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SUÇ CETVELLERİNE GÖRE AYDIN VİLAYETİNDE MEYDANA GELEN CÜNHA SUÇLARI, KABAHATLER VE FAİLLERİ

3.2. Aydın Vilayetinde Meydana Gelen Cünha ve Kabahatler 1 Yol Tezkeresi ve Pasaport Sahtekârlığı

3.2.6. Hakaret ve İftira

Dada a necessidade de investigar o tratamento oferecido à linguagem na modalidade oral nas aulas de língua portuguesa, efetivamos, em primeiro lugar, um estudo sobre o contexto de ensino-aprendizagem do Português como língua materna. Para isso, elencamos pesquisadores e teóricos como Marcuschi (2005), Antunes (2009), Ramos (2002), Castilho (2002), Oliveira (2003), dentre outros, cujas pesquisas denunciavam a ausência de um estudo sistemático da oralidade em aulas de Português como língua materna.

Os autores e trabalhos estudados evidenciaram o privilégio dado ao estudo da escrita e da gramática em detrimento dos aspectos pertinentes ao trabalho com a oralidade numa perspectiva interacional. Essa situação se torna contraproducente, na medida em que os objetivos do ensino do Português como língua materna, segundo os PCN, apontam para uma concepção sociointeracionista, na qual o estudo da língua e da linguagem se preocupa com a capacidade comunicativa do falante como forma de interagir com o outro e com o mundo, para uma plena participação social. O objetivo maior do ensino de Língua Portuguesa, segundo os PCN, é capacitar o aluno no desenvolvimento e domínio de habilidades orais e escritas, utilizando-as adequadamente nas várias situações comunicativas a que estará exposto nas relações de convívio social.

[...] a escola deverá organizar um conjunto de atividades que possibilitem ao aluno desenvolver o domínio da expressão oral e escrita em situações de uso público da linguagem, levando em conta a situação de produção social e material do texto (lugar social do locutor em relação ao(s) destinatários(s)); destinatário(s) e seu lugar social; finalidade e intenção do autor; tempo e lugar material da produção do texto, operando sobre as dimensões pragmática, semântica e gramatical. (PCN, 1997, p. 49)

Após nos situarmos no contexto de ensino-aprendizagem do Português, procuramos, ainda nesses autores, as explicações para tal realidade, como forma de compreender as relações existentes entre as variáveis e os fatos constatados. Dentre os motivos encontrados, fizemos ressaltar prioritariamente os mencionados por CASTILHO (2002), que dizem respeito às crises enfrentadas pelo professor de Língua Portuguesa; por ANTUNES (2009) e MARCUSCHI, (2005) quanto aos motivos relacionados à formação e atualização de professores egressos dos cursos de Letras; e também os motivos apontados por BATISTA (2001) que atentam para as condições sob as quais as situações de ensino acontecem, considerando fatores como o tempo, os espaços físicos e os recursos didáticos disponíveis.

Ao visualizarmos esse quadro, sentimos a necessidade de um estudo teórico que abordasse o percurso das pesquisas linguísticas realizadas em torno da oralidade. A pesquisa nos levou em direção aos anos 80 quando se iniciou o movimento que questionava as bases sobre as quais se fundamentava o ensino de Português até então, bem como a formação oferecida aos professores nos cursos de Letras.

Nessa fase, contamos com as contribuições de Magalhães (2008), Soares (2001), Bagno (2004), Weedwood (2002), dentre outros, para nos indicar os percursos do surgimento de estudos da fala e suas repercussões no campo de ensino-aprendizagem do Português como língua materna. Também recorremos às contribuições de MARCUSCHI (2005) para situar a perspectiva das dicotomias entre fala e escrita, segundo sua visão, ou seja: como “co-ocorrentes” dentro de um “continuum tipológico das práticas sociais”.

Assim, ancoramos nossa pesquisa teórica nas bases de uma concepção sociointeracionista da linguagem de caráter comunicativo, dialógico e ideológico.

Nessa concepção, estão incluídas todas as correntes de estudo da língua preocupadas com a enunciação, tais como: a Teoria do Discurso, a Análise Conversacional, a Semântica da Argumentação, a Linguística Textual e as demais teorias ligadas ao campo da Pragmática linguística. Essas correntes fornecem contribuições ao estudo da fala e da enunciação.

A nossa pesquisa se volta para a oralidade do aluno, compreendida como uma produção textual sonora para fins comunicativos e vista sob uma concepção sociointeracionista da linguagem. Nessa direção, investiga como se dá o trabalho com a oralidade do aluno através dos procedimentos utilizados pelo professor no contexto das aulas de Português como língua materna, considerando os objetivos estabelecidos nos programas oficiais para essa disciplina.

Portanto, importou-nos destacar os procedimentos didáticos que têm por objetivo desenvolver habilidades que se relacionam com a produção de textos orais. Nesse momento, tornou-se relevante para nós, entre outras coisas, o conhecimento de que os eventos comunicativos são construídos por meio de enunciados. Para BAKHTIN (1992), o conjunto de enunciados, produzidos durante o processo de interação comunicativa, constituem os textos, orais ou escritos.

Dessa forma, a noção de gêneros do discurso ou gêneros textuais, segundo Bakhtin, foi trazida para fortalecer a assunção de posturas metodológicas que trabalhem a oralidade sob a ótica de uma visão sociointeracional da linguagem. Para isso, se torna necessário o estudo sobre os usos e reflexões sobre a língua e a linguagem enquanto modo de atuação social, tais quais são mencionados pelos PCN de Português. Assim, fizemos rápidas referências aos trechos do documento em que esses conceitos são citados. Ao lado disso, os conceitos de letramento e idéias dicotômicas entre fala e escrita foram trazidos para melhor compreender aspectos pertinentes ao trabalho com a oralidade em contexto escolar.

Para contribuir com as idéias aludidas, procuramos fazer referência a alguns dados históricos sobre o estudo da língua oral que auxiliam na compreensão das idéias interacionistas conhecidas hoje, como, por exemplo, a noção sobre o enunciado ou a enunciação. Nesse sentido, as Informações históricas trazidas revelam que equívocos ocorridos durante o processo de tradução/interpretação do

conceito de enunciado podem justificar os motivos pelos quais a análise da língua se realiza através de frases descontextualizadas que encontramos (e ainda permanecem) nas gramáticas normativas. Julgamos que informações como essas são importantes para compreender a importância do estudo da língua e da linguagem através de situações reais de uso, sob a visão de língua como atuação

social, além de desfazer e desmistificar um hábito que se incorporou nos

procedimentos didáticos de ensino de Língua Portuguesa que é o de estudá-la descritivamente e fora de um contexto comunicativo e social.

Feito isso, procuramos expor os conceitos e ideias relativos aos gêneros discursivos, fazendo a distinção entre gêneros discursivos e gêneros textuais, bem como gêneros primários e secundários. A apresentação da noção de gêneros se fez importante, a nosso ver, por ela representar possibilidades ao trabalho com a oralidade baseadas em uma visão comunicativa da língua em contextos de uso real que podem pedir registros mais formais, diferentes dos registros da oralidade informal utilizados no dia-a-dia.

Pareceu-nos igualmente necessário abordar alguns conceitos básicos no trabalho com a oralidade em sala de aula. Dentre eles, abordamos a diferença entre descrição e uso, o conceito de norma culta e de estilo (RAMOS, 2002), as noções sobre fala, escrita, oralidade e letramento (MARCUSCHI, 2005), gênero (BAKHTIN, 1992), desempenho e competência comunicativa (BORTONI- RICARDO, 2004).

Após precisarmos a concepção sociointeracionista de língua, seus conceitos, pressupostos, bem como algumas ideias que são pertinentes ao estudo da oralidade em contexto escolar, sentimo-nos mais seguros para ir ao campo de pesquisa coletar os dados e observar “com olhos de ver”, sem confusões desfocadas, os procedimentos voltados para o exercício da oralidade em contexto educacional, com base nas informações teóricas estudadas.

Iniciamos nossas primeiras visitas ao campo de pesquisa para a coleta de dados e mantivemos contato com a equipe pedagógica. Ao comunicar à Direção nosso objetivo, pedimos permissão para a realização da pesquisa - o que foi gentilmente concedido -, então, passamos a nos informar sobre o regimento da

escola, sobre a organização da rotina escolar e sobre o Projeto Político Pedagógico (PPP), onde obtivemos informações sobre a comunidade e sobre o perfil filosófico da instituição.

Procuramos perceber, no espaço pesquisado, as circunstâncias de cunho didático, emocional, político, pessoal, etc., nas quais o trabalho com a oralidade tomou lugar e se efetivou para uma melhor compreensão da realidade.