C- Malik tarafından alacaklıya yeterli teminat verilmemesi
VII. TSR ile getirilen düzenleme
O mamulengueiro procura no cotidiano do grupo social temas para colocar em relevo durante a apresentação, facilitando o seu reconhecimento por parte da plateia e consequentemente a interação desta que termina por se identificar com as falas dos bonecos. Os mamulengueiros podem aproveitar algum fato ocorrido recente e de conhecimento do grupo e incluir o assunto na fala dos bonecos improvisando. Os temas recorrentes nas apresentações de mamulengos dizem respeito à violência, traições, sexo, inversão de hierarquias, superstições, dinheiro, preconceitos e em alguns teatros tradicionais ainda é possível encontrar uma temática de cunho religioso, como afirma Santos (1979, p. 35) ao dizer que espetáculos de conotação religiosa são mais encontrados no mamulengo rural, acrescentando ainda que o mamulengo urbano trata de temas folclóricos com menos frequência e mais de assunto ligados ao contexto das cidades e que o mamulengo têm a facilidade de incorporar fatos do cotidiano com grande facilidade e de absorver, inclusive, outros folguedos. Quanto aos temas utilizados pelos brincantes da tradição, Borba Filho (1966, p. 94) comenta que os bonecos representam as histórias do próprio povo improvisadas junto com a plateia, fazendo críticas a pessoas e entidades, cantando, dançando, dando paulada e gritando obscenidades. Alcure (2001, p.13) salienta que os temas utilizados nas passagens são colhidos do cotidiano, da tradição oral, da literatura de cordel e recebem ainda influência de outras brincadeiras populares da região. Santos (1979, p. 16-17), destaca que os temas geralmente tratam das condições sociais do povo nordestino, da relação de poder entre dominantes e dominados, de fatos importantes ocorridos na comunidade, do imaginário
popular, podendo ser também um elemento veiculador de ideias e opiniões. As passagens expressam a vida dos nordestinos e dos desvalidos, pela temática apresentada, nome dos personagens ou linguajar utilizando sátiras, paródias e situações de duplo sentido. Jasiello (2003, p. 64) considera o teatro de mamulengos um teatro para adultos devido às suas temáticas e falas, “A temática, a ambientação, os diálogos, os “duplos sentidos”, a obscenidade, as “sutilezas” improvisadas podem ser apreciados, exclusivamente, pelo expectador adulto e a ele se destinam”. Enfatizando mais adiante que,
O mamulengo destinado às crianças perde muito de sua espontaneidade, sofre limitações no desenvolvimento dos diálogos, a improvisação não é estimulada pelas intervenções maliciosas do público, as expressões e palavras submetidas à pior de todas as censuras para a arte: a autocensura, filha predileta da repressão. Quando apresentado para um público infantil, acaba perdendo suas melhores qualidades. Descaracteriza-se, torna-se repetitivo e se empobrece. (JASIELLO, 2003, p. 65)
O mamulengo de Heraldo Lins mantém alguns fios amarrados na tradição ao utilizar de falas de duplo sentido, jocosas, sutil violência e disfarçada obscenidade, e que a isso tudo ele inclui o tema principal do show contratado. São temas que vão desde uma homenagem a alguém, observados em shows personalizados, como temas de interesse de uma instituição que visa informar a um público específico. Conversando com ele sobre o trabalho dele, perguntei-lhe o que é ser um mamulengueiro contemporâneo, então ele falou:
O mamulengueiro contemporâneo é aquele que traz o atual para o show de mamulengos só assim consegue uma maior interação com o público, sem ficar repetindo o que está fora do contexto cultural atual. Não adianta querer permanecer no passado. Acredito que o meu trabalho tem o reconhecimento exatamente porque a cada show sou cobrado para tematizá-lo. Uso os bonecos como forma de passar mensagens atuais, tipo: meio ambiente, higiene bucal, diabetes, produção de petróleo, vacinação, cuidados agropecuários, qualidade de vida, além de ser convidado para churrascos, festas infantis, congressos onde é preciso adaptar os temas que os contratantes exigem. É uma grande maratona mental ter que criar quase semanalmente um show personalizado.
Compreendi com a sua fala que os temas utilizados nas passagens se constituem num fator de modernidade em seu espetáculo. Ao analisar as peças escritas dos shows que ele me
presenteou, percebi que são peças cujos títulos fogem completamente daqueles encontrados em outros teatros. Lendo alguns autores, entre eles, Pimentel (1971), que registrou algumas peças de variados mamulengueiros, pude perceber que no teatro tradicional o brincante cria peças variadas dando títulos que expressam o seu conteúdo, como: O filho que deu na mãe; Você já viu negro prestar?; Remédio pra mulher braba; O castigo de Baltazar; entre outras. As peças de Heraldo possuem títulos que também expressam o seu conteúdo onde é possível percebermos a diferenciação temática de seu teatro em relação ao teatro tradicional de mamulengos, como: Água Limitada; Febre Aftose; Qualidade de Vida; Lei Maria da Penha; Saúde Bucal ORALWAY; CGU – Lei 12.527; Auto Estima; Convivência Social; Esgotamento Sanitário; Fumo; Diabetes; Reumatismo; Segurança no Trabalho; entre outras. São temas que muitas vezes são desinteressantes à plateia, mas que nas mãos de Heraldo recebem o colorido do teatro tradicional que ele mescla ao moderno. Percebi que ele se vale das “sutilezas” do teatro tradicional para criar peças com temática solicitada pelo cliente. Assim, através da ludicidade e jocosidade, ele consegue transmitir as informações necessárias à determinada plateia. As peças tematizadas servem apenas a um contrato, tendo ele que criar novas falas ao receber novo contrato para o Show Folclórico.
No texto fixo que serve de base para ele elaborar as complementações, encontrei falas de duplo sentido, obscenidade e violência velada, disfarçada, não declarada, amenizada e adocicada pelas falas e performance dos bonecos. Exemplifico essa minha observação com a passagem da economia da água com a Vovó e seu neto Lilico, na peça da CAERN apresentada principalmente em escolas.
VOVÓ: - Lilico vá buscar a mangueira!
LILICO: - A vovó gosta muito de um mangueila*. Vovó, pá que a senhola qué a manguela.
*(nem sempre esta fala aparece em seus shows, pois sofre sensura de Vera).
A violência na peça da CAERN é justificada por Baltazar que pede ajuda à plateia para ele matar o mosquito da dengue.