que fora capturado pela Falange e reconheceu estar a serviço da inteligência síria. Tudo era possível no intrincado relacionamento entre os clãs e seus aliados. (Fisk, 2001: 397) Entretanto, conforme Schiff e Ya’ari relatam em “Israel’s Lebanon War”, o atentado pode ter sido preparado por simpatizantes da causa palestina.
Bashir Gemayel’s enemies also knew about his regular appearances at the Ashrafiya branch every Tuesday afternoon at four and that time was running out if they hoped to exploit it for their own ends. And so on the previous evening twenty-six-years-old Habib Tanious Shartouni, the nephew of the building’s former owner, made his way up to his sister’s apartment on the third floor to set up the murder of Bashir Gemayel. None of the guards in the building thought anything of Shartouni’s presence. His family was renowned for its loyalty to the Phalange, and one of his cousins, who lost both legs in the civil war, was serving as Sheikh Pierre Gemayel’s aide-de-camp. No one would have dreamed that the young Shartouni was a member of the clandestine Syrian National party, a small radical movement that have parted ways with the Phalange, espoused the cause of a Greater Syria, and was now fighting alongside the P.L.O. Habib Shartouni had the perfect cover. (Schiff e Ya’ari, 1986: 247)
O governo israelense, que havia se comprometido com os Estados Unidos, de que não entraria em Beirute até que a OLP deixasse o país, em apoio ao Falangistas (milícia da família Gemayel), ordenou que seus exércitos adentrassem à capital e, dentre os dias 16 e 18 de setembro, cercou os campos de refugiados de Sabra e Shatila – subúrbio de Beirute –, permitindo que a milícia falangista assassinasse mais de 2.000 pessoas. Grande maioria delas formada por palestinos.
O massacre que se deu somente fora possível devido ao exército israelense ter permitido que os falagistas entrassem no campo de refugiados e que ninguém saísse dele. Segundo Robert Fisk, jornalista que cobria os acontecimentos da guerra civil, o massacre somente teve fim porque alguns jornalistas conseguiram adentrar ao campo clandestinamente e passaram a enviar notícias para o mundo informando o que, ali, estaria ocorrendo.
They were everywhere [palestinos], in the road, in laneway, in back yards and broken rooms, beneath crumpled masonry and across the top of garbage tips. The murderers – the Christian
militiamen whom Israel had let into the camp to ‘flush out terrorists’ – had only just left. In some cases, the blood was still wet on the ground. When we had seen a hundred bodies, we stopped counting. Down every alleyway, there were corpses – women, young men, babies and grandparents – lying together in lazy and terrible profusion where they had been knifed or machine-gunned to death. Each corridor through the rubble produced more bodies. The patients at a Palestinian hospital had disappeared after gunmen ordered the doctors to leave. Everywhere, we found signs of hastily dug mass graves. Perhaps a thousand people were butchered; probably half that number again. (Fisk, 2001: 359-60)
Ariel Sharon, que omitiu-se ao não prestar auxílio aos palestinos durante o massacre de Sabra e Shatila, com isso, acabou sendo percebido – internacionalmente e por setores israelenses – como co-responsável pelos acontecimentos. Segundo alguns analistas, o que ocorrera ali foi um “acerto de contas” devido ao assassinato de Bashir Gemayel, entretanto, como Sharon poderia ter evitado o massacre e não o fez, tornou-se alvo de investigações internas (em Israel) e por organizações internacionais. Em Israel, Sharon teve sua carreira política interrompida – mas voltaria no futuro e assumiria o cargo de primeiro-ministro devido à conjuntura política propícia e à ascendência da “linha dura” ao poder – com base nas constatações da Comissão Kahan, criada pelos israelenses para apurar responsabilidades.
The Commission determined that the massacre at Sabra and Shatilla was carried out by a Phalangist unit, acting on its own but its entry was known to Israel. No Israeli was directly responsible for the events which occurred in the camps. But the Commission asserted that Israel had indirect responsibility for the massacre since the I.D.F. held the area, Mr. Begin was found responsible for not exercising greater involvement and awareness in the matter of introducing the Phalangists into the camps. Mr. Sharon was found responsible for ignoring the danger of bloodshed and revenge when he approved the entry of the Phalangists into the camps as well as not taking appropriate measures to prevent bloodshed. (Comissão Kahan, 1983)
O massacre poderia ter sido evitado – opinião praticamente unânime –, se Sharon assim quisesse. Dias antes, Israel já alcançara seus objetivos quando, sob a proteção das forças internacionais – lideradas pelos Estados Unidos –, Yasser Arafat e seu staff deixaram Beirute rumo à Tunísia; onde seria rearticulada a cúpula da OLP. Diante desse fato, torna-se ainda mais questionável a postura da liderança israelense durante o massacre de Sabra e Shatila o que, em tese, explicaria a repulsa declarada pela opinião pública internacional quanto ao ato de barbárie.
No tocante à reação ao assassinato de Bashir Gemayel, seu irmão, Amin Gemayel, assumiu a presidência após nova eleição em 21 de setembro. Entretanto, mesmo com a saída da OLP e presença do exército israelense, os cristãos não tinham como controlar o país. As
instituições continuavam existindo, mas o poder dos clãs ainda representava a verdadeira forma atuante no Estado. Além do fato de que a Síria passara a utilizar uma nova estratégia para evitar que Israel assumisse o controle do Líbano, estimulara a ação de organizações xiitas, mais precisamente, a mais poderosa delas, que já vinha incorporando vários adeptos para sua causa: o Hizbullah.
Outro aspecto relevante, e que deve ser mencionado, diz respeito aos acontecimentos pós-saída da OLP de Beirute. As Forças Internacionais, que tinham a função de evitar enfrentamentos maiores e preservar a paz no país, acabaram perdendo parte de sua legitimidade perante os muçulmanos. Em várias localidades no Líbano os conflitos interconfessionais não deixaram de existir e, gradualmente as tropas da ONU – com a maioria de seu contingente formada por norte-americanos – acabou por atacar os muçulmanos em defesa dos cristãos. Tal fato tornou-se flagrante durante a revolta ocorrida na região do Shouf, em que o navio de guerra norte-americano bombardeou os drusos para defender os cristão. A partir daquele posicionamento, a isenção das Forças de Paz passou a ser questionada e a reação muçulmana viria de maneira brutal.
2.5 - OS XIITAS CLAMAM POR SEUS DIREITOS
Em 11 de novembro de 1982, “a new style of warfare made its shocking debut when a young man drove a white Mercedes, filled with explosives, into Israel’s military headquarters in Tyre. The blast destroyed the eight-storey and killed 141 people. It was the first human bomb.” (Jaber, 1997: 75). Naquela ocasião o Hizbullah ainda não existia oficialmente, porém assumiria a autoria do atentado alguns anos depois.
O vácuo de poder que surgiu com a saída da OLP do Líbano logo abriu perspectivas para que grupos rivais tentassem ocupá-lo. A presença israelense no Líbano não estava sendo aceita com muita facilidade pela opinião pública internacional, tampouco os Estados Unidos estariam dispostos a referendar tal ato, tendo em vista os riscos de sofrerem represálias. Num cenário adverso para Israel, como estava sendo mostrado, a saída do Líbano deveria ser muito bem pensada para que não viesse a trazer prejuízos políticos no âmbito interno e externo.
Para remontar esse novo momento da guerra civil libanesa é de fundamental importância revermos dois fatos que foram mencionados no transcorrer desse estudo. Primeiramente devemos relembrar que com a morte do Imã Musa Sadr, sua organização, o AMAL, passou por um período de transformações até que a liderança recaiu sobre Nabih
Berri, “a lawyer who was born in the expatriate Shiite Lebanese community of Sierra Leone. He represented a new Shiite middle class and had succeeded in steering Amal away from its clerical origins towards a more secular platform.” (Jaber, 1997: 14), com isso, os integrantes da organização que não aceitavam o aspecto secularizante dela acabaram por buscar novas perspectivas. Segundo, com a afirmação da Revolução iraniana, o aiatolá Khomeini e suas lideranças passaram a apoiar mais efetivamente a comunidade xiita libanesa para que a revolução também alcançasse aquele país.
Tendo esses dois fatos em vista e, salientando que a comunidade xiita que vivia no sul do Líbano e nos subúrbios de Beirute estava sendo “esquecida” pelo ausente Estado, o veio da radicalização passou a ser um caminho que poderia resultar positivamente – até porque podiam espelhar-se no sucesso do Irã.
O Irã tinha suas próprias razões para apoiar a comunidade xiita que, cada vez mais, tornava-se numerosa no Líbano, entretanto, sem a contrapartida que a representatividade política que lhe caberia.
Although Iran never constituted a part of Israel’s ill-fated plan, the movement across the borders of Western-armed and – supported Zionist state that had usurped Jerusalém from the Muslims roused the passions of Khomeini and the clerics. As a result, Lebanon, that small, riddled country on the shore of the Mediterranean, became the field on which the Islamic Revolution would again confront the West [numa menção à vitória contra o Xá que era apoiado pelos Estados Unidos]. (Mackey, 1998: 313)
A partir da postura assumida pelas autoridades iranianas, a ação posterior foi enviar um contingente da Guarda Revolucionária (aproximadamente 1500 soldados) para a região de Baalbeck, onde logo passou a ser criada uma infra-estrutura que pudesse difundir ‘a revolução’. Mesquitas, hospitais e toda uma rede de assistência social foram criadas, além de estação de rádio para divulgar os pensamentos dos ideólogos iranianos. Em pouco tempo a região passou a ser conhecida como “pequena Teerã” e posters do aiatolá Khomeini transformaram-se em ornamentos para as ruas e casas da população xiita.
Reflexos da iranização de Baalbek, cada vez mais os preceitos islâmicos passaram a ser introduzidos de forma mais severa – alegando literalidade na interpretação do Corão e da Sharia. Bares foram fechados, vestimentas ocidentais banidas, as mulheres tendo sua liberdade – segundo preceito ocidental – reduzida e a repulsa pelos cristãos que dominavam o Estado libanês. Não tardou e a comunidade xiita que habitava os subúrbios de Beirute passou a ter contato com essa ideologia dos clérigos iranianos e iniciou um processo de assimilação, o que
resultaria na radicalização dos movimentos contra a presença israelense no país e, conseqüentemente, a ocidental.
Se, por um lado, Israel havia conseguido alcançar seus objetivos com a expulsão da OLP de Beirute, por outro passou a ter muita dificuldade para sair do país com a assinatura de um acordo de paz. A fragmentação do poder não possibilitava que se firmasse um acordo e esse fosse aceito pelos demais grupos beligerantes.
A situação dos israelenses, assim como da Força de Paz da ONU, que encontrava-se no país mesmo após a retirada da OLP, passou a ficar mais complicada com a nova forma de ação implementada pelos xiitas. Em 18 de abril de 1983 um carro-bomba explodiu próximo à embaixada dos Estados Unidos, em Beirute, e provocou a morte de 58 pessoas – dentre norte- americanos e libaneses. Na ocasião, uma organização chamada Jihad Islâmica assumiu a autoria do atentado. No futuro saberia que essa organização fazia parte de um dos braços do Hizbullah.
A incômoda situação da presença israelense no Líbano forçou os Estados Unidos a tentar viabilizar um acordo que pudesse restabelecer ‘a paz’ no país. Para intermediar as negociações, o embaixador Philip Habib foi nomeado e, após 35 sessões alternadas entre as cidades de Khalde, Kiryat Shemona e Netanya, chegou-se às bases de um acordo final no dia 17 de maio de 1983.
Dentre as questões que estavam inclusas no acordo, ressalta-se: 1) reconhecimento das fronteiras entre os dois países conforme demarcação internacional; 2) prazo de um ano para que as partes pudessem implementar o que fora acordado; 3) criação de uma “região de segurança” entre os dois países; 4) proibição da utilização do território de ambas as parte por organizações terroristas; 5) fim de qualquer ação propagandista por parte do governo contra os países integrantes do acordo; e, 6) que o acordo deveria ser ratificado pelas partes seguindo seus procedimentos internos.
Os pressupostos que serviram de base para a elaboração do acordo de paz com Israel não geraram satisfação por parte dos vários segmentos políticos libaneses. No mesmo ano em que fora firmado o acordo, lideranças como Suleiman Franjieh, Walid Jumblatt e Rashid Karami se uniram para a criação da Frente de Salvação Nacional – também conhecido como Comitê de Salvação Nacional. Apesar da intenção de que se buscasse a melhor saída para o Líbano, interesses pessoais fizeram com que essa iniciativa das lideranças não resultasse positiva, exceto pelo fato de o Parlamento libanês não ter ratificado o acordo – entendendo-se como positiva, segundo visão das lideranças drusas e xiitas. Entretanto, grande empenho para
que não houvesse a ratificação do acordo se deu à participação síria, que via seus interesses prejudicados com o acordo.
Na seqüência dos atentados que já vinham provocando pânico nas Forças de Paz presentes no Líbano, em 24 de outubro de 1983, um caminhão Mercedes, amarelo, estacionou em frente ao quartel dos marines, em Beirute e, com a explosão de nove toneladas de dinamite, provocou a morte de 241 soldados norte-americanos e 47 franceses. Novamente, a organização xiita, Jihad Islâmica, assumiu a autoria dos atentados. Para que o caos fosse generalizado e, para que houvesse uma mudança no status quo dos xiitas dentro do panorama da guerra civil, em 2 de novembro os israelenses foram atingidos, pela segunda vez, por um carro-bomba na cidade de Tiro, 29 soldados foram mortos.
Gradativamente estava surgindo uma força que parecia ter condições de enfrentar o poderio bélico dos ocidentais: mobilização xiita impressionava pelo poder de destruição que provocava. Durante os anos de 1984/85 os israelenses acabaram por sentir o poder dos radicais muçulmanos devido aos vários atentados que se espalharam pelo Líbano, nem sempre com potencial avassalador e grande número de mortos, mas que acabou por mudar o conceito de guerra que até então travavam. Tendo essa preocupação em mente e sofrendo pressão interna por parte de sua população, que continuava sendo vítima de atentados – na fronteira norte pelo Hizbullah e, no interior do país, pelo Hamas e outras organizações palestinas –,
Israel acabou sendo obrigado a estabelecer um programa de recuo dentro do território libanês. Essa nova estratégica de ação foi assumida pelo então recém eleito primeiro-ministro (1984), Shimon Peres (Partido Trabalhista), que, em comparação ao governo anterior, pode ser considerado mais à esquerda.
A retirada só não foi completa porque os israelenses estabeleceram-se no sul do país – na divisa entre Israel e Líbano –, onde potencializaram suas forças na “Zona de Segurança”, a qual teria a função de impedir que palestinos e xiitas conseguissem alcançar alvos ao norte de Israel. A “Zona de Segurança” acabou por abranger aproximadamente 10% do território libanês. Apesar de não ser a atitude esperada por grande para da comunidade internacional – principalmente a Síria e seus aliados –, recuar além daquele ponto era algo que Israel não discutia, tratava como “uma questão de segurança nacional”.
2.6 - HIZBULLAH NASCE OFICIALMENTE EM 1985
A Resistência Nacional Libanesa (Lebanese National Resistance), organização que congregava vários grupos que faziam oposição à presença israelense, e que tinha como figura
principal o Amal, passou a não mais atender aos anseios de parte da comunidade xiita – aqueles contrários à sua secularização. Essa insatisfação vinha ocorrendo gradativamente, mas encontrava apoio e era amplamente difundida por membros do Amal. Com base nesse fato, a ligação com o Irã pode ser considerada o fator principal para que dali saísse a dissidência que iria formar o Hizbullah. Podemos aceitar essa argumentação se considerarmos que a revolução iraniana já difundia a valorização dos ideais islâmicos. Assim, para uma população oprimida, como a xiita, que nutria forte ressentimento contra os maronitas, a adesão à causa islâmica – nos moldes iranianos, também
Mescla do nome de Alá com uma metralhadora. E, na tradução dos dizeres do símbolo: “Realmente, o Hizbullah é o que triunfa”
considerados fundamentalistas – significava a negação dos ideais ocidentais e tudo que a ele estivesse ligado – como o Estado de Israel, aliado dos Estados Unidos. Nessa visão, continuar no Amal seria como negar os princípios islâmicos – ausência de divisão entre poderes Temporal e Espiritual – e, ao mesmo tempo, pactuar com a dominação ocidental.