II. BÖLÜM
11. Hanedan İçi İlişkiler
Quando se fala em infraestrutura de B.E não se pode esquecer do mobiliário e dos materiais que dão suporte a esse ambiente. A questão do mobiliário que é utilizado pelos frequentadores da biblioteca não pode ser tratada fora de um contexto de aprendizagem, e, também, é importante ser visto como um fator diretamente ligado ao conforto e a saúde dos alunos.
Muito embora os designs dos móveis das B.E’s tenham particularidades técnicas e critérios específicos, é salutar que esse assunto esteja inserido num âmbito maior. É interessante compreender e analisar as mais diversas questões do espaço da biblioteca para estabelecer as relações da importância de se ter bons mobiliários, levando em consideração os critérios pedagógicos, ergonômicos e tecnológicos. Afinal, o mobiliário existente em uma biblioteca é elemento de apoio ao processo de ensino, e é notório, conforme Caldeira (2008), que o conforto físico e psicológico dos alunos influencia diretamente no rendimento das atividades realizadas nesse ambiente de leitura e informação:
A preocupação em oferecer ambiente acolhedor, de forma a reforçar o prazer de ler, levou à criação, nas bibliotecas, de espaços aconchegantes, visando especialmente a atrair crianças menores que se encontram na idade de descobrir o gosto pelas histórias contadas ou lidas pelos adultos. Tapetes, almofadas, móveis coloridos, decoração alegre formam ambientes descontraídos que, cercados de muitos livros bem selecionados, de fácil acesso e expostos de forma atraentes, sem dúvida contribuem para despertar e manter um comportamento positivo da criança com relação à leitura. (CALDEIRA, 2008, p.48)
Fica evidente que os critérios didáticos atuais apontam para um ambiente na B.E, em que a mobilidade dos móveis, o seu conforto e sua organização são fundamentais no processo de formação de leitores, afinal, segundo Kuhlthau (2009), as
habilidades para usar a B.E e os recursos materiais não são aspectos isolados do projeto pedagógico da biblioteca.
Nas três B.E’s pesquisadas em Rio Verde-GO, observei que alguns critérios não foram levados em consideração no momento da aquisição dos mobiliários. Ao aplicar o questionário de observação referente ao espaço físico e composição dos móveis existentes nas bibliotecas, percebi que não havia mesas e nem cadeiras compatíveis com o tamanho das crianças em nenhuma das três bibliotecas em estudo, ou seja, são mesas e cadeiras grandes e altas, o que dificulta o seu uso. Prova disso é que as crianças ficam com as pernas no ar devido à altura das cadeiras, e também têm dificuldades para conciliar o uso de cadeira e mesa, porque o tamanho é desproporcional à estatura das crianças.
Foto 8: Cadeiras com tamanho desproporcional para crianças
Por meio dessa imagem é possível notar o desconforto e a desproporção do móvel e seu usuário. Nesse sentido, o FUNDESCOLA – MEC (1999, p.15), mediante a publicação de um caderno técnico sobre mobiliário escolar, alega que:
É fundamental o estabelecimento de critérios relativos à altura do assento, ao encosto, aos ângulos e às dimensões de cadeiras. Cadeira e mesa constituem um todo antropométrico, devendo ter obrigatoriamente suas medidas relacionadas. O crescimento do corpo humano processa-se segundo uma ordem complexa: cabeça, tronco e membros desenvolvem-se gradualmente [...] Recomenda-se a adoção de tamanhos diferentes de cadeiras e mesas, pequeno médio e grande, a fim de que sejam atendidos os requisitos básicos de postura para a realização das diversas atividades, por parte de alunos de diferentes estaturas.
Nas três bibliotecas pesquisadas em Rio Verde-GO, e nas demais bibliotecas da rede, todas as mesas e cadeiras foram adquiridas em tamanho grande, o que é incompatível para os usuários que frequentam esses espaços, uma vez que são crianças na faixa etária de 06 a 10 anos. A altura do mobiliário, com certeza, influencia no prazer da prática da leitura, nesse sentido Manguel (1997, p. 177) destaca que:
[...] não somente determinados livros exigem um contraste entre conteúdo e ambiente; há os que exigem posições diferentes de leitura, posturas do corpo do leitor que, por sua vez, exigem locais de leitura apropriados a essas posturas. [...] Com frequência, o prazer derivado da leitura depende em larga medida do conforto corporal do leitor.
Outro elemento básico para compor o mobiliário de uma B.E são as estantes onde o acervo é acondicionado. Nas bibliotecas em estudo pude constatar que no mesmo espaço existem vários tamanhos, modelos e cores de estantes, e não há um padrão de tamanho e nem um lugar estratégico para colocá-las, visando o aproveitamento da área interna. Assim, encontrei nas três bibliotecas pesquisadas estantes acessíveis às crianças, onde elas têm condições de escolher um livro, porém, há estantes que são altas, e, além disso, estão com excesso de peso, o que danifica o mobiliário, coloca em risco os usuários da B.E e impossibilita o acesso das crianças aos livros.
Foto 9: B.E Machado de Assis excesso de livros Foto 10: B.E Fernando Pessoa altura ideal
Por meio das fotos 9 e 10, evidencia-se duas realidades bem distintas em uma mesma rede de ensino, nota-se a ausência da padronização dos mobiliários, e até
mesmo um trabalho no sentido de organizar melhor o acervo. A esse respeito, Lopes (1998, p. 37) recomenda que:
As estantes devem acompanhar as paredes para melhor se aproveitar a área central. Recomenda-se que tenha a altura máxima de 1,80 m. Convém que as prateleiras sejam modulares para que se adaptem ao tamanho dos livros. Quanto à profundidade, 30 cm é uma boa medida.
Em se tratando de B.E’s que atendem um público de alunos entre 06 e 10 anos, acredito que o ideal seja a padronização das estantes em 1 metro de altura, o que facilita no processo de escolha e apreciação dos livros.
Outro aspecto que analisei por meio das observações, diz respeito à zona informal, que são espaços destinados à contação de histórias de forma mais descontraída e lúdica, um espaço dentro da B.E com almofadas, cestos, varal, data-show e demais equipamentos. Nas três bibliotecas em estudo, há ausência desses materiais, e, em nenhuma delas, há tapetes emborrachados, almofadas, baús, data-show e nem computador de uso exclusivo da B.E.
A ausência desses materiais e equipamentos limita as possibilidades de atividades e estratégias no espaço da biblioteca. É preciso reafirmar que a implantação e o investimento na aquisição de materiais para a zona informal entusiasmam os pequenos leitores, tornando a B.E num ambiente ainda mais atraente e lúdico. Nesse sentido Lopes (1998), afirma que para envolver o leitor através de atividades variadas e lúdicas, é interessante que se tenha na biblioteca mais que mesas, cadeiras e estantes, é válido que se tenham materiais que possibilitem a interação entre livro e leitor; ainda segundo o mesmo autor, um espaço lúdico e equipado, envolve e contextualiza as leituras realizadas.
Diante da realidade encontrada referente aos mobiliários e aos equipamentos das B.E’s trabalhadas nesta pesquisa, achei pertinente procurar o setor de finanças da Secretaria de Educação, a fim de saber quais foram os valores investidos em mobiliário do ano de 2009 até 2012. Isso porque, como apontado anteriormente, antes de 2009, não havia uma coordenação específica para bibliotecas, e as poucas que funcionavam, eram desprovidas de qualquer tipo de investimento.
Segundo o setor de finanças, os valores investidos11
para a compra de mobiliário nesse período, ficaram de acordo com a nota de empenho (Anexo H, p. 222) em R$ 4.680,00; lembrando que esses valores não se referem a investimentos somente nas três bibliotecas pesquisadas, mas são referentes a todas as B.E’s em funcionamento na rede. De acordo com as gestoras das escolas, as próprias unidades por meio de campanhas junto à comunidade ou até mesmo através de verbas próprias, também já adquiriram algum tipo de mobiliário para as B.E’s visando àamelhoria desses espaços. Evidencia-se, assim, a importância de uma política de investimentos em mobiliários de forma planejada, padronizada e com valores mais significativos, e que contemple de forma eficaz todas as B.E’s da rede municipal de Rio Verde-GO.