• Sonuç bulunamadı

II. BÖLÜM

7. Şehzadelerin Gelir ve Giderleri

A leitura é um dos processos que pode levar a conhecimentos mais profundos e variados da cultura humana, abrindo novas perspectivas para que o leitor possa pensar sobre a realidade e as condições de vida. O ato de ler indica caminhos para um posicionamento mais reflexivo por parte do leitor, pois pode tornar mais sólidos os argumentos que sustentam sua posição. Assim, a leitura, abrindo espaço para o

entendimento do mundo sob uma visão crítica, possibilita ao indivíduo uma participação social mais efetiva, capaz de estabelecer relações de resistência e de confronto, o que me remete a Silva (1997), quando afirma que dominar o que os dominantes dominam é condição de libertação.

Sendo o PNBE, um programa de política pública de investimento em leitura, é necessário que se busque, por intermédio desse programa, a formação de leitores com a visão crítica já citada, e que alcance, mediante a leitura, a compreensão e o domínio das várias áreas do conhecimento, devendo o PNBE se distanciar ao máximo de temas vinculados exclusivamente a grupos de interesse (governo, sindicatos, empresas e associações), como revela Dourado (2009, p.18), que, infelizmente, em alguns casos:

[...] As políticas públicas seriam resultado da ação de grupos de interesse, que participam ativamente em sua execução. A análise das políticas públicas, sobretudo do processo de sua implementação, tem revelado relações muito próximas entre grupos de interesse (sindicatos, associações, etc.) e funcionários do estado, implicados na administração.

Assim posto, evidencia-se a necessidade de ajustes no PNBE, que visem

melhorias nas práticas pedagógicas do programa, buscando sempre a formação de cidadãos críticos e reflexivos, que almejem constantemente um programa de incentivo à leitura livre de qualquer ação de grupos de interesse.

Dentre essas alterações, nota-se a necessidade da implantação de um guia para o uso do acervo. Uma vez que os livros do PNBE chegam até as unidades escolares, e não existe um material (guia) que dê suporte aos professores e coordenadores, dando informações e dicas para o uso mais proveitoso desses livros. O que se encontra são materiais disponíveis não sendo utilizados em toda sua potencialidade, devido ao despreparo de muitos professores, que não dispõem de conhecimento aprofundado do conteúdo dos livros, nem das práticas para se trabalhar com eles. Tal situação remete a Guimarães (2010, p. 53 - 54), ao destacar que:

O Tribunal de Contas da União (TCU), órgão responsável por auxiliar o Congresso Nacional na “fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União” apresentou no ano de 2002, uma avaliação sobre o PNBE, tendo como justificativa, a ausência de informações sobre a utilização dos acervos distribuídos. Desta forma, foram avaliadas quais as dificuldades para a utilização dos mesmos, observando aspectos como: divulgação do programa, condições de inserção dos livros nas

atividades escolares e, capacitação de professores (...). Com essa pesquisa o TCU constatou: Eficácia do FNDE na distribuição dos acervos do programa às escolas; ausência de atividades de monitoramento e avaliação em estruturas do programa; diretores e professores com pouco conhecimento sobre o PNBE; falta de ações de apoio para as escolas mais carentes, que não possuem espaço próprio para guarda e conservação do material recebido.

Evidencia-se, também, que essa realidade de falta de espaço para acomodação do acervo, ainda é um agravante na maioria das unidades escolares do Brasil; e o pouco conhecimento dos gestores e professores com relação ao PNBE, ainda perdura até os dias atuais. Faz-se importante a interação do professor junto a PNBE e suas obras, uma vez que no aprendizado de leitura, o professor tem papel preponderante, pois é ele quem opta pela metodologia a ser aplicada em sala de aula; é ele quem pode selecionar textos, tendo em vista somente a educação moral e ideológica de seus alunos, ou trabalhar de forma a valorizar o prazer da leitura, porém, sem abandonar as práticas e atividades que são essenciais para o desenvolvimento da leitura e da produção textual. Essas práticas devem conceder ao leitor a mobilidade crítica e social que vem do uso regular, sistemático e competente que delas se pode fazer, tornando-o um estudante efetivamente letrado. Assim, a distribuição de um guia ou material de apoio que auxilie o professor na utilização do acervo do PNBE, e o interaja ao programa, torna-se tão indispensável quanto à distribuição dos livros. A esse respeito, Silva (1993, p. 21) alerta que “não se forma um leitor com uma ou duas cirandas e nem com duas sacolas de livros, se as condições sociais e escolares, subjacentes à leitura, não forem consideradas e transformadas”.

Ou seja, o aspecto qualitativo da leitura só se torna possível e concreto se houver além dos elementos materiais, elementos humanos com suporte e qualificação para despertar nos alunos o interesse pela leitura. Porém, para que isso aconteça, é indispensável que o profissional goste de ler e que seja preparado para manusear os livros com os quais vai trabalhar, tendo acesso à metodologia e práticas diversificadas. Para compreender melhor essa realidade, é importante exemplificar algumas experiências obtidas por meio de pesquisas já realizadas.

Entre agosto de 2006 e setembro de 2010, o Centro de Estudos de Leitura e Literatura Infantil e Juvenil - CELLIJ e o Grupo de Pesquisa: Formação de professores e as relações entre as práticas educativas em leituras, literatura e avaliação do texto literário, coordenado pela Professora Doutora Renata Junqueira de Souza participaram

de uma pesquisa de políticas públicas em leitura, denominada “Literatura na escola: espaços e contextos. A realidade brasileira e portuguesa”. Esse estudo, além de ter sido financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP – processo n. 2006/51756-4) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq – processo n. 474481/2006-9), envolveu uma equipe de pesquisadores de três unidades da UNESP (Presidente Prudente, Assis e Marília) e outro grupo de docentes filiados ao Centro de Investigação em Promoção da Literacia e do Bem-Estar da Criança (LIBEC), da Universidade do Minho (Portugal).

A investigação interessou-se em responder a seguinte pergunta: qual o lugar da literatura, na escola? Durante quatro anos, em sua frente realizada no Brasil, os pesquisadores da UNESP examinaram dados de questionários e entrevistas, tentando traçar o perfil das escolas públicas municipais e estaduais de Presidente Prudente, Assis e Marília.

Nas informações coletadas em nosso país, a pesquisa averiguou o perfil e procedimentos de leitura entre professores (cerca de 900), alunos (cerca de 6 mil estudantes de 3ª a 6ª séries do Ensino Fundamental) e bibliotecários (110) de escolas públicas municipais e estaduais da região do oeste paulista.

As análises, segundo Souza e Girotto (2009, p.380), evidenciaram:

1) coleções do PNBE trancadas em estantes da biblioteca, ou, então, “escolas cheias de livros” disponíveis aos alunos, com a justificativa de que basta ofertar, dar acesso e/ou enfatizar a importância da leitura, como condição para formar leitores – todavia, os livros não são ofertados; 2) despreparo da equipe docente e responsáveis; 3) ausência de um planejamento didático efetivo; 4) problemática da qualidade dos textos apresentados nos livros; 5) escolas que tomam para si a Literatura Infantil e escolarizam, “didatizam” e “pedagogizam” os livros de literatura para crianças, para atender a seus próprios fins, ou seja, “fazem dela uma literatura escolarizada”.

Assim, ainda é possível notar que as observações descritas mostram um “descompasso entre um discurso escolarizado e ‘nobre’, empenhado na valorização da leitura, já introjetado pelos alunos e professores, e a ausência de práticas efetivas de leitura, que revelam leitores, ainda muito pouco, ‘cultivados’” (SILVA; GIROTTO, 2009, p.380). Entretanto, tais resultados enfatizam desafios a serem enfrentados, na formação de crianças leitoras, o que me reporta as reflexões de Bakhtin (1993), ao mencionar que a situação discursiva determina as práticas culturais do ler e escrever.

O ato de ler, assim, é entendido como um processo discursivo em que os sujeitos produtores de sentido, leitor e autor, são ambos ideologicamente constituídos e sócio- historicamente determinados. A construção dos sentidos é influenciada por esses elementos constitutivos. E aí se pode interrogar: será que só o investimento na compra do acervo do PNBE por si só resulta na formação de leitores? Por se tratar de um programa de política pública de formação de leitores, não deveria existir o investimento na formação e qualificação dos professores para trabalhar com o acervo do PNBE? Será que o investimento em um guia que auxilie o professor, não contribuiria para um melhor resultado do programa? Não seria interessante que os professores responsáveis pelas bibliotecas escolares também fossem submetidos a cursos de qualificação?

O Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) justifica sua existência e importância no desempenho de um programa de incentivo a leitura, cultura e lazer. Porém, cabe ao poder público, o investimento não somente em material, ou seja, na compra de livros, é necessário também o investimento na qualificação e aprimoramento dos profissionais, que têm o papel de difundir a leitura no ambiente escolar, sendo eles: professores, coordenadores e gestores. Nesse sentido, Dacal (1998, p.45) afirma que para se formar leitores, os professores devem:

Compartilhar com alegria as experiências de outras leituras com seus alunos, estar disposto a julgar, criar e imaginar junto com os leitores, contagiar o lugar onde acontece à leitura, conhecer a literatura infantil, e se possível, continuar aprendendo sobre a literatura infantil, ter atitudes ativas e dispostas, estimular um encontro para leitura com um clima positivo, livre, criativo e responsável para cada situação, propiciar a participação de todos de forma organizada e espontânea, ser flexível e incorporar as ideias que se vão produzindo a partir da interação e valorizar cada um dos apontamentos feitos pelos alunos.

Diante dessas habilidades, evidencia-se a importância de um professor bem qualificado para desempenhar a função de formar leitores. Desse modo, comprova-se que as políticas públicas de formação de leitores devem ir além da compra de livros e materiais, porque a compra de livros por si só não forma leitores, as políticas públicas devem focar também na formação e qualificação de professores que saibam trabalhar o livro com habilidade e crítica, levando os alunos a se tornarem leitores que leiam além das entrelinhas.

É importante destacar o cuidado que se deve ter para que o PNBE não se torne um programa de “manobra de massas”, ou seja, que os conteúdos e temas

propostos e contidos nas obras não direcionem os leitores a pequena política, uma vez que segundo Neves (2005, p.25),

O governo redefine suas funções, acrescentando as tarefas de comando, e domina a função de direção cultural e política das classes dominadas (hegemonia civil), por meio da adesão espontânea (consenso), passiva e indireta e/ou ativa e direta ao projeto de sociabilidade da classe dominante e dirigente.

Diante de tais fatos, conclui-se que o PNBE é um programa de política pública extremamente importante para formação de leitores e incentivo à prática da leitura, porém é necessário que ajustes sejam feitos para que os objetivos de se formar leitores aconteçam com mais êxito e praticidade. Afinal, a simples compra de livros não resulta necessariamente na formação de leitores, é preciso investimentos em infraestrutura e na formação de professores qualificados para trabalharem com as obras de forma crítica e reflexiva. Desta maneira, é preciso analisar com criticidade a direção cultural e política que estão presentes nas obras do PNBE.

Diante desse cenário, é válido ressaltar que até agora o que se obteve em melhorias educacionais, desde as reformas da década de 90, foi o ganho do fácil, isto é, a vaga que não existia, o livro que não se tinha. Daqui para frente, as benesses dependerão de investimentos de maior envergadura na educação. Talvez a recente aprovação de 10% do PIB para a educação dentro do novo PNE (2014-2024) trará recursos adicionais para os ajustes necessários, visando o aperfeiçoamento do PNBE e a formação adequada dos professores atuantes nas B.E’s brasileiras.