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O licenciamento ambiental é um instrumento de planejamento que visa o controle, conservação, melhoria e recuperação ambiental, de forma a garantir o desenvolvimento socioeconômico, em consonância com os princípios do desenvolvimento sustentável, constituindo-se em um dos instrumentos de gestão ambiental previsto na Lei Federal no 6.938/81 – Lei da Política Nacional do Meio Ambiente- PNMA, a qual definiu, através do art. 9º, os instrumentos que irão providenciar o alcance dos seus objetivos, colocando a definitiva instituição do licenciamento ambiental como um dos principais instrumentos de proteção ambiental.

Os princípios da PNMA são extraídos da Constituição Federal, da Lei 6.938/81 (Lei da Política Nacional do Meio Ambiente), das Constituições dos Estados e, igualmente das Declarações de Princípios adotadas por Organizações Internacionais, notadamente as Declarações de Estocolmo de 1972 sobre o Meio Ambiente Humano e do Rio de 1992 sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, elaboradas pela Organização das Nações Unidas2.

Entre os princípios da PNMA, inscritos na Constituição Federal, na Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, na Constituição Estadual e nas Declarações de Estocolmo de 1972 e do Rio de 1992 merecem destaque:

• A defesa do meio ambiente como princípio da ordem econômica (art. 17, VI, da CF; Princípio 4 da Declaração de Estocolmo de 1972; Princípios 3 e 4 da Declaração do Rio de 1992)

• Princípio da participação popular na proteção do meio ambiente (art. 225, “caput”, da CF; Princípio 10 da Declaração do Rio de 1992)

• Princípio da avaliação prévia dos impactos ambientais das atividades de qualquer natureza (art. 225, § 1º, IV, da CF; art. 9º, III, da Lei 6.938/81; Princípio 17 da Declaração do Rio de 1992).

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Apostila - Legislação aplicada ao licenciamento ambiental - PROF. RAFAEL BURLANI; PROF. RAFAEL DALL´AGNOL, M.Enga. PROFª. LUCILA CAMPOS, Dra.

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Durante muito tempo, foi entendimento mundial, que, o desenvolvimento tinha de acontecer a qualquer custo, independente das transformações que fossem impostas ao meio ambiente, acreditando o homem que os recursos naturais eram finitos. Especialmente no Brasil, desmatar e explorar minas era sinônimo de progresso.

Infelizmente observa-se atualmente que este desbravamento ainda permanece em nosso país, só que de forma mais sofisticada, uma vez que o homem passou a devastar as nossa matas com o uso de moto-serras e tratores, passou a poluir os nossos recursos hídricos de forma mais perigosa, com mercúrio e outros metais pesados, concentrando indústrias contaminadoras, como em Cubatão, ou danificando o ar com a poluição dos veículos, como em São Paulo.

Com vistas a compatibilizar o desenvolvimento com a sustentabilidade ambiental, é que a Lei de Política Nacional do Meio Ambiente, no Brasil (Lei nº 6.938 de 31 de agosto de 1981) inseriu em seu objetivos – compatibilizar o desenvolvimento econômico-social com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico e a preservação dos recursos ambientais, com vistas à sua utilização racional e disponibilidade permanente (art. 4º, I e VI).

Ainda com relação a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, vale ressaltar que dentre os instrumentos da política, previstos em seu art. 9º, III , está a "avaliação dos impactos ambientais" .

A partir dos anos setenta inicia-se o processo de afirmação Político- Institucional com a criação da SEMA - Secretaria Especial do Meio Ambiente - em 1973, pelo Decreto Federal 73.030, de 30 de outubro. No art.3° foi instituído o Conselho Consultivo do Meio Ambiente (CCMA), com nove membros a serem nomeados pelo Presidente da República, por proposição do Ministro do Interior. Contudo, esse Conselho foi extinto na prática.

Com a Lei de Política Nacional do Meio Ambiente, estabeleceu-se a competência para o Licenciamento Ambiental, cabendo aos órgãos estaduais integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente - SISNAMA, em caráter supletivo

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o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA;

Quadro 3.2 - Legislação Federal básica que regulamenta o licenciamento ambiental

DOCUMENTO LEGAL Lei nº. 6.938/81

Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências

Decreto nº. 99.274/90

Regulamenta a Lei nº. 6.902, de 27 de abril de 1981, e a Lei nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõem, respectivamente sobre a criação de Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental e sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, e dá outras providências.

Lei nº. 9.605/98

Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências.

Decreto nº. 3.179/99

Dispõe sobre a especificação das sanções aplicáveis às condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências.

Lei nº. 9.985/00

Regulamenta o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras

providências.

Decreto nº. 4.340/02

Regulamenta artigos da Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, e dá outras providências.

Resolução CONAMA nº 01/86 alterada pela Resolução CONAMA nº. 011/86 Dispõe sobre critérios básicos e diretrizes gerais para o Relatório de Impacto Ambiental – RIMA.

Resolução CONAMA nº. 006/86

Dispõe sobre a aprovação de modelos para publicação de pedidos de licenciamento.

Resolução CONAMA nº. 009/87 Dispõe sobre a questão de audiências públicas.

Resolução CONAMA nº 0027/96

Dispõe sobre a exigência de implantação de Unidade de Conservação de Domínio Público para licenciamento de empreendimentos de relevante impacto ambiental

Resolução CONAMA nº. 025/1994

Define vegetação primária e secundária nos estágios inicial, médio e avançado de regeneração da Mata Atlântica, a fim de orientar os procedimentos de

CARCINICULTURA: LICENCIAMENTO, FISCALIZAÇÃO E MONITORAMENTO NO ESTADO DO CEARÁ 100 Quadro 3.2 - Legislação Federal básica que regulamenta o licenciamento ambiental (continua)

DOCUMENTO LEGAL Resolução CONAMA nº. 002/96

Determina a implantação de unidade de conservação de domínio público e uso indireto, preferencialmente Estação Ecológica, a ser exigida em licenciamento de empreendimentos de relevante impacto ambiental, como reparação dos danos ambientais causados pela destruição de florestas e outros ecossistemas, em montante de recursos não inferior a 0,5 % (meio por cento) dos custos totais do empreendimento. Revoga a Resolução CONAMA nº 10/87, que exigia como medida compensatória a implantação de estação ecológica.

Resolução CONAMA nº237/97

Regulamenta os aspectos de licenciamento ambiental estabelecidos na Política Nacional do Meio Ambiente.

Resolução CONAMA nº 281/2001

Dispõe sobre modelos de publicação de pedidos de licenciamento. Resolução CONAMA nº 306/2002

Estabelece os requisitos mínimos e o Termo de Referência para realização de Auditorias Ambientais

FONTE: MANUAL DE LICENCIAMENTO CAMINHOS E NORMAS - SEMACE, 2004